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Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemRussia [#149859] por Ivan Shuisky » 21 Jun 2015, 23:29

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As roupas sociais, o sorriso firme, o olhar galante, a postura ereta. Vi aquilo em um reflexo próximo e, por um instante, nem eu mesmo me reconheci. C*ralho. Eu realmente era um p*ta pedaço de mau caminho, mesmo bancando o certinho pomposo. Ri mentalmente e voltei meu olhar mais uma vez para Ayesha, vendo-a, para meu alívio e diversão, aceitar meu convite e se despedir do ninho de cobras no qual ela se metera, o que permitiu que, tanto para minha satisfação quanto para a dela, nós nos afastássemos deles. Ri de maneira discreta, afinal não rolava atrair atenção ali, ouvindo as palavras da princesa que me acompanhava.

“Ah, imagino.”
– aleguei com um sorriso de canto – “Salvei seu vestido de ficar babado, mas não no sentido que tenha a ver com essas rendas aí.” – observei com bom humor, mantendo, contudo, a aparência de uma conversa qualquer entre educados jovens – “Te falar que, depois de ver a treta séria que é isso, eu também estou feliz de ter vindo pra te dar uma mão. Só que não vim sozinho. Tive que trazer meus pai e Tanys ou o p*to ia embaçar minha participação.” – afirmei com um suspiro desgostoso, só de lembrar do p*to do Dawid e da vaca da Olga. Ouvi o comentário da delícia romanov e elevei minha mão para abafar o riso – “Essa é uma cena que eu queria ver, mas prefiro poupá-la do desagrado que são meus progenitores.” – afirmei com eloquência fingida, em especial devido ao surgimento de algum nobre de blá-blá-blá que queria cumprimentar a aniversariante.

“C*ralho,”
– murmurei em um tom baixo, tão logo nos distanciamos daquele homem – “Já ouvi falar que vestir um smoking te deixa com cara de pinguim, mas aquele ali parecia que tinha encarnado o bicho. Até o nariz dele parecia um bico.” – comentei, realmente impressionado, antes de voltar a sorrir como o ‘lord’ que eu não era.

Por conta daquelas situações bizarras e zoeiras disfarçadas, foi divertido caminhar ao longo daquelas pessoas e fingir ser um acompanhante elegante e simpático, tanto quanto foi tenso ver o mundo complexo no qual minha companheira de casa vivia. Apesar dos pesares, tudo parecia correr bem, e de fato estava, até uma voz surgir próximo de nós e com ela, em toda sua glória, pompa e rugas bem posicionadas, a tão mal falada Grã-Duquesa de Luxemburgo. Arqueei as sobrancelhas em surpresa ao ver aquela velha ali, notando a expressão de Ayesha e o avanço desta. Por um instante fiquei sem reação, mesmo com a pergunta que me era diretamente direcionada pela Friedrich passada. Sabia que a situação da morena com aquela filha da p*ta que ela tinha como avó era, no mínimo, f*da, assim sendo, fiquei no impasse entre agir, que era mais minha cara, ou esperar, que era o que parecia mais sensato. No fim, quando optei por abrir meu sorriso mais bonito e cortês possível, ouvi, para meu espanto, a voz de Aye se erguer com delicadeza altiva, saindo da travada na qual ela estivera até então.

“Uma honra conhecê-la.”
– sentenciei com um leve curvar do tronco em um cumprimento educado, apenas para complementar os dizeres da princesa ao me lado, admirando a força que ela tirara para enfrentar a avó e dissimular tão bem o que acontecia ali. Sorri, contendo a vontade de gargalhar da expressão da loira inteiraça, o aceno desta e, então, as palavras que me eram direcionadas – “Eles ficarão encantados em conhecê-la, vossa alteza.” – aleguei com um sorriso contido, vendo-a se afastar e levar com ela a nuvem negra e pesada que carregava consigo – “Realmente... ô tensãozinha filha da mãe.” – concordei, ouvindo então o comentário da morena sobre a própria performance – “Se saiu bem? Você simplesmente detonou com a graça daquela uva-não-tão-passa.” – aleguei com um sorriso e uma piscadela – “Agora... como raios você sabe meu nome inteiro, a ponto de conseguir me colocar naquela lista?” – questionei, realmente curioso com aquela rápida discussão.

“Hah.”
– murmurei ante a resposta pomposa e imitada desta – “Você é uma figura, Aye.” – disse, revirando os olhos e então, franzindo o cenho ante a ‘apresentação’ que ela queria me fazer – “Quem?” – questionei, girando os olhos para a direção em que caminhávamos e onde, o que mais me chamava a atenção, eram duas figuras ricamente vestidas, com tudo o que a pompa oriental e ocidental tinha a oferecer. Ela, uma chinesa sem expressão e gaaaaata pra c*cete, ele, um mal-encarado que fez meu lado ‘malandro’ gritar em alerta. E se o surgimento da vovó Friedrich havia sido aterrador para Ayesha, por motivos além da minha compreensão, aquela apresentação estava sendo para mim. Uma sensação que acho que só saquei de onde vinha, quando ouvi a palavra ‘ministério’ escapar dos lábios de minha companheira de dinastia.

Deixemos claro que eu não sou traficante, cafetão, nem c*ralha nenhuma do tipo – talvez assassino, de certo modo, mas isso não era bem culpa minha –, contudo, era fato que eu conhecia umas pessoas que, pra sobreviver, não viviam da maneira lá mais honesta, logo, esse ‘histórico’ somado ao fato de que alguns dos meus próprios familiares trabalhavam junto ao ministério russo – e todos sabem como eu amo minha família –, naturalmente fazia com que eu tivesse os dois pés atrás com personalidades ‘oficiais’. Notei então o homem, que atendia por Ryan, estender a mão, encarando-me com uma expressão difícil de definir, mas que, novamente por motivos de sei lá, me fez torcer para que ele não fosse um legilimente e ‘estuprasse’ minha mente até chegar naquela divertida noite, tempos atrás. Sorri, para afastar aqueles pensamentos da minha cabeça.

“O prazer é meu, Sr. Ryan.”
– disse, apertando com firmeza a mão do ministerial, ao mesmo tempo que forçava a memória na busca de alguma menção daquele ser, agradecendo o p*to particular que era meu cérebro, o qual me trouxe uma rápida lembrança daquele nome e uma sequência de deduções muito loucas e que, não sei se estavam certas, mas teriam de servir. Ah, o poder do c*gaço. Como ele era útil e fazia as coisas funcionar em alguns momentos – “Ayesha comentou sobre o senhor certa vez e, conhecendo-o aqui, ao vivo, devo dizer que é um alívio saber que ela tem o apoio de um auror tão... intimidador.” – e apesar da sinceridade quanto a meu alívio por Aye ter, naquela vida de m*rda, um aliado como cara daquele – algo que para se ‘enfrentar o mal’ era sempre necessário –, ante o adjetivo que eu empregava, senti um leve franzir de cenho de minha parte. Ô LOIRO BURRO DA P*RRA!

“Ok, não era essa a palavra, desculpe.”
– acrescentei com uma careta, calando minha maldita boca de m*rda, antes que eu falasse algo que deixasse o cara p*to. Girei então o olhar para a aniversariante, meio que para pedir um socorro ali, notando que esta parecia observar um ponto distante – “Ca... çamba.” – murmurei ao ver o casal que ela observava – “Aqueles são o Darian e a Dayana?” – questionei para a Friedrich, surpreso por ver a figura de nossos ex-veteranos ali. Nem sabia que ela os conhecia e muito menos imaginava que voltaria a ver aquele japonês sacana, o qual logo pareceu nos notar, carregando aquele olhar intimidador da p*rra.

E, de repente, de “A festa de aniversário da Princesa Friedrich”, na minha cabeça aquela história tinha virado “Ivan e Ayesha na terra do brincar de sério”, o que me fez torcer para que Dayana fosse realmente a simpatia que eu lembrava que ela era e empatasse o jogo, porque olha... ‘tava fácil não a minha situação ali.


[ Interaction: Ayesha K. Friedrich; Adrika Harriet Friedrich; Ryan Suliver ]
[ Off: Não tenho certeza se a Aye falou mesmo do Ryan, mas se Ivan tá falando... deve ter falado. Depois eu caço. -q ]


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Ivan Shuisky
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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemAlemanha [#151525] por Katherina Ayesha Friedrich » 08 Ago 2015, 03:05

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i can fake a smile, i can force a laugh, i can dance and play the part if that’s what you ask.
BUT I’M ONLY HUMAN AND I BLEED WHEN I FALL DOWN. (…)YOU BUILD ME UP AND THE I FALL APART ‘CAUSE I’M ONLY HUMAN.




                A jovem princesa nunca gostou de eventos sociais, sua lembrança mais remota se dava num daqueles bailes, onde procurava crianças para brincar como fazia com seu irmão, afinal era uma grande oportunidade de fazer amigos, mesmo que Ayesha não tivesse muita habilidade com isso. Ela se aproximava, mas tanto os pais quanto as crianças a tratavam de maneira distante, o que a deixara um pouco confusa, mas aprendeu ainda naquela noite que nunca teria amigos, sempre teriam medo de se aproximar, ou aqueles que ousassem não queriam realmente a amizade da menina, puro interesse. Assim ela construiu sua primeira barreira, confiava muito pouco nas pessoas ao seu redor, limitando seu contato com outros, apenas o fazendo quando era necessário.


                Contudo nunca imaginara que mesmo numa festa organizada por sua avó se sentiria tão feliz quanto se sentia naquele exato momento. Obviamente tinha aquelas crianças que sempre a enxergaram como um prêmio extremamente valioso para seguir com suas conquistas, suas ambições, podia vê-los, mas os ignorava desde a chegada de Ivan, sorria como nunca o havia feito numa comemoração como aquela, estava diante de seu primo, aquele que mais corria riscos por estar presente, e que nem parecia se importar. Tinha Miriam, que o pouco que conhecia da chinesa a adorava, e via o quanto a presença dela modificava o modo como Ryan agia. Isso a fez se questionar se eles estavam juntos, perguntaria isso ao mais velho assim que se visse sozinho com ele.


                Mas foram duas outras presenças que deixou a jovem ainda mais radiante, pois mesmo tendo enviado o convite, temia que ambos não pudessem comparecer por ‘n’ motivos. Contudo ao ver Darian e Dayana a alguns metros de distancia de onde estava sentiu-se extremamente alegre, o que quase a fez ignorar as palavras de Ivan, ou olhar de seu primo sobre o rapaz, quase.
– Acho que o que Ivan quis dizer... – começou delicadamente, ainda observando o amigo que percebera a presença dos antigos veteranos de Durmstrang, o que a fez sorrir um pouco. – É bom que eu tenha uma bom protetor. – diz sorrindo para o primo enquanto ouvia a risada de Miriam, uma surpresa que fez a mais nova rir sem motivo. – Nunca tinha ouvido você rir, Senhorita Wu. – E ao olhar a face de seu primo parecia que ele vira em algum momento aquilo e gostasse, o que a quase fez questionar o quanto aqueles dois se conheciam. – Mas se me dão licença, vou cumprimentar alguns amigos que acabaram de chegar.


                Friedrich tocou levemente o ombro do russo ao seu lado para que pudessem seguir para perto de Darian e Dayana, mas antes que o fizessem ela parou, voltando seu olhar para chinesa. – Ia me esquecendo. – disse puxando de dentro de sua luva um pequeno pergaminho dobrado e o entregando para a mais velha sobre o olhar atento de Matveyev e Suliver, mas a jovem se manteve a encarar os olhos esverdeados da oriental. – Achei algo que deva lhe interessar, espero que seja o que esteja procurando. – sorriu de forma amigável, logo vendo a auror se inclinar delicadamente, o que a fez corar um pouco. Mesmo sendo princesa, e que a maioria se curvasse diante dela por respeito, ou uma sombra disso, Ayesha ainda se sentia extremamente sem graça com tudo isso, principalmente tratando-se de alguém como Miriam, ela dava outro sentido aquilo, ou talvez ela simplesmente o fizesse por hábito, mas a impressão que a jovem detinha era que ela só o fazia quando confiava, ou realmente respeitasse a pessoa em questão.


                Tirando isso da cabeça, ela seguiu por todo o salão, sendo interrompida algumas vezes com convites cordiais, outros cheias de uma malicia que a quase fazia estremecer, contudo os dispensou com elegância e educação. Sentia-se de algum modo mais segura de si, e do que dizia ao lado de Ivan, ou talvez fosse o simples fato que ter um amigo ao lado a ajudasse a enfrentar toda aquela loucura sem sentido, afinal ela não era a herdeira direta. O trono, o dia que sua avó largasse dele, seria de Al, seu irmão mais velho, e que mesmo sendo um pouco irresponsável na maioria das vezes, quando ele se comprometia com algo a sério era uma pessoa completamente diferente.
“Ele vai ser um bom Grã Duque.” – pensou sorrindo enquanto andava em direção aos seus amigos.


                Provavelmente foi uma completa falta de etiqueta, e sua avó poderia desconfiar de algo, se já não o estivesse com a chegada de Ryan, mas Ayesha não pode se conter quando se aproximou do casal a sua frente, os abraçando com vontade, e uma saudade destacada naquele ato, surpreendendo os dois, e talvez até mesmo Matveyev, não que ela estivesse preocupada com isso. Pode os sentir retribuírem o abraço, como também os olhares sobre eles dos outros convidados, o que a fez se afastar devagar, mas sem perder o sorriso que parecia moldado em seus lábios.
– Estou feliz por terem conseguindo vir. – comentou, mas logo notou a falta de uma presença conhecida. – Arisha veio? – perguntou delicadamente, logo ouvindo a explicação que Darian lhe dava, assentindo delicadamente. – Espero que ela esteja bem, e diga a ela que não precisa se preocupar com presentes. – falou corando um pouco ao lembrar-se que ela mesma havia dado alguns presentes a eles. – Vocês conhecem Ivan, não é? – perguntou sorrindo – Ele era da Rurik na época que vocês ainda estavam em Durmstrang.


                Ayesha sentia-se feliz, podia contar quantas vezes realmente se sentira deste modo, com todas aquelas responsabilidades, a velha torturando a si e aos seus irmãos, aquela vida cheia de regras, etiquetas, eram momentos como esse que ela conseguia ser apenas a Aye, apenas a menina que tentava o máximo de si, e que sempre desejara ter mais coragem para muitas coisas, principalmente para fazer amigos, o engraçado era que mesmo que fossem poucos, ela os tinha e nem ao menos sabia como exatamente tinha acontecido isso. Com animação, conversava com Darian, Dayana e Ivan, sabia que sua alegria era tamanha que podia ser notada de longe, mas não ligava queria apenas aproveitar aquele momento, gravar em sua memória com fogo se fosse possível. Queria desenhar mil vezes aquela cena até suas mãos se cansarem. Sentia-se um pouco tola com toda essa euforia em alguns momentos, este sentimento que logo desaparecia.


