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Duplex Hyong [ Paris | França ]

Duplex Hyong [ Paris | França ]

MensagemCoreia do Sul [#211830] por Jinhwan Hyong » 23 Fev 2021, 05:39

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Na zona central de Paris, no último andar de um dos inúmeros prédios de poucos andares que ali existem, encontra-se a residência atual de Jin-Hwan Hyong e Veronika Yahontov (nome falso de Viktoria Losev). Um apartamento de dois andares, cuja elegância e discrição reflete em muito as características de seus educados moradores, que nenhum de seus vizinhos desconfia serem, na verdade, bruxos.

No andar principal, além de um banheiro social próximo à entrada, uma cozinha bem equipada com o mais moderno do mundo mágico e não-mágico, uma mesa suficiente para um grupo grande e uma sala com sofás e cadeiras confortáveis, plantas cuidadosamente posicionadas e uma lareira onde se encontra uma caixa com pó-de-flú e algumas fotos dos moradores, suas famílias e amigos - um detalhe adicionado por uma das amigas da dupla para "dar um toque pessoal" ao ambiente amplo e bem iluminado graças às janelas de parede inteira.

Subindo a escada que divide os dois ambiente principais, ao longo de um corredor bem iluminado, portas ocultam duas suítes, um banheiro, um quarto de visitas, um escritório e a passagem que leva para uma área externa onde uma estufa – que também serve de laboratório para Jin-Hwan – e um espaço de descanso ao ar livre se encontram.

[em construção]

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Postado Por: Meriu.


Re: Duplex Hyong [ Paris | França ]

MensagemCoreia do Sul [#211846] por Jinhwan Hyong » 23 Fev 2021, 17:44

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Vaduz, 10 de novembro de 2021


Caro Alphonse,

Talvez eu esteja agindo tarde demais. Talvez se sinta tão chateado que apenas a visão de meu nome tenha feito-o descartar o envelope. Talvez você não venha a ler esta carta. Não o culparei caso qualquer uma destas alternativas se mostre real, afinal, se há um culpado nisso tudo, sou eu.

Deste modo, antes de mais nada, peço perdão.

Tenho ciência de que não fui correto em tê-lo ignorado em nenhum momento ao longo do tempo em que nos conhecemos, mas em especial em julho durante o período do fórum de zooherbologia, onde poderia muito bem tê-lo encontrado. Posso ter dado a entender por minha atitude um desinteresse ou despreocupação para com você, mas não foi o caso. Juro por Leshiy que teria sido um prazer revê-lo e ter sentado para conversar acerca de amenidades ou sobre como você estaria se sentindo quanto a toda a situação envolvendo o casamento e a gravidez de Ayesha. Todavia, apesar de minha vontade, receio que não tive a coragem necessária e tampouco teria a segurança para conversar de modo adequado, o que poderia render problemas maiores do que soluções em nosso encontro.

Assim sendo, a fim de tentar redimir-me de maneira adequada, gostaria de não apenas garantir respostas de minha parte como convidá-lo para um jantar entre amigos durante o recesso de final de ano no apartamento que agora divido com Viktoria. Algo simples, apenas envolvendo nós três e mais um casal (o que me recorda que Andrew — Spencer — tenha mencionado conhecer-te). Envio o endereço em um pergaminho anexo e peço que o destrua assim que decorá-lo. Estaremos esperando no dia 26 de dezembro às 18h. Não será necessário que traga nada além da sua presença.

Saudações,

Jin-Hwan Hyong


P.S. Creio que estou me antecipando em excesso, mas quis garantir que não fosse atrapalhar seus planos para a data... Isso é, se já não possuir nada marcado. O que espero que não seja o caso.


너무 보고 싶어



Jin-Hwan ainda tinha muito nítido em sua mente o dia em que, impulsionado por sua insistente irmã mais nova após um almoço junto a esta, angariou toda a coragem e atrevimento que tinha em si, a fim de redigir e enviar uma carta-convite para Alphonse Friedrich. Tinha também bem fresco o modo como, não podia deixar de ser, no segundo em que a coruja se mostrara longe demais para ser recuperada, a ansiedade viera junto do arrependimento pelo o que havia acabado de fazer e que, então, parecia um caminho sem volta. Após aquilo, pensara em mil formas de cancelar tudo – talvez enviar outra carta ou afirmar que fora um engano –, sempre sendo convencido do contrário não apenas por sua racionalidade, que sabia que aquele encontro era algo necessário e certo a ser feito, como principalmente por suas amigas e por Yoon-Seo, as quais insistiam que aquilo era o melhor caminho e o mais saudável tanto para o coreano quanto para o “irmão da Aye”.

Assim, conformado com o fato de que não havia mais volta, fez o que sabia fazer de melhor frente a grandes desafios: preparou-se. Ao longo do tempo, organizou opções de cardápios, quais louças usaria, possibilidades de roupas, fez uma lista do que precisava ser organizado e tudo mais o que era e não necessário, incluindo-se um pequeno script com a ideia geral de tudo aquilo que Jin-Hwan vinha refletindo sobre desde que conhecera o jovem príncipe. Contudo, a cada curva que fazia, podia sentir aquela sensação de “morte iminente” e seus pensamentos avançarem por caminhos nada promissores, de modo que perdera as contas das vezes em que se vira obrigado a parar e ir até uma academia ou que, por sorte, Vik o evocava para acompanha-la em um treino de dança. Um vai e vem que, somado à rotina do hospital e as obrigações familiares que eventualmente surgiam, fez com que a data marcada chegasse em um piscar de olhos, junto da sensação de que nada havia sido feito de modo suficiente.

