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Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemRussia [#171452] por Ivan Shuisky » 21 Dez 2016, 16:29

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Uma audiência – ou seja lá como c*ralho chamam esses eventos de encontro com alguém da nobreza – com a Grã-Duquesa de Luxemburgo, Adrika Harriet Friedrich, acerca do futuro da neta desta. Deveria haver um certo nervosismo ante algo como isto, alguma insegurança ou um mínimo de receio, contudo, não havia. Não sei dizer ao certo o que se passava pela mente de Ivan, enquanto este se via ali em meio ao castelo de Luxemburgo onde a princesa e futura Grã-Duquesa, Katherina Ayesha Friedrich, a qual coincidentemente era também sua melhor amiga, morava. Havia lembranças da noite curiosa do aniversário da romanov, da suntuosidade então demonstrada e que, ainda que persistisse, não era tão ‘brilhante’, mas além disso... tudo era nebuloso demais para este narrador. O que posso dizer, com certeza, é que esse filho da p*ta que ‘tá escondendo coisa até da minha ‘onisciência’, sentia-se estranhamente calmo. Era como se houvesse uma certa segurança em suas ações, uma ausência de receios, fosse qual fosse o resultado dos passos que se seguiriam.

Nem mesmo a presença de seu pai, Dawid, ao seu lado, parecia abalar sequer um milímetro daquela tranquilidade descontraída e usual. Aliás, para uma possível estranheza de todos – até minha própria – a verdade é que o loiro, a despeito de seus sentimentos por seu progenitor escrot*, conversava com este calmamente acerca de assuntos familiares, após tê-lo tranquilizado quanto ao seu conhecimento sobre como deveria portar-se. Algo que, de fato, parecia visível ali, porque quem conhecesse Ivan Shuisky, o p*to de Durmstrang, talvez demorasse um instante para reconhecer aquele jovem de vestes formais, cabelo perfeitamente penteado e porte ereto e altivo. A única coisa que ainda jazia do idiota de sempre era o sorriso, natural, mas que não se exprimia acompanhado de leves caretas, mas de uma face elegantemente contida e, por isso, assustadora – afinal de contas, ainda se tratava do loiro romanov e ele com aquele tipo de feição era estranho pra c*cete.

Foi após um comentário ligeiramente sarcástico, vindo de Ivan, acerca da situação de um familiar em específico e que – espantem – causou um leve curvar de lábios divertido por parte de seu pai, que os dois pares de olhos cinzentos giraram, notando a presença do mordomo, o qual anunciava que a Grã-Duquesa estava pronto pare receber os presentes. Os Shuisky se fitaram por meio segundo e, tal como se houvessem combinado, dispensaram um breve momento para observar, enfim, os outros presentes. Nada disseram ou demonstraram, guardando para si suas próprias observações – mas posso adiantar que Ivan achou um deles gato pra c*ralho e outro, perfeito para um golpe do baú –, enquanto caminhavam para o interior do cômodo no qual, majestosa e vacamente sentada, encontrava-se a loira figura de Adrika. Os olhos cinzentos do capitão romanov fitaram a face da velha real e, por mais que frente a Ayesha sempre se mostrasse averso à avó desta, naquele momento, não houve qualquer sentimento que fosse quanto àquela mulher. Apenas se curvou em respeito, tal como a etiqueta exigia, ouvindo com atenção cada palavra dita, mantendo aquela estranha firmeza calma que então possuía.

Acompanhou as apresentações, fitando a figura de Louis com notável desdém, reconhecendo o rapaz que, assim com o próprio Ivan, vivia atrás da jovem princesa, mas que, diferentemente do loiro, não conseguia sequer uma migalha da preciosa atenção da morena. Um ser digno de pena, ante os olhos cinzentos, e cuja origem, pensou o Shuisky naquele momento, com certa confiança arrogante, já dizia por si só. Prosseguiu, observando a face do luxemburguês de nome espanhol – e que, denuncio, é o que ele pensou como ‘gato’ – e o ministro alemão – velho pra p*rra em comparação com o resto e com a própria princesa-pretendente –, que arrancou nada além de um olhar curioso por parte do russo. Sabia que cada homem ali tinha seu valor, contudo, não se sentia menor do que ninguém, pelo contrário. Então, por fim, viu os olhos da Grã-Duquesa o fitarem, o que o fez abrir um sorriso, ciente de que, de modo disfarçado, Dawid o avaliava. Ignorou-o, curvando-se com a solenidade educada que o momento pedia, sem fazer questão, contudo, de conter a simpatia natural que, como o próprio dizia, acabava por fazê-lo um acessório interessante pra c*ralho de se ver.