                Contudo, foi como se Adrika pudesse ver, sentir e odiar sua alegria, ao ouvir o mordomo narigudo, que mesmo que soubesse seu nome não conseguia não chama-lo deste modo, se aproximar, se curvando perante a ela e de certo modo aos seus amigos.
– Vossa Alteza, a Grã Duquesa lhe chama, está na hora do discurso, e ela prefere que esteja ao seu lado quando o proferir. – disse no que passava de um sussurro, como se não quisesse que os outros presentes o ouvissem. Suspirando pesadamente, a morena assentiu o dispensando, e mesmo assim ele se manteve por perto, o que há irritou um pouco. – Vão ficar bem sem a minha presença? – perguntou um pouco preocupada, afinal ela sabia bem como aqueles loucos podiam ser, logo assentindo novamente diante das respostas, mas logo seu olhar foi até Ivan erguendo uma das sobrancelhas. – Não apronte nada. – comentou enquanto saia, rindo da resposta que lhe fora dada.


                Se tinha uma coisa que a morena odiava mais do que aqueles bailes, eram os discursos de sua avó, eram mentiras que chegavam a doer em seu peito quando proferidas, não que alguma vez ela tenha contradito a monarca, bem, talvez uma. Não que ela tivesse repetido o feito, aprendera do pior modo o quanto a velha poderia ser cruel. Respirando fundo, Friedrich foi até onde estava sua família, se posicionando entre Alphonse e Alexis, seu lugar, a filha do meio. A terceira na linha de sucessão. Quantas vezes pensara abdicar seu lugar, mas ficava com medo, afinal não queria deixar sua irmã mais nova com aquele martírio, por ser a quarta, a loirinha não recebia tanta atenção da velha, obviamente era criada do mesmo modo que ela e Al, mas não tinha com o que temer sobre ser a nova regente, não enquanto os dois mais velhos estivessem vivos, ou considerassem aptos a governar, o que na verdade nenhum dos dois tinha.


                Seus olhos azulados se dirigiram então ao homem que todos naquele salão, pelo menos a maioria, achassem que fosse seu pai. Por não ser viúvo da antiga Princesa, ele poderia pensar que teria alguma chance de por suas mãos no trono, algo que Adrika jamais deixaria, mas Ayesha bem sabia que sem sua mãe ali, ele não passava de um Lorde, não chegaria tão perto do trono nem que fosse para limpa-lo. Esse pensamento a fez rir, o que fez seu irmão encara-lo erguendo uma das sobrancelhas, sorriu para ele como um pedido de desculpas, e que de algum modo demonstrava que iria contar o que pensara a ele mais tarde, o que ele compreendeu, ou ao menos pareceu.
– Boa noite a todos os presentes. – a voz da Grã Duquesa se erguera, fazendo com que a atenção da menina se voltasse pra ela. – E com grande prazer que fico perante à vocês esta noite. - começou Adrika delicadamente, um sorriso que para outros poderia ser belo, mas para a jovem alemã era uma lembrança ruim. - Como sabem, hoje estou aqui, não apenas como Grã Duquesa, mas como uma avó orgulhosa. Minha neta tentou ao máximo seguir os passos deixados por sua mãe, e mesmo com uma pequena falha, conseguiu superá-la. - um nó se formou na garganta da menina, queria simplesmente não escutar nada daquilo. Era como ser completamente exposta. - E nesse grande dia, está completando 16 anos, quando nenhum médico lhe dava mais que alguns anos de vida. Hoje ela está se tornando uma mulher.

                Ayesha não sabia como estava aguentando estar ali, parada ao lado da mulher que ela sabia ter destruído todas as suas chances de ter uma família feliz e acima de tudo completa. - Porém, tenho duas notícias esta noite que merecem ser passadas adiante, sendo uma delas um pouco triste para eu admitir. - como a morena daria tudo pra que aquilo acabasse, mas sabia que não importava o quanto desejasse não iria acontecer, pensar nisso quase fazia ignorar as palavras da mais velha, quase. - Meu neto, Alphonse, quando chegou de sua viagem, me confessou algo que de início me deixou estupefata, mas que ao notar a ânsia dele resolvi conceder - lhe seu desejo. – a morena ergueu uma das sobrancelhas ao ouvir aquilo. Al? Conversar com a velha por livre espontânea vontade? Impossível. O que a monarca estaria tramando? – O príncipe Alphonse renunciou seu direito ao trono para se unir aos soldados que protegem esse país. - Surpresa estampou-se na face de Ayesha, seus olhos indo em busca do irmão que mantinha-se olhando para os convidados, suas mãos fechadas em punhos, atenção que ela podia sentir emanando do rapaz ao seu lado, com isso ela soube que aquilo não foi escolha dele. Adrika o estava forçando a renunciar algo que ele jamais faria por vontade própria, mesmo que não almejasse o trono preferia assumi-lo a deixar ela ou Alexis para ser controladas pela avó. – Assim sendo, a jovem que todos vieram parabenizar por seu aniversário, se tornou a próxima na linha de sucessão. - as mãos da menina se fecharam em punhos, ela sabia o que aquilo significava, sua liberdade estava sendo tirada de si, aos poucos. - Apresento-lhes a vocês a sua futura Grã Duquesa, Princesa Katherina.

                Uma sentença era isso que a morena sentia com as últimas palavras da mais velha, assim como as palmas que começavam a soar pelo salão. O sorriso de triunfo velado que apenas aqueles que a conheciam podiam perceber estampada em sua face. Como se fossem um só corpo deu a mão a Alphonse, e ao segurar firmemente a mão deste percebeu o quanto tremia, seguidamente veio Alexis a abraçando pela cintura, tão jovem, mas mesmo assim compreendia o que aquilo tudo significava, não teriam mais o irmão para protegê-las, a irmã estava sendo praticamente levada para abate, pois mesmo que as leis mudaram durantes os anos, era quase uma tradição que uma mulher ao ser tornar a monarca casaria. Pensar nisso fez com que ela estremecesse. Podia largar, abdicar, mas isso significaria abandonar a loirinha agarrada a si, fugir seria sua única opção, ao pensar nisso procurou Ryan pela multidão, encontrando-o após alguns minutos, notando a face de raiva, medo e angústia, tinham planejado tanto um futuro onde teria Adrian de volta, que nem haviam pensado no que aconteceria se ela fosse a próxima na linha de sucessão, algo que Adrika estava usando com inteligência. Fugir. Poderia fugir largar Durmstrang, se esconder, viver como trouxa, com ajuda de seu primo talvez conseguisse.

                Novamente Alexis tomou sua mente, ela ficaria em seu lugar, que tipo de irmã mais velha seria se fizesse isso? Uma péssima. Pensou também que ao largar tudo era mais que provável que não veria Alphonse também, ou seus amigos, até mesmo Durmstrang, seu lar, quando sua casa não passava de uma prisão. Fugir ou não fugir? Podia ser egoísta uma vez na vida. Isso a fez rir, ela não conseguiria. Ela não era assim. Apertando a mão do irmão, para logo a soltar, Ayesha acariciou os cabelos loiros da irmã e se afastou indo até Adrika, estava aceitando sua sina, era sua agora não era? A carregaria com orgulho, e acima de tudo lutaria. Um sorriso se abriu nos lábios da alemã, seus olhos azuis encarando os da mais velha, novamente, de alguma forma silenciosa a estava enfrentando, isso bastava por agora. Com elegância se inclinou perante a avó, a surpreendendo, ser erguendo em seguida para encarar a plateia e fazer o mesmo.
– Será uma honra para mim ser aquela com que o povo de Luxemburgo pode contar, uma mãe, uma irmã, uma amiga. – falar isso a quase fez rir, afinal esse era o lema de seu avô, e que tinha visto rabiscado tantas vezes no diário de sua mãe, um lema que Adrika não conseguia usar. – Serei o que precisarem, assim como minha amada avó tem sido por todos esses anos, assumindo o lugar de meu falecido avô, sem medo do que estava por vim. Vou me tornar uma Grã Duquesa tão grandiosa quanto esta que está ao meu lado. Obrigada a todos pelo apoio.

                Com estas palavras se afastou, voltando para perto de seus irmãos, mantendo-se no meio dos dois, seu lugar, um do qual era apenas dar um passo a frente para proteger a ambos. Era isso que ela faria. Sua mãe fugiu para dar uma chance aos filhos que nasceriam, mesmo que por algum motivo eles estivessem ali, Ayesha não deixaria sua avó vencer, não quando Katherina tivesse lutado tanto para que sobrevivessem. – Bem, isso foi surpreendente. – ouviu a velha dizer, um sorriso em seus lábios que para os outros poderiam ser de felicidade, mas os três irmãos sabiam que era de pura malicia. – Com isso, posso dizer que estou aliviada, e que podemos continuar com seu aniversário, minha neta. – comentou, se virando em direção ao público, dando liberdade para Ayesha respirar fundo, tentando controlar os tremores que percorriam seu corpo. Estava com medo, mas não desistiria do que dissera, muito menos da pequena rebelião contra avó. – Como é de costume, ao completar dezesseis anos, em seu aniversário, a Princesa dançará com todos os homens aqui presentes, a primeira dança obviamente seria concedida ao avô dela, mas como meu marido está falecido alguns anos, seguiremos para o pai da jovem princesa. Lorde?

                Engolindo em seco, a morena viu Augustus se aproximar, dela lhe estendendo a mão, a qual ela segurou tentando não tremer, ambos seguiram até o meio do salão. A música começou a soar lenta, era uma melodia delicada, e ela foi guiada pelo homem a sua frente da mesma forma. Tudo aquilo poderia ser um sonho, o baile que qualquer garota desejaria, mas não ela, que no momento só queria voltar para seus amigos, para seu primo, para Miriam que ela ainda não sabia se considerava apenas uma conhecida, uma amiga, ou dependendo da relação de Ryan com ela, uma futura prima. – Não sei o que estava pensando com essa tola apresentação. – a voz do Lorde soava baixa, a menina quase nunca o ouvir dizer uma só palavra, vê-lo ali falando e com ela ainda por cima era uma surpresa. – Adrika não é alguém que aceita retaliações deste tipo, deveria saber bem disso, Princesa. – a face da morena era uma mistura de apenas dois sentimentos, choque e raiva, ele estava a ameaçando? Se era isso que estava fazendo, não havia surtido efeito. – Sei bem do que ela é capaz, meu querido pai. – disse com ironia, vendo os olhos dele se estreitarem. – Como também sei que não passa de um ratinho assustado, e que só está atrás de um pedaço do queijo que ela possui, mas devo avisa-lo, não gosto de ratos, e não pretendo me curvar a você e nem a ela. – sua voz soara firme, como ela havia esperado que fosse, pelo menos isso ela conseguia controlar. – Tola, igual sua mãe.


                Aquelas palavras a surpreenderam um pouco, e fez a raiva aumentar, como ele ousava falar dela deste modo? Mas, antes que pudesse responder a altura, ele se fora dando lugar a Alphonse que parecia arrasado, por falta de uma expressão melhor. O mais velho tentava procurar um modo de dizer algo. – Não precisa se desculpar, Al, não foi sua culpa, eu apenas não esperava que ela fosse se mover tão rápido assim. – disse delicadamente, sorrindo um pouco para tranquilizar o irmão. – Eu fui burro, Aye. Ela descobriu que eu estava saindo com Pierre. – comentou fazendo a alemã suspirar. – O ameaçou, e eu não sabia o que fazer... – a menina apertou delicadamente a mão que segurava do mais velho enquanto dançavam. – Não se preocupe, daremos um jeito, além disso a culpa é minha também, eu venho provocando-a a um tempo. – disse suspirando pesadamente. – Quando esse baile acabar preciso contar algo para você sobre mamãe... – a expressão do ex-lufano mudou de dor para surpresa, contudo não tiveram tempo para dizer mais nada, quando outro tomou seu lugar na dança. Friedrich não prestava a atenção em mais nada, nem nos passos, que nem ao menos sabia como conseguia ficar sem pisar no pé de ninguém, muito menos na melodia que era tocada. Tudo que pensava era o que poderia fazer de sua vida, estando sua liberdade com tempo contado de sobrevivência.


WEARING • Olhe o gif .q| MUSIC • Human – Christina Perri.
| WITH • Ivan Matveyev; Ryan Suliver; Miriam Wu; Darian Nagaen; Dayana Fountcher; Mordomo Narigudo (NPC) .q; August Hüfner (NPC); Adrika Harriet Friedrich (NPC); |
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Katherina Ayesha Friedrich
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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemEstados Unidos [#151857] por Dayana Fountcher » 24 Ago 2015, 00:25

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Apostava que havia em torno de centenas de pessoas naquele castelo. Certeza! Era muita gente bebendo, comendo, dançando e socializando, ao ponto de Dayana chegar a conclusão de que seria impossível achar Ayesha no meio daquela multidão. Em contrapartida, também achava que era um desperdício perder a noite toda em uma busca quase impossível e não aproveitar a glamorosidade daquela festa, por isso, repentinamente a menina parou com a procura e virou para ficar de frente com o namorado. Com um olhar travesso, segurou uma das mãos dele e a outro a levou até a sua cintura. Há quantos anos não dançava? Lembrava-se de uma atividade nos tempos da escola, onde um dançarino profissional tinha saído de uma caixa mágica para lhe fazer companhia em uma apresentação. Nem se lembrava em que ano foi, mas se recordava de mais uma história e de muitos anos atrás, de um sonho infantil de se tornar uma grande dançarina. Claro, isso não aconteceu, mas também não quer dizer que ela perdeu o gosto pela dança, então, foi com uma habilidade nostálgica que ela passou a conduzir o noivo no meio daquelas pessoas na pista de dança.

A música que tocava era uma valsa antiga e quase medieval, fazendo a menina se perguntar em que idade extremamente avançada a lá Nicolau Flamel o DJ se encontrava. Contudo, não era de toda ruim ou era apenas as lembranças de Dayana que beneficiavam a situação e o seu gosto pela música que lhe dava uma tolerância maior para a falta de gosto dos organizadores.

Em dado momento, abraçou o namorado com força e mesmo que ele tenha expressado nenhuma reação, sabia que ele havia gostado, pois ao menos o noivo intensificou aquela ação. Beijou-o com os lábios semicerrados e quando se afastou, olhou firme para os orbes claros de Nagaen, dando um sorriso divertido no rosto.

Passos firmes sob os saltos, a respiração calma e contida no vestido justo e os cabelos soltos que balançavam lentos e leves conforme a música… Parecia que ficaram horas ali, mas não se passaram minutos, o que fez Dayana se sentir satisfeita e feliz pela ideia já que, no final das contas, não precisaram ter perdido tempo procurando Ayesha, pois ela havia finalmente surgido. No final das contas, a Romanov que acabou os encontrando.