Oppa! –
exclamou Yoon-seo, fazendo com que o Hyong mais velho parasse com a mão ainda apoiada contra um dos pratos presentes na grande mesa de jantar do apartamento que ele e Vik dividiam, voltando os olhos para o rosto incomodado de sua irmã, a qual se encontrava a alguns metros, ao lado de uma das visitas da noite, Arisha, lavando as louças – Eu te amo e também quero que hoje seja perfeito, mas juro que se você sair mexendo em TUDO mais uma vez, Friedrich será recepcionado por um Jin-Hwan com um olho roxo! – ameaçou, apontando a espátula ensaboada na direção do mais velho, que piscou algumas vezes, percebendo que, de fato, já deveria ser a quarta vez que reorganizava a mesa, julgando que a posição deste ou daquele talher estivesse um pouco torto, ainda que não fizesse real diferença.

– Desculpe. –
pediu em meio a um suspiro, limitando-se a lançar um olhar para as duas grelhas mágicas, próprias para churrascos coreanos feitos em ambiente internos, antes de voltar para a bancada onde preparava um dos inúmeros acompanhamentos daquela noite – Não consigo me concentrar em apenas uma coisa. – afirmou, voltando a cortar as cebolinhas.

– Por mais inteligente e capaz que você seja, Hwan, se você NÃO se concentrar em apenas uma coisa, além de apanhar da sua irmãzinha, aí sim as chances de alguma coisa dar muito errado aumentarão. –
comentou Arisha, carregando o sorriso e o tom descontraído usual enquanto enxaguava as louças passadas por Yoon-Seo – Respira fundo e mantenha a mente no fato de que é só um jantar casual entre amigos, não no fato de que é um jantar casual entre amigos no qual o irmão da Aye estará no meio. – observou com um brilho divertido nas íris muito azuis, em uma observação que ao mesmo tempo em que fazia sentido, não exatamente deixava o coreano mais tranquilo.

– Kari, –
disse Andrew, surgindo da escada acompanhado da outra moradora daquele apartamento, Viktoria, e tendo os olhos bicolores encarando a namorada, entretido – normalmente falar sobre o exato assunto que a pessoa não deve pensar, faz a pessoa pensar ainda mais nele. – pontuou, trazendo à russa uma perfeita expressão de “ops”, comum à espontânea ex-rurikovich.

– Acredito que mesmo que nada fosse dito, me é impossível tirar o pensamento da mente. –
afirmou Jin-Hwan, enquanto separava as cebolinhas cortadas em duas tigelas, as quais continham molhos de cores distintas, a fim de tranquilizar a bruxa, antes que ela lhe pedisse desculpas como quase sempre ocorria. Uma verdade, afinal, por mais que no momento estivesse preocupado com os preparos do jantar, uma parte de sua mente já se encontrava trabalhando no que viria depois, em tudo aquilo que nos últimos dias tentara deixar o mais natural possível de abordar, quando houvesse a oportunidade.

– Hwan, –
sentenciou Vik, pousando uma mão sobre o ombro do companheiro de apartamento, de modo que este por instinto desviou os olhos da mistura que fazia para encará-la – a casa está completamente limpa – eu e Drew demos a última checada nisso –, o ambiente está perfeitamente climatizado, – e apontou para o estado que ambos se encontravam, com roupas mais leves apesar do vento frio que açoitava os vidros do lado de fora – as carnes estão devidamente cortadas e as que precisam, marinadas; todos os acompanhamentos estão praticamente prontos e feitos para todo e qualquer gosto, temos bebidas dos mais variados tipos, sobremesas e histórias diversas para passar dias se quisermos. – enumerou, mantendo as íris cor de mel sobre os olhos incertos do mais velho – Vai. Dar. Tudo. Certo. – disse, fazendo o moreno respirar fundo e assentir.

– E mesmo se não der, –
observou Drew, ajeitando os óculos com um sorriso em apoio ao mais velho – se o Al continua pelo menos um pouco igual a como eu lembro dele nos tempos de Hogwarts, provavelmente tirará de letra... Enquanto a companhia for boa. – observou com uma piscadela cheia de entrelinhas que fez o Hyong voltar a atenção ao preparo do pajeori, sem graça. Assim como Arisha, Andrew apenas sabia que Jin-Hwan conhecera o príncipe Luxemburguês e que ambos haviam se dado bem, mas devido à falta de jeito do coreano, este sentia que vinha estragando a amizade em potencial, o que levava àquele jantar para tentar deixar a situação menos estranha. Todavia, ainda que esta fosse a história, Hwan tinha quase certeza de que o corvino captara muito mais do que havia sido dito, ainda que não soubesse bem como, até que ponto ou mesmo o quanto o inglês desconfiava.

O medibruxo suspirou, concluindo que, por mais que tivesse certeza que Viktoria nada dissera a Arisha ou a Andrew, considerando-se o que percebera dos meses em que convivia com a presença de Spencer e o que já ouvira falar dele, talvez este soubesse exatamente o que acontecia ali – e era uma sorte o rapaz de óculos ter alguma discrição, aparentemente. Meneou a cabeça de leve enquanto terminava de preparar aquela salada típica nas versões com e sem pimenta, tentou focar a mente no fato de que seus amigos tinham razão e que era apenas uma reunião qualquer, a qual envolveria Alphonse, sim, mas ainda assim, um encontro normal. Entre amigos. Que era o que ambos eram. Em aspectos. Talvez. Ou não.