Pode sentir olhares sobre si, mas, por algum motivo, mesmo se quisesse – e, ao menos conscientemente, não queria – distrair-se com os demais, não conseguiu, mantendo, de maneira ligeiramente disfarçada, o interesse preso à figura da avó de Ayesha. Em sua mente, com certa diversão bizarra, via aquilo como um jogo no qual, no fundo não importavam em muito os demais jogadores, afinal, a real juíza daquilo tudo, aquela que determinaria o sim, o não ou o talvez, era aquela senhora que ali se postava, tão conservada quanto um pepino – acredite, apesar de este narrador odiar essa v*dia, no momento estou elogiando-a porque a velha, ainda que ofereça risco de envenenamento por picada de serpente, é alguém altamente pegável e isso não rola negar. Além disso, ele, Ivan, na olhada anterior que dispensara sobre os, digamos, adversários, enquanto estes eram apresentados, pode traçar um panorama aproximado de cada um – algo que, em seu âmago, pensava que discutiria, caso houvesse oportunidade, com seu acompanhante filho da p*ta.

Deste modo, não precisou girar os olhos quando a Friedrich voltou a falar, apenas concentrando-se nos dizeres e feições que a loira apresentava – porque duvidava que aquela vaca estivesse sendo sincera em mesmo um dente que mostrava –, acompanhando aquela explicação. Admitia que, dentro de si, a coisa de ‘atividades’ fora uma surpresa, contudo, não foi um sentimento que muito durou, logo sendo sobrepujado por uma confiança soberba que... Ok, c*ralho, f*da-se a narrativa por alguns segundos. Está estranho essa p*rra! Não sei qual é desse moleque, mas agora captei porque c*cete ele foi expulso do processo narrativo. É ele ou não é nessa b*ceta? Tô me sentindo meio trouxa aqui – e não no sentido que vários bruxos usam. Enfim, se era ele, não parecia, porque não havia palavrões ou preocupações com a amiga ou o que fosse, havia apenas uma contemplação fria e uma certa diversão ante a possibilidade de mostrar-se. Se considerava a falha? Sim. Esta lhe rondava a mente porque, ao seu ver, seria tolice não a imaginar, contudo, mesmo ante ela, confiava em sua capacidade de adaptação e treinara como um insano nos últimos tempos para aquele momento.

Deste modo, com a mesma calma inabalável de antes, acompanhou todo o discurso, guardando na mente atenta pequenos detalhes que poderiam ser úteis para si. Seguiu com o olhar o erguer da loira, mantendo nulos quaisquer sentimentos em si, concentrando-se naquilo que realmente importava, no porquê de estar aguentando aquelas roupas quentes da p*rra e aquela presença que tanto ‘aparentava’. Um leve curvar de lábios se fez ante a coisa toda de devoção e obediência, pensando na doce e amável figura de sua melhor amiga, se ouvisse aquelas palavras proferidas pela Grã-Duquesa. Deixou isso para lá, tão logo a questão da mulher se elevou. Sabia que seu pai não faria nenhum movimento, afinal, aquela era a hora em que o homem tinha para contemplar o filho e ver o quanto o primogênito estava de fato disposto a cooperar. Algo que foi respondido com um rápido passo adiante por parte do setimanista, o qual curvou-se com elegância nobre, ante a presença da figura real.

“É uma honra aceitar este desafio, vossa alteza.”
– alegou com um tom sóbrio e claro – “E me pré-disponho a participar de quaisquer atividades que sejam necessárias para ter-se certeza de que estou à altura da princesa Katherina e de servir aos propósitos que surjam em favor à realeza de Luxemburgo.” – disse, erguendo brevemente o rosto para fitar a figura de Adrika, a fim de demonstrar ali a seriedade tenaz com a qual levava aquele processo. Um olhar que carregava a humildade de alguém ante a figura de uma pessoa superior, mas que transmitia a determinação de um jogador que não estava disposto a perder. Alguém que confiava em si e que faria o necessário e o impossível para alcançar o prêmio final: a posição de consorte de Katherina Ayesha Friedrich.

Porque ele era Ivan Shuisky, que além de um ser f*da pra c*cete, era ou um filho da p*ta mentiroso e ponto ou um filho da p*ta mentiroso e ambicioso. Algo difícil até mesmo para este narrador determinar.

[ Interaction: Adrika Harriet Friedrich ]
[ Off: Falei que ‘tava um c* escrever com esse moleque. Nem narrador aguenta. e.e’ ]


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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemRussia [#171616] por Cassandra Noelle Buckingham » 25 Dez 2016, 19:12

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                O castelo de Luxemburgo era, talvez, um dos locais mais luxuosos que Alexis conhecia. Sua infância foi marcada pelos mais diversos eventos e visitas a ambientes distintos, tanto na Europa quanto fora dela, contudo nem mesmo os castelos mais ricos pareciam igualar-se a beleza misturada com conforto daquele que via como sua moradia. Era uma das coisas que admirava na construção, como toda a mobília mantinha certo ar antigo sem afastar-se demais do mundo real ─ pelo menos o mundo bruxo, uma vez que conhecia pouco do trouxa. Seu quarto, por exemplo, era um de seus ambientes prediletos; nada exagerado, como se esperaria da princesinha vista como mimada ─ adjetivo esse cujas vezes que soubera sobre falarem assim por suas costas, Alexis simplesmente riu e ignorou ─, ainda que não menos majestoso que o resto. O teto, por exemplo, era tão distinto que por vezes perdia-se em pensamentos só por deitar na cama e observá-lo, e a cama por si só era tão imensa que tinha quase certeza que cabia umas cinco dela. Adorava tudo ali dentro, a decoração na parede, os quadros ─ a maioria mostrando imagens suas ─, e a privacidade; pois, exceto por algumas pessoas escolhidas a dedo, era impossível entrar sem a permissão da dona quando ela estava lá dentro.

