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Na Zonko's não citamos nenhum dos personagens dos livros ou filmes. Vivemos no mundo mágico, mas nem Harry Potter, Voldemort, Dumbledore, Comensais da Morte e etc. existiram em nosso mundo, com isso você não pode usar nenhum sobrenome dos personagens dos filmes ou livros. O fórum encontra-se nos dias atuais, no ano de 2013 d.c. e as condições climáticas variam de dia para dia e de tópico para tópico, conforme você poderá observar. O nosso período letivo dura oito meses contando com as férias. Nossos adultos recebem por dia de presença e seus tópicos em ON lhe renderão pontos e goldens (nossa moeda). Você nunca poderá interpretar a ação de outro personagem (salvo com autorização), mas poderá interpretar livremente o seu personagem (seja sempre coerente), lembrando que toda ação possui uma reação. A capital do Mundo mágico está localizada em Vaduz, Liechtenstein.

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Herberge Rotenboden [Hospedaria]

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MensagemUniao Europeia [#147957] por Guardião Internacional » 15 Mai 2015, 21:28

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Não existe melhor lugar para se tomar uma boa sopa quente com conhaque de malte e dormir como um dragão enfeitiçado do que a hospedaria Rotenboden, localizada no fim da avenida principal de Vaduz. Dos mais simplórios aposentos, aos mais luxuosos, esta estalagem está aberta a todos os tipos de pessoas, ricas ou não, bruxas ou não.

Estranhamente, Helga Rotenboden, a proprietária, tem o costume de estipular o preço das coisas de acordo com a cara do sujeito. A diária da suíte mais luxuosa pode custar apenas 2 nuques caso você realmente cause uma boa impressão na senhora... ou... bem... o fato é: Se é de Helga Rotenboden que estamos falando, é melhor você aparafusar um sorriso na cara e escolher as melhores piadas, ou muito provavelmente sairá de lá sem um único nuque furado para esconder as partes íntimas à mostra!
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemPolonia [#150378] por Jasper Specter II » 30 Jun 2015, 22:08

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        - Donna, hoje eu não quero ser incomodado. Se for algo muito urgente me envie uma mensagem ou me ligue. Se vier alguém reclamar sobre o meu relatório a respeito do departamento que to supervisionando, mande a merda, eu te autorizo. – Deu um pequeno tapa em um dos ombros da secretária ruiva e começou a caminhar lentamente de costas até o elevador, alguns metros mais para frente no fim do corredor, sorria para a mulher. – Algum dia você irá me colocar em enrascada. – O polonês deu uma risadinha e deu de ombros. – Da mesma forma que eu te coloco, eu te tiro. – Virou-se e andou os últimos passos até a caixa de metal. As portas abriram enquanto a voz feminina magicamente falava em que andar o elevador havia acabado de parar. Os funcionários do Ministério passaram por Jasper o cumprimentando e então prosseguiram por entre os corredores do Nível Cinco. O homem loiro colocou as mãos nas portas de metal e deu um pulo para dentro do elevador. Encostou as costas na parede fria espelhada e esperou as portas se fecharem.

        Assim que uma porta bateu levemente na outra o polonês desfez o sorriso presunçoso do rosto, ou melhor dizendo, tirou a máscara. Mantinha em suas feições uma expressão neutra, afinal, era bom estar sozinho e sem precisar fingir qualquer emoção. Ele não estava alegre para estar sorrindo, ou se divertindo para estar rindo. Na verdade ele não dava a mínima para mais da metade daquele lugar. Se fosse possível colocar uma bomba em cada departamento do Ministério da Magia e fosse possível que elas explodissem, se sentiria muito melhor quando soubesse que não tinha havido nenhum sobrevivente. Colocou as mãos nos bolsos da calça jeans e movimentou o pescoço sentindo-o estralar. Sentia frio e o sobretudo que vestia não parecia ser o suficiente para aquecê-lo. Ajeitou a camiseta de manga cumprida por baixo do agasalho e suspirou profundamente quando a voz feminina entoou:
        “TÉRREO”.

        - Helga! – Exclamou em cumprimento. Fazia muito tempo que não ia à Hospedaria Rotenboden talvez a última vez sendo quando viera com sua sobrinha e Bay... Bay Çelik. Balançou a cabeça como se tentasse levar para longe aquela momentânea melancolia da mente e então se sentou em uma das mesas vazias, perto da coluna e do lado da mesa em que se sentara na última vez. – Eu quero uma porção de batatas fritas. – Novamente balançou a cabeça, mas agora recusando o que a mulher dizia. – Batatas fritas. – A mulher devia ter se confundido, afinal, Jasper sempre pedia a mesma coisa e nunca batatas fritas. O loiro sentara de frente com as portas do estabelecimento, estranhava a falta de movimentação. Era hora de almoço e apenas quatro mesas se encontravam ocupadas. Deu de ombros, aquilo não era seu problema.

        Deu um sorriso seco quando o garçom trouxe a sua porção de batatas fritas e puxou a cadeira para frente, endireitando-se e em seguida inclinando-se e jogando uma batata na boca. Enquanto mastigava começou a fazer um retrocesso em sua vida. Tantas coisas aconteceram nos últimos meses... Tantas coisas. Já estava completando quase dois meses que terminara, ou melhor, que nem começara a namorar com a turca Bay Çelik. Aqueles dois meses haviam sido os mais difíceis de toda sua existência. Na verdade aquilo era notável para todos. Há quanto tempo não vestia um terno? Há quanto tempo não agia como ele mesmo? Sempre gostara de se mostrar tão impecável, tão prepotente, tão infalível... E no fim, alguma coisa deu errada. Jasper Specter II tinha caído na armadilha que era chamada amor.

        Ele descobrira por experiência própria que amar era estar em queda livre, sem nenhuma rede de proteção, sempre na espera para se arrebentar em milhares de pedacinhos quando o abismo finalmente findasse. O problema era que nem sempre esse tal abismo tinha um fim... Então amar era viver sempre com aflição no coração. Era almejar que a cada esquina a mulher de cabelos ruivos estivesse á sua espera. Era sentir o doce aroma de seu perfume, sem nem realmente sentir. Ele sabia que era tolice continuar pensando em Bay, provavelmente ela já havia continuado com sua vida. Pegou mais uma batata frita da tigela e já levava para a boca quando as portas da hospedaria abriram-se. Elevou a cabeça por alguns centímetros e dirigiu seus olhos para saber quem entrara, talvez se não tivesse sido tão curioso e continuado a olhar para sua tigela de batatas fritas... Bay Çelik agora retribuía o olhar em uma intensa ligação de olhares até que o conselheiro desviou os olhos e concentrou-se nos detalhes que a toalha de sua mesa apresentava. O seu coração batia descompassado e doloridamente em seu peito. O que ela fazia ali? Ela tinha de aparecer ali, justo quando existiam tantos outros restaurantes por Vaduz?