Por mais que tenha cogitado a possibilidade de não comparecer naquela festa, Fountcher pôde dizer que se sentiu aliviada por estar ali e até, emocionada. O tempo que um abraço normal leva não foi o suficiente para Dayana, que apertou a amiga em seus braços tamanho a saudade que a americana nem se lembrava mais que ainda possuía, aliás, como Ayesha estava bonita! Não que ela já não o fosse, mas era verdade que a adolescência e a maturidade lhe deixaram ainda mais bela. Admirada e contente, Dayana não deixou de ressaltar para a menina o quanto estava bonita, enquanto segurava as suas mãos… O único detalhe - apesar de que não era pequeno para ser chamado de detalhe – era o vestido. Aquele vestido em nada evidenciava os dotes e a beleza da Romanov, entretanto, antes que Foutncher pudesse explanar a sua opinião sincera, a mesma foi interrompida pela própria Ayesha que direcionava uma pergunta ao noivo da americana.

Ela perguntava de Arisha que não estava ali com eles por motivos que Dayana também descobria pela explicação de Darian. Uma justificativa que talvez em uma futura festa não fosse atrapalhar novamente. Do namorado, os olhos da morena caíram no acompanhante que Friedrich apresentava aos dois. Day não se lembrava dele por mais que a Romanov tenha afirmado que os quatro estudaram juntos. Era bonito e o tipo de garoto que ''marcava presença'', mas mesmo assim, a memória da americana não lhe trouxe qualquer lembrança, chegando a conclusão de que ele não foi, em seu tempo em Durmstrang, uma figura importante.
- Não sei se quero ficar ao lado de vocês… - Afirmou em dado momento em um tom quase magoado. - Sinto tanta falta de Durmstrang que me dá uma pontada de inveja de vocês. - Suspirou, abrindo um largo sorriso. - … Mas também não sou tão cobiçosa assim… Me digam, os campeonatos de Quadribol voltaram? - E assim se deu o início da conversa entre os três, já que, pelo nosso conhecimento quanto ao Darian, sabemos que ele não se intrometeu muito. - Argh, nem me falem daquela Shuisky, não gosto dela… Como sonhei com o dia em que ela simplesmente sumisse. Pena que vocês tiveram que herdar esse azar de viver no mesmo ambiente que ela. - Não sabia se falar da escola estaria aborrecendo os garotos, mas a menina prosseguia, nostálgica e feliz por reviver algumas lembranças.

O assunto apenas cessou no momento em que a conversa voltou-se para a atualidade, quando Ayesha quis saber como andava a vida dos dois pós-formatura.
-… Bem, realmente faz muito tempo que a gente não se vê, não é? Então creio que você não soube de Bernard. - Os olhos da americana brilharam por terem chego naquele ponto da conversa. - Então, nesse meio tempo eu engravidei, tivemos um filho e ele já vai fazer três meses… É… Parece que se passou muito tempo mesmo. - Riu diante da reação animada da amiga. - Não o trouxe porque ele é muito novinho ainda, mas você está convidada a nos visitar, Aye, e pode levar o seu amigo também. Creio que Benny irá adorar. - Dayana que não ia adorar muito. Era sabido que sentia ciúmes e preocupação excessiva com relação ao pequeno de modo que não lhe agradava o alarde que normalmente faziam em volta do seu filho, contudo, também gostava de Friedrich e apenas estava dando um motivo para vê-la mais vezes, na vontade de que elas duas não voltassem a se distanciar.

Por mais que o encontro entre eles estava sendo divertido entre as lembranças e novidades por conta do tempo em que ficaram sem se ver, o grupo foi interrompido por um distinto senhor que lhes tiraram a companhia da princesa.

Aparentemente ele a levou para se apresentar diante dos convidados. Fountcher sentiu-se mais uma vez incomodada com toda aquela solenidade, mas quando olhou para Darian, após ele a envolver pelas costas em dado momento, apenas sorriu, enquanto os olhos negros focavam nas pessoas daquela distinta realeza, mesmo que ainda lhe fosse estranho ver uma peça conhecida, que era Friedrich, naquele meio.

A americana, como todos os outros, ouviu com atenção as palavras da monarca. Com certa excitação, Dayana seguiu os aplausos. Uma rainha! Que sonho! Contudo, a pequena logo deixou de acompanhar as palmas. Há certa distância, a face da Friedrich poderia dizer tudo, menos que estava feliz.
– Darian, olha! Ela parece desesperada… - Ainda com as duas mãos unidas na sua frente, a morena ouviu Ivan falar algo que a preocupou…

A cerimônia com uma longa dança que Ayesha deveria protagonizar e pela quantidade de pessoas que havia na festa, com certeza se daria por horas. Fountcher assistiu rapaz atrás de rapaz reivindicar por alguns minutos a atenção da princesa, enquanto os três viam aquilo cada qual com um sentimento. Fountcher, na verdade, tentava entender um pouco daquilo. Ela achava que talvez fosse divertido ser uma peça da realeza com todas as regalias e mordomias que aquilo poderia trazer, mesmo que a própria nunca tenha, alguma vez na vida, se imaginado ou desejado essa situação. Contudo, pela expressão e a falta de vontade com a qual dançava, era visível que Ayesha não pensava o mesmo, o que claro, angustiava a jovem americana.
- Darian, vá dançar com ela... Entre na meio daqueles urubus e dê um fôlego para Aye, o que acha? - Sugeriu, não recebendo uma resposta direta do noivo, mas somente um beijo na testa antes de vê-lo se distanciar depois de acatar a sua ideia. Ouviu Matveyev lhe agradecer e ela em resposta, sorrir. - Shiu… Você fala demais… Agora só observe… - Viram Nagaen se aproximar de Friedrich no momento em que uma valsa parava de tocar para dar lugar a outra, dando início à cena esperada por Dayana: Não obedecendo a fila que parecia ter se estabelecido entre os jovens cavalheiros, só com a sua presença altiva, Nagaen espantou um dos urubus sem emitir qualquer palavra, tomando o lugar desse para que pudesse ter a sua vez com Friedrich. Fountcher teve certeza que Nagaen não deve ter percebido que ali havia uma ordem ou que ao menos já havia alguém esperando para tomar a princesa para uma dança. Se percebesse, Darian, com toda a sua cordialidade, teria aguardado pacientemente a sua vez, o que faria Dayana, no mínimo, dar com um tapa em sua própria testa. Entretanto, lá estava ele fazendo a pequena Ayesha sorrir, o que fez a americana, por sua vez, respirar com alívio e rir, depois de Ivan chamar-lhe a atenção para a cara de frustração do jovem urubu que havia perdido a sua parceira. Porque de fato, ele não foi louco de contrariar a face firme e austera do noivo de Dayana, além de provavelmente ter avaliado que não era páreo contra o tamanho do japonês.

Contudo, não foi só isso que chamou a atenção da morena. Não eram só os rapazes que pareciam prontos a acharem um bom partido para dançar, como se quisessem demonstrar alguma qualidade ou pretensão para a jovem princesa. Algumas garotas, aproveitando-se da ocasião, também acompanhavam o ritmo da música e cobiçavam os futuros parceiros, fazendo daquela pista de dança, uma arena de caça. Os olhos escuros feitos ônix perceberam a agitação de um grupinho de garotas quando o seu noivo entrou na brincadeira. Risadinhas e conversinhas que fez a pequena estreitar os olhos e ignorar qualquer coisa que a sua companhia ao lado pudesse ter dito até que claro, a sua presença se fez necessária.
- Vem aqui comigo, senhor Matveyev. - Pisando firme sob os saltos e puxando o jovem pelo braço, Dayana desviou, empurrou e resmungou contra as pessoas que tirou da sua frente até que ficasse perto da princesa e do seu acompanhante. - Espero que saiba dançar… - Disse sem paciência, irritando-se com uma loirinha em particular e muito bonita que olhava para o seu noivo. - Ao menos isso… - Constatou ao ver que Ivan não era uma má companhia em uma valsa.

Sem fazer qualquer escândalo ou aprontar alguma travessura que fizesse a vadia perder ali mesmo os seus belos cabelos loiros, Dayana dançou pacientemente com o russo que, de qualquer modo, não era um mau acompanhante. Entretanto, quando os casais se preparavam para trocar de parceiros, com uma agilidade quase graciosa, Fountcher entrou na frente do casal que aguardava a vez com Ayesha e Darian. Com um sorriso bonito e travesso, conquistou a vez com o noivo, ao mesmo tempo em que oferecia a mão de Ivan, de uma forma quase maternal, para a princesa, deixando mais uma vez alguns pares frustrados ''do lado de fora''.


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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemJapao [#151967] por Darian Nagaen » 29 Ago 2015, 03:20

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Enquanto caminhava em busca da aniversariante daquela noite, Darian sentia sua percepção tentar absorver todos os pormenores que rodeavam ele e Dayana. Em sua mente, enquanto observava o requinte em cada arco da arquitetura do salão e as pessoas cheias de pompa, recordava-se dos relatos de sua mãe, após descobrir as reais origens desta, sobre as festas da alta sociedade bruxa que ela muitas vezes tivera de participar quando jovem. As aparências perfeitas, os sorrisos tão cheios de cortesia e falsidade, as palavras rebuscadas, os assuntos triviais que, em sua maioria, nada mais eram do que artifícios para demonstrar quem era melhor que quem ou fofocas disfarçadas. Um mundo de aparências e futilidade da qual ela fugira e na qual, por acaso, o Nagaen se via conhecendo, em uma magnitude ainda maior, por meio de alguém que, definitivamente, não lhe parecia uma pessoa inserida naquele contexto.

Franziu ligeiramente o cenho ao pensar em Ayesha, perdendo a linha do pensamento tão logo notou Dayana parar a sua frente, fazendo com que ele a encarar sem compreender. Viu-a de repente mexer suas mãos, posicionando-as de maneira estratégica, o que o fez curvar ligeiramente os lábios enquanto fitava à face sapeca, deixando-se acompanhar os passos da americana, tão logo compreendeu o intuito desta, visto que a busca estava sendo infrutífera. Não era bom dançarino, admitia, mas ao menos, tratando-se da boa e velha valsa clássica, sabia o compasso a ser seguido e o que fazer, assim sendo, concentrando-se, seguiu, tentando manter a naturalidade. Sentiu, em certo momento, os braços da morena o cercarem com força, o que o fez girar o olhar em direção à noiva, aspirando o perfume suave desta, enquanto sentia o corpo pequeno junto ao seu. Retribuiu o gesto sem delongas, apreciando a proximidade cadenciada pelos passos e os lábios da pequena tocarem os seus em beijo rápido.

Os olhos claros fitaram aos escuros e um sorriso discreto e genuíno se fez na expressão do mestiço, enquanto este desenhava com o olhar as feições delicadas da bela Fountcher que, mesmo com a recente gravidez, permanecera a mesma jovem linda e espirituosa de sempre – apenas ligeiramente mais preocupada e protetora. A amava, não havia dúvidas, e se julgava sortudo por ser correspondido. Ele, que sempre tivera aquela falta de jeito com sentimentos e um verdadeiro problema genético em demonstrá-los, exceto para aquela pequena que o testava de tantos modos. Com um olhar apaixonado e típico, seguiu o ritmo da música antiga, que mais parecia provir de um baile da terceira idade, girando entre os demais casais que ocupavam a região. Ergueu os olhos em um momento apenas, quando então avistou uma face que reconheceu de imediato e que fez com que por um instante o oriental perdesse o compasso, surpreso.

Os olhos claros piscaram por um momento, absorvendo a imagem que via. As íris cinzentas e de tom idêntico aos do próprio oriental, os cabelos loiros e os traços ligeiramente mais maduros do que se recordava, mas, ainda assim, facilmente reconhecíveis. Ivan Matveyev ou, talvez devesse dizer, Shuisky. O que ele fazia ali? Sentiu um certo receio se erguer em seu peito, mas tão rapidamente quanto viera aquilo sumiu, mais especificamente devido à aparição de Ayesha e o abraço que a mais nova lhes oferecia. A expressão firme se abrandou ao retribuir o gesto, feliz por ver a Friedrich que, sem dúvidas, tornara-se uma bela donzela durante o tempo em que se viram separados e, apesar de tudo o que a irmã desta havia contado ao oriental, parecia muito bem.

“Infelizmente Rishy não pode vir, Aye. Por conta da família, ela tem evitado a comunidade bruxa desde que se formou.”
– explicou com um sincero lamento no tom enquanto observava a princesa luxemburguesa – “Pediu-me que lhe pedisse desculpas, mandasse um beijo e informasse que enviaria uma coruja com um presente à altura dos que certa vez a senhorita nos deu.” – disse com um olhar brando, antes de girar o rosto, já então impassível, em direção ao rapaz que lhes era apresentado. Retribuiu o cumprimento do sorridente loiro com um aceno de cabeça. Havia, em seu último ano, tido a oportunidade de conhecer um pouco do desbocado russo e, à parte da falta de modéstia e modos, não o julgara de todo ruim. Apesar daquilo, contudo, era no mínimo curioso ver alguém como Ivan junto de Ayesha. Na verdade, para o mestiço era algo tão estranho que em um canto de sua mente não podia deixar de pensar por quais razões aquilo realmente se dava – algo que, logo concluiu, não era da sua conta.

Acompanhou então a conversa que ali se desenrolou entre eles e, como era típico de si, manteve-se em silêncio, observando e ouvindo, ainda que sentisse a nostalgia lhe bater ante os comentários e histórias sobre Durmstrang e as recordações que eram trazidas à tona. Sentia falta, admitia, das paredes daquele castelo gélido que por tantos anos fora sua morada e tantas recordações lhe traziam. Já fazia um ano que trabalhava em Beauxbatons, mas notava cada vez mais que, passasse quanto tempo fosse, continuaria sendo um estranho naquele castelo cheio de requintes, peculiaridades e deusas – algo que acabou por comentar quando o assunto pós-formatura chegou, evitando contudo demonstrar conhecimento pela mais irmã mais nova da Friedrich, visto que isto poderia trazer outros tópicos pouco interessantes para a ocasião. Enquanto as meninas pareciam conversar sobre algum assunto qualquer, viu o Matveyev se voltar para ele com aquele sorriso ‘descolado’.

“Fico satisfeito em ouvir.”
– constatou ante a observação bem humorada do mais novo sobre os próprios treinamentos de luta – “E, desculpe-me questionar assim, de repente, mas o senhor veio sozinho?” – questionou, apenas por curiosidade, vendo-o logo demonstrar um quê de desgosto na face, antes de indicar três pessoas distante por alguns metros deles. Tanya, que Darian conhecera na mesma ocasião em que conhecera Ivan, uma bela e elegante bruxa loira, que supôs ser a mãe do Shuisky, a qual, assim como a filha, acompanhava a conversa entre um outro casal e um homem imponente e sisudo que beirava os quarenta e cujos traços inegavelmente lembravam o do loiro a sua frente, tanto quanto recordavam em aspectos a mãe do Nagaen. Engoliu em seco, desviando o olhar e mentalmente agradecendo por ter herdado poucas características físicas de sua família materna – “Não, eles não o viram, nem a Ayesha.” – garantiu com um olhar calmo, percebendo que o mais novo não só se mantivera de costas, como por vezes se curvava ligeiramente, parecendo se esconder dos familiares. Algo no mínimo curioso.