                Fazia quase uma semana desde que voltou para as férias e, como era de se esperar, estava "presa" dentro do castelo. Sua avó, a quem muito admirava mas por vezes irritava pelo tanto de regras, como sempre a proibia de sair para conhecer o mundo exceto em situações especiais ou com companhias selecionadas a dedo. Por isso precisava achar formas de manter-se ativa no palácio, coisa que era um pouco mais difícil desde que percebeu conhecer todos os ambientes ─ ao menos achava que sim ─ aos doze anos de idade. Felizmente a loirinha era muito esperta quando queria e, por isso, fatalmente encontrava como ocupar seu tempo. Diferente da irmã, que amava muito estudar e ler, ela não dispunha de paciência para a biblioteca, apesar de um livro ou outro serem chamativos a seu gosto. E, diferente do irmão mais velho, cuja liberdade era bem maior que ambas as meninas, adorava mexer com armas e combates corpo a corpo, mas não o bastante para centrar-se nelas (não que deixasse de treinar, só não com tanta intensidade quanto Alphonse). Ou seja, seus gostos que ditavam o que deveria fazer.

                Começando com Hipismo. Como uma boa princesa, que tinha de tudo o melhor possível desde pequena, ela recusava-se até o último resquício de unha nos dedos a realizar trabalhos no estábulo. Limpar cocô de cavalo estava fora de suas metas e de jeito nenhum ela ficaria trocando os alimentos dos animais, mas isso não significava que não amava passar horas cavalgando e divertindo-se com treinamentos; aliás, depois de ter descoberto que sua égua amava muito mais beterraba e rabanetes do que cenouras, passou a ter uma gama bem maior de facilidade para convencê-lo a saltar alguns obstáculos esquisitos ou, por exemplo, seguir comandos difíceis. Mesmo assim, o bom mesmo era sair por aí correndo com o animal, aproveitando da belíssima companhia não humana. Infelizmente sua égua se cansava e isso era um chamado para testar outras coisas... por exemplo esgrima, seu segundo hobbie, que dependia da presença de um competidor ou instrutor. Aliás, não dependia, ela só achava chato treinar sozinha quando era muito mais divertido mostrar suas capacidades avançadas para uma menina de sua idade.

                E então tínhamos tocar violão ─ seu segundo instrumento predileto ─, guitarra ─ que melhorou muito no último ano e esperava usar o tempo de descanso pra sobressair-se ─, canto ─ aqui podemos citar sua voz, seu real instrumento predileto, cujo talento era visível no segundo em que iniciava uma sessão de treino ou mesmo cantava por nenhum motivo. Depois treinar as mais diversas línguas, muitas que ela adquiriu conhecimento na marra mesmo, e era com a ajuda dos poucos livros que gostava que continuava melhorando ou não esquecia; porque esses ela fazia questão de alternar a linguagem, sendo essa uma dica dada por Kath muitos anos antes e, como uma boa irmã mais nova, acabou por seguir. Treinos com armas e de lutas ela preferia deixar para Durmstrang, afinal tinha um foco bem grande nas aulas e nos treinamentos da manhã ─ dos quais bocejava só de lembrar ─, então o máximo que fazia era tirar duas ou três horas por semana para não perder o costume.

                E então quadribol, seu esporte de paixão. Podia não ter habilidades que chegassem nem perto das jogadores profissionais, estas que respeitava bastante, mas certamente divertia-se jogando; aliás, um sorriso aparecia no rosto da loirinha toda vez que lembrava de seu último jogo no Intercolegial. Foi especialmente doloroso pelos eventos relacionados a irmã, contudo não só as coisas ficaram bem pro lado dela, como também Alexis teve a oportunidade de fazer um belíssimo gol e mais tarde comemorar com o time a vitória do campeonato. Ah, claro, ainda houve um destaque especial para Fred e Nika, que FINALMENTE estavam namorando ─ ela mesma teria dado um jeito de juntar os dois se aquilo não tivesse acontecido. Então, é, apesar de toda a dor relacionada a estar com um time que em nada lembrava a Morrigan, sua verdadeira casa, a princesinha via-se num ótimo estado de felicidade ao pensar no esporte.


                Naquele dia, diferente das expectativas, decidiu tirar um tempo para si ─ ou seja, nada de treinos, esportes, idiomas, leituras, aulas, animais, lutas contra o uso indevido de animais (ela era vegana) ou mesmo pensar nos instrumentos que amava. Aquele dia o máximo que faria seria escrever um pouco, já que era estagiária do Lummus, e mesmo assim alguma coisa referente a seu diário (muito bem guardado, escondido e selado, obrigada) ou cartas para as melhores amigas. No momento estava deitada na grande cama do quarto, a cabeça apoiada nas mãos enquanto observava o teto e de vez em quando fechava os olhos, lembrando dos acontecimentos do ano em Durmstrang. De vez em quando suspirava, consciente de que teria sido muito mais fácil se suas melhores amigas tivessem passado o tempo inteiro lá, mas já foi bom o bastante ter a companhia dos irmãos. Yeap, aquele era um jeito tranquilo de pensar.