Interagindo com Bay Çelik
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemUcrania [#156696] por Viktor K. Zolnerowich » 04 Fev 2016, 14:37

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Sete anos Atrás.... Em algum lugar da Ucrânia



- Por favor... prestem atenção - Viktor acabara de subir num pequeno púlbito o qual ficava à frente de uma multidão muito privilegiada e extremamente selecionada. Seus cabelos estavam jogados para trás, pouco úmidos, embora algumas mechas relutavam em querer pender sobre seu rosto. A barba ainda volumosa na face; sempre a deixava assim quando tinha eventos da família Zolnerowich para resolver. Afinal, a a barba cheia lhe conferia um poderio a mais que o seu sobrenome na Ucrânia já encabeçava. - Isto é uma ogiva nuclear - dizia o homem vestido de forma menos jovial, porém, sem todo aquele ostracismo evidenciado sempre em Yuri, o seu pai. - capaz de produzir uma explosão equivalente a 1 megaton de TNT - exibia um sorriso mordaz, levando as mãos à frente, entrelaçando-as por alguns segundos. Viktor sempre tivera dicção com as palavras, por isto, sempre quando podia, chefiava as vendas de armas para o mercado negro. Embora fosse de família sangue puro, os Zolnerowich vira nos trouxas uma forma rápida de ganhar dinheiro; contudo eles também não poupavam esforços no mercado negro bruxo, encabeçando as transações de diversas iguarias raras por preços aos quais muitos bruxos não negavam em pagar.

- Vamos começar o leilão em 100 milhões de dólares - abrira os braços em direção a plateia em sua maioria formada por terroristas de grupos distintos aos quais Viktor não dava a mínima pelas ideologias; desde que o dinheiro estivesse em sua conta no dia seguinte. - Temos 100 milhões. Ouço 110 milhões? - um homem de cor de jambo e turbante na cabeça erguera a mão na qual havia um revolver que era apontado para cima e disparado quando levantava o seu lance - 120 milhões? - outra arma correspondente a um asiático acionara o interesse. - 125 milhões? - e o silêncio pela primeira vez perdurou entre os interessados, sinalizando o final daquele leilão. - Vendido então! - apontou o braço em direção ao vendedor o qual se aproximava de sua nova compra. - Parabéns, Senhor Kasawaki. Comprou uma arma nuclear.


.....


Depois daquele leilão abarrotado de vendas, Viktor iria para Liechtenstein, embora infelizmente, sem sua Harley Davidson, posto a distância entre a fria Rússia e ao pomposo reinado de Liechtenstein. Havia recebido o interesse de uma bruxa interessada em liquidar um adversário o qual estava lhe causando transtornos. E, possivelmente, com o intuito de não sujar suas delicadas mãos, resolvera encontrar alguém que faça o serviço. A família ucraniana sempre fora bem requisitava quando o assunto era matar e vender. Embora Viktor, pessoalmente, não costumava bancar de matador por encomenda; preferia vender a arma a dispará-la, contudo, aquela parecia ser uma ocasião especial em virtude do sobrenome o qual a mulher carregava em sua assinatura. Famílias reais europeias sempre lhe incitavam, principalmente quando ostentava o sangue bruxo em suas veias e procuravam por ardils trouxas (na maioria das vezes) para resolverem os seus problemas. Claro... nem sempre era assim. O ucraniano, não fazia muito tempo, cruzara o caminho com a princesa de Liechtenstein, a qual o instigava a respeito de iguarias raras e por sinal de uso duvidoso o qual o homem também pouco se importava. Afinal, assim como as armas, Viktor tentava se apartar dos momentos os quais suas vendas seriam usadas.

Contudo, não fazia muito tempo desde quando o jovem e rebelde ucraniano resolvera dedicar um pouco do seu tempo, à princípio, em agradar ao pai. Afinal, Yuri tentava criar o filho para lhe substituir embora este não demonstrava ainda maturidade para tal; preferindo festas abarrotadas de drogas, álcool e sexo. Claro... paulatinamente, o jovem foi ganhando maturidade, embora de algumas coisas não tenha se afastado, apenas requintado melhor o seu gosto. Drogas ele deixara de lado; o único vício que ostentaria seria por um belo par de coxas e por suas motocicletas as quais o levariam para lugares outrora inimagináveis por pílulas de Ecstasy e Metanfetamina.

Naquela noite, onde a neblina resolvera dançar suavemente pelos caminhos de da Avenida principal em Vaduz, a lua entrecortava-se em meio aos bolos de nuvens pesadas e ao prenúncio de uma noite fria. Um vapor exalava-se entre os lábios do loiro o qual agora vestia-se mais informalmente e dava sua última tragada no cigarro antes de jogá-lo à porta da hospedaria Herberge Rotenboden. Era verdade que ali se cruzava todos os tipos de pessoa; ricas, pobres, com intuito apenas de beber, outros de passarem a noite e alguns apenas por querer pegar um rabo de saia. Contudo, pela movimentação, ali seria um lugar fácil de se esconder; muita gente, pouco foco. E assim, você seria apenas um na multidão. Viktor já conhecia o lugar; tinha a fama de usar dali um reduto para seus encontros com jovens das mais diversas índoles; assim, a representante da realeza seria apenas mais uma para o recepcionista daquele dia.
- E ai, Peter... como anda a movimentação aqui hoje? - inquiriu ao homem com um tom carregado de casualidade e certa intimidade com o jovem. O lugar estava apinhado de gente, contudo, desta vez, Viktor resolvera subir direto ao quarto ao qual havia reservado para o encontro, o qual a princípio se trataria apenas de negócios. Não precisava orientar Peter como a forma de proceder com a acompanhante do ucraniano. Ele apenas lhe entregaria a chave quando ela solicitasse o nome do Zolnerowich. Peter jamais imaginava que ali, debaixo de seu teto Viktor maquinara diversos negócios como também mortes. Endeusificava o loiro, principalmente quando ele estava acompanhado de iguarias raras do sexo feminino e de sua motocicleta . - Não... desta vez vim por meios bruxos. Mas, na próxima, podemos dar um passeio pela cidade, se seus horários tiverem disponíveis. - ser gentil com quem poderia lhe ajudar sempre fora uma arma usada por Viktor. O homem dificilmente se inflamava, exceto quando alguém pisava em seu calo; e não precisava de usar a varinha para se defender; um bom golpe de direita no rosto do infeliz ou até mesmo um movimentar das mãos seriam o suficiente para liquidar seu adversário. Viktor escondia o fato de ser avarador e legilimente, mas, sabia usar estas habilidades quando lhe convinham.