– ...Jin-Hwan? –
os olhos escuros se ergueram, encontrando o cenho franzido da irmã – Você está com cara de quem vai vomitar. – afirmou, cruzando os braços como quem exigia saber o que passava pela cabeça dele.

– Estou bem. –
garantiu, forçando um sorriso enquanto finalizava as duas tigelas de salada, passando-as para uma travessa decorativa e quase derrubando tudo quando a campainha soou, trazendo consigo um pânico inexplicável. Alphonse havia chegado. Ele realmente tinha vindo – ...E agora? – questionou com um tom ligeiramente mais esganiçado pelo desespero, o que pareceu divertir Yoon-Seo.

– Agora você termina a sua organização metódica de colocação dos pratos enquanto a gente atende a porta. –
afirmou, entretida – É só um bruxo, oppa. Alto, bonitão e altamente pegável, mas só um bruxo. Mostra para ele todo o seu lado cool, Dr. Hyong. – observou a mais nova com um sorriso confiante que obrigou o ex-Leshiy a respirar fundo e assentir, erguendo a varinha para agilizar a finalização dos preparativos. Retirou cerâmicas brancas e lisas dos armários e puxou as conservas que seriam servidas, buscando manter a atenção em suas tarefas, ajudado por sua irmã e Viktoria, enquanto ouvia os demais se organizarem.

– Deixa que eu atendo. –
disse Drew, já se direcionando para além da escada e virando próximo ao sofá. Jin-Hwan respirou fundo, buscando manter a concentração – E aí, Alphonse, quanto tempo! Caramba. Não lembrava de você ser tão alto. – escutou o inglês dizer, podendo facilmente imaginar o sorriso do simpático inglês – Entra. A casa não é minha, mas fica à vontade. – sentenciou, de modo que o coração do coreano acelerou, enquanto este pousava na mesa algumas travessas de carnes cruas perfeitamente dispostas – A Arisha você já conhece, minha namorada. – afirmou com um quê amoroso no tom – Pois é. Eu namorando. Quem diria. – acrescentou, visivelmente entretido.

– Ainda bem que eu já conheço algumas das histórias ou ficaria bem preocupada com o que esse “quem diria” quer dizer. –
afirmou Rishy, naquele tom bem-humorado típico e o sotaque um pouco mais forte quando falando em inglês – Muito frio lá fora? – questionou, amistosa – Passa aqui seus casacos. Vou pendurar ali no canto junto com os nossos. – informou e, apesar de concentrar-se em dispor adequadamente os acompanhamentos pela mesa, de relance viu a figura do alemão aproximar-se, forçando o medibruxo a lembrar de respirar e escutar a voz mental de sua irmã falando para que ele se mantivesse como sempre.

– Bem-vindo, Friedrich. Fique à vontade. –
ouviu Vik dizer, enquanto ele se mantinha firme pela cozinha, ajeitando o que precisava ser ajeitado – Quer beber alguma coisa? – disse a russa, quase no momento em que Hwan, repentinamente, sentia uma dor pungente surgir em sua canela, o que o fez erguer a cabeça, encontrando o rosto da irmã o encarando com os olhos girando em um sinal de que ele devia para de enrolar e falar alguma coisa. Parou, enfim, como se só então percebesse a presença de Alphonse, sentindo os batimentos acelerarem ao ver o altivo moreno, a face bem desenhada, os olhos verdes intensos...

– Ah...! –
murmurou, sentindo o rosto quente e jurando para si que era por causa de toda a movimentação – Olá, Alphonse. – disse, tentando sorrir enquanto limpava a mão na toalha pendurada em seu ombro, aproximando-se do mais novo em meio a batimentos inconstantes – Perdão, estava concentrado nos preparativos. – sentenciou, sentindo a voz sair um pouco falha, enquanto estendia a mão para cumprimentar ao alemão – Fico satisfeito que tenha aceitado vir. – afirmou, sentindo a palma ligeiramente fria encontrar com a sua, trazendo um leve arrepio pelo corpo.

Fitou ao rosto do Friedrich, não conseguindo pensar em nada por um instante e, ao mesmo tempo, sentindo algo opressor em si; pensamentos que começavam a esticar-se, como os tentáculos de uma criatura que saía de uma caverna obscura. Vendo aquelas íris, recordou-se daquele primeiro encontro, de tudo o que fora dito e não dito. O aperto de sua mão se intensificou ante a incerteza e, antes que o moreno se visse em um ponto ainda mais denso do que o que se encontrava, um pigarreio o fez voltar a realidade, soltando a mão do alemão, enquanto os olhos se voltavam para a face entretida de Yoon-Seo, cujas íris escuras o fitavam, atentas.

– Ah sim, –
disse, forçando as preocupações de volta para o canto de onde haviam saído. Ainda não era hora daquilo. Não com todos ali – Alphonse, esta é minha irmã mais nova, Yoon-Seo. – apresentou, indicando a jovem, cujos cabelos meio loiros, meio róseos se mantinham presos em um coque desarrumado, dando-lhe um toque de beleza rebelde. A coreana se aproximou como uma adorável gata, parecendo ainda menor próxima do alto alemão – Yoon-Seo, Alphonse Friedrich. – disse, apenas por educação, visto que necessidade real inexistia, já que estava visível pela face da sangue-puro o reconhecimento desta.