                E em algum momento ela acabou dormindo. Provavelmente para ser recepcionada por alguns sonhos felizes, não fosse o som de "SMACK" que a acordou e uma dor intensa em alguns pontos do corpo, até perceber uma pressão enorme ali; tudo isso que culminou numa loira gritando bem assustada e em olhos bem abertos buscando a autoria daquele susto. A resposta veio em pouquíssimos segundos, percebendo uma textura escura, provavelmente uma tonalidade de pele humana, e então fios de cabelos bem encaracolados atrapalhando sua visão... ela não era um gênio, mas na hora soube quem era. ─ ANGELIQUE SAUVETERRE, SUA DOIDA VARRIDA! ─ E aqui deixemos claro que "doida varrida" não foi exatamente o que ela gritou, mas deixemos para a imaginação do leitor as reais palavras. ─ SAI DE CIMA DE MIM, AGORA! ─ Terminou, arfando, sentindo aquele peso todo sair aos poucos (ok, isso era um insulto pros não muitos quilos da melhor amiga, mas ainda assim, finalmente indo um pouco pra trás na cama, os ombros apoiados no colchão enquanto procurava direito a imagem da outra morrigana.

                ─ E então, surpreendi você? ─ Escutou a pergunta e a risada bem afiada da menina, que a deixaram com um pouquinho de raiva, para então sumir totalmente ao perceber o que significava: Ange estava ali! Bem na sua frente! E fazia muito tempo que não a via, desde o intercâmbio para Hogwarts! ─ Me surpreendeu? Me surpreendeu? Você quase me matou de susto! Quer saber, agora que você morre, isso sim... ─ E deixou no ar, observando-a sair da cama pra ir até o lado do quarto, fazendo com que Alexis ao final da frase pulasse também e começasse a persegui-la, rindo, até finalmente alcançar a menina e prendê-la pelos ombros, virando a amiga e a puxando pra um abraço. ─ Vou te matar com um abraço, mas vou mesmo assim. ─ E riu, entregue ao momento, a dor já tendo passado enquanto matava as saudades das mais velhas com aquele abraço. ─ Ótimo te ver também, loirinha. ─ E observou Angelique piscando pra si ao se afastarem, coisa que fez Alexis sorrir ainda mais, antes de perceber outra presença no quarto...

                ─ FRAN! ─ Não conseguiu segurar outro grito, dessa vez menor, mais alegre, tranquilo. E viu-se correndo pra abraçar a menina, que observava tudo com uma pose desinteressada que em nada combinava com o sorriso divertido. Ela, aliás, recebeu a amiga com os braços semi abertos, murmurando alguma coisa ("Ei! Ei! Cuidado, não sou seu saco de pancada") que Alexis não deu a menor atenção. ─ O que vocês duas tão fazendo aqui? ─ Exclamou, ao terminar o abraço, correndo pra sentar na cama e observar as duas meninas, ainda estupefata pela visita surpresa. ─ Bem, juntou que nossos pais estavam de bom humor, sua avó estava de bom humor... ─ Ange começou, deitando num espaço da cama ao lado de onde Alexis estava sentada. ─ E agora nós estamos aqui. ─ Dessa vez foi Francine, que ajoelhou-se no recamier (móvel em frente a cama), aproveitando que estava vazio. ─ Aliás, como sua avó consegue manter tudo em ordem? Disseram que ontem teve um evento e hoje estava tudo bonito. ─ A fala da amiga mais velha arrancou uma risada de Alexis, que deu de ombros ao ouvi-la. ─ Acredito que esse é um dos grandes mistérios da vida.

                ─ Falando na organização do castelo, depois me apresenta aquele cara gato fazendo ronda nesse corredor. Sério, amiga, até gosto bom pros guardas sua avó tem. Ou é outra pessoa que controla? ─ O (longo) comentário da amiga mais velha (Angelique, um ano avançada em comparação as outras duas) trouxe uma gargalhada aos lábios de Alexis, enquanto Francine limitou-se a uma risada leve, acenando a cabeça algumas vezes em concordância, mesmo não estando exatamente interessada em homens mais velhos; aliás, ela nem mostrava muito de seu interesse por homens, preferindo guardar para si. ─ Depois eu te explico como as coisas funcionam por aqui. E sim, apresento, se for quem eu penso que é. Mas vou avisando que ele é velho demais pra você. ─ Brincou, ainda que fosse verdade, piscando pra morena, que mostrou a língua e utilizou da língua sempre afiada para retrucar com um "Velho demais pra mim? Por favor, Lexis, ninguém é velho demais pra esse corpinho aqui", coisa que fez com que recebesse um ataque de almofada por parte das outras duas.