Quando adentrou ao quarto, o lugar poderia ser simples para uma sangue real, contudo, era aconchegante e ele havia pedido a Peter para providenciar uma garrafa de uísque de 12 anos e também com varanda para que pudesse tragar seu cigarro enquanto a esperava. Pedira comida também. Nada de muito sofisticado; apenas alguns snacks para ludibriar a mente e enganar a fome que não tardaria em chegar. Os cabelos mais secos agora, emolduravam o seu rosto e volta e meia levava algumas mechas atrás das orelhas. Não tardaria muito para sua negociante chegar e não podia negar que estava curioso com o seu pedido.
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemSuecia [#156723] por Valerie Zolnerowich » 04 Fev 2016, 18:47

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Há sete anos atrás

Trancada no banheiro de sua suíte, Victoria apoiava as duas mãos contra o mármore frio da pia, cabeça baixa e o olhar distante. Refletia sobre suas últimas decisões dos dias anteriores. Tudo começou como um devaneio, um simples "e se". Pouco a pouco a ideia ganhou força descomunal levando a sueca aos tortuosos caminhos que trilhava agora. Por mais inescrupulosos que fossem seus métodos, jamais imaginou que poderia chegar àquele ponto. Ou será que apenas faltava-lhe a coragem para tomar a decisão que há muito rondava seu travesseiro durante os sonos irrequietos? Por melhor que fossem as consequências dos atos que estava prestes a tomar, conseguiria ficar livre da culpa? Até onde iriam seus limites? Pensar em todas as possibilidades apenas a deixava mais ansiosa. Naturalmente, a tenra idade ainda não fora capaz de amadurecer o suficiente sua mentalidade. Ainda agia por impulso, ainda era movida por vontades e caprichos que, talvez, o avanço dos anos removesse. Entretanto, agora com suas 18 recém-feitas primaveras, Victoria não via tudo com a mesma clareza que veria sete anos depois.

A loira suspirou profundamente e abriu a torneira em um gesto brusco e aflito, molhando os pulsos e levando água à nuca com as mãos trêmulas. - Não é hora de fraquejar, Victoria. - disse a si mesma, fitando seu próprio reflexo inexperiente no espelho. E, de fato, já tinha cruzado a porta de entrada para aquela jornada sem volta. Arrependida ou não, aquilo teria de ser feito. Endireitou a postura, forçando-se a lembrar quem era e o que queria. Bastava de viver às sombras do irmão, sempre vista como a segunda, como a reserva. Aquilo chegaria ao fim. Sua mãe sempre dissera que rainhas são esculpidas em ferro e aço. Não devem hesitar. Afinal, o que importa deve ser alcançado a qualquer custo. Como diria aquele escritor trouxa: os fins justificam os meios. Bom, se não tinha sido essa a intenção do autor aquela era a interpretação da obra que mais convinha à princesa.

Saiu do banheiro com as passadas firmes, mantendo o ar soberbo que desde pequena aprendera a cultivar. Caminhou até a cama e vestiu a capa preta com capuz, amarrando firmemente o laço e cobrindo a cabeça de modo a esconder a maior parte do rosto. Pegou o minúsculo frasco sobre o colchão e contemplou o líquido viscoso dentro do vidro com relutância. Será que funcionaria? Caso a poção falhasse teria de tomar ainda mais cuidado para não ser vista. Sabia que não podia aparatar ou usar a rede flu - o que encurtaria muito o tempo de chegada - afinal, tudo era monitoriado pelo ministério e seu plano não era compatível com rastros que pudessem ser seguidos. Conferiu os ponteiros do relógio sobre o criado mudo e partiu, saindo do quarto com toda a cautela. Tudo fora perfeitamente calculado: a hora da fuga coincidia com a troca de guarda na porta do seu quarto. Naqueles preciosos segundos nada poderia dar errado. Apertou o passo e se esgueirou até a porta da saída de emergência, mantendo uma das mãos rente ao bolso do jeans onde estava a varinha. Não vacilaria se tivesse de estuporar um ou dois que aparecessem inconvenientemente em seu caminho.

Desceu os quatro lances de escada e antes de abrir a porta que anunciaria sua sonhada liberdade, tirou o frasco do decote, destapou e bebeu toda a poção polissuco em uma única golada. O gosto amargo fez todos os pelos do seu braço se eriçarem ao mesmo tempo que formigamentos percorriam toda sua pele. Então era essa a sensação de transfigurar-se em alguém? Não demorou muito até que o processo terminasse e, em poucos instantes, Victoria não era mais ela mesma. Pelo menos não na aparência. Os cabelos pretos encaracolados, a pele negra perolada, lábios ainda mais carnudos. Irreconhecível. Tomara o cuidado de procurar por alguém com as curvas do corpo parecidas com as suas, assim trocar de vestimenta não seria mais uma preocupação. Viu-se refletir, mesmo que fora de foco, no metal da pesada porta de emergência. Sorriu triunfante, o sorriso tão marcante à personalidade. Por fim, tirou o capuz e saiu. Não tinha razão para se esconder.

A poção duraria uma hora, mais que o suficiente para chegar ao lugar marcado. Não conhecia o homem com quem iria falar. Sabia da fama que o sobrenome russo carregava e, por isso, tinha ido atrás de seu contato. Sabia, também, que seu preço seria caro e ela, determinada, estava disposta a pagar tudo. Nada valia mais do que sua própria ambição. Do lado de fora do hotel parou o primeiro táxi que viu e entregou-lhe um papel com o endereço desejado. Victoria tinha medo que até mesmo o som de sua voz denunciasse seu disfarce. O seguro, no fim das contas, sempre morre de velho. A viagem foi curta e, por sorte sem trânsito, mas a princesa conferia seu relógio de pulso com uma regularidade quase paranoica, contabilizando o tempo que lhe restava. Àquela altura sua família, trazida à Liechtenstein para participar de uma convenção qualquer, dormia o sono solto enquanto Victoria aproveitada a oportunidade ardilosamente.

Finalmente, o veículo parou com um tranco - em outra ocasião ela provavelmente reclamaria do medíocre serviço do motorista - e a sueca, após jogar as notas correspondentes ao valor da corrida nas mãos do taxista, saiu do carro rumo à entrada da hospedaria. "Lugar asqueroso. Espero que o esforço valha a pena" pensou consigo mesma, ajeitando a capa sobre os ombros. Forçou-se a andar menos ereta, sem todo o glamour que só os monarcas reconhecem. Pigarreou, limpando a garganta, e forçou um tom de voz esganiçado. - Vim encontrar o Sr. Zolnerowich - anunciou ao jovem recepcionista que olhou a princesa com um olhar incomum à Victoria, sempre tão acostumada a ser cobiçada em todos os lugares que ia. Aparentemente, a camareira do Hotel em que estava hospedada não era tão atraente quanto a loira. O funcionário da Herberge Rotenboden forneceu a informação que a sueca buscava bem a tempo. A loira já começava a sentir o efeito da poção logo terminaria. Subiu os lances de escada e bateu na porta correspondente ao quarto que Viktor estava. Esperou que ele abrisse e, sem pedir licença, voltando aos hábitos superiores, entrou. - Feche a porta, rápido! - apressou-se a dizer. O homem, provavelmente, obedeceu mais por instinto do que submissão. O grandalhão não parecia alguém que se dobrava aos caprichos de uma qualquer.