– Prazer em finalmente conhece-lo! –
e, por um momento, Jin-Hwan girou o rosto, olhando na direção em que se encontravam Vik, Drew e Rishy com uma expressão de horror, sendo retribuído por diversão genuína e sinais para que ele relaxasse – Esqueça essa de Yoon-Seo. Só o chato certinho do meu irmão faz questão de me chamar assim. – afirmou, divertida, mantendo as íris escuras sobre o alemão – Me chame de Yun. – pediu, estendendo a mão com um sorriso e uma piscadela amistosa, sorrindo divertida diante de alguma coisa que Jin não captou – Al? Ok. Por enquanto assim será. – alegou casualmente com uma expressão angelical que fez o Hyong mais velho ter certeza que a irmã aprontava algo naquela cabecinha colorida. Deixou para lá ao escutar a questão vinda do convidado e observar a garrafa que lhe era estendida.

– Muito obrigado. –
disse o moreno ao pegar o vinho com um sorriso, tentando ao máximo não demonstrar o embaraço que sentia ao fitar àqueles intensos olhos verdes – E... acredito que está tudo pronto. – afirmou, lançando um olhar para onde os demais presentes se moviam, espalhando travessas de tamanhos variados – Churrasco coreano. Não sei se já experimentou, mas n- Quão tolerante a pimenta você é? – questionou, um pouco desconexo, sentindo-se fazer uma força descomunal para manter sob controle a ansiedade que começava a erguer-se junto das dúvidas quanto a gostos muito específicos do Friedrich e o quanto deveria ter questionado, além de tudo que poderia dar potencialmente errado. Respirou fundo disfarçadamente, abrindo um sorriso discreto ante a gentileza do mais novo – Espero que goste, mas caso não, fique à vontade para dizer. – pediu com sinceridade.

Oppa! –
exclamou Yoon-Seo, em um tom de reprimenda, fazendo o moreno sorrir e conduzir o mais novo até a mesa, onde as grelhas os aguardavam, estalando em sinal de que se encontravam quentes. Ao redor delas, travessas com variedades de carnes cruas, outras com legumes, uma tigela com alfaces e outros tipos de verduras e pequenos potes contendo molhos, cozidos e acompanhamentos diversos – Muito bem, acho que todo mundo alcança de boa. – disse, enquanto o irmão e Alphonse se sentavam frente a um dos conjuntos de prato, tigela, sutgarak e jeotgarak – que Drew chamava de “colher de haste longa e palitinhos achatados de aço” –, tesouras, guardanapo e copo – Basicamente é só pegar as carnes e legumes que quiserem e colocar na grelha. Daí os detalhes, para quem nunca comeu, a gente mostra como é. – e piscou para o Hyong mais velho, divertida.

– Só não vou falar o que é o que das carnes, porque às vezes as pessoas são meio frescas – sim, estou falando de você, Drew – e acabam nem experimentando. –
alegou a jovem de cabelos rosados, recebendo uma risada em meio a um “Ei!” em protesto por parte do inglês, o qual foi ignorado, enquanto a coreana passava a apresentar quais eram as entradas, o que era picante ou não tanto, o que era bem popular ou menos, dentre outros pontos – E se estiver ruim, reclamações com os Hyong. – disse, erguendo a mão na direção de Jin-Hwan, que elevou o braço, a fim de bater contra a palma da mais nova – Ainda que eu duvide muito porque ô pessoinha de paladar exigente. – afirmou com um olhar entretido para o irmão, que imediatamente ficou um tanto sem graça – Agora vamos comer. – anunciou, já pegando algumas carnes, a fim de coloca-las nas grelhas mais próximas de si.

Jin-Hwan sorriu ao cruzar os olhos com Alphonse, repassando alguns acompanhamentos e travessas de carnes e tentando ao máximo agir o mais normalmente que conseguia, ainda que sentisse o coração acelerado e a mente frenética. Respirou fundo, procurando concentrar-se nos afazeres que ali tinha ao servir bebidas, reabastecer a mesa e afins, mas principalmente focar-se nas conversas que rolavam em conjunto ou em momentos paralelos. Não pode deixar de agradecer mentalmente à descontração natural de Arisha, Andrew e Yoon-Seo, que não poupavam esforços em fazer perguntas casuais ao convidado alemão e puxar assuntos diversos, o que ajudava a quebrar aos poucos o nervosismo que Hwan sentia haver dentro de si. Ouviu o inglês de óculos relembrar histórias dos tempos de Hogwarts, as disputas interessantes que pareciam acontecer ao longo do castelo, pessoas que haviam conhecido, dentre outros aspectos os quais tentava absorver com atenção.