                ─ Oook. Agora que vocês já foram devidamente recepcionadas pelas minhas almofadas, podem começar contando as boas novas de Beauxbatons. E eu quero saber tudo, obrigada! ─ Exclamou, feliz, cortando um pouco aquele papo meio sem noção ─ que ela amava, óbvio, em especial com as duas ─, pronta para escutar sobre as mais diversas coisas que aconteciam de louco em sua amada escola francesa. Ela escutou bastante, aliás, principalmente de Lara (segundo nome da Fran), que era a principal responsável no trio em descobrir as fofocas. Finalmente chegaram no último dia, com uma Alexis super interessada ouvindo os detalhes, e Angelique tomou a vez de falar. ─ Você perdeu, loira! O encerramento foi na praia, incrível. Todo mundo participou, o tempo tava lindo, deu pra nadar pra caramba... Não negando que a melhor parte foi ver o Nathan jogando bomba de bosta na Sarah, a professora, but. ─ E aquela última frase trouxe bastante surpresa a face de Alexis, junto a um "Whaat? Ele fez isso?" na língua inglesa.

                ─ Espera, qual Nathan? Um qualquer ou o Nathan morrigano, cabelo verde, Nathan se pegando com a monitora chefe Nathan? ─ Perguntou ao raciocinar os fatos, só pra ter certeza de que era ele mesmo. ─ Esse mesmo. Como que você sabe desse último? ─ Questão essa prontamente respondida pela melhor amiga em seu ano (da Alexis) em Beauxbatons. ─ Eu enviei os detalhes por carta. Te avisei, lembra? Só que você estava ocupada demais planejando como irritar a Jacobs. ─ E a princesa de Luxemburgo observou com muito interesse as consequências daquela frase, no caso um revirar de olhos e uma bufada por parte da outra morrigana. ─ Ela me irrita, ué! E eu não tava perdendo tempo, só tirando proveito do luau no dia seguinte, se é desse dia que está falando. ─ E parou de observar Francina para desviar o olhar para Alexis, buscando mudar o assunto. ─ Falando meninas, como tá a Bree? Faz tempo que você não manda notícias dela. ─ Angelique, doce do jeito que era (e era mesmo, mas só com as duas), não esperava a reação de Alexis, relativamente triste.

                ─ Ela tá estranha nas últimas cartas, isso sim... Não sei o motivo, se forem perguntar, e mesmo deixando claro que tem alguma coisa errada nas minhas respostas ela não diz nada. Enfim, não quero falar sobre isso. ─ E fez morrer o assunto, como sempre fazia; naquele caso, talvez o abordasse outra vez quando parassem de falar sobre Beauxbatons, mas por enquanto Alexis encontrava-se menos interessada em lamentar por um relacionamento que nem relacionamento de verdade era e muito mais focada em descobrir mais sobre a BB que deixou pra trás. Para além, claro, do que discutiram quando as duas estiveram em Durmstrang, no intercâmbio. ─ Relaxa, Lexis, não deve ser nada... Eu descubro se você quis- ok, não irei. Bem, veja pelo lado bom, pelo menos você não está como a Ange aqui, perseguindo uma menina sem motivo algum. Quer dizer, motivo tem, ela só não põe na cabeça que gosta da... qual o nome mesmo? Justice? ─ E quem levou uma almofadada agora foi a própria Fran, de uma Ange visivelmente irritada, negando a todo custo a fala.

                ─ Não, não mesmo, vocês sabem que eu gosto de meninos, e só. Desculpa, Lexis, mas não rola. ─ Correu pra "se salvar", qualquer coisa, mas tudo que Alexis fez foi um gestual com a mão de que estava tudo bem. ─ Enfim, voltemos ao que interessa. Fran, acho melhor você contar pra ela. ─ E observou a menina com uma expressão de quem sabia algo importante, do qual Alexis definitivamente não tinha ouvido até então, para ter tanto mistério. ─ Então, Lexis... Eu conversei com meus pais, como disse que faria, e próximo ano estarei indo a Durmstrang? ─ Dali pra frente você, leitor, imagina o que aconteceu; uma morrigana "barra" Rurikovich empolgadíssima com a transferência da amiga, atacando-a com um abraço muito bem dado, para se decepcionar com o fato de que Angelique voltaria para Beauxbatons. E, bem, depois dela e Fran prometerem que trocariam cartas sempre que possíveis, as três foram para os exteriores procurar a égua de Alexis e os emprestados das melhores amigas; que melhor jeito de continuar a conversa se não sentadas em frente a um laguinho com os cavalos em volta, certo?