O surgimento de um mordomo fez com que a atenção do mestiço se voltassem novamente para a Friedrich, que era chamada para comparecer a algum discurso que ocorreria. Franziu o cenho, assentindo ante a questão da morena e, talvez por conta daquilo, que para Darian mais soou como um aviso, aproximou-se de Dayana, alerta quanto aos arredores. Os olhos claros então pararam, contemplando a família real que surgia, estranhando a figura de Alexis, que nem mesmo parecia a garota que, em meio à biblioteca, saíra inocentemente praticando feitiços. Suspirou, escutando as palavras belamente proferidas pela avó de Ayesha, tendo o olhar alternando entre os arredores, a figura da Grã-Duquesa e sua amiga. Devido a esta atenção, no momento em que o grande anúncio foi feito, enquanto acompanhava às palmas com a apatia inata, notou a expressão da jovem princesa se contorcer momentaneamente e, sem dúvidas, ‘felicidade’ era a última coisa que o mestiço usaria para definir aquilo que viu no rosto da amiga.

“Parece mesmo...”
– concordou com a noive, voltando os olhos para esta e, por este motivo, acabou por também captar a expressão de Ivan que, apesar de surpreendentemente contida para alguém como ele, demonstrava uma raiva profunda, denunciada pelo maxilar contraído e o comentário baixo, suficiente para que apenas eles ali ouvissem. As sobrancelhas de Darian se arquearam e os olhos cinzentos giraram alarmados para Ayesha, que se postara frente a todos para erguer a voz em algumas palavras que, pelo tom, pareciam carregadas de um significado além do que era puramente demonstrado. Ouviu algum comentário do loiro próximo, o que fez o mestiço encarar de soslaio o rapaz, que apenas sorriu descontraído, alegando não ser nada. Deu de ombros, vendo então que um espaço se abria para a valsa que se daria entre a aniversariante e os convidados.

Não se importou ou mesmo se preocupou com aquilo, visto que sua mente parecia ocupada pensando sobre o anúncio recém feito, até o momento em que ouviu a voz de Dayana se erguer, sugerindo que ele livrasse a amiga daquele sufoco de falsidades. Os olhos claros correram por um instante para a figura belamente vestida de Ayesha antes de se voltar para Dayana, beijando-lhe a fronte com todo o carinho que aquela cuidadosa jovem merecia. Sem mais, girou então para, com o porte natural que os anos de treinamento militar e marcial haviam lhe dado, embrenhar-se entre a multidão que assistia. Tão logo a música deu uma ligeira pausa, lançou um olhar propositalmente intimidador para o rapaz que estava com a Friedrich e, com uma mesura cortês e elegante, tomou a mão da princesa, passando então a conduzí-la.

“Espero não ter assustado seu parceiro anterior.”
– mentira, não lamentava – “No entanto, a chefe da cavalaria, que atende por Dayana Fountcher, pediu para que viesse resgatá-la dos urubus interesseiros, Princesa Katherina.” – sentenciou com um quê de sarcasmo divertido no tom, enquanto conduzia a mais nova com leveza – “Você está bem, Aye?” – questionou com um tom baixo, fitando aos olhos azuis – “Pareceu-me surpresa com o anúncio de sua avó.” – observou com um olhar sinceramente preocupado, suspirando ante a resposta da mais nova – “Entendo...” – murmurou, pensativo, percebendo que sustentar aquele assunto não seria o melhor meio de ‘dar um fôlego’ para a Friedrich – “Bem, quando quiser, sinta-se à vontade para nos visitar e caso queira levar companhia, fique à vontade.” – disse com sincera boa vontade – “Aliás, devo confessar que estou surpreso que você seja amiga do Sr. Matveyev.” – observou, mudando de assunto casualmente – “Tive a oportunidade de conhecê-lo em uma atividade de Durmstrang e posteriormente ele me pediu para ajudá-lo a melhorar o conhecimento de luta. Um indivíduo bastante... singular.” – constatou com um leve sorriso irônico e cheio de entrelinhas. Afinal, talvez ‘ligeiramente descabeçado’ fosse um adjetivo mais apropriado.

Prosseguiu acompanhando Ayesha, até o momento em que Dayana e Ivan surgiram dançando próximos a eles e, com aquela agilidade típica da ocasião, trocaram de casais e, ante o sorriso do loiro, quase se sentiu um pai que entregava a filha para um jovem não de bons pensamentos. Lançou um último olhar para se certificar, voltando-se então para a pessoa que, sem dúvidas, organizara aquele pequeno ‘acaso’. Sorriu discretamente para a noiva em aprovação pelo gesto e, completamente alheio ao ciúmes desta ou aos olhares que os seguiam, guiou-a pela pista, pensando por acaso no pequeno segredo que ele carregava naquele momento. Franziu o cenho, ponderando se devia ou não comentar com a americana, ainda mais naquela situação. Suspirou. Visto que não gostava de esconder coisas da Fountcher e que não julgou que seria um real problema, lançou um olhar ao redor, conferindo se os pais do par atual da princesa estavam por perto, antes de se voltar para sua acompanhante.

“Day,”
– disse, aproximando um pouco mais da morena, a fim de, enquanto dançavam, poder lhe falar ao ouvido – “preciso te contar um segredo.” – sentenciou com um tom calmo, a fim de evitar que a mente da americana começasse a ir para cantos que, ele sabia, podiam ir e que nada tinham a ver com o que tinha a dizer – “Lembra que eu te expliquei mais ou menos a história da minha mãe, sobre ela ter fugido da família para casar com meu pai e que, por conta disso, só descobri pouco antes de nos formarmos que ela tinha dois irmãos mais novos, sendo Lana a caçula?” – questionou, ainda observando os arredores, vendo-a assentir – “Pois bem, aparentemente o outro irmão de minha mãe está nesta festa.” – sentenciou com um tom indiferente, ainda que aquilo parecesse causar uma certa reação por parte da noiva – “Não é um problema. Ele não desconfia que minha mãe está viva e eu estou bem longe de aparentar ter descendência russa.” – garantiu com um olhar divertido.

“Só que há um detalhe curioso nisso tudo.”
– comentou, encarando os olhos escuros de Day – “E eis o segredo que você terá que me prometer que vai manter, tudo bem, pequena?” – questionou, esperando que esta garantisse antes de beijá-la carinhosamente nos lábios e, como em uma sugestão, girar os olhos para Ivan e Ayesha, que pareciam se divertir, fosse com a dança que executavam ou a conversa que tinham – “Seja por mero acaso ou não,” – e fitou a noiva de soslaio – “você acabou de dançar com meu primo.” – sentenciou por fim, girando a morena para habilmente desviar de um casal distraído que passava por eles.

[ Interaction: Dayana Foutncher; Ayesha K. Friedrich; Ivan Matveyev ]
[ Off: Divirto-me com vocês, girls. <3 (daqui a pouco – ou não tão pouco – vem o P.O.V. loiro) ]

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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemRussia [#151976] por Ivan Shuisky » 29 Ago 2015, 18:43

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Para meu alívio não fui morto, apesar de meu deslize, e, além disso, logo ouvi Ayesha dizer que cumprimentaríamos outras pessoas, o que me fez abrir um sorriso disfarçadamente contido. Não que não houvesse gostado dos dois – o tal de Ryan tinha uns pontos por aliviar a barra de Aye e a tal de Miriam era bonitona –, mas ô duplinha mais mal-encarada, ‘taquemepariu. Parei quando vi a que estava fantasiada de bolo parar, voltando-se para a asiática, a fim de entregar-lhe alguma coisa. Observei a mais velha curvar-se, enquanto eu ficava com uma bela cara de quem não ‘tava entendendo era p*rra nenhuma. Franzi o cenho devido à curiosidade, mas espantei aquilo para não bancar o intrometido, acompanhando então Aye pelo salão, rumo ao casal de ex-ruriks. No caminho, como não podia deixar de ser, fomos parados vez ou outra, o que me fez alternar as expressões entre sorrisos de simpatia e olhares de retaliação para os que folgavam, divertindo-me naquele teatro da vida real.

Tinha que admitir que, naquele momento, para desempenhar tão bem aquele papel de acompanhante pomposo, tinha de agradecer não só o convívio com o gigolô do Dimi e sua fala bizarra, como também às milhares de aulas chatíssimas de etiqueta, frufrus e babados que eu tivera de frequentar desde sempre e que em meu dia-a-dia além casa, como era óbvio para quem me conhecia, eu não praticava nem um pouco, pelo contrário, pisava em cima e ainda dançava kazachok sobre, ignorando-o por completo. De qualquer modo, graças às respostas e às dispensas de Ayesha, não tardamos a enfim alcançar nossos veteranos. Sorri divertido ao ver a morena ao meu lado se adiantar para abraçar os dois, definitivamente não imaginando tamanha aproximação por parte deles. Ouvi a questão, recordando-me da bonitona de cabelos avermelhados que era amiga do Nagaen e lamentei que ela não apareceria. Seria mais uma boa visão para aquela noite.

“Prazer.”
– disse, acenando para a morena com a qual eu nunca falava e só conhecia de vista – e que vista, diga-se de passagem –, voltando-me então para o oriental sacana com um sorriso mais chegado – “E aí, Darian.” – disse, vendo-o retribuir com um gesto discreto, mantendo aquela cara de paisagem imutável. Parecia que continuava o mesmo filho da mãe que me ajudara treinar e que, apesar de não aparentar, com certeza se divertira me arremessando contra a neve com uma facilidade de f*der. Começamos a conversar então e me diverti com a simpatia da Fountcher que era, sem dúvidas, um contraste com o noivo caladão – “Infelizmente, nada de quadribol por enquanto.” – lamentei com sinceridade – “A vaca da Shuisky disse que não era uma época propícia e blá-blá-blá.” – acrescentei com um revirar de olhos, lembrando-me da indignação ante a resposta meia boca de ‘titia’ Lana, rindo então do comentário de Dayana, para o qual tive sincera vontade de acrescentar um ‘quem me dera fosse só em Durmstrang’.

Continuamos naquele diálogo casual entre nós três e a estátua humana, que apenas se manifestou rapidamente para falar que estava dando aula na escola dos biquinhos. Surpreendi-me por um momento ao saber que os dois já tinham um filho – o que me fez apenas ter cada vez mais certeza que os ‘quietinhos’ ou ‘certinhos’ eram os piores –, tendo, contudo, minha atenção desviada por um perfil conhecido que passava ali perto. Girei de imediato para esconder meu rosto e tapar a visão de Aye, torcendo para que o filho da p*ta do Dawid não houvesse me visto, porque se o tivesse, sem dúvidas teria se aproximado, trazendo consigo uma f*dida torta de climão. Olhei rápido por sobre o ombro, notando que eles passaram reto e, então, conversavam com um outro casal qualquer, com Tanys ali, parecendo incrivelmente entediada – mais do que de costume, entenda.

“Ei, Darian,”
– disse, posicionando-me de modo a ficar de costas para eles, o que dificultaria ser visto – “continuei treinando naquele esquema que você me passou e garanto que agora daria para, pelo menos, não tomar tanta rasteira.” – comentei, divertido, vendo o japa parecer demonstrar minimamente um apreço por aquilo, antes de me fazer uma pergunta no mínimo aleatória. Franzi o cenho sem entender, concluindo que, talvez, meus pais estivessem olhando para onde estávamos e, por isso, aquela pergunta – “Não, minha família está a alguns metros atrás de mim. Acho que você vai reconhecer minha irmã. Meus pais são os que não parecem um casal de uvas passas bem vestidas.” – disse, vendo os olhos do mais velho girarem para fitar àquele ponto – “Eles por acaso tão olhando para cá ou deram algum sinal de que viram eu ou a Aye?” – questionei, ouvindo-o, negar.

“Menos mal.”
– sentenciei, aliviado, e apesar de ter passado por aquele problema, logo outro bem filho da p*ta surgiu na forma de um cara narigudo e estranho que veio brincar de coruja, trazendo um recado da Grã-V*dia. Estreitei os olhos, notando o desânimo de minha deliciosa companheira de dinastia, que se voltou com delicadeza para os dois ex-ruriks, enquanto para mim já veio com aquela linda cara de desconfiança. Um amor – “Ok, prometo não assoviar, nem gritar um ‘gostosa’ para a senhora sua avó, nem vaiar as m*rdas que ela disser.” – prometi, erguendo a mão com descontração, vendo-a rir e se distanciar, deixando-me ali com o casal bonitinho e contrastante – pela altura, traços, personalidade, enfim. Posicionei-me próximo deles, girando então para o lugar onde aquele quadro falsamente bonito que era a família de Aye – digo nas relações porque, de fato, ô genética f*da – estava.

Ouvi então a voz daquela velhota se erguer novamente com toda aquela pompa digna de revirar os olhos de qualquer um, especialmente pelo comentário nada legal sobre Aye ter falhado – talvez fosse a repetência de ano? O que me fez franzir o cenho, no entanto, foi ficar sem entender aquela de que nenhum médico tinha dado mais que alguns dias de vida para a alemã, porque aquilo sim me era uma p*ta novidade. Apesar disso, logo acabei esquecendo aquela coisa estranha devido ao anúncio que se seguiu. Senti minha expressão se abrir em surpresa ante a renúncia do irmão da Friedrich, o que, óbvio até mesmo para mim, colocava o c* da morena gostosa direto como o próximo na sucessão do trono. Meu olhar recaiu sobre os irmãos e, talvez por saber das sacanagens da vaca que atendia por Adrika, percebi pela expressão tanto do mais velho quando de minha amiga que alguma coisa ali fedia e muito.

“Ele não faria isso.”
– concluí com um sussurro, que seria ouvido no máximo por Darian e Dayana, pensando no que sabia do bom e protetor irmão da qual Ayesha tanto me falara – “Essa coisa de renúncia...” – e senti um emp*tecimento f*da me subir junto da constatação – “Isso é obra dessa velha maldita.” – afirmei, sentindo meu punho fechado, tanto quanto a minha boca. Tinha vontade de soltar um palavrão em alto e bom tom, mandar aquela loira escr*ta ir se f*der e falar logo a p*rra da verdade, mas havia prometido que me comportaria e, assim sendo, respirei profundamente para me acalmar, tentando desviar a mente e pensar no fato de que a última coisa que a aniversariante precisava, ainda mais naquele momento, era de um convidado loiro e maluco soltando os dragões para cima da vovó babaca. Assim sendo, concentrei-me na figura da Friedrich, que então se postava para discursar f*damente.

“E não é que representa bem?”
– constatei com um quê de diversão, sentindo os olhos do Nagaen girarem para mim, talvez achando que eu falara algo importante – “Nada não.” – afirmei, meio assustado com a percepção daquele ali, novamente ouvindo a voz da velha c*zona se erguer, daquela vez evocando uma dança que faria com que Ayesha fosse decididamente obrigada a aguentar aqueles velhos e novos, como havia dito Dayana, ‘urubus’. Um bando de malcomido interesseiro e falso até o último fio de cabelo... ninguém merecia. Notei a dança então começar e, após alguns instantes, para minha surpresa, vi a ex-capitã falar para o noivo ir socorrer a princesa – “Er... Tem certeza que é uma boa ideia jogar o coitado desse jeito, sem avisar que ali tem uma...?” – e a Fountcher apenas ignorou o que eu dizia, falando para que eu apenas olhasse.