Ajudou a ajeitar as grelhas, virando algumas das leguminosas e as carnes que já se encontravam em um bom ponto. Observou enquanto sua irmã usava uma das tesouras para cortar um dos longos bifes, dando mais uma tostada, antes de começar a mostrar aos convidados variações de wraps koreanos, em uma casualidade extremamente distante da “dama” com a qual Jin-Hwan crescera e que, às vezes, ainda vinha à mente dele. Piscou ao ouvir a bronca da jovem de cabelos coloridos, por um momento tendo a certeza de que estava queimando algo, e riu ao ouvir a ordem para que ele fizesse um também. Assentiu, divertido, pegando uma das folhas de alface, cortando-a ao meio e sobrepondo as partes. Observou os ingredientes, decidindo pular o arroz e, com o jeotgarak, colocar ao centro uma das carnes, um pouco de pajeori e ssamjang, fechando-o em uma trouxa, antes de colocar na própria boca, mastigando sem dificuldade.

– Ok... –
ouviu Yoon-Seo dizer, um pouco surpresa, colocando algumas das carnes já prontas para cima dos legumes que haviam nas grelhas, a fim de que elas não passassem do ponto – Com nossa família sei que não foi, então como é que você tem tanta facilidade em montar ssam, oppa? – questionou, fazendo o mais velho levar a mão às boca, rindo de leve, enquanto terminava de mastigar e engolir.

– Não foi só medicina e medibruxaria que aprendi durante a faculdade, Yoon-Seo. –
alegou em um leve tom de brincadeira, ainda que soasse quase uma casualidade, passando a bacia de alfaces. Recebeu questões sobre como fora a faculdade, o que o levou a falar dos estudos das vertentes tanto mágica quanto não-mágica da saúde, as especializações que fizera, todos os anos de um trabalho que, para o coreano, só não havia sido mais cansativo quanto a quantidade de socializações que tivera de fazer na época. Algo que rendeu um comentário sobre a “nerdice” do ex-romanov e levou a reminiscências dos tempos de Durmstrang. Riu do drama de Arisha comparando os tipos de diversões citados por Drew com a da escola russa, considerando, todavia, que as festas clandestinas organizadas por alguns dos estudantes compensavam. Isso a levou a perguntar a Alphonse como andavam as coisas no instituto, se “todos os alunos continuavam meio fora da casinha” e o que ele vinha achando daquela “coisa de ser professor”.

Em meio à resposta do alemão, não pode deixar de notar a breve brincadeira de Andrew quanto a uma aparente dificuldade do mais novo com os “palitos”, o que fez Jin-Hwan recordar-se que pensara em tirar talheres tradicionais e esquecera de repassar aquilo para quem estava arrumando a mesa. Sentiu a respiração acelerar, mas procurou manter a calma, afirmando com educação que havia garfos, caso preferissem, o que foi prontamente aceito por Arisha, pelo menos para pegar as coisas mais distantes – já que “tudo sempre escorregava no meio do caminho”. Mostrou a Alphonse como utilizava os jeotgarak, aproximando-se para ajeitar os itens na mão do moreno, demonstrando com os próprios o movimento de pinça a ser feito. Sorriu, tentando ocultar o embaraço ao afastar-se e esperando que fosse apenas impressão o som dos batimentos acelerados em seu peito. Sinceramente, já não sabia mais se o que sentia era ansiedade ou se tinha voltado a ter quatorze anos.

Deixou isso para lá ante as conversas que voltaram, prolongando-se acompanhadas de carnes e pedidos de água e leite por conta da pimenta. Riu de sua irmã ao vê-la, após alegar que existia uma forma mais rápida de montar um enrolado, enfiar uma folha de alface dobrada ao meio na boca semiaberta, logo acrescentando ali arroz, carne e kimchi, empurrando de leve com o jeotgarak. Uma “moda” que logo foi aderida por alguns, ainda que não tão bem-sucedida com Arisha e seu garfo – uma vez que uma das carnes acabou por prender-se, causando um pequeno desastre nas roupas da russa que, como não podia deixar de ser, riu alto. Enquanto jantavam, passaram por vários tópicos: se Drew e Rishy tinham realmente se acostumado à vida de morar juntos; como tinha sido conhecer os avós do inglês; quando seria a próxima apresentação de Viktoria junto ao corpo de ballet da qual fazia parte; como andava a irmã mais nova de Alphonse, que era conhecida das duas russas presentes, e como o alemão se sentia prestes a ser tio; quantas vezes ele já tinha tentado assassinar o cunhado; sobre o cotidiano, a vida, o passado e o futuro.

Boa parte das travessas e vasilhas já se encontravam vazias e os presentes satisfeitos quando, com um gesto de varinha, iniciaram a organização geral. Os dois anfitriões tomaram a pia, enquanto Rishy magicamente secava as louças e Yoon-Seo guardava o que era necessário, conferindo o efeito de autolimpeza das grelhas. Uma vez que, após ajudar a guardar algumas sobras e limpar as mesas, não havia muito mais o que fazer, Drew avisou que faria um tour com Alphonse pelo apartamento, já que era a primeira vez dele ali. Jin-Hwan, enquanto habilmente lavava pratos e afins – um hábito, visto que achava que apenas magia não era suficiente para livrar de tudo que vivia ou podia surgir da sujeira –, vez ou outra observava a dupla de ex-alunos de Hogwarts, rindo de leve sob um grito de Arisha de “comportem-se vocês dois!”, quando ambos avançaram para o andar superior. Focou-se no que fazia e, dado o “mutirão”, não tardaram a terminar, logo reunindo-se na sala em meio a macarons, petit four doces e bebidas.