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Editado pela última vez por Cassandra Noelle Buckingham em 28 Abr 2019, 01:39, em um total de 1 vez.
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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemAlemanha [#187343] por Katherina Ayesha Friedrich » 26 Set 2018, 15:34

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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemAlemanha [#187344] por Katherina Ayesha Friedrich » 26 Set 2018, 15:38

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you remind me of a time when things weren't so complicated
ALL I NEED IS TO SEE YOUR FACE




                Primeiro veios os primeiros encontros planejados, para incitar as pessoas. Os cochichos começaram aos poucos, nada demais, semanas depois eram como uma mar revolto. Então começaram as cartas, sim cartas, antigas e novas sendo vazadas, assim sendo tornando-se pública a troca entre o casal, que ainda não era um casal. "Tão romântico" ou "parece história de contos de fadas", eram as falas mais ditas pelo público que começara a acompanhar todo aquele enredo criado. Causando comoção, "os amantes improváveis" eram como chamavam o casal, era estranho, mas a Grã-Duquesa mantinha em silêncio causando revolta aos que viam aquele par romântico ser ignorado. De início foi dito, por aqueles mais próximos a monarca, que tudo não passava de "coisas de adolescentes" e que a princesa logo cairia em si é o romance juvenil terminaria, que ela presaria a família e o país, afinal, o jovem rapaz não era digno da pureza e delicadeza da jovem que iria tomar o lugar da avó quando fosse o momento. Blasfêmias, era o que o povo dizia, em pleno nesse século falar tal coisa não fazia sentido algum. Foram meses com as cartas, meses dos encontros dos dois em lugares calculados, não que soubessem, e o povo reclamava, bradava. Foi então que os encontros pararam assim como as cartas. Silêncio. A novela teria acabado? Não haveria um final feliz para aquele conto? Ninguém conseguia crer. Quando tudo esfriou, quando estavam para esquecer aquilo, houve o anúncio, houve felicidade. Houve muito mais fofoca e conversas. O rapaz viria com a família e pediria a mão da jovem princesa formalmente. Haveria um jantar formal. Houve um final feliz.

Mal sabiam aquelas pessoas que tudo aquilo foi manipulado, criado para mostrar todo aquele conto de fadas. O noivado estava decidido a tempos, tudo arranjado, criado e elaborado para que houvesse aquela comoção, uma aceitação, além de claro, para que os motivos reais daquele casamento não fossem notados. Não era um casamento por amor, e sim por negócios entre a Grã Duquesa e o patriarca da família Shuisky. Mas eles mesmos não sabiam que havia um outro motivo para que aquele casal fosse formado. Contudo, isso não importa, e sim que tudo aquilo estava acontecendo. Os Shuisky chegaram na tarde do dia antecede ao noivado oficial, como fora pedido pela monarca, houve um jantar onde os pormenores foram resolvidos por Adrika e o Senhor Shuisky. Após isso, o noivo foi deixado com o "pai" e irmão da noiva, enquanto esta acabou por ficar com a mãe do rapaz, a irmã dele, que apesar de não serem tão próximas a jovem considerava uma amiga, e sua irmã.

Fora uma interação breve entre os grupos, enquanto os responsáveis por aquela união conversavam, porém quando a conversa se findou, logo que possível, foi cada um para seus aposentos indicado por um dos elfos ou um dos empregados do castelo. Tudo estava quieto, silencioso, como se não houvesse ninguém, contudo, algumas horas mais tarde um ranger de uma dobradiça tomou por um momento um dos quartos, "a parede" se moveu e então se fechou. Com então a voz do russo se ergueu, e então a luz se fez revelando a morena, os pés descalços e um robe por cima da camisola.
- Imaginei que estivesse acordado, por isso eu vim. Sei que tem problemas para dormir em lugares diferentes... - comentou a alemã diante da pergunta em surpresa do loiro, se aproximando da cama. - Passagens secretas, o castelo é cheio e eu descobri a maioria. - disse sorrindo levemente se sentando na beira da cama. - Como está depois de tudo? - perguntou sem conseguir se conter por mais tempo.

A morena sorriu diante do questionamento, mesmo que no olhar até mesmo no sorriso houvesse um pedido de desculpas inconsciente. Ainda era difícil para ela dividir os problemas e ter Ivan ali tão próximo a Grã-Duquesa, por tudo que ele tinha fingir e o modo que tinha que agir, longe do seu usual. Ela mesma tinha que agir de modo um pouco diferente.
- Até que foi fácil, afinal sua mãe levou a maior parte da conversa sozinha, dando opinião sobre o casamento e ideias de madrinhas, ela quis por Alexis de dama de honra. -comentou revirando um pouco os olhos - Falou de pessoas da sua família, quem deveria chamar... Coisas do tipo. Tanya, bem, ela agiu como sempre assim como Alexis, apesar dela ainda estar meio que digerindo tudo. - a morena suspirou pesadamente encarando o quarto por um momento. - Ainda dá para desistir... -falou encarando o amigo por um momento, antes de novamente desviar o olhar - Se o fizer as coisas vão ficar bem para você e Tanya, garanto isso.