Victoria afrouxou o laço da capa, sentindo-a sufocá-la, deixando o tecido cair no chão e revelar suas curvas que se acentuavam agora. A pele descolorindo, voltando ao pálido branco, as madeixar se alisavam e alouravam velozmente. Tão rápida quanto a primeira transformação, Victoria voltava a ser o que era. - Por Merlin. Nunca mais quero tomar essa maldita poção na minha vida - reclamou, ajeitando as vestes e virando-se na direção de Viktor, medindo-lhe dos pés à cabeça. A sueca confessava que não estava esperando por um homem como aqueles. Talvez um barrigudo, caolho e sem dente fosse a espécie de mercenário que julgava ter aceitado o pequeno serviço. No lugar, estava diante dela alguém que, além do semblante aterrorizador, era absurdamente atraente. Seu estilo de homem, daqueles ameaçadores que irradiam respeito. Contudo, não deixava transparecer nenhum daqueles pensamentos, olhava-o de cima impassível. - Olá Sr. Zolnerowich. Sou Victoria Alice Desirée Bernadotte, princesa da suécia, segunda na sucessão ao trono. - se apresentava com a naturalidade importa pelo costume. - Mas, creio que o senhor já saiba disso. Bom...o tempo urge e não sou uma mulher de rodeios. Por isso, irei direto ao ponto: preciso dar fim a vida de alguém. O que isso irá me custar?



Interagindo com: Viktor K. Zolnerowich
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemUcrania [#156950] por Viktor K. Zolnerowich » 07 Fev 2016, 15:24

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Viktor ouvira o barulho frenético à porta. O tom era carregado de certo desespero, assim como a entrada súbita da mulher e o pedido, ou melhor, a ordem para que ele fechasse a porta com urgência. O ucraniano assim fez, contudo, mais por precaução de alguém ouvi-los ali do que como submissão. O quarto havia sido magicamente selado; sendo impossível se ouvir o que aqueles dois bruxos confabulariam quando a porta se fechasse. A forma da mulher se portar era no mínimo cômica, angariando elevar de pestanas e questionamentos de "porque ele estava fazendo isto" e, por um instante, Viktor temeu que aquela falta de temperança fosse letal para os negócios que ambos travariam. Contudo, tentou não se deixar levar pela impressão da personalidade da mulher, já que pela aparência...

A poção polissuco já finalizava seu efeito, evidenciando uma mulher de aparência inquietante, curvas acentuadas e uma feição com pinceladas de arrogância a qual ele adorava nas representantes do sexo feminino, como um convite para ser quebrada pelo seu domínio. Não gostava de mulheres submissas e ali se mostrava alguém que estava longe de se deixar levar pelas vontades alheias
. - Prazer, senhorita, - disse em tom educado, exibindo um sorriso cortês ignorando a velocidade que o sangue circulava no corpo da loira - ou princesa, como parece preferir ser chamada - afinal, ela havia enfatizado seu nome real bem como sua linha de sucessão ao trono. Realeza... Sempre pensando sempre achando que precisam de tronos para governar.

Mas, após uma analisada completa no visual da loira, embora feito de forma discreta e sem angariar desrespeito ou até notabilidade por parte dela, conduziu a jovem até à mesa, para que ela se sentasse numa das poltronas dispostas, embora suas palavras remetiam à mesma pressa de outrora e Viktor demonstrasse pouco interesse em toda aquela beligerância, antes, preferia brincar com aquilo.

Ignorando a urgência da garota, Viktor se sentou na cadeira oposta a dela, pegando o cinzeiro lentamente, como uma forma de testá-la como também de irritá-la, depositando-o próximo de si e batendo a bituca para que caísse as cinzas. Pegou um copo de uísque, colocando o líquido de cor âmbar dentro da estrutura vítrea e posteriormente, pegou outro, oferecendo a garota a qual não estava muito afeita à bebida. Viktor lhe delegou um sorriso de canto de lábios; afastou-se, reencostando na cadeira, analisando-a, por alguns segundos. Cruzou as pernas em forma de quatro sobre a outra. Não podia negar, achava cômica a forma como ela se mostrava. Parecia ser caloura naquele ramo e por certo temia se arrepender do que premeditara por fazer. O que poderia ser uma catástrofe, senão fosse o às nas mangas que o ucraniano sempre levava consigo.


- Bom... Agora vamos começar a falar de negócios - bebericou um gole do uísque e deu uma tragada no cigarro. As fumaças espiraladas subiam, envolvendo-o por alguns instantes em meio à nebulosidade; o cheiro do cigarro paulatinamente invadia o lugar, e mesmo com a sacada aberta e a lufada fria de ar que adentrava no quarto, ainda era meio desconfortante para um não apreciador daquele ritual. Afinal, o ucraniano adorava aquela combinação: cigarros e bebidas (destiladas ou não). Ajudava a controlar seu espírito e endireitar o pensamento, além de lhe conferir um ar de casualidade ao momento muitas das vezes tenso, como se aquilo lhe fosse comum por direito. – deixemos o preço para depois. - soltara uma piscadela, ligeiramente marota. - Creio que precisamos discutir pormenores mais importantes. – viu a jovem lhe olhar e lhe sorriu, provocativo. – como, por exemplo, quem terei que matar e até mesmo como deseja esta morte. Por meios trouxas ou bruxos.

Viktor mostrava destreza no assunto, o que poderia até angariar certa apreensão por parte de sua interlocutora. Falava com desenvoltura, embora o alvo indicado pela jovem lhe angariasse o elevar de pestanas em sinal de assombro. Afinal, a dita cuja não queria matar um amante que a desprezara nem mesmo um desafeto em negócios, mas o irmão, o que lhe antecederia no trono. – Seu irmão? – Viktor afastou-se novamente, recostando-se na poltrona da cadeira, e num olhar misturado com ares analíticos e de apreciação pela beleza instigante da jovem, ousou inquiri-la – o jovem deve estar lhe trazendo inúmeros problemas pelo visto, não? – sou irônico e jocoso e a resposta da jovem viera meneando no mesmo tom, não se deixando afetar pelos dizeres da princesa. Afinal, ele também tinha uma irmã a qual não se afeiçoava e que num futuro também corroboraria para a morte da infeliz, embora, claro, por motivos diferentes. – então, acredito que por armas de fogo lhe será menos oneroso no requisito das investigações... – deixava claro não se tratar do lado financeiro - Podendo recair a culpa em algum desafeto do trono. – dizia com propriedade em suas palavras, bebericando um gole de seu uísque e oferecendo alguns snacks para a garota, mesmo sabendo que ela dificilmente aceitaria. – então... como é a rotina de seu irmão?
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemSuecia [#157226] por Valerie Zolnerowich » 10 Fev 2016, 21:20

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Há sete anos atrás

As atitudes de Victoria muito embora marcassem a ferro e fogo seus traços marcantes e personalidade forte, ainda não tinham sido completamente amadurecidas pelo tempo e experiências de vida. Era óbvio, contudo, seu desejo pelo poder, sua ambição e o modo como não media as consequências dos seus atos. Já repassara todas as malditas etapas daquele plano mirabolante e, mesmo assim, temia por possíveis falhas incluindo o próprio arrependimento. "Isso deve ser feito." dizia a si mesma mentalmente, repetindo aquilo como um mantra para convencer a si mesma de que estava tomando a atitude correta. A grande questão que a assolava era: correta para quem? Obviamente, os interesses de Victoria seriam atendidos e, se tudo corresse bem, jamais achariam o culpado do fatídico acidente. Contudo, seria obrigada a viver com a culpa de ter arquitetado a morte do próprio irmão. Até quando seu coração seria gelado o suficiente para lidar com aquilo? Victoria ainda tinha muito a aprender. Grandes segredos gerariam vinham carregados de grande esforço para mantê-los enterrados.