Já passava das onze quando Andrew encarou o relógio e, com um suspiro pesaroso e uma breve troca de olhares com Arisha, alegou que estava tudo ótimo, mas que “infelizmente precisava ir” porque trabalharia no dia seguinte. Algo que fez com que Yoon-Seo, em uma expressão bastante desgostosa, também lembrasse daquele fato, deixando o irmão com um leve vinco interrogativo entre as sobrancelhas, afinal, tinha certeza que não era exatamente o que ela havia dito mais cedo – tampouco, na verdade, era o que tinham exatamente combinado. Encarou a jovem de cabelos róseos, confuso, vendo-a sorrir de um modo que, desde que se reconciliara com a mais nova, sabia não indicar boa coisa ou, no mínimo, uma pequena travessura – o que, considerando o motivo daquela reunião inicial, imaginava ser um caso. Fitou-a com uma nota de desespero, vendo não apenas a irmã o ignorar, como também, enquanto observava aquela movimentação, Viktoria, já trajando um casaco, aproximar-se de Alphonse.

– Desculpe, mas se importaria de ajudar o Hwan –
e indicou a mesa de centro da sala – a ir limpando isso? – questionou, ligeiramente sem graça – Vou só acompanhar eles até o ponto de aparatação. Não devo demorar muito. – garantiu, sorrindo para o alemão. Não ouviu a resposta, visto que logo viu-se agarrado por uma Arisha, sendo agradecido pela hospitalidade. Despediu-se de Andrew com um aperto de mão, recebeu um beijo no rosto de Viktoria, junto de um aviso que voltava em breve, e um abraço de Yoon-Seo.

– Boa sorte... –
ouviu a coreana murmurar em sua orelha, encarando ao mais velho, que sentiu o rosto corar de leve enquanto assentia – Foi um prazer conhece-lo, Al! – afirmou, sorrindo – Apareça mais vezes por aí – não que a casa seja minha, mas tenho passe livre, o que é quase a mesma coisa. – brincou, despedindo-se do moreno com um abraço, antes de avançar para seguir os demais do grupo, rumo ao exterior da residência. Quando, enfim, se viu sozinho com o alemão, Jin-Hwan sentiu o nervosismo que vinha controlando e que em grande parte fora abafado pela presença de outras pessoas, aumentar.

– Ah... –
murmurou, tentando manter alguma normalidade, apesar a ansiedade nublar sua linha de pensamentos usual – O-organizar aqui rápido e- – engoliu em seco ao lembrar do que precisaria fazer em breve e curvou os lábios para disfarçar o nervosismo – O que achou do jantar? Estava do seu agrado? – questionou, enquanto iniciava a rápida organização da sala, tentando manter aquela conversa casual junto ao alemão, pelo menos por hora, até que sua companheira de casa voltasse – Vik está demorando... – comentou, observando rapidamente o relógio, um tanto quanto preocupado. Fazia já alguns minutos e, a não ser que ela e Arisha houvessem se empolgado na conversa, como às vezes acontecia, não fazia sentido aquela demora – Só um momento. Fique à vontade, por favor. – pediu, avançando até o andar superior, a fim de ir até o próprio quarto e pegar o celular onde logo viu uma notificação vinda de sua irmã. Franziu o cenho por um instante ao abrir a mensagem, sentindo as sobrancelhas arquearem e o sangue sumir-lhe ao ler o aviso da mais nova.

Um texto curto e simples em que Yoon-Seo informava que “havia roubado a housemate” do irmão para “leva-la a uma balada em Vaduz” e que a devolveria na noite seguinte “sã e salva”, somada a um desejo de “manda ver” que fez o coreano nem mesmo saber o que pensar sobre. Sentiu a mão que segurava o celular tremer, enquanto a respiração intensificava, o coração acelerava e tudo parecia escurecer. Fechou os olhos, forçando-se a focar no fato de que Alphonse estava no andar abaixo e que se ele resolvesse subir o veria naquele estado. Não podia preocupar o mais novo. Respirou fundo e avançou até o banheiro, aproveitando para lavar o rosto e recompor-se, encarando ao próprio reflexo. Ele iria conseguir fazer aquilo. Já havia demorado demais e não era justo protelar mais do que já fizera. Engoliu em seco, fechou os olhos novamente, inspirou e expirou até sentir a mente estabilizar e, resoluto, ergueu as pálpebras, avançando até o criado-mudo para mandar um agradecimento breve e desligar o aparelho, antes de deixar o aposento e avançar pelas escadas.

– Desculpe. –
pediu, tão logo alcançou a sala, sorrindo embaraçado para o alemão – Fui verificar se Viktoria havia enviado algum aviso e... Descobri que ela foi levada pela minha irmã. – comentou, não podendo deixar de pensar que, se o momento fosse outro, talvez achasse aquilo engraçado. Suspirou – Não que Yoon-Seo já não tentasse isso há anos, mas... – e fitou as íris esverdeadas por um momento – Creio que ambas julgaram que me sentiria mais à vontade para conversar adequadamente com você se não houvesse ouvidos adicionais. – explicou, ligeiramente nervoso, tentando convocar toda a confiança da qual não era exatamente dono – Se importa se formos até o terraço? – questionou com um sorriso, antes de pegar algumas taça e o vinho que o alemão havia trazido. Precisaria de um pouco de coragem líquida – já que o soju que dividira com a irmã não fora suficiente para trazer qualquer efeito que fosse – e algo para ocupar as mãos.