Um pequeno sorriso se abriu nos lábios da morena diante das palavras do melhor amigo, e agora noivo, um amigo que acabara por se apaixonar e temer ainda mais a aproximação dele com sua avó. Mesmo assim, fora uma decisão do rapaz ao fazer isso, ele havia os motivos e ela imaginava quais seriam, não que o tenha perguntado para confirmar, mas ela sabia que tinha a ver com a irmã mais nova dele. O mesmo motivo que a fez permanecer presa “aos grilhões” da Grã-Duquesa, não que ela tenha aceitado simplesmente, apenas trabalhava de modo devagar e sem notarem. - Porque tem sempre que bancar o herói, Shuisky? - questionou ainda segurando a mão do russo, os dedos entrelaçados como muitas vezes acontece, mas daquela vez pareceu estranho na mente da jovem, que logo o desfez aquele toque um pouco sem jeito, porém para disfarçar acabou por se deitar de vez na cama ao lado do loiro, que se mantivera sentado, olhando para o teto, acabando por suspirar. - Para ser sincera estou um pouco nervosa com o que nos espera amanhã, mais do que fiquei com aquelas cartas e os encontros “escondidos” - disse fazendo aspas com os dedos - Você não? - questionou, observando o amigo, vendo então a careta que ele fazia juntamente com a resposta que a fez sorrir de leve, ainda mais por saber que ele estava nervoso, mesmo que não fosse os mesmo motivos. - Não vai precisar fingir ser o bom moço o tempo todo, pelo menos quando estivermos só nós dois. - comentou sorrindo um pouco - Do mesmo modo que eu deixarei de usar a máscara de princesa perto de você. - disse sorrindo levemente para o amigo, ainda mais diante das palavras dele, aproveitando aquele momento com ele, aproveitando que ainda era apenas os dois, que ainda fossem ainda Ayesha e Ivan. - Deveria descansar, será um grande dia amanhã. - comentou, erguendo uma das sobrancelhas. - Ivs, eu vim pra cá para ficar com você até que ao menos consiga descansar, posso até mesmo dormir aqui, apenas terei que sair antes do amanhecer. Então deite-se e fique quieto. - falou ainda com o cenho um pouco franzido até o russo se deitar ao seu lado, algo que fez o coração da morena acelerar, porém ela controlou o nervosismo que sentiu. Não, ele não merecia que ela ficasse bancando a esperançosa em algo que ambos sabiam não ia acontecer. - Ótimo, assim está bom.

Por um momento, a morena ficou em silêncio, sua mente distante, mesmo com a voz do russo chegando aos seus ouvidos, mesmo que não as compreendessem. Pensava nas coisas que deveria fazer, nos riscos, não apenas para si, mas para quem amava, pricipalmente ao rapaz ao seu lado que serviria como seu escudo enquanto ele próprio precisava proteger a irmã. Ele deveria ter aceitado, deveria ter ido, estaria seguro com o pergaminho que dera a Tanya, mas não, ele tinha bancar o herói. - Ivs... - chamou, virando-se para encará-lo, os rostos relativamente próximos, que fez a morena corar um pouco. - Pode... Prometer uma coisa para mim? - questionou, rindo um pouco com as palavras do amigo, mesmo assim parou, segurando as mãos dele - Prometa que se as coisas derem errado, quero que siga, quero que vá embora, se proteja e a Tanya, e se puder, ajude meus irmãos... - ela parou sentindo o russo apertar suas mãos e puxar, ouvindo o que ele dizia, notando a irritação que ele tentava esconder na voz. - Preciso que prometa, Ivs. Não estou desistindo, estou... - ela suspira pesado - É como um jogo de xadrez, Ivan. Cheio de variáveis e peças, podemos fazer tudo certo e ainda sim perder porque o outro lado pode ter uma estratégia que não conhecemos. Então precisamos estar preparados para as variáveis. - diz de modo firme, ele tinha que entender isso. Foi com surpresa que ouviu as palavras do amigo, por um momento imaginando se aquele fugir era referente ao passado dele, o passado que por três dias ela pertencera a anos atrás. A verdade era que não era o caso, ele não estaria fugindo, estaria ficando seguro e era isso que ela queria para ele, mas acabou suspirando diante do olhar firme do russo, tão firme quanto o seu. – Pensei que eu que era a teimosa... – comentou o encarando levemente, um pequeno sorriso nos lábios, soltando suas mãos da dele, tocando-o no rosto. – Não pense muito nisso, vai dar tudo certo, tudo isso é apenas precaução, Ivs.

No fundo ela esperava que fosse apenas isso, um modo de estarem preparados para o que tinham que enfrentar, principalmente a partir de amanhã, mas as vezes ela se pegava pensando que talvez não fosse apenas para aquilo. – Venha... Vamos dormir um pouco. Terá que manter sua melhor expressão de bom garoto se quisermos que isso dê certo. – comentou sorrindo o puxando para se deitar consigo. Se encolhendo para próximo dele, o silencio tomando conta do quarto, após a aceitação do loiro, apenas a respiração dos dois e a batida dos corações. Ela esperava realmente que tudo saísse de acordo com o plano. Que eles saíssem bem daquilo tudo. Desejava e implorava para que ao menos sua família e amigos pudessem passar por tudo isso sem danos.

(...)


O salão de baile, onde a alguns anos atrás fora comemorado o aniversário de dezesseis anos da jovem princesa, estava cheio com as pessoas mais importantes de Luxemburgo e de outros países ligados ao Grã-ducado. Bem, a parte importante da comunidade bruxa. Do lado de fora, próximo ao castelo, pessoas entravam nos jardins ocupando os espaços que lhe eram destinados para observar aquele evento importante pelo qual esperaram tanto: a certificação do noivado da princesa Katherina e o noivo “plebeu” Ivan, um jovem amigo de Vossa Alteza. Aguardando ansiosos para admirar aquele casal que “sofrera” tanto tentando fazer as pessoas aceitarem seu amor.