A princesa manteve sua postura soberba, exageradamente nobre mesmo que não fosse necessário. Aceitou a cadeira que foi oferecida a ela e sentou-se, mantendo o ar esnobe ao olhar Viktor com o ar de superioridade. Queria deixar claro o quão melhor era, não estavam no mesmo patamar. Pobre, Victoria. Demoraria a aprender que, em certas ocasiões, aquele comportamento não somente seria inapropriado como cômico. Talvez, a sueca julgasse que tal atitude demonstraria uma mulher pragmática e disposta a tudo para cumprir suas metas. Lamentavelmente, a inexperiente princesa não estava sendo muito mais do que patética. Quando o ucraniano ofereceu a bebida, Victoria limitara-se a negar com um gesto rápido da mão, embora julgasse que um gole faria bem ao seu espírito irrequieto.

- Meu irmão. - respondeu secamente ao questionamento do homem, desviando o olhar para esconder a hesitação que sentia, tentando sufocar aquele sentimento em seu âmago. - Na verdade, o único problema que ele me trouxe foi ter nascido antes de mim. - sentenciou, quase em um desabafo. Não tinha problemas com Phillip. Ele era amável, justo, nobre e extremamente correto. Tudo que Victoria jamais seria. Obviamente, o herdeiro era acalmado pelas multidões, ovacionado, enquanto ela mantinha-se em sua sombra, como a segunda. Conviver com aquela situação era como tomar um soco no estômago dia após dia. Mas, como sua mãe sempre lhe dizia: "O que não a matar, irá fortalece-la.". Por mais que Victoria tentasse fingir que aquilo não alterava seu humor, era evidente que ainda mexia com seus nervos, colocando-os a prova.

- Claro que não. - respondeu um pouco arredia e desrespeitosa. A ideia de uma investigação amedrontara Victoria, fazendo-na fraquejar mais uma vez. - Phillip tem uma rotina agitada, compromissos em praticamente todos os horários de seu dia. Deve imaginar como ele deve gostar de toda aquela badalação de ser o herdeiro ao trono. - a voz da princesa era regada de inveja e cobiça. Queria estar no lugar do primogênito. - Fiz uma cópia da agenda dele. - Victoria retirou um pergaminho milimetricamente enrolado do decote e entregou-o ao seu interlocutor. - Creio que encontrará aqui tudo que precisa. O que ele faz, onde vai e com quem anda. Sua agenda, embora regular, nunca segue um padrão. O único denominador comum é a cavalgada matinal. Phillip não fica um dia longe daqueles estúpidos cavalos e daquele estábulo fedorento. Papai, obviamente, aprecia sua "empatia" com os animais. - ao dizer aquilo fez uma careta desdenhosa, olhando em seguida pela janela pensativa. Aos olhos da sueca, nunca fora a preferida de seu pai, ao contrário do mais velho que era aclamado e requisitado pelo rei o tempo todo. - Métodos trouxas seriam eficazes contra qualquer investigação do Ministério, não? Nenhuma ponta solta pode restar ao término desse trabalho. Nenhum erro e, principalmente, nada que leve-os diretamente a mim. Entendido? Não me importa o quanto isso irá custar. Qualquer coisa que pedir será entregue rapidamente. - sentenciou por fim com a autoridade na voz e no olhar. A fumaça do cigarro começava a incomodar, mas Victoria não deixava isso transparecer, mantendo-se estática e fitando-o fixamente. A determinação faiscando em seus olhos cruéis.



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Valerie Zolnerowich
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemUcrania [#157599] por Viktor K. Zolnerowich » 15 Fev 2016, 15:10

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Viktor então compactuaria do assassinato de um descendente real. "quem diria... minhas balas chegando aos representantes de sangue azul" , esboçava um sorriso sutil e arrogante enquanto reverberava aquela ideia por alguns segundos; gostava de desafios e ali estava um; evidente aos seus olhos. Não era de fazer aquele tipo de trabalho; geralmente, suas atividades "trouxas" estavam voltadas mais ao tráfico de armamentos; em matar aqueles que cruzavam o seu caminho, que o impediam de realizar seus meneios no submundo e não em fazer o serviço sujo daqueles que não ousavam usar as próprias mãos. Mas, diante da jovem... faria aquele "favor", o qual esperava ser muito bem renumerado; e quem sabe até não levaria um brinde para a casa. Faria o serviço sozinho desta vez; não iria terceirizá-lo a alguns de seus vários subordinados. Mesmo que em outras ocasiões usasse da magia para com os serviçais trouxas e magias poderosas entre aqueles que eram bruxos (os quais constituíam a minoria na "Família Zolnerowich"), a fim de esconder os crimes dos quais seu nome estava inserido; aquele não era o caso. A dondoca a sua frente queria eliminar aquele que a ofuscava; algo que poderia soar um gesto mimado. Aliás... ela tinha cara de mimada; contudo não estava ali para julgá-la, afinal, ele também não era e nunca fora um exemplo de pessoa. Viktor não conhecia muito da família da jovem, contudo, até então não julgaria que fosse necessário destrinchar os meandros reais para adentrar na rotina do irmão da loira sem passar despercebido.

Segundo a mesma, o homem tinha uma rotina agitada, uma agenda praticamente lotada em todos os dias.
- a senhorita pelo visto gostaria de ter toda esta badalação somente para vossa pessoa, não? - sorriu, maroto, enquanto a analisava com o olhar e bebia seu último gole de uísque, enchendo o copo novamente e desta vez, também enchera o da princesa, mesmo ante a negação de outrora. De nada adiantava ostentar aquela pose de superioridade quando estava ali, pagando por um serviço que tanto desejava. Viktor não precisava do dinheiro, não precisava fazer aquilo; contudo, faria pelo risco que aquilo lhe incitava. Mas, queria que a garota de fato de soltasse, talvez até estivesse lhe ensinando como se portar diante de situações como aquelas; quem sabe até não ganharia um bônus e pudesse quebrar toda aquela barreira a qual ela criara, aquele pedestal em que ela se mantinha para se parecer superior ao ucraniano. Afinal, não seria a primeira e muito menos a última vez em que Viktor misturava prazer com negócios. Claro... poderia ser uma combinação explosiva, mas, julgara que ali poderia não ser o caso.