“Então tá.”
– e dei de ombros, já que tanto fazia, assistindo então o que ocorria e, para minha surpresa, Darian apenas se aproximou com um ar mais imponente que qualquer um daqueles almofadinhas e, de uma maneira f*dástica, tomou Ayesha em suas mãos. C*ralho. Respeito naquele ali, ainda que não fosse para menos, afinal, mesmo que eu fosse alguns poucos centímetros mais alto que o japonês, nem eu teria coragem de enfrentar um cara com aquele porte e aquele olhar de assassino ninja – “Caramba, olha a CARA daquele ali.” – disse entre risos, indicando para a americana ao meu lado a expressão de b*sta do rapazote que perdera a vez para o ex-rurik. Definitivamente, apesar da cara de paisagem, aquele japa dos olhos claros era um filho da p*ta sacana com estilo. Ri enquanto via os olhares e as perguntas sobre quem seria o misterioso e altivo oriental, quando do nada me senti ser arrastado pela baixinha a meu lado que, do nada, virara um mini-furacão.

“Sei sim.”
– repliquei, meio confuso pela irritação que ela demonstrava, o que me fez franzir o cenho sem entender e começar a guiar os passos da americana, notando então o olhar desta alternar entre o noivo e algumas garotas. Ri comigo mesmo, concluindo que, pelo visto, não fora apenas eu quem notara a bela performance do Nagaen. Segui, acompanhando a ciumenta ali, até o momento em que, com um gesto ágil e gracioso desta, vi-me devolvendo-a para o noivo, enquanto recebia a princesa com um sorriso de canto, firmando a pose elegante e impecável – “Sentiu minha falta?” – questionei com um galanteio danado tão logo começamos a valsar, conduzindo-a f*damente por entre os convidados – “É, eu sei, é estranho, mas sim, eu sei dançar.” – conclui ante a observação de Aye – “Sabe como é, meus pais gostam de se meter com gente fina, então fizeram com que eu e Tanys aprendêssemos todas as regras de etiqueta e todo o blá-blá-blá que alguém da alta sociedade precisa, isso inclui essa firula aqui.” – observei com um revirar de olhos, lembrando-me que, inclusive, dias antes havia sido obrigado a treinar com minha irmã para, de acordo com Dawid ‘não causar um vexame’.

“Aliás, só uma coisa:”
– disse, encarando aos olhos azuis – “obra da sua avó, não é?” – questionei com entrelinhas, sabendo que ela entenderia que eu me referia ao lance da renúncia e etc – “Filha da...” – murmurei entredentes ante a confirmação, p*to da vida. Forcei-me, apesar daquilo, a sorrir amarelo, ciente de estar sendo observado por muitos olhos – “Que droga, Aye.” – sentenciei com um lamento sincero por minha amiga, ouvindo-a com atenção – “É... e agora temos mais interesseiros querendo lhe torrar o saco.” – acrescentei, lançando um olhar para os casais que nos rodeavam, apenas esperando pela oportunidade de me roubar o par. Algo que, por acaso, me deu uma ideia genialmente interessante para animar um pouco a situação de minha deliciosa acompanhante – “Ei, Aye, você se garante na valsa?” – questionei, abrindo um discreto sorriso malicioso – “Então, o que me diz de mostrar a esse bando de agoureiro o quão bem a ‘futura grã-duquesa’ dança?” – questionei, mal esperando a resposta.

“Um passo para trás abrindo pra sua esquerda e depois girando e torcendo para esse troço que você chama de vestido não nos atrapalhar.”
– sentenciei para que ela soubesse de onde começaria antes de me seguir. Empertiguei a pose, aproximei o tronco dela ao meu e, com a firmeza e graça que a situação pedia, comecei a, com passadas confiantes, guiar Aye por uma valsa complexa que era tudo, menos parada – “Só segue.” – disse mantendo um sorriso largo e ‘encantador’, ainda que no fundo apenas me divertisse com toda aquela situação. Abri um passo no ritmo daquela música capenga e a mantive comigo para girar antes de dar uma nova passada, seguindo naquele ritmo, enquanto via que as pessoas abriam caminho para não esbarrar, afinal, era a princesa aniversariante ali – “Acho que os casais que queriam ter o prazer da sua dança ficaram ligeiramente perdidos.” – observei com uma expressão de satisfação ligeiramente filha da p*ta, indicando com a cabeça o ponto em que alguns poucos que tentaram nos seguir haviam acabado ou colidindo com alguém ou se perdendo ou pisando no pé do/a parceiro/a.

“Olha, falar que não curto essas coisas frufruzentas, mas tenho que admitir que quando a parceria é boa, dá para se divertir.”
– aleguei com um sorriso sincero, encarando à face bonita de Aye, pensando que era uma p*ta mancada o universo fazer tanta sacanagem com alguém tão legal. Meneei a cabeça por um segundo, dando uma olhada nos arredores enquanto a conduzia – “Opa que acabei de ver alguém bastante interessante para ser seu próximo par.” – disse, girando-a para mostrar Ryan, que se encontrava a alguma distância – “Finalizando em um, dois... três.” – e sem mais, soltei a Friedrich, impulsionando-a com a mão que ainda segurava a dela erguida. Vi a alemã girar no próprio eixo, aparando-a para, com a mesma cortesia que eu vinha fingindo até então, elevar a mão desta em direção aos meus lábios, antes de entrega-la para Ryan com um sorriso e uma piscada para a romanov, tomando então Miriam em minhas mãos.

“P*rra...”
– murmurei, suspirando tão logo nos distanciamos um pouco dos dois primos e, assim sendo, deixei de ser foco das vistas alheias – “Fingir ser um bom moço cansa.” – aleguei com uma leve careta, ainda que mantivesse a posição de dançarino – “Aliás, falando em bom moço...” – disse, lembrando-me de minhas suspeitas ante a dupla de seriedade, ao mesmo tempo em que, a alguma distância, notei a figura de Dawid se aproximando de Aye e Ryan, o que me fez estreitar os olhos e respirar fundo antes de novamente sorrir para minha acompanhante – “Vocês trabalham no ministério, não é?” – questionei, curioso, encarando a face da chinesa, que se mantinha tão impassível que tive que fortemente me segurar para perguntar se ela não era alguma parente distante do Nagaen.

[ Interaction: Ayesha K. Friedrich; Darian Nagaen; Dayana Fountcher; Miriam Wu ]
[ Off: Ele se empolgou no papel, é. -q ]


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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemChina [#156691] por Miriam W. Suliver » 04 Fev 2016, 13:40

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ain't nothin' that i’d rather do. going down, party time.
I'M ON THE HIGHWAY TO HELL.




                A jovem chinesa aprendera desde cedo, até mesmo antes de Sao encontra-la vagando sozinha nas ruas de Xangai, que sempre deve estar preparada para contra ataques depois as suas investidas, sempre a o risco de um novo golpe por parte do adversário, seja físico ou verbal. Miriam sempre fora calada, e seus movimentos eram bastante calculados, isso após anos de treinamento com seu pai adotivo, ao lado de Eiji e Li, sempre fora uma pessoa selvagem, arisca, e apenas deste modo sobreviveu tantos anos na rua sozinha, com uma família, aprendera que mesmo que seus modos fossem esses, se ela queria ser igual aqueles que a resgataram de sua vida de incertezas infantis, deveria controlar-se. Sua fala, seus ataques, e a jovem fizera isso em níveis que ninguém havia esperado. Uma boneca sem expressão por fora, por dentro o mesmo animal selvagem de sempre.

                Não fora uma surpresa para a oriental que seu instinto, seu eu interior estivesse pronto para lutar com a chegada da monarca luxemburguesa, do mesmo modo quando os olhos da mulher se voltaram para si. Mesmo assim a face impassível da morena continuou enquanto a conversa seguia, movimentos leves e educados assim como as falas, mas nas entrelinhas havia aquela aura que surgia antes de uma batalha, a analise do adversário.
- Lady Wu, um sobrenome interessante, devo dizer, suponho que seja chinês, eu tenho uma grande lista de contatos nesse país, mas nunca a vi em nenhum evento que fui. – um sorriso se abriu nos lábios de Miriam ao ver o olhar lançado da monarca para si, a confusão, e todos os outros sentimentos, principalmente a raiva escondida. – Sim, Vossa Alteza, sou chinesa, e na verdade não moro mais em meu país Natal faz alguns anos. - comentou delicadamente vendo Adrika estreitar os olhos, como se esperasse algo daquilo, uma resposta para algo em sua mente. - Sou auror, e trabalho com o senhor Suliver, sou apenas uma acompanhante esta noite. Entretanto se quiser tratar de negócios estarei a sua disposição.

                Diante da resposta da mulher, e da conversa que se estendeu com Ryan, a chinesa observava Adrika com o máximo de atenção até mesmo em sua saída, lembrou-se de seu pai adotivo, o quanto ele era calmo, mesmo com suas habilidades, mesmo que já houvesse lutado e ferido muitos, Sao sempre foi um homem da paz, diferentemente daquela mulher, ela gostava da guerra, das desavenças pequenas, de qualquer coisa que causasse discórdia e lhe trouxesse mais poder. – Um exagero, naturalmente. – comentou, voltando seu olhar para o escocês ao seu lado que detinha um sorriso zombeteiro em seus lábios, algo que em outro momento teria surpreendido a morena, mas não agora. A conversa fluiu entre eles, enquanto a auror era guiada por Ryan pelo salão. Ambos observando o lugar no qual estavam, ambos a procura de informações, detalhes cruciais para uma fuga rápida para colher outras informações de outros meios além da observação, mas a pergunta do homem a fez erguer uma das sobrancelhas delicadamente. Pelo jeito ela não era a única pensando no ex-líder e mestre. – Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar. Uma frase de Sun Tzu, uma das muitas que o ouvi citar em minha vida.

                A dor tão familiar em seu peito, à saudade e a culpa, a morte do homem que havia lhe dado um lar, uma família para a qual voltar era como um peso em seu coração. Miriam ainda se sentia um animal ferido, que apenas havia se erguido com um único proposito, vingança contra aqueles que lhe causaram essa dor. Ainda não entendia por que o velho mestre havia lhe colocado como ‘herdeira’, Eiji era seu filho de sangue, e mais velho que Li e a própria Miriam, mas era o nome dela que estava escrito naquele pergaminho, com o sangue de Sao. Ela não queria estar presa aquilo, queria percorrer o mundo se que tivesse que fazer para encontrar culpados e lutar pela vingança. Talvez fosse por isso que lhe deixara essa missão, guiar seus irmãos, ser a líder. Não que fosse uma barreira. O praguejo quase que silencioso do auror ao seu lado foi ouvido por ela, tirando-a de seus devaneios, seus olhos indo na direção que Ryan encarava. A raiva do homem cercando-a como uma fumaça espessa, algo que nos últimos tempos havia diminuído, com os treinamentos, Suliver havia se tornado ainda mais calculista, segurando sua raiva de tal maneira que quase chegava perto de Eiji, a raiva controlada por camadas de determinação para chegar a um objetivo. Mas não agora enquanto via sua prima acuada diante da monarca, ao mesmo tempo em que os olhos azuis da menina se arregalavam de medo, ela tentava encontrar forças para proteger o rapaz que estava com ela.

                Com a mesma calma e elegância, Miriam seguiu o amigo, nada interpondo seu caminho em direção à princesa, seu interior exigindo uma de suas armas em sua mão, assim como o desejo de vingança rugindo em suas veias. Mas ao perceber a troca silenciosa entre Ryan e Ayesha, e o homem mesmo assim seguindo em frente, percebeu que eles não eram os únicos com uma guerra. Com a mesma delicadeza, a morena colocou a mão no ombro do amigo, sentindo que sua raiva e a dele se misturavam pelo toque, uma ligação que ela não poderia mais questionar.
– Deixe-a Ryan. Ela também tem suas batalhas para vencer, isso ela deve fazer sozinha. – disse no que não passava de um sussurro, sentia a ponta da lamina em sua mão, presa ao seu pulso, a raiva borbulhando por debaixo de sua aparente calma. Suas palavras sendo apenas um eco daquelas que ouvira tantas vezes. A disputa ‘silenciosa’ entre a princesa e a grã duquesa não durou muito, e assim que terminada viu a menina caminhar até eles junto com seu acompanhante. – Ele se orgulhara, assim como sei que você está orgulhoso. – disse delicadamente, contudo surpresa estampou-se nos olhos verdes da chinesa com as palavras do escocês. – Não precisa agradecer Ryan. Sabe que faria qualquer coisa por você. – disse sendo sincera. Os dois eram seres solitários com muitas pessoas que amavam para serem feridas, como Sao havia dito, os dois estavam ligados, e Miriam supunha que era por causa das circunstâncias de suas vidas.

                Esses pensamentos deixados de lado com a chegada de Ayesha, que parecia radiante perante a eles, uma alegria quase que infantil transbordando dela, Miriam não sabia como era a mãe da jovem, mas ao olha-la conseguia ver as semelhanças, mesmo que pequenas, entre a garota e o escocês que respondia a brincadeira da prima para logo toma-la em um abraço, o sorriso que escapou da oriental nem lhe fora percebido, afinal agora era apenas uma observadora, assim como o jovem ao lado da Friedrich. Até que as apresentações foram feitas, e a conversa entre os dois primos se desenrolaram. E as palavras sobre Ryan através do amigo da morena, assim como a tentativa desta de ajuda-lo, fez com que Miriam risse, algo que não passou despercebido para ninguém. Entretanto, a jovem voltou a sua inexpressão usual, vendo o ‘casal’ se afastar, após a princesa lhe entregar um pergaminho dobrado com tamanha delicadeza.
– Apenas um pedido que fiz a ela. – comentou com Suliver diante da pergunta deste sobre o conteúdo.

                Wu poderia ver a curiosidade do homem ao seu lado, principalmente por causa do seu modo protetor com relação a alemã. O que não era qualquer surpresa para a oriental, e ela só fizera tal pedido sabendo que nada influencia iria na vida da jovem.
– Não se preocupe, no tempo certo irei te contar. – disse de forma calma, os olhos esverdeados encarando os azuis de forma firme, e com acenos positivos, os dois voltaram a observa o grande salão, até mesmo quando o anuncio pela Grã Duquesa fora feito. A atenção da jovem auror foi para seu companheiro, mas logo em seguida para Friedrich e seus dois irmãos, notando o quanto eles pareciam unidos, e apavorados. Do mesmo modo que notou o quanto aquilo afetava Suliver ao seu lado. – Não se preocupe, daremos um jeito. – disse de forma que não passasse de um sussurro baixo e delicado, enquanto um sorriso surgia, e pequenas palmas por parte dela eram iniciada, principalmente após as palavras de Ayesha. – Ela é forte e inteligente, vai pensar em algo...

