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Ferida

Pontuação: 9 pontos

por Mitchell von Hannover » 21/10/2011 às 18:45:48
Título: Ferida
Mitchell von Hannover
 

...

                O frio era inexplicável tal como o gelo que fixava no orvalho daquele enorme tapete verde e gélido. Olhei para todos os lados que pude e não conseguia ver nada. Nada, exceto muros altos ao redor daquele terreno. – Alguém? – Perguntei curiosa. Nunca tinha visto algo tão silencioso quanto e talvez por isto pus-me a caminhar. Algumas baforadas brancas soltava ao mesmo tempo retirava o cabelo que o vento tanto fazia questão de deixar sobre meu rosto. Tudo ainda era silencioso. Vaguei por mais alguns metros e cansei. Parei de olhar para todos os lados e nada ver. A única coisa que iluminava aquele tapete de grama era a Lua e suas estrelas, céu limpo. Perigoso. – Alguém? Só pode ser um sonho... – Abracei minha cintura e girei meu corpo em 360graus. Nada. O coração começava a bater mais forte e um frio percorreu a minha espinha. Olhei para um lado e para o outro. Nada. Fechei meus olhos e Inspirei profundo... Um grito agonizante e totalmente familiar cortou o silêncio, com medo mantive-os fechados. – Anastácia... Anastácia... – Uma voz sussurrante provocou um arrepio em meu corpo. – Quem é? – Medrosa, não abria meus olhos. – Veja por você mesmo, Any... – Sim, era a voz de minha Avó, tão suave, calma e melodiosa. Expirei. Abri meus olhos e finalmente pude vê-la. Tão bela tão velha. Suas maçãs não coravam mais, seu corpo não se mexia e seu cabelo branco nem era mais tão brilhoso como antes. Seus olhos me encaravam fixamente como se enxergasse minha alma; e sua camisola, longa parecia tão linda e ao mesmo tempo velha. – Vovó! – Corri em sua direção com um sorriso nos lábios, estava deitada naquela grama verde e com ela ficaria ao seu lado. – Não se aproxime! – Apesar de fraca ainda era preocupante e cheia de ternura. Parei. Ela sorriu e então fechou seus olhos. – Fique. Ainda não é sua vez... – Tornei a caminhar curiosa me aproximando dela, pressentindo que estava sofrendo com algo. Até que finalmente eu vi.

                Um buraco estava abaixo daquele corpo velho, correntes prendiam os membros inferiores e superiores dela, mangueiras estavam por todas as partes de seu corpo e um líquido vermelho fluía dentro dele. Um cheiro adocicado e levemente enjoativo tomou conta daquele lugar. Respirei para tentar saber que cheiro era. – Sangue... Vovó! – Gritei até me ajoelhar ao seu lado. A velha não abriu os olhos, mas sim, outro alguém me encarava. – Any, ainda não é sua vez, falta sua mãe! – Olhei para o dono que dizia aquele absurdo e quando percebi notei que era meu Tio. O filho mais velho de vovó. Estava acorrentado e era mutilado lentamente. Agulhas de metal penetravam sua pele e nem mesmo um grito de dor ou uma careta ele fazia. Forte ele era. Entretanto, o que significava aquilo? Minha mente começou a ficar mais confusa com tantas perguntas até que uma delas foi esclarecida: o cheiro de sangue era deste tio, Claudes. Fiquei boquiaberta, lágrimas jorravam de meus olhos e comecei a sentir uma moleza no meu corpo. – Eles precisam fazer isto para hidratar-me. Somos uma família. Família de sangue. O que em breve fará também. – O ar pesava, não conseguia mais respirar, minhas pálpebras pesavam e meu corpo não queria levantar dali. – Não! Isto não é real! – A velha figura que cada vez mais branca ficava apenas abriu seus olhos lentamente, me olhou profundamente e sorriu com todo o amor que ainda lhe restava. – Estarei bem, seja forte, eles precisam de ti... Não chores criança, não estás sozinha. – Mordi meu maxilar e com as forças que me restavam, levantei. – Não Any! – Um braço me segurou e me abraçou por trás. Seu cheiro era materno, sua pele era quente e macia e seu abraço era reconfortante. – Mamãe não pode deixar... Olha o tio como está, precisa de ajuda! E vovó! – Ela não disse nada, esperou meus pés se acalmarem e por fim me soltou. Não conseguia mais chorar e parecia que as lágrimas ficavam entaladas em meu corpo, me sufocando. – Mas... – Virei-me e tive a visão mais assustadora que uma filha poderia ter de sua mãe: ela estava deformada, tão decomposta como um zumbi.
                Apenas em uma ação, gritei.

...


[justificar]
                Todos choravam, por todos os cômodos daquela casa em que passava só tinha familiares chorando. Ela morreu. Vovó está morta e todos lamentam. Não adiantou a velocidade em que papai dirigiu ou a oração em que tia Custódia fazia, seus apelos para Deus foram inúteis. E o pior de tudo aquilo não era a morte, mas sim o fato que não chorei. Eles estavam sendo feridos agora, e quanto a mim... Bem, fui a primeira a ser ferida, mutilada.

                Seus rostos não faziam mais sentido e todos lamentavam no enterro. A frase para seu túmulo foi eu quem escolhi, mas a flor que joguei em seu caixão, foi mamãe quem me deu. Quando a cova começava a ser fechada senti toda a vontade do mundo de chorar e desejei derramar algumas lágrimas. Sinceras e não teatral, infelizmente, não consegui. Não chorei pela morte da minha avó, mas pela agonia que sentia quando todos os rostos presentes choravam. Fechei meus olhos e por um momento senti todas as pontadas que aquelas agulhas fizeram em minha avó no meu sonho. Uma leve coceira surgiu em meu corpo e comecei a me acariciar nos braços. Mamãe me abraçou, mas nem mesmo seu abraço me fez parar de sentir o aperto que a sugada de sangue provocava em meu tio. E por fim, senti novamente a sensação de debilitada. Ao mesmo tempo o cheiro de sangue tomou de conta. Abri meus olhos e vi que todos estavam chorando, novamente os fechei. Conseguia ouvir meus próprios gritos de dor, conseguia olhar o sangue que entrava em meu corpo pelas mangueiras. Agora, ligadas em todos da minha família. Mordisquei meus lábios. A ferida aumentava, deixando-me deformada, parecida com um zumbi e a única coisa que podia fazer era gritar...
                Abri meus olhos e gritei caindo em prantos.

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Lilith Ambrew Foi o que mais gostei... Apesar de ainda não estar revisado... but... 21/10/2011 às 18:54:57