Poderia estar soando demasiadamente pretensioso e às vezes irritante para a loira, contudo, seria bom testar os limites de sua paciência e de sua beligerância. Talvez não aguentasse pressão suficiente e num gesto impensado poderia assumir seus erros e conduzi-los a sua pessoa. Viktor pegou a cópia da agenda de Phillip. Enquanto lia, pegara seu cigarro, aspirando aquela fumaça prazerosa, que soltava lenta e de forma espiralada, envolvendo parcialmente sua face momentaneamente num véu branco e opaco. Seria interessante usar das cavalgadas do jovem para extirpar-lhe a vida. Com uma arma de caça, destroçaria o príncipe em questões de segundos e faria a bondade de não lhe instigar sofrimento. E ainda poderia usar de poção polissuco para sua verdadeira identidade passar despercebida. Tramar a morte do garoto não seria tão difícil; não seria o primeiro e nem o último homem que Viktor mataria.


- Empatia por animais esta que você provavelmente não herdou de seu pai - disse Viktor, com o documento em mão, enquanto seus olhos desfocavam-se do objeto à sua frente e recaía sobre a jovem de feições desdenhosas para com a rotina do irmão. Viktor não podia negar que achava graça daquilo tudo; da forma como a princesa se comportava frente ao mandado de assassinato de seu irmão, fazendo-o parecer como um simples desfazer de um inseto incômodo como também algo que toda aquela pompa fleumática poderia finalizar em arrependimentos mordazes. - Sim, sim. No meio mágico, o sangue real que sua família ostenta não tem a importância existente entre os trouxas, princesa. - isto poderia ferir o ego da jovem, mas, disse de forma deliberada apenas para analisar e brincar com a situação. Além do mais, não dizia mentira. As famílias reais européias, embora a maioria fosse constituinte de sangue mágico, preferiam a ostentação entre os trouxas que os veneravam à uma vida de um bruxo, na maioria das vezes, apenas abastado no mundo mágico. Poucos influenciavam na vida política bruxa, e Phillip não fazia parte desta exceção. - assim, uma morte por arma de fogo não angariaria a atenção ministerial. - devotou-lhe um sorriso provocativo enquanto bebericava de seu uisque. - e fique tranquila, princesa - disse num tom levemente sério, porém, o suficiente para que ela soubesse que ele não era amador no assunto. - sei como matar alguém sem deixar rastros. Afinal, foi por isto que me indicaram a senhorita, não foi? - inclinou-se levemente o tronco para trás, encostando-o na cadeira enquanto colocava a cópia da agenda da vítima dentro do bolso. - não tem porquê levar direto a senhorita o assassinato. Afinal... creio que deve bancar uma boa irmã para a vítima, ou estou errado? - provocava-a novamente, com um sorriso nos lábios. - caso não o faça... considero sábio manter o relacionamento que tece com seu irmão desde sempre. Não mudar sua forma de se portar com ele, daqui em diante. Mas, creio que a vossa alteza - dissera o pronome de tratamento referente a posição da jovem no mundo trouxa de forma proposital e ligeiramente jocosa, o qual finalizara com um sorriso e o levar das mechas loiras rebeldes para detrás das orelhas - é inteligente o suficiente para não levantar suspeitas dentro das paredes do castelo. -

O frio lá fora ganhava mais intensidade e começara a nevar densamente. As lufadas de vento adentravam no quarto como também diversos floquinhos de neve que repousavam silenciosamente sobre o chão de madeira já desgastado, tornando-se as únicas testemunhas do diálogo entre Viktor e a princesa. O ucraniano precisou fechar as portas da sacada a fim de deixar o ambiente não somente menos frio como também mais silencioso. Não queria ter que digladiar com o vento para angariar a atenção da princesa e também não queria que a jovem padecesse de uma hipotermia. Estava sendo cavalheiro enquanto suas palavras tentavam abalar o psicológico da jovem pretensiosamente que sabia responder a altura para o ucraniano. - E creio também que a senhorita tenha noção do peso de sua escolha que a levou até aqui.... De forma que depois de efetuado o serviço, - Viktor bebericou mais um gole de seu uísque enquanto batia a bituca de cigarro no cinzeiro - não haverá espaços para arrependimentos.
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemSuecia [#157613] por Valerie Zolnerowich » 15 Fev 2016, 18:56

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Há sete anos atrás

Para sua sorte – Victoria provavelmente reconheceria também julgar-se-ia afortunada alguns anos mais tarde -, a princesa estava lidando com alguém cujos escrúpulos beiravam a inexistência. Apesar de bem recomendado, a sueca perguntou-se quem seria capaz de confabular sobre o assassinato de alguém tão impactante ao mundo dos trouxas. Seria difícil – para não dizer impossível – livrar-se de uma investigação minuciosa que, sem sombra de dúvida, recairia sobre o executor de vossa alteza, o príncipe herdeiro. Um sorriso no canto dos lábios deixava transparecer a apreciação da loira sobre a não relutância de Viktor em aceitar aquele pequeno “serviço”. Enquanto o ucraniano falava, os olhos dela percorriam as expressões faciais do homem e seus trejeitos debochados. Se estava feliz com aquilo? Na verdade, sentia um imenso desejo de estapear-lhe a face. Conteve-se. Algo dentro de si clamava por sua paciência.

E quem não gosta de ser aclamado? De alguma forma, bruxos ou não, somos programados para cobiçar o poder. Alguns só são fracos demais para se arriscar por ele. sentenciou com a voz ardilosa e o olhar esbanjando crueldade. Apesar da inexperiência e da atitude por vezes exacerbada, Victoria era uma mulher de determinação inabalável. Em certo momento daquele explosivo encontro a sueca percebeu as intenções de seu interlocutor. Ele estava testando sua paciência? Que outra razão teria para cutucar-lhe a ferida com uma vara tão curta? Sentiu-se estúpida por ter cedido ao joguete do homem mesmo que por um curto período e, apesar de orgulhosa, resolveu mudar sua abordagem. Estaria sendo sensata o suficiente para lidar com um homem como aquele? A genética materna sempre me caiu muito melhor. sentenciou por fim, cruzando as pernas. Abaixou o olhar, segurando seu medalhão com dois dedos, fazendo-o correr pela corrente de ouro, de um lado para o outro, distraidamente e respirou profundamente. Talvez a combinação daqueles atos chamou a atenção de Viktor para um ponto específico no corpo da loira: o decote estufado e tentador. Ao sentir o olhar cobiçador do homem, sorriu com malícia. Adorava aquela sensação. Que ele desejasse mais. O ego de Victoria revirava-se como que escaldado por um fogo muito quente.