Caminhou pela cozinha para pegar o que precisava e abrir a garrafa com um toque da varinha, avaliando a situação geral por um instante. Com os preparativos feitos, esperando não aparentar estar tão nervoso quanto se sentia, conduziu o mais novo em direção ao andar superior onde se encontravam os quartos, então, até uma porta de vidro que levava a uma área no exterior. Passaram por um corredor, alcançando um local amplo, confortavelmente iluminado e livre de vidros, mas perceptivelmente fechado por magia, visto a ausência de qualquer sinal do frio que fazia naquela época do ano. Na parte mais distante do acesso havia o que parecia ser uma pequena estufa, enquanto na mais próxima uma área de descanso, onde era possível apreciar a vista do lago e do parque ali próximo. Sentou-se na ponta de uma das espreguiçadeiras ali presentes, convidando o alemão a fazer o mesmo na outra próxima, enquanto servia o vinho e pousava a garrafa na mesinha mais atrás.

– Eu... –
murmurou, encarando as íris esverdeadas e sentindo, enquanto seus dedos se fechavam ao redor da taça, a ansiedade começar a querer dominá-lo mais uma vez – Perdão, mas preciso que você me ouça e... Não me interrompa. Sei que é egoísmo de minha parte pedir algo assim, mas receio que se eu parar em algum momento, talvez não tenha coragem de continuar e... – fechou os olhos, respirando fundo por um instante. Sorriu timidamente em um pedido mudo de perdão, tentando focar a mente, tal como se estivesse prestes a realizar um atendimento complexo – Antes de mais nada te devo um pedido de desculpas. – disse, fitando-o com o pesar real que sentia por aquele lapso de sua parte – Sei que o fiz por carta, mas não julgo suficiente, assim sendo: me perdoe pelo meu sumiço, Alphonse. Eu deveria ter entrado em contato antes, mas não fui capaz. Não sabia ao certo como encará-lo ou como falar contigo porque- – parou, percebendo que se perdia.

– Do começo. –
disse, mais para mim mesmo do que para o alemão, decidindo que era melhor guiar-se pela explicação desde o início ou acabaria deixando tudo ainda mais confuso – Como você sabe, venho de uma família bastante tradicional, assim sendo, desde criança fui criado dentro de certos valores e verdades clássicos – antiquados, sendo mais exato. – observou em um tom neutro – Com isso, cresci ciente de que qualquer coisa fora deste padrão era errado e que, devido a isto, teria de viver daquela forma pré-determinada. – suspirou, olhando por um momento para a noite parisiente – Apesar disso eu sabia, de algum modo, que não cabia exatamente no padrão que queriam. Tentava, mas ainda assim... Sentia que havia algo de diferente. Que minhas “preferências” eram diferentes. – pausou, sorvendo um breve gole do vinho – Então veio Durmstrang e lá, ao mesmo tempo em que aprendi tudo aquilo que meus pais esperavam de mim, também percebi que eu, de fato, era “errado” em uma sociedade cheia de “certos”. – sorriu de canto, destilando notas de sarcasmo naquelas duas expressões. Um sorriso leve, mas triste.

– Levei a vida o mais normalmente que pude, aproveitando o isolamento do instituto para explorar o “errado”, ciente de que mais cedo ou mais tarde teria de decidir entre o “certo” e o “errado”. –
pensou naquele tempo, em como tudo começara, como continuara e onde havia terminado – Foram pelo menos cinco anos nesta “luta” e ao fim, no término de meu sétimo ano, optei pelo “certo” e deixei de lado o “errado”. – disse, respirando fundo, recordando-se perfeitamente daquele dia, do fim e do começo – Eu era – sou – um covarde. – determinou no que soava em parte como uma confissão, em parte como um lamento – Decidi que não olharia mais para aquele canto “errado”. Fugi, mas, ao mesmo tempo, acho que uma parte minha ainda tinha uma certa esperança de no futuro, talvez, quem sabe... – e pausou por um instante girando a taça em sua mão – Uma esperança que, com o sumiço de minha irmã e a forma como meus pais ficaram quebrados após aquilo, jogando todas as esperanças em mim, eu acabei terminando de enterrar. – fechou os olhos, evitando que a ardência ali sentia ganhasse forma.

– Eu sabia –
ouviu a própria voz vacilar, levemente embargada – que se eu fosse pela via “errada” mataria a ambos não apenas de desgosto e vergonha, mas literalmente. Um peso com a qual não poderia viver. – alegou, retomando um pouco da firmeza – Sei que talvez seja tolice de minha parte – afirmou, inconscientemente fechando o punho livre – e os céus sabem o quanto eu queria ter a coragem de Yoon-Seo, de virar as costas para o “certo” e não olhar para trás, mas... Não é algo da qual sou capaz. Não tenho esse tipo de força. – lamentou, suspirando – Então decidi esquecer essa esperança de uma vez e sustentar a máscara que desde sempre sustentei, sem grandes problemas. – e girou os olhos, encarando as íris esverdeadas de Alphonse – Então você surgiu. – observou em uma expressão neutra, relaxando ante aquela lembrança – Alguém que era de algum modo tão similar e tão, mas tão diferente. Alguém que tinha sido corajoso o suficiente para tentar não uma, mas duas vezes para valer. – desviou o olhar, encarando a taça entre suas mãos.