                Contudo, enquanto a música se iniciava, e a jovem chinesa observava atentamente a princesa dançando, ora com algum desconhecido, ora com alguém que ela conhecesse, Miriam viu a mão de Ryan se estender num pedido que a surpreendeu. – Claro, mas eu não sei dançar esse tipo de música. – comentou mesmo assim sendo puxada pelo escocês com delicadeza. A morena se sentia estranha naqueles trajes, ainda mais dançando, entretanto o que realmente a fazia se sentir assim era a proximidade entre ela e o auror. Era como se sentir novamente com as barreiras destruídas como aconteceu quando seu mentor fora assassinado, e a única pessoa com quem ela pode se abrir era aquele mesmo homem que a guiava. Perdida em seus pensamentos, Miriam nem ao menos percebera a aproximação dos dois jovens, sorrindo ela afastou as duvidas de sua mente, segurando na mão do jovem Matveyev, enquanto observava os dois primos, antes de sua atenção ser chamada pelo rapaz. – Concordo com você. – comentou delicadamente, enquanto analisava o russo a sua frente, assim como suas palavras.– Sim, Ryan trabalha exclusivamente no ministério... – Wu quase sorriu diante da surpresa do rapaz, tanto por causa de suas palavras, quanto pelo que ele acabara por encostar ao move-la num passo de dança. – Tomaria cuidado se fosse o Senhor... Elas estão afiadas... – comentou sua face tão inexpressível quanto estivera na maior parte do tempo.– Sou auror, mas tenho outras atribuições... – diz dando de ombros de forma leve e descontraída, afinal poderia estar dizendo a verdade ou uma mentira, não que ela se importasse, e não como se o jovem fosse descobrir a verdade.


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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemAlemanha [#158591] por Katherina Ayesha Friedrich » 27 Fev 2016, 15:09

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[Arco das Férias]


O som do piano era alto tomando todo o salão, sua melodia fluindo para cada canto, e logo sendo seguido pelo delicado som do violino, no mesmo tom, na mesma cadencia gentil, como o toque suave de uma mão macia numa caricia afável. Eram esses os sons que tomavam o catselo de Luxemburgo, além de claro das vozes dos empregados e dos elfos a limpar panelas e as escadarias, o marchar dos soldados próximos aos portões do castelo, o relinchar dos cavalos no estábulo. Mesmo com todas as melodias diárias, a música era a mais bela, que acabava a ditar compassos nos outros sons de forma harmoniosa, implacável como se não pudesse ser detida enquanto se unia as outras. 

Os irmãos, que tocavam os instrumentos de forma tão delicada e harmoniosa, pareciam absortos naquele teatro musical que compunham, que nem mesmo ouviram as batidas na porta de mogno que dava para sala de música onde eles se encontravam, ou o chamado feito por um dos servos, ou quando a porta se abrira revelando o homem, e ao seu lado uma bela menina, que parecia extasiada por estar naquele lugar que escondia mil segredos daqueles dois jovens. O príncipe e a princesa daquele país que se “escondia” entre outros, mas tão rico quanto, do mesmo modo que escondiam segredos, divisões que apenas a realeza daquele país conhecia, e jamais em hipótese alguma os entregava.

Contudo, o primeiro a parar de tocar, dos dois irmãos, foi o rapaz, que desceu o violino de sua posição assim que o pigarrear do mordomo foi-se ouvido por ele, erguendo o olhar para encarar a figura de uniforme escuro, e a jovem ao lado deste. Com um sorriso, ele acenou com a cabeça para o homem enquanto se voltava para irmã sentada ao piano, que parecia completamente alheia ao mundo onde se encontrava. Esta ergueu a cabeça rapidamente diante das palavras sussurradas do irmão mais velho, um largo sorriso se abriu nos lábios da alemã que se ergueu indo em direção à menina.
- Nika, como você está? - perguntou enquanto abraçava a garota delicadamente, ouvindo a resposta dela. - Sim, estou. Chegou bem? A viagem foi tranquila? A carruagem é um pouco chamativa, espero não ter-lhe causado problemas.

A negação da mais nova, fez com que a morena suspirasse, estava feliz por ter a amiga ali com ela, na verdade, fora uma surpresa para a jovem conseguir convencer Adrika daquela visita, mas logo uma leve tosse tirou a garota dos pensamentos, fazendo-a rir e encarar o irmão.- Annika, esse é meu irmão, Príncipe Alphonse II, ele foi estudante de Hogwarts, mas se formos avalia-lo pelo estudo militar que recebeu aqui no castelo, podemos até ser enganadas e confundi-lo com um aluno de Durmstrang. - falou  vendo o moreno revirar os olhos pelas palavras dela. - Al, essa é Annika Osborn Aingremont, estudante de Durmstrang da Dinastia Romanov, e minha amiga.- disse vendo seu irmão se dirigir a mais nova se curvando, tomando uma das mãos entre as suas. - É um enorme prazer conhece-la Mademoiselle Aingremont. - disse beijando delicadamente a mão a da garota, mas logo sorrindo de canto. - E devo dizer que não esperava conhecer uma dama tão bela.

A morena encarou com descrença a face do irmão, enquanto este se erguia soltando a mão da mais nova, ao som da voz desta, Ayesha a observou notando a face vermelha, um sorriso que a jovem já vira muitas mulheres, jovens darem quando falavam, ou eram apresentadas à Alphonse, este que mantinha o sorriso educado e charmoso que muitas vezes fazia com que ela se irritasse com ele. – Devo lembra-lo meu irmão que tem treino agora, não? – perguntou vendo os olhos verdes do homem a encararem. – De certo, minha cara irmã, vou deixar as duas a sós. – disse enquanto se afastava um pouco, as duas observando o rapaz sair. – Ah, e Senhorita Aingremont? Foi um prazer conhece-la, bela ninfa. – saindo por fim ao final de suas palavras, com um suspiro, Ayesha se virou para a amiga que tinha uma expressão ligeiramente familiar para a outra, que sorriu dando de ombros. – Ele é sempre assim, diria para não chegar muito perto dele, mas, pela sua expressão, você já caiu completamente no encanto dele.– comentou rindo diante das palavras em resposta da francesa. – Vamos para os meus aposentos? Depois podemos procurar algo para fazer nos terrenos, não sei se Alexis está presente para nos acompanhar. – comentou enquanto segurava a mão da mais nova delicadamente indicando o caminho que seguiriam. – Alexis é minha irmã mais nova, ela estuda na França, normalmente ela se encontra com os amigos, ou simplesmente arrasta o Al para alguma coisa, isso se não estiver trancada no quarto aprontando alguma.

Seguiram para escadaria, onde encontraram com alguns servos que se inclinaram perante a presença da morena, que simplesmente pediu, pela milésima vez se ela estivesse correta, para pararem com aquelas formalidades, e os apresentando a Annika. – A princesa deseja algo? – perguntou uma mulher baixa, cabelos loiros e olhos castanhos, que vez a garota sorrir. – Ayesha, já lhe disse para me chamar assim, Madelena. – comentou, mas logo se virando para Annika. – Deseja algo?– perguntou ouvindo a resposta da amiga. – Tudo que ela pediu, mas leve para meus aposentos, sim? E se puder pode procurar a Alexis, gostaria de apresenta-la a minha amiga, obrigada. – comentou sorrindo para a mulher antes de seguir seu caminho, ao mesmo tempo que a conversa entre as duas Romanovs se iniciava, principalmente sobre o final do ano letivo, as férias e coisas que a morena podia realmente falar, até que chegaram a porta do quarto. – Por favor, não repare na bagunça... – comenta, suspirando pesadamente diante das palavras de Aingremont, abrindo por fim a porta.

Os aposentos da princesa, como todo o castelo em si, era cheio de luxo, uma cama de casal com dossel, detalhes em roxo, um belo lustre, era um quarto bastante amplo e belo, mas que não mostrava nada da personalidade da jovem,  a não ser os poucos detalhes, na verdade a "bagunça" a qual a morena se referira antes de entrarem. Alguns livros em cima da mesa de cabeceira, e alguns pergaminhos sobre uma mesa onde havia um belo arranjo de flores, e é claro, um cavalete com um quadro ainda sendo pintado.
- É eu sei exageradamente grande. - comenta fechando a porta atrás de si, vendo em seguida a francesa seguir até seu gato que estava confortavelmente deitado num pequeno divã. - Esse é o Cheshire. Ele sempre fica atrás de mim, mas hoje ele preferiu ficar deitado.

Friedrich observava Nika anda pelo amplo espaço do quarto parecendo encantada com tudo aquilo, o que era relativamente engraçado para a jovem, a final nunca gostara muito daquele quarto, era luxuoso demais. - O que? -perguntou ao ouvir a voz da mais nova se erguer num questionamento, os olhos azulados de Ayesha focando no porta retrato na mão dela. - Essa é minha mãe, Princesa Petra Katherinna. Ela estudou por um tempo em Durmstrang, mas foi transferida para Hogwarts quando estava no quarto ano, após a morte do meu avô. - comentou enquanto observava a figura diminuta se mexer na foto erguendo uma taça. - Ela morreu quando eu tinha cinco para seis anos. - respondeu delicadamente, ouvido as desculpas de Annika, o que fez a alemã sorri. - Tudo bem, isso já aconteceu tem muito tempo, pouco me lembro dela. Sempre foi eu, Al e Alexis, crescemos juntos, um cuidado do outro.

Contudo, a mais velha se surpreendeu com as palavras da menina, seus olhos retornando para a fotografia. - Sempre me disseram isso, mas nunca me achei parecida com ela.-diz sentando-se na cama - A cor dos olhos puxei do meu pai, minha mãe tinha olhos verdes, iguais aos do Al.- Ayesha sorriu diante das palavras ditas, o que era até comum quando o assunto era seus irmãos. - Ele é um ótimo irmão, mesmo que passemos pouco tempo juntos. Ele tem suas atribuições, assim como eu tenho, são poucas as vezes que ficamos um perto do outro. Estudamos em escolas diferentes, e em casa nossos estudos eram diferenciados.

Entretanto a fala seguinte de Aingremont fora completamente oposta do que a jovem esperava, fazendo com que ela erguesse uma das sobrancelhas, mas não tivera tempo para responder assim que uma batida soara. - Entre.- disse enquantose erguia, vendo a figura de Madalena carregando uma bandeja que parecia pesada. - Deixe que eu ajude. - falou a princesa indo até a mulher que tentara ao máximo convencer a jovem a deixa-la carregar, contudo perdendo a disputa. - Obrigada, Mady. - Ayesha agradeceu vendo a mulher a sentir um pouco envergonhada, falando que não encontrara Alexis, mas o elfo dela disse que a mais nova havia saído com Darius.- Agradeço, agora vá descansar.

Assim que a mulher saira, a jovem virou-se para a amiga voltando a se sentar ao lado dela, encarando por alguns segundos a foto da mãe nas mãos de Annika. - Acha mesmo que eu deva mudar o cabelo?- perguntou ouvindo a resposta positiva da jovem, Ayesha ponderou um pouco, nunca havia mudado seu corte de cabelo, sempre tentara manter assim, mas por algum motivo a ideia da amiga fazia sentido. - Tudo bem, vamos fazer isso, mas prometa-me que vai contat tudo o que aconteceu nas férias. - disse erguendo a mão para jovem, vendo ela logo apertar concordando, e por algum motivo, a morena pensou que aquele dia ia ser o melhor de toda as suas férias.


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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemFranca [#158955] por Dave Maison » 02 Mar 2016, 18:15

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      Return to my best friend
      POST 1




      Pela primeira vez em tempos, Nika não teve dificuldades em convencer sua mãe a deixá-la ir para algum lugar. A adolescência chegava e com ela todas as brigas e discussões entre mãe e filha eram alimentadas a cada pedido. A viagem para a Rússia só aconteceu após a jovem aceitar uma série de premissas como arrumar estágio, ser mais amável, parar de ser mimada e chorona, não lançar feitiços em ninguém, não brigar com ninguém, não mandar ninguém brigar com ninguém, etc. A situação estava tão tensa que nem mesmo Durmstrang era um local que Liz queria para a filha. Por isso, a permissão para ir à casa de Ayesha foi surpreendentemente positiva. A menina só precisou pedir com educação. Estava demasiadamente feliz com a ideia de visitar sua amiga. Não recordava a última vez que passaram um tempo juntas sozinha e sem preocupações. A menina tinha muita coisa para contar a respeito das férias e também aproveitaria para pedir ajuda da veterana. A única condição imposta pela senhora Osborn é que ela acompanhasse a filha até o local indicado na carta e que Annika trajasse “roupas decentes”.

      - Essas são vestes adequadas ou a senhora quer que eu troque de novo? - Nika desceu as escadas pela terceira vez controlando o ímpeto de descer batendo os pés nos degraus. Não queria que sua mãe mudasse de ideia em cima da hora.

      O vestido que usava agora ainda era acima dos joelhos, mas não muita coisa como os anteriores. Apenas um palmo. A cor predominante era champagne e na parte superior, do busto, flores em tons nudes estampavam e davam um acabamento final. Sem decotes, sem mangas, sem aberturas nas costas, não era justo. As únicas peças que Nika usou para torná-lo menos simplezinho foram a meia calça do mesmo tom de sua pele e um sapato alto rosê. A menina colocava as mãos na cintura e olhava para Liz para que ela - por Merlin - finalmente aceitasse a roupa.

      - Finalmente você parece uma moça conforme a educação que lhe demos – respondeu Elizabeth sem fazer alardes. A mulher sabia que, para manter o pulso firme que tinha com a menina, quanto menos ibope desse à ela, mais ela se comportaria.

      - Certo, certo. Agora vamos – disse a jovem com a bolsa bege de franja colada ao corpo e já enroscando seu braço no de sua mãe para aparatarem até o local indicado por Ayesha na carta-convite. – A Aye está me esperando e não devemos deixar a princesa esperando – ela deu uma risada divertida. Sabia que sua mãe faria algum comentário sobre aquilo, dizendo para Nika não se atentar a essas coisas.

      O puxão em seu umbigo e toda a confusão espaço-temporal que a aparatação causava já não era tão incômoda quanto antes, embora o baque dos seus pés, calçados no salto, no chão a desequilibrassem um pouco. Liz olhou com aquela expressão maternal de eu-te-falei-pra-não-vir-assim, mas ela revirou os olhos, mantendo-se firme em sua escolha. Mas é claro, ela jamais daria o braço a torcer dizendo que estava errada, mesmo que o interlocutor da conversa seja sua própria mãe.


      Não demorou mais de dois minutos para a carruagem que a levaria para dentro dos aposentos dos Friedrich’s parar a sua frente diante dos seus olhos. Ela estava deslumbrada com tudo aquilo, parecia que estava adentrando em um dos seus contos de fada trouxa que Liz lia e relia todas as noites antes dela dormir. Ela fechou as pálpebras quando sua mãe lhe deu um beijo no alto da testa e deixou o sorriso infantil escapar por entre os lábios. Embora tentasse se fazer de durona e ser mais velha do que realmente era, os traços doces sempre desabrochavam quando o assunto era seus pais. Adorava esse pequeno gesto comum entre ambos. Sentia uma sutil sensação de proteção que acalentava o peito.