Sou uma ótima irmã. Como ousa dizer o contrário? espalmou a mão sobre o peito, olhando-o incrédula, como se tivesse sido acusada do crime mais hediondo. A feição da princesa tornou-se falsa, mas absurdamente convincente. Após alguns segundos daquele teatro – digno de Broadway – Victoria assumiu seu semblante desdenhoso como sempre. Não se preocupe, sei manter as aparências. Apenas faça sua parte e, de preferência, muito bem-feita. a mulher optou por ignorar parte das “ofensas” provocativas de Viktor ou, do contrário, aquela negociação não chegaria ao fim. Sentia seu orgulho travar-lhe a garganta, como um pedaço de comida muito grande a ser engolido. Naquele instante o whisky pareceu muito mais convidativo. Estendeu o braço e pegou o copo, bebericando do líquido âmbar.

No momento em que o silêncio se abateu sobre eles, o olhar ríspido de Victoria voltou-se para a sacada e tornou-se contemplativo, apreciando a neve que começava a cair. A tarefa de voltar ao hotel acabara de ganhar um agravante. Um gélido arrepiar percorreu a coluna da loira que, institivamente, fechou os olhos e abraçou o próprio corpo. Não foi preciso dizer nada. Viktor tomou a frente fechando as portas e janelas, impedindo as ações do frio. Quando, por fim, o vento cessou a sueca agradeceu silenciosamente. Arrependimentos? Ninguém poderia prever que sua alteza real, o príncipe Phillip da Suécia seria acometido por uma terrível tragédia. Por que eu, futura sucessora ao trono, deveria ter arrependimentos? Não tenho culpa das fatalidades as quais estamos sujeitos simplesmente pelo fato de existirmos. o discurso, dotado de emoção, contrastava com o olhar desdenhoso e o sorriso irônico. Possivelmente, a sueca tinha já treinava seu discurso de luto. Pelo visto ainda terei que ficar aqui até essa maldita nevasca resolver dar uma trégua. acrescentou revirando os olhos para cima, demonstrando certa insatisfação e, então, encarou-o fixamente. Poupe seus conselhos sobre como agir ou como se portar para alguém que realmente precise deles. sorriu e então bebeu outro gole do whisky. Seu paladar não estava acostumado com aquele gosto forte. Diga-me...ainda não sei seu preço. duvidava que agia da maneira correta. Mas, o que mais poderia ser dito ou feito entre os dois? Obviamente, um pensamento impróprio percorreu seus pensamentos. Viktor não era de se jogar fora. Não mesmo.
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemUcrania [#158071] por Viktor K. Zolnerowich » 20 Fev 2016, 18:55

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Aquele joguete de palavras, o qual eu tecia com a princesa, estava bem cômico para falar a verdade. Ela estava certa em fazer daquele diálogo algo sério, afinal, o assunto que nos unia de fato era de tamanha estirpe. Contudo, talvez sua insegurança, sua imaturidade no assunto a fizesse não ponderar para o equilíbrio e acabar por cair no excesso. E aquilo me fazia rir. Não ria da cara da jovem, afinal, ela era demasiadamente bela para eu ser jocoso de forma tão direta e grossa; não seria nem de longe uma atitude cavalheira. E por mais que minhas ações e meus pensamentos possam não corroboram em me delegar tal qualidade, eu sabia respeitar as mulheres como ninguém, talvez por isto, na maioria das vezes as conquistassem. Eis ai um daqueles prazeres da vida que não precisa de dinheiro para comprar; não se você tiver cacife para tal. Nunca precisei pagar por putas para dormir com elas; pois elas sempre vinham até mim de forma deliberada e gratuita.

- Contudo, princesa - tragava o cigarro enquanto olhava para ela, delegando-lhe um sorriso maroto - é sábio saber quando se deve arriscar por alguma coisa e se vale a pena naquele momento. - arguia nem parecer rude, pelo contrário, meu tom de voz poderia até irritá-la, mas, não pela grosseria que emanava de meus olhos. Aquela frase inclusive poderia me caber num futuro nada distante e desenrolar minhas ações para com a jovem naquele quarto. A cada gesto da princesa era inegável que minha vontade de prová-la aumentava, principalmente quando de seus lábios vinha certa crueldade da qual gostaria de provar a veracidade, e não por menos quando parecia perceber meu jogo em tentar testar seus limites - ainda bem que o destino a agraciou com outras qualidades além das existentes em seu irmão. Assim, não será difícil conquistar o espaço que tanto quer. Não é princesa? - e não sabia se ela fazia de forma proposital, contudo, a cada momento parecia também querer me testar e não minha paciência a qual devo dizer é até considerável, mas, a volúpia que emanava do meio de minhas pernas e caía naquele decote avantajado que ela gostava de ostentar naquela noite.

- Não duvido que não seja uma boa irmã e desculpe-me se soei grosseiro; de longe não foi minha intenção em afetar suas qualidades nobres - soava com presunção que era claramente mascarada pelas palavras cordiais que exalava entre meus lábios. Aquele diálogo poderia ter cessado rápido, contudo, não somente o tempo lá fora como também eu como um todo o prolongava de forma deliberada, peremptória e pouco me importava com a falsa urgência em que a princesinha ali demonstrava em finalizar aquele acordo. - e fique tranquila... Em breve a senhorita poderá usar o modelito preto novo de seu guarda-roupa no enterro de seu irmão. Como disse anteriormente - bati novamente o cigarro no cinzeiro, deixando-o lá por algum tempo. A fumaça subia espiralada e paulatinamente consumia aquele pequeno vício que desde a juventude me consumia junto não somente com o álcool como também pela minha harley e por mulheres - sei fazer o negócio sem deixar rastros. Caso contrário, a senhorita não estaria aqui.

Vi que ela parecia não gostar da forma com que a tempestade lá fora tomava dimensão; talvez quisesse sair logo dali e se privar de minha presença, ou, o que eu acreditava, ela se odiava pelo fato de desejar alguém que soava tão desagradável e mesquinho diante de seus olhos. Em silêncio deixei que ela se manifestasse totalmente privada de arrependimentos futuros que poderia lhe cair após ver de fato o irmão moribundo dentro do caixão. Magias são poderosas, mas, até então não são suficientes para trazer ninguém da morte. E até já a imaginava num falso padecimento em luto pela morte do irmão que ajudou a cunhar. Eu poderia disparar a bala, mas, ela irrevogavelmente, a pusera na arma.
- e de nada adianta esta pressa, princesa. A tempestade lá fora está forte o suficiente para eu prezar pela sua segurança e não deixá-la sair deste estabelecimento. - ela pareceu de maneira alguma gostar daquela forma impositora que agia, talvez até temendo pela sua segurança em estar ali, sozinha com um criminoso, vai saber. - Afinal, - levantei-me, aproximando-se da porta da sacada apreciando aquela virulência da natureza - devo prezar pela sua saúde, caso contrário não poderá me pegar.