Enquanto todos esperavam, o jovem casal estava numa sala juntamente com os familiares que conversavam com eles de modo a deixar claro como deveriam se comportar diante daquele evento, compondo todo aquela bela obra de arte que haviam criado, porém estes que aos poucos começaram a sair, para conversar com os homens e mulheres importantes do lado de fora, deixando-o relativamente sozinhos, se não fossem os guardas que observavam tudo. Eles tinham que esperar um pouco até que fosse chegada a hora deles se apresentarem, no entanto, a morena não conseguia ficar calma com aquilo, com aquela espera ou com qualquer coisa que envolvia aquela encenação, ela precisava daquilo, precisava do amigo ao seu lado, mas era arriscado. Pensar naquilo tudo fez com que a jovem se erguesse, o vestido espalhando-se ao seu redor, e então a cada caminhar que ela dava de um lado para o outro, espiando pela brecha na porta, o pano se abria, fazendo parecer que a jovem não andava e sim flutuava pelo aposento, com o olhar tanto do noivo, e melhor amigo, quanto dos guardas se grudassem nela, até que o russo se erguera, seguindo para onde ela estava e parando.
– Desculpe, é que ficar aqui... Não consigo parar de pensar, formular ideias ou ficar um tanto paranoica com isso tudo... – ela se cala diante do beijo, as mãos do loiro em seu rosto, fazendo-a corar. Ela prestou a atenção nas palavras dele, compreendeu, mesmo que ainda estivesse nervosa, mas por um momento aqueles pensamentos se afastaram. – Está bem... Desculpe. – fala sorrindo ainda sem jeito com aquilo, com a fala, porém, principalmente no beijo. Desde que contara que ele havia sido escolhido ele não a beijara, sua bochecha sim, mas... Ela afastou aquilo da cabeça, suspirando pesado.

A morena queria dizer tantas coisas, ainda queria dizer para ele fugir, deixar aquilo tudo para trás, algo que sabia que seriam ignoradas pelo russo, mesmo assim queria dizer qualquer coisa, mas nada parecia ser suficiente, não depois da promessa que eles fizeram na noite anterior.
– Ivs... Eu... – antes que a alemã pudesse dizer algo, a porta interna se abriu com Darius entrando, fazendo com que a jovem se calasse diante do aviso do rapaz. – Obrigada. Já estamos prontos. – comentou sorrindo para o luxemburguês que se curvou tanto para ela quanto para o russo, depois se aproximando deste e entregando a caixa pequena que continha a aliança. – Alphonse pediu para eu entregar, apesar dele não gostar da ideia, falou que mesmo assim era uma promessa que ele havia feito. Espero que faça valer a pena. – disse o loiro seriamente, logo dando de ombros ainda mais com a pergunta do russo, o que surpreendeu Ayesha, ele já estava com uma. – Essa que você tem foi dada pela Grã-Duquesa, no entanto, apesar das circunstâncias, o príncipe afirmou que esse é o anel correto. – o rapaz disse sem nem ao menos pestanejar, logo indicando que deveriam ficar posicionados que as portas seriam abertas em um minuto. Apesar dos dois seguirem conforme o aviso do amigo, Ayesha ainda pensava naquela mudança do irmão, no que se constata aquela promessa e para quem ele prometera.

Contudo, aquilo tudo ficou em segundo plano na mente da jovem alemã, já que assim que seu pensamento formulou algum tipo de questionamento ou comentário, as portas que davam para o salão se abriram com o casal fosse “afogado” pelas pessoas que ali os esperavam com curiosidade, quase como se fossem alguma atração de um zoológico ou de algum circo. Mas, ela não demonstrou qualquer desconforto que poderia existir em si com aquela multidão, acabando por aceitá-la com um sorriso feliz, mesmo que contido pela vergonha que, realmente, ela sentia. Os dois percorreram o caminho que pelos últimos dias caminharam em ensaios e mais ensaios para que tudo demonstrasse a pureza, união e delicadeza não apenas dela, mas também do russo ao seu lado. A doce princesa e seu cavalheiro de armadura brilhante, algo que quase a fez rir ao se lembrar do próprio primo, o qual, ela tinha essa visão pelo modo que o mais velho se portava. Ela queria que ele estivesse ali, mas não fora possível tal coisa, na verdade já fora difícil para ela conseguir para que alguns amigos, seletos por causa da Grã-Duquesa, conseguissem vir. Um deles deu mais trabalho que todos por ser de uma linhagem que não agradava a monarca. A jovem ainda se lembrava da conversa que tivera com o conterrâneo, recordando-se de cada palavra dita por ele.
- Está vendo o rapaz ruivo no meio de Zak e Dmitri? - questionou ao loiro ao seu lado, quase sem mover os lábios e sua voz num sussurro para que apenas ele pudesse ouvir. - Eu disse