      Eu prometo que vou me comportar, mamãe. Eu sou sua filha, esqueceu? – Olhou franzindo as sobrancelhas como se o pedido de Liz fosse algo extremamente absurdo. Ora bolas, logo Annika, que sempre quis viver no mundo da realeza, faria a loucura de destratar alguém? Além do que Ayesha era a menina mais incrível que ela já tinha conhecido, nem mesmo era a última hipótese do mundo fazê-la passar vergonha.

      À medida que a carruagem avançava pela propriedade, sua boca se entreabria mais. O castelo era lindíssimo e o jardim aparado numa perfeição ímpar. Como era maravilhoso aquele lugar! Tamborilava seus dedos em cima de seus joelhos, um pouco ansiosa por toda aquela situação. Não via a hora de encontrar logo Ayesha e poder dividir todas as mil histórias que sobre o período de férias e cobrar as explicações por ter sido completamente abandonada pelos romanovs na Suíça.

      Acompanhou o mordomo trocando apenas palavras necessárias. Por alguns instantes ela se perguntou se aguentaria viver daquela forma. Claro que era lindo, provavelmente o sonho de qualquer menina, mas aquele excesso de formalidade e toda hora alguém estar por perto, ficar sempre em prontidão... Não tinha certeza se seu gênio forte suportaria tudo aquilo por mais de um mês. Se sua educação, que sempre foi baseada em bons costumes e etiqueta, já lhe dava brechas para ser difícil...

      - Obrigada – agradeceu o senhor que lhe ajudou a descer da carruagem e o acompanhou até um salão amplo de onde vinha uma melodia extremamente agradável aos ouvidos. Não sabia explicar ao certo o motivo, mas a música clássica era tão sutil e sensível a Annika que uma vontade estranha, mas não ruim, de chorar sempre lhe alcançava. Por sorte, a musica foi interrompida com o pigarro do homem. Ela sorriu para Ayesha. Era lindo vê-la tocando piano. Parecia que estava em outro mundo. O outro rapaz ela não conhecia, mas tinha feições parecidas com a da menina.

      - Olá – sorriu mais abertamente, sentindo-se bem mais a vontade no abraço da menina do que em qualquer outro lugar do castelo. – Como é bom ver você! Eu estou bem, obrigada. Não, imagina! Tudo muito lindo! – Sorriu bastante animada com aquilo. – Só foi chato ter que aparatar com minha mãe para cá. Por sorte, o clima aqui está bem mais agradável que na França – tagarelava balançando de leve seus cabelos presos. – Que lugar divino! Eu duvido que você consiga visitar todos os cômodos daqui no mesmo dia – deu uma risada baixinha após cochichar.

      Estava tão empolgada em rever Ayesha que esqueceu, por instantes, do rapaz elegante que tocava violino na hora que ela entrou. Nika riu baixinho e ficou com as bochechas rosadas de vergonha por tamanha falta de educação de sua parte. Antes que pudesse estender a mão para cumprimentá-lo, como costumava fazer em Durmstrang ou na França, viu o rapaz curvar-se gentilmente a sua frente e olhou para Aye com os olhos arregalados como quem perguntasse se aquilo tudo era para ela. – Ah... Oi... – disse após sentir os lábios do rapaz em sua destra. AI MEU DEUS DO CÉU QUE COISA MAIS LINDA DO MUNDO. QUERO PRA SEMPRE Pensava enquanto tentava processar toda aquela informação. Num estalo, o menino que antes era apenas elegante, passou a ser lindo, meigo, educado, gentil, gentleman, perfeito e vários adjetivos mentais. – Obrigada pela gentileza, Alphonse – ela não sabia ao certo como chamá-lo, mas preferiu fazer pelo nome.

      Nika esperou o menino se retirar do aposento para segurar em Ayesha incrédula e desabafar todas as coisas que turbinavam sua mente. – Pelas barbas de Davy Jones! Ele é sempre desse jeito?! – Riu de si mesma e de toda a sua inexperiência. – É impossível não cair no encanto dele! Você não conta, pois é irmã! Mas tenho certeza que se o ogro do Ivan lhe tratasse dessa forma, a troca de olhares de vocês já tinha virado amassos há muito tempo – comentou implicando com a amiga. Não podia deixar passar aquilo. Ver os dois tão lindos e elegantes no baile só lhe dava ainda mais certeza que eles deveriam se tornar um casal. E, se Ayesha não quisesse, ainda sim, valia à pena implicar.


      - Eu queria saber como é ter irmãos – ela comentava enquanto se dirigia ao aposento de Ayesha. – Assim, não o tempo todo, pois não sei se suportaria dividir o pouco de atenção de Liz e Rob com outra pessoa... Mas, ver vocês dois tocando piano e pelo jeito que você fala com carinho deles, deve ser uma coisa legal. É bom também por nunca ficar de fato sozinho – ela falou pensando em sua própria vida e por todas as vezes que ela teve animais de estimação para não se sentir solitária. O maior medo de Nika era ficar sozinha.

      - Ah, eu aceito somente uma água, por gentileza – respondeu retomando as atenções para Aye e a mulher que perguntava cheia de dedos o que a dona da casa desejava.

      Quando alguém diz “não repare a bagunça”, o mínimo que você espera é encontrar um cômodo revirado. No caso de Annika, ela imaginava o seu quarto logo após ela desembarcar de Durmstrang: tantas roupas reviradas por cada espacinho do quarto que até mesmo seu gato feio se perdia. Por isso, quando ela adentrou o enorme, gigantesco, sobrenatural quarto de Ayesha – que deveria dar cerca de uns cinco quartos seus – com tudo perfeitamente alinhado, os adornos finíssimos, tecidos exuberantes e... É claro que a pequena Aingremont tinha mais certeza que antes que estava vivendo um dia de conto de fadas. Estava mais deslumbrada que Cinderella em dia de baile. Era maravilhoso, mas Nika sentia que não havia a personalidade da menina estampada ali.

      Caminhava devagar. Não queria ser intrometida, só que todo aquela aura era muito nova e distante para ela. Até que algo em específico chamou a atenção da morena. Num instinto, ela pegou o porta retrato por entre os dedos. – Quem é essa mulher bonita aqui da foto? – Ayesha parecia demais com a figura. – Sinto muito –Não sabia o que era viver sem sua mãe, imaginava que aquilo deveria ser difícil. – Você parece com ela. Os traços do rosto, sabe? – Nika era péssima em explicações. – O sorriso, o formato do rosto...

      Por mais que Friedrich fosse a melhor pessoa que conheceu em Durmstrang e, talvez, a única que Nika se sentisse à vontade – agora não mais a única, mas Fred era uma exceção de férias -, nunca tinha perguntado sobre a vida dela. – Tantas atribuições e regras. Para mim, isso é incrível, talvez por que eu nunca tenha vivido dessa forma... Mas seus olhos, por varias vezes, demonstram que você não fica muito satisfeita. Exceto quando está no piano... e devo dizer que você fica ainda mais maravilhosa – sorriu abertamente.

      Annika olhava a mulher da fotografia e olhou para sua amiga. – Sabe o que eu acho? Que você deveria mudar o seu visual. Uma franja ficaria ótima em você. Se desprender um pouco, desapegar... Acredita que eu fiquei de cabelos soltos nas férias? – Nika deu uma risada divertida ao ver a expressão que Aye fez. – Não foi muito e nem foi pra todo mundo ver, calma. Mas tudo bem, eu aceito o trato – estendeu a mão selando o acordo.

      - O ideal é você lavar seu cabelo. Fica mais fácil fazer a franja, pra deixá-la certinha, com ele molhado. E aí eu vou precisar também de uma tesoura afiada e um pente – ela colocou as duas mãos na cintura. – Mas pode deixar que eu não vou fazer besteiras. Ou você acha que alguém além de mim pode mexer nesses meus cabelos? – Ela deslizou uma das mãos pelo longo e sedoso rabo de cavalo que ela cultivava com tanto amor. - Agora vai, vai, vai. E quero que saiba que eu até aceitei, mas ainda não aceito que vocês todos da Romanov tenham me abandonado na Suíça sem SEQUER mandar UMA CORUJA pra me avisar que não iam – ela falou mais alto enquanto via Ayesha entrar no banheiro. – E Aye! – Chamou mais uma vez. – Posso brincar com seu gato? – Annika amava felinos.


      Nika pegou Cheshire no colo e sentou com o mesmo na cama da princesa. Alisava seu pelo fofo e brincava passando o dedo em seu focinho. – Ai que gatinho preguiçoso. – Comentou ainda acariciando o bichano. Talvez o gato fosse a única criatura viva que Annika tinha realmente um apreço e jamais, em hipótese alguma, ela faria mal. - Você é tão lindo e tão fofo que dá vontade de apertar você, mas não vou fazer isso... Prometo, tá?

      Passado alguns minutos, a menina saiu do banheiro já com os cabelos pretos escorridos e secados superficialmente com a toalha. Aingremont abriu um sorriso enorme. Estava muito contente por Ayesha confiar nela essa missão, afinal, o ditado já diz tudo: as feias que nos perdoem, mas beleza é fundamental, logo mudar o visual era algo muito importante na cabeça da menina.

      Aye mexeu em suas coisas e pegou uma tesoura e um pente, tal como a sua convidada havia pedido. Nika abriu e fechou o objeto fazendo aquele barulhinho tic tic tic e riu outra vez. – Você vai ficar divina! Agora senta aqui... – já se sentindo um pouco mais à vontade no lugar, esperou que a outra morena tomasse assento para olhar bem o formato de seu rosto e decidir qual tipo de franja ficaria melhor. Pensando no lado da anfitriã, que era bastante acomodada com seu visual, uma franja cumprida e de lado surtiria menos e efeito do “baque”, mas como Annika tinha um prazer em radicalizar e acreditava mesmo que Aye ficaria perfeita com a franja tradicional, não foi muito difícil de escolher.

      - Preparada? – questionou a menina do rabo de cavalo após passar o pente em uma parte do cabelo. – Confia mesmo em mim? – Brincou. – Um... Dois... Três... – Nika alinhou o pente um dedo abaixo da sobrancelha de Aye, para que a franja não encurtasse demais após o cabelo secar, e começou o movimento com a tesoura. Arrumou um ou outro frio que ficou desalinhado e – Voilá! Olha só como você está um arraso com essa franja! – Nika bateu palminhas ao olhar o resultado de sua “obra prima” e logo tratou de fazer com que Ayesha se erguesse do assento e procurasse um espelho mais próximo. – E aí, o que você achou?! – Seus olhos castanhos reluziam de felicidade.

      - Tenho CER-TE-ZA que agora o crush não vai resistir – insistia em implicar com a princesa, rindo toda vez que ela negava qualquer relacionamento amoroso, sobretudo com Ivan. – Está certo, vou parar com isso. Mas só por hoje, ok?


      - Eu sabia que você ia perguntar sobre meus cabelos soltos nas férias – ela revirou os olhos, embora quisesse muito compartilhar com Ayesha o que tinha acontecido. Precisava de uma ajuda, qualquer diretriz que fosse, para tentar amenizar a confusão mental em que se metera.

      - É uma história longa, muito longa... E você tem que me prometer que não vai contar para ninguém, ok? – dava para ver nos olhos de Annika que a história era divertida, porém travessa. Suas maçãs do rosto ganharam uma cor um tom a mais que o normal e ela sorria com o canto dos lábios. Conforme Ayesha pediu enquanto ainda mexia em seus cabelos, as duas sentaram na cama. – Entãããão... Nem sei por onde começar. Eu me inscrevi naquele duelo louco e caí num grupo que só tinha gente de Hogwarts. É claro que isso não ia dar certo, mesmo Lucca e Phellipe tendo sido maravilhosos comigo o tempo inteiro. E na verdade, nem tinha como ter ninguém de Durmstrang, pois todos vocês me abandonaram lá – ela fez uma careta para Ayesha que explicava pela milésima vez que ela não pode ir por uma série de tarefas de sua família.

      - E então, em um dia que eu saí do treino com eles, eu me perdi de Damiana e Valentina e acabei indo jantar sozinha... E aí o Fred apareceu. – Nika afirmou com a cabeça assim que Ayesha perguntou se o Fred que tinha aparecido era o da Romanov, aquele que vivia na cola da Annelise. – Sim, é ele. Sim, o bonitão. E sim... confusão – Nika ria alto e cobria o próprio rosto várias vezes envergonhada da situação. Aqueles tinham sido dias maravilhosos, talvez, os melhores de sua vida. – E aí jantamos e ele tentou me beijar, mas eu não consegui corresponder, pois sou uma tola que... – Antes de completar que era uma tola que gostava de Leopold, engoliu as palavras. Era melhor deixar aquilo só para ela mesma. –ENFIM, e ai ele me chamou pro iglu dele. E a gente foi. E eu fui os outros dias também... E ele é um menino incrível. E lindo! E incrível. E cozinha bem! E eu dormi lá, e aí ele me viu algumas vezes com os cabelos soltos... – Nika se jogou para trás cobrindo o rosto de novo, mas assim ficando – Eu to ferrada!



.*-* Que saudade da Ayesha <3
Tags: Liz Osborn, Ivan que mudou o nome, Leopold, Annelise [NPC Rachel], Lucca e Phellipe.
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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemAlemanha [#160446] por Katherina Ayesha Friedrich » 30 Mar 2016, 23:49

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[Arco das Férias]


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i’m breaking free from these memories. i’ve said goodbye, set it all on fire.
GOTTA LET IT GO, JUST LET IT GO.




                O medo de mudar era forte, se apegara por tantos motivos a aquele seu jeito, pelo menos do cabelo, que a ideia de modifica-lo era estranhamente aterrorizante, o que era um pouco estranho dada a facilidade que ela tinha que o faze-lo ao se portar de tantas maneiras diferentes em frente a pessoas distintas. Princesa, amiga, irmã. Eram tantas facetas, que muitas vezes a morena se perdia em meio a elas, muitas vezes se pegava questionando quem era ela de verdade, se era apenas um titulo, ou se aquela personalidade que demonstrava em Dusmtrang era sua mesmo, ou se um jogo daquilo que fora ensinada a ser. Era algo difícil, principalmente ao observar Annika que já tinha todas as suas opiniões formadas, uma personalidade única, assim como sua irmã Alexis, sendo que esta ela sempre observou evoluindo daquele bebê o qual ela e Al cuidavam, para a menina forte e decidida que conhecia hoje. Ela? Bem, tinha já dezessete anos, e muitas vezes não sabia responder do que gostava exatamente, tinha suas opiniões, mas tinha medo de externa-las. Do mesmo modo tinha medo de mudar.