E quanto ao pagamento, - cortei qualquer tentativa dela de responder a mim por alguns segundos, pois com um gesto de mão, afinal, poderia fazer magia sem varinhas, fiz aparecer um pedaço de pergaminho sobre a mesa. Nele havia escrito o meu pagamento o qual não constituía de dinheiro, mas, de um artefato mágico pertencente aos antecedentes da jovem e que sabia que sua família mantinha sob a proteção em seu cofre. O pagamento poderia soar alto, contudo, ela mesma disse que dinheiro não era problema. - acho que isto já dá por finalizado nosso acordo. - olhei para a jovem a qual poderia soar tanto confusa quanto desapontada em privar-se de minha companhia e ter que arrumar um lugar naquele fim de mundo para repousar até a tempestade findar. Porém, aproximei-me dela por trás, levei o meu copo de uísque até a mesa, e assim, atravessava o meu braço à sua frente, impedindo-a de que pelo menos pela direita ela escapasse. Meu gesto que se seguia, poderia soar consideravelmente grosseiro, intimidador e não me espantaria se dela não recebesse um ataque físico, o qual poderia até deixá-la finalizar, dando-lhe um falso gostinho de vitória. – agora podemos ir para a outra parte de nosso encontro. – sussurrei ao seu pé de seu ouvido. Queria provar daquela beligerância, de toda aquela crueldade a qual ela fazia tanta questão de mostrar. E isto era indiscutível desde quando eu a vi entrar no quarto e se desposar do manto que a cobria.– ou vai dizer que também não queria, desde quando me viu – soei deveras prepotente, mas necessário para a intervenção, enquanto meus lábios tentavam tocar-lhe no pescoço e meus cabelos roçavam o seu rosto. Era audaz, mas, julguei melhor que ficar de lenga-lenga e pisando em ovos em diálogos carregados de indiretas. Não era um homem de muitas falas quando sabia o que queria.


off: mudei a forma de narrar o Viktor. .wawa
pq quis e achei ele melhor assim. hasufahfushf
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Re: Herberge Rotenboden [Hospedaria]

MensagemSuecia [#158256] por Valerie Zolnerowich » 23 Fev 2016, 11:36

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Há sete anos atrás

Era inevitável que a tensão dentro daquele cômodo simplório e mau cheiroso culminasse a qualquer momento em exacerbações de ambos os lados. Viktor, em seu temperamento ardiloso, testava os limites de vossa alteza real enquanto ela, por sua vez, deixava-se levar por aquele joguete de palavras tão infantil quanto desnecessário. Quando a princesa viu-se presa na grudenta teia tecida pelo ucraniano, já era tarde demais para retroceder. Restava-lhe assumir uma postura diferente, manter a dignidade intacta e, se possível, mostrar-se superior àquele homem tão sensual quanto desprezível. Por diversas vezes, Victoria notou seus olhos passearem pelo corpo de seu interlocutor com uma volúpia voraz e, para seu descontento, o próprio Viktor percebera tais movimentos oculares. Àquela altura, já não adiantaria disfarçar mais nada. Orgulhosa demais para se dar por vencida, manteve sua postura comedida, por mais que intimamente se sentisse umedecer por um simples gesto ou postura mais agressiva. Mesmo mascarado por toda polidez, Viktor possuía as maneiras de um típico homem das cavernas. Bruto, selvagem e assustadoramente cruel. A sueca adoraria esquecer suas pompas e desfrutar da rudez do loiro.

- Então eu deveria agradecer por estar tão preocupado assim com a minha saúde? - ironizou, levando o copo de Whisky aos lábios e sorvendo um longo gole. Sentia sua garganta seca como em um deserto e o gosto do álcool, bem como seus efeitos em sua corrente sanguínea, desatava algumas amarras de Victoria, deixando-a com movimentos mais soltos e naturais. Pouco a pouco a pose monárquica reduzia-se até o limite tolerável às negociações. Futuramente, ao analisar a cena criticamente, Victoria perceberia o quão inábil tinha sido e veria o ucraniano como alguém responsável por um dos aprendizados mais importantes de sua vida. Uma experiência inesquecível. - O senhor, por acaso, me vê apenas como um cifrão? - murmurou em uma voz doce e encantadora, aproveitando que ele estava às suas costas sorriu maliciosamente. Não era necessário um grande poder de observação para notar a atração que ela exercia sobre Viktor. Parte desse efeito, poderia ser acentuado pelos "dons" herdados de sua mãe. "Minha doce Victoria, homens são apenas isso: peões em nossas mãos. Nunca se apaixonar não quer dizer que não possa desfrutá-los de alguma forma." aquelas palavras, ditas pela ardilosa rainha regente, ecoavam nos ouvidos da princesa como um lembrete mordaz. Desde o desabrochar de sua juventude, Victoria foi doutrinada pela mãe a ambicionar sempre mais, independente dos artifícios que tivesse de utilizar para conseguir o poder.

Quando o pergaminho surgiu sobre a mesa, a loira calou-se e analisou os termos daquele contrato com detalhes. Ele pedia muito, mais do que seria prudente até mesmo para um mercenário. Tal artefato estava em posse das joias da coroa sueca há muitos anos, algo de inestimável valor. Como dá-lo à ele sem que ninguém notasse a ausência do objeto? Victoria precisaria ser esperta, talvez pensar em uma cópia, um item forjado para assumir o lugar do original. Resolveria aquele problema mais tarde. Ponderou alguns instantes, mas decididamente estava disposta a oferecer qualquer coisa em troca da vida do irmão e, consequentemente, do direito ao trono. Com um leve arrepio, sentiu a aproximação do ucraniano, vendo-se sem escapatória pela direita. A fala mansa de Viktor era convidativa, bem como sua respiração quente no pescoço da princesa. Num primeiro momento, o pudor de Victoria a fez sentir uma imensa vontade de esbofetear aquele rosto de expressões libertinas. Contudo, cerrou o punho e levantou-se da cadeira, pelo espaço do outro lado, livrando-se dos braços do ucraniano.

Em pé, parou na frente do homem, centímetros mais altos e mediu-o dos pés a cabeça, descaradamente, como se analise o quão bom e digno ele era, se valia a pena. Deixou um sorriso charmoso despontar em seus lábios e repousou as mãos sobre o peito dele, os dedos lânguidos percorrendo a extensão do peitoral até seus ombros. - Acha mesmo que sou tão facilmente impressionável, Sr. Zolnerowich? O senhor tem realmente a ousadia de pensar que serei apenas mais uma à esquentar seus lençóis? - uma das mãos da sueca subiu sorrateiramente até a nuca de Viktor, fincando de leve a ponta das unhas naquela região, um gesto de ameça velada. Ficou na ponta dos pés e aproximo os lábios do ouvido dele, puxando sua cabeça para baixo ao mesmo tempo que se esticava para alcançar a altura do ucraniano. - Isso faz parte dos negócios? Porque não sou parte do pagamento. - murmurou, os lábios úmidos roçando a orelha de Viktor. Em seu âmago, Victoria sabia que estava cutucando o dragão com a varinha curta.



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