– Naquele momento te vi como um exemplo. –
confessou, um pouco embaraçado – A materialização de uma chama da esperança que eu havia enterrado. – suspirou, recordando-se daquela conversa que sua mente em caos, de algum modo, conseguira reter – Com isso, ouvi-lo dizer que ia desistir de relacionamentos, fez com que um certo desespero se erguesse em mim, afinal, se alguém corajoso como você não conseguia ser feliz, então como alguém como eu poderia? – pausou com o olhar sobre o vinho por um segundo mais longo antes de, por fim, suspirar, fitando Alphonse – Quando te beijei e, então, nós nos beijamos... Eu queria provar um ponto. – afirmou, analisando o rosto do mais novo – Não conscientemente, mas alguma parte de mim queria provar que existia chance, que eu entendia sua posição, suas limitações e que, assim sendo, deveria ter alguém que também o faria em algum lugar. Que aquele não era o fim. – e curvou os lábios, ainda que os olhos refletissem a melancolia que sentia – Só que percebi, tarde demais, que esse ponto que eu tentava provar não era bem para você, mas para mim. – cerrou as pálpebras e, junto delas, o punho direito.

– Eu me senti culpado. –
afirmou, entredentes – Senti que havia usado você e que, pior, poderia tê-lo iludido de alguma forma e dado uma esperança que não cabia. Não comigo. – e suspirou – Uma impressão que não melhorou em nada com as cartas. – disse, desviando o olhar para o horizonte, momentaneamente evitando fitar à face do mais novo – Era possível sentir a honestidade presente em cada linha, em cada história, cada desabafo. – alegou com uma nota carinhosa no tom ante a recordação – Apreciava todos os minutos daquela leitura ou de cada encontro e me sentia culpado. – observou com alguma gravidade – Queria responder, mas não conseguia, porque era “errado”, então passei a ignorar por um tempo. – respirou fundo uma vez mais – Contudo, quanto mais eu tentava ignorar, menos parecia ser possível. Dizia que era minha educação dizendo que não era certo não responder, mas, novamente, me enganava. – disse, girando os olhos para encarar novamente o alemão.

– Então vi sua luta um ano e meio atrás. –
sentenciou, sério – O vi caindo com um ferimento ilusoriamente fatal e percebi o problema que eu tinha em mãos. – alegou, engolindo em seco enquanto se forçava a sustentar o olhar e prosseguir – O quanto eu, no fim, mesmo me esquivando, mesmo fugindo, não havia sido rápido o suficiente. – disse, desviando o olhar e suspirando – Foi a partir daí que entrei em colapso de vez. – afirmou com o coração acelerado e a respiração controlada à força, demorando um instante antes de voltar a fitar ao jovem docente – Achei que tinha esquecido, que tinha deixado tudo para trás, mas... Não era o caso. – observou, sentindo doer a cada palavra que proferia – Podia fingir, sustentar minha máscara, mas, então, tinha certeza que eu continuava a ser eu e continuaria sendo. Um “errado” fingindo ser “certo”. – disse, sentindo a voz vacilar – Foi quando desapareci. – sentenciou em um tom de quem se desculpava.

– Precisei de um tempo para me recompor, para pensar e repensar o que fazer, como fazer, se deveria fazer. –
explicou, tentando manter a respiração sob controle – Planejei, me mudei sob falsos pretextos, tentei angariar coragem e me preparei – fitou aos olhos verdes – para este momento. – sentenciou, no máximo de firmeza que podia. Sorveu um gole de vinho, suspirando antes de pousar a taça – Depois de tanto tempo, preciso ser honesto e claro com você. – disse, sustentando o olhar – Não posso fugir de quem preciso ser. – explicou, o mais calmo que conseguia – Eu não serei capaz de abandonar meus pais, meus deveres para com minha família, para com – e não conseguiu não hesitar, crispando os lábios por meio segundo – a eventual continuação da linhagem ou mesmo tudo mais que esperam de mim. – explicou, sentindo o olhar caminhar por aquela face tão bela e elegante – Ao mesmo tempo... – sorriu, como se pedisse perdão mais uma vez – Fato é que eu gosto de você, Alphonse, de uma maneira que não queria e menos ainda deveria. – determinou, sentindo o peito apertar.

– Sua honestidade sem fim, sua dedicação para com todos a sua volta, sua gentileza esmagadora, seu humor particular, sua beleza estonteante... –
enunciou, evitando percorrer os olhos pela alta figura – Não há como não gostar de você. Não há como não desejar você, Alphonse. – afirmou, sentindo uma nota de desespero, a respiração começando a pesar pela antecipação – Então, esta é toda a verdade que eu te devia: vivo em contradições. – determinou, fechando os olhos e tentando manter a calma – Estou preso, mesmo livre. Me achei e continuo perdido. – ergueu as pálpebras, encarando ao alemão, sério – Não posso ter você. – engoliu em seco – Quero ter você. – já havia chegado até ali. Não podia desistir – Não posso estar com você. – sorriu, enfim, fitando resoluto aos olhos do Friedrich – Eu amo você. – declarou, sem mais, silenciando-se e aguardando, então, alguma reação, qualquer uma que fosse, por parte do Friedrich.


__Interaction: Yun Hyong; Arisha Kurakin (NPC); Andrew Spencer (NPC); Viktoria Losev (NPC); Alphonse Derek Friedrich.
__When: Dezembro do 4º ano da Karen.
__Off: Depois de 394859438094 anos e meio daquele jeito, a bíblia saiu. -q


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Jinhwan Hyong
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