                Contudo, desde que tivera aquela conversa com Ivan no natal, a jovem tinha notado algumas mudanças em si mesma, poucos, quase imperceptíveis, mas estavam ali presentes, e talvez fora por isso que decidira aceitar o conselho da amiga, uma mudança no visual, uma mudança daquela imagem que tanto olhou no espelho sem saber se era ela ou não. Talvez em algum momento da vida da mãe ela fizera o mesmo, mudara a si mesma para um jeito que ela aprovava, e não aquilo que foi ensinada a ser, por que ela não faria o mesmo? Já tinha dezessete anos, era adulta pela lei bruxa, e mesmo que tivesse ainda grilhões em seus tornozelos por causa de sua avó, uma pequena rebeldia não iria fazer mais mal do que ela já a fizera sofrer por longos anos de solidão.
– O que eu devo fazer? – perguntou delicadamente, seus olhos azuis encarando a face da francesa, que parecia realmente animada com aquela ideia, e mesmo que a alemã começasse a sentir o mesmo que amiga, ainda havia a pontada de medo. – Tudo bem, farei isso... E, desculpe-me tive alguns problemas com a Grã Duquesa, no caso minha avó. – comenta suspirando, se dirigindo ao banheiro, mas parando na porta com a pergunta de Annika, que a fez sorrir. – Claro, ele adora ser mimado.

                Dentro banheiro, que como o quarto não tinha muitos detalhes da personalidade da morena, com a porta trancada Ayesha conseguiu respirar fundo, pensando naquela ideia de cortar o cabelo, fazer uma franja, estava parecendo uma idiota por estar tão assustada. Usara aquele penteado a vida toda, pelo que se lembra, e mesmo que a ideia de cortar o cabelo depois da morte de Kishan e Alexander tinha lhe passado pela cabeça, não conseguira faze-lo, afinal a lembrança daquela garota que eles conheceram estavam naqueles detalhes bobos, e em outros tantos, assim como fora a pouco tempo que retornou a tocar piano, um ato que parecia na mente dela, e talvez na de seus irmãos, um avanço, uma melhora daquela cicatriz que ficaria pelo resto de sua vida marcada em seu coração, mais fundo que as cicatrizes que possuía fisicamente. Talvez, aquele ato de mudança fosse mais um passo, o sigo em frente que dissera a Kishan que faria naquela aula de artes ocultas. Decida, em passos lentos e calculados, a morena ligou a banheira, deixando-a encher enquanto retirava as peças de roupa, ainda sentia medo, mas mesmo assim, quando estava despida, ela entrou na banheira sentando-se ali, não iria demorar muito. – “Tudo o que vemos ou parecemos não passa de um sonho dentro de um sonho”. Se você estava certo, não haverá problema em mudar. – falou, como se estivesse conversando com alguém, ou talvez mostrando um ponto para si mesmo que mudar não seria um problema. – Adeus ao velho, bem vindo o novo... – e com essas palavras ela afundou na banheira, quase num ato simbólico, afogando seu passado, aquela imagem que tinha de si mesma, esperando que uma nova surgisse, ou que se ela já existisse viesse à tona.

                Aquilo não levou muito tempo, e logo Ayesha estava de volta ao seu quarto, trajando um roupão por cima das peças intimas, enquanto secava um pouco o cabelo, seus olhos azulados encarando a figura de Annika em sua cama com Cheshire que parecia bastante a vontade com a menina, mas logo ela estava com a tesoura e pente, que a morena havia pego em suas coisas, o sentimento de nervosismo voltando a mais velha, enquanto se sentava.
– Ah, não muito, mas pode começar. – disse em resposta a pergunta da francesa, fechando os olhos, a alemã deixou a outra morena trabalhar naquela sua mudança de visual, que mesmo que a assustasse, naquele momento parecia mais divertido, talvez por que ela aceitou aquela mudança, ou o mais provável, a presença da amiga. – Agora realmente estou parecendo com minha mãe. – comentou, assim que ouviu as palavras da menina, e quando abriu os olhos não pode deixar de se assustar com a imagem refletida, era quase como ver sua mãe numa fotografia, se não fosse os pequenos traços que ela herdara de Adrian, e aquele que mais se destacava eram os olhos. – Crush? Do que está falando? – perguntou confusa, mas logo pelas palavras da menina acabou por associar, o que a fez rir um pouco.

                Friedrich não via Ivan daquele modo, como um ‘crush’ como Annika disse, eles eram amigos, claro teve momentos que ela havia passado dos limites, mas fora isso possuía apenas uma boa amizade, e confiava um no outro, fato que ele sabia coisas dela que ninguém mais sabia, e talvez ela pudesse dizer o mesmo nesse quesito.
– Mas, então o que houve nas férias? E o que foi isso de ficar de cabelo solto? Fora no dormitório, nunca a vi sem seu famoso penteado. – falou sorrindo diante da resposta da menina, que começava a contar as coisas, enquanto a alemã absorvia cada detalhe, entristecendo-se em alguns momentos que não pode aproveitar as férias da forma que ela queria. Nem mesmo uma carta conseguira escrever, e se não fosse pelo espelho de dois sentidos, não teria se comunicado com Ryan, esse que ela bem sabia que seria capaz de invadir Luxemburgo para saber se ela estava bem. – Desculpa, de verdade, Nika, mas tive coisas para resolver, assuntos familiares. – disse sentindo-se culpada, mesmo com a careta que a menina fazia, que continuou a contar sua história de forma com que a Romanov parasse de pedir desculpas sobre o assunto, fazendo-a focar-se no que lhe era dito. – Espere um momento, Fred? Seria o Shackleton? O rapaz da Romanov que sempre andava com Annelise? – perguntou um pouco surpresa, não apenas por quem ser, mas pelas coisas que a amiga contava, além de sua face vermelha, algo tão incomum em Aingremont.

                Um sorriso surgiu nos lábios da princesa, por algum motivo, ela se sentia feliz por Annika ter compartilhado aquilo tudo com ela, talvez mais do que se sentira com Jessamine lhe contando detalhes de sua vida amorosa, algum dia sentiria a mesma coisa quando Alexis fosse conversar esse tipo de coisa, afinal ela nunca tivera alguém para falar sobre, tentara uma vez com Alphonse, mas por ser irmão mais velho, extremamente protetor, e outras coisas que ela amava nele, as coisas não foram muito bem.
– Você gosta dele? – perguntou delicadamente, sorrindo diante da vergonha que a menina parecia sentir. – Não precisa responder se não quiser, mas fico feliz que não tenha ficado sozinha nas férias, mesmo que me surpreenda ele estar sozinho e não grudado em Annelise como sempre o vi fazer. – deu de ombros, segurando com uma das mãos o roupão. – E se gostar dele, pode me contar se quiser, e mesmo que eu não entenda muito de relacionamentos, posso tentar te ajudar, Annika. – disse sorrindo para amiga. – Eu? Bem... Não. Desde o falecimento de Alexander que não tenho um relacionamento. – respondeu, mas por um momento pensou naquele dia na Rússia, assim como na conversa no natal com Ivan, mas logo afastou de sua cabeça. – Além disso...

                Batidas na porta fizeram com que as palavras morressem na boca da alemã, sem abrir a porta, questionando o que desejavam, a resposta fora que haviam preparado um lanche da tarde para ela, seu irmão e sua convidada, o que fez a morena suspirar pesadamente. – Já desceremos, obrigada. – respondeu, enquanto se erguia delicadamente, indo pegar roupas. – Bem, o que eu dizer... Era que não estou pronta para isso, para me apaixonar de novo, me senti um pouco culpada ano passado por causa de Leopold, por que parecia que deu a entender que eu gostava dele desse jeito, mas isso tudo... Está fora de cogitação para mim. – comentou indo para detrás do biombo para se vestir.– Então o que acha? – perguntou delicadamente sorrindo com as palavras da morena. – Obrigada, vamos descer, acho que você não quer deixar meu irmão sozinho. – comentou, brincando com Nika, enquanto segurava a mão desta para saírem do quarto, sendo seguidas por Cheshire. Ayesha não conseguia parar de sorrir, feliz com tudo aquilo, com a vinda da francesa, com a confiança dela ao contar sobre as coisas que lhe aconteceram, talvez, ela realmente estivesse mudado um pouco.


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Katherina Ayesha Friedrich
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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemLuxemburgo [#170802] por Katherina Friedrich-Suliver » 10 Dez 2016, 02:05

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Adrika Harriet Friedrich - Grã Duquesa de Luxemburgo



                Os olhos esverdeados encaravam as figuras no salão, observavam cada nuance que pareciam demonstrar naqueles momentos sozinhos, ou com seus parentes mais próximos levando-se em consideração as variadas idades dos presentes. Podia perceber nervosismo, ou uma parente calma nos rostos de alguns, outros apenas se portavam como ela imaginara que o fariam. Suas pequenas peças, era assim que a Grã duquesa os via, e eles o eram, mesmo que não soubessem. Apenas pequenos peões que serviriam para seus próprios planos, sua vitória, seu xeque-mate. Era engraçado como vinha ganhando, mesmo que tivesse acontecido algumas falhas no caminho, algo que poderia ter posto tudo a perder, mas que com graciosidade e inteligência ela conseguira arrumar os eixos de tudo aquilo que desejava e planejara desde seu casamento.

                Com apenas uma ordem ao seu mordomo, Adrika seguiu para o escritório, e mesmo que não fosse receber aqueles homens no salão do trono, a luxemburguesa detinha todo o poder, todo o simbolismo apenas ao ostentar a bela coroa que apesar de um pouco simples, diferentemente de outros países que ainda possuíam uma monarquia. Sentando-se na cadeira de madeira maciça, que apesar de não ser ornamentada com inúmeras joias, era alta e esplendorosa.
– Vou recebe-los agora. – falou de forma simples e clara, com uma reverencia o subordinado se retirou seguindo para fora do aposento, para, alguns minutos depois retornar com os presentes. – Boa Tarde, cavalheiros. – disse com um sorriso brilhante e educado, externando apenas o que era necessário como sempre o fazia nesses assuntos oficiais. – Bem, não quero prolongar essa reunião por muito tempo, sei que são atarefados em seus países e funções sociais. – ela os observava, cada rosto, jovem ou um pouco mais velho, de forma ampla, fazendo-os se sentirem bem-vindos como demandava a etiqueta. – Primeiramente, irei apresenta-los entre si.

                – De Luxemburgo, Louis Schwinden, cavaleiro da Ordem da Coroa de Carvalho. – disse olhando para o rapaz para que se erguesse, o que ele o fez se curvando diante dela o que a fez sorrir. – Mestiço. – e com isso algumas risadas baixas vieram, fazendo com que o garoto se sentisse um pouco envergonhado, mesmo assim se manteve firme diante das risadas, o que a teria divertido, na verdade o fez, mas ela se manteve séria diante daquilo. – Apesar disso vem servindo bem a mim e a minha família, formado em Durmstrang com notas excepcionais. – os olhos seguiram para um outro rapaz que parecia que a qualquer momento iria vomitar pelo asco que sentia daquilo tudo, isso sendo constatado diante da expressão do rapaz.. – Pablo Ramon Drechsler, nascido em Luxemburgo, mas que viveu na Argentina por muitos anos, sangue puro e o mais novo membro do conselho, tomou o lugar do pai assim que este veio a falecer no início do ano passado. – pausa observando o moreno que suspirou e após de ponderar se curvou. – Além de ser um ótimo contato na América do Sul, principalmente com a empresa que assumira, no país já citado, de artefatos mágicos. – passou para o seguinte personagem daquela trama toda que preparara. – Vindo da Alemanha, Herr Konrad Brüning, Ministro Bruxo. – ela nem precisou olhar para o homem loiro para vê-lo se curvar. – Um grande amigo da família do antigo Grão Duque, meu marido, Alphonse. – comentou vendo o sorriso do homem se abrir numa mistura de desafio e deleite para com as expressões de alguns dos outros pretendentes. – Por último, mas não menos importante, estudante de Durmstramg, Ivan Zolnerowich Matveyev Vladislav Shuisky, Russo, é amigo próximo da princesa Katherina, Sangue puro, e com uma linhagem que remota do primeiro czar, sua família possui muitos investimentos no mundo bruxo. – sorriu virando-se um pouco para encarar tanto o rapaz quanto o pai deste. – Seria uma ótima oportunidade recomeçar um contato mais amplo, já que infelizmente, a outra família com quem tive negócios nesse país sofreu um grande atentado.

                A Friedrich os olhava analisando-os, eram engraçado observar os olhares trocados, as ameaças implícitas naquele simples olhar, apertos de mão, ou qualquer nota de educação mínima que aqueles homens deveriam possuir. Ela uma mínima ideia do que poderia escolher, mas apesar disso preferira seguir formalidades, algo que era comum em seu país, e ela se lembrara bem como passara aquilo tudo, competindo com outras mulheres belas, jovens e acima de tudo educadas e socialmente mais importantes que ela, contudo nenhuma delas tivera a inteligência que Adrika possuía. – Com todos devidamente apresentados, acho que podemos seguir adiante com as formalidades, então, por favor, sentem-se. – falou puxando as cadeiras para mais perto com um aceno da varinha, esperando para que eles obedecessem ao seu pequeno comando, para logo prosseguir. – Aos que não estão familiarizados com os preceitos sobre casamento em Luxemburgo, uma pequena explicação: Quando possuímos mais de dois candidatos excelentes, normalmente, fazemos pequenas atividades, as quais, envolvem momentos dentro do mundo real do que é ser um príncipe ou princesa consorte. – ela parou por um segundo, vendo se todos acompanhavam suas palavras. – Eu mesma tive que passar por essas etapas. Não é algo tão complexo, mas são testes que podem ou não determinar se serão aptos de seguir por esse caminho que é cruel seja para o monarca quanto para seus familiares e seu cônjuge. – uma nova pausa para que ela bebesse um pouco de água da taça que estava ao seu lado, depositando-o de volta. – Essas atividades serão feitas com sigilo, pois, apesar de que nosso país tenho noção do casamento arranjado, esse é quase não percebido, pois, fazemos de tudo para que o futuro consorte seja escolhido e depois participasse dos romances normais onde ocorrem aparições em públicos preparadas para tal surgimento da ideia de real romance. Mas... Sei que os presentes aqui saibam que casamento é algo mais do que uma relação de sentimentos, é um contrato, principalmente para alguém pertencente a realeza.

                A loira suspirou um pouco, antes de se erguer, sua postura impecável, era uma figura que demonstrava autoridade, e até mesmo um pouco de medo, algo que ela preferia desejar de outrem. Era preferível ser temida do que amada, era uma lição que acabara aprender em sua infância com a mãe e que ela levaria pelo resto da vida. – Por isso, senhores, aqueles que não se sentem aptos para nem ao menos tentar esses testes, deve se retirar agora se ainda possui algum senso de amor próprio, pois dado o momento em que se torne consorte da princesa Katherina, sua devoção e obediência é a ela. – e por um momento um sorriso malicioso surgiu nos lábios da mulher ao olhar a expressão do ministro russo, mas fora algo tão rápido que se alguém percebeu provavelmente ficaria em dúvida se realmente vira algo assim. – Então, o que me dizem, aceitam esse desafio que é o casamento com um membro da realeza? – perguntou os observando, sabia que alguém iria desistir, ou talvez se enganasse, afinal cada um tinha seu motivo para estar ali em suas mentes, mal sabiam aqueles pretendentes que o que tudo realmente importava era o que a atual Grã Duquesa queria deles.


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Katherina Friedrich-Suliver
Mundo Mágico
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Natalie Dormer
"Facilis descensus averno noctes atque dies patet atri ianua ditis."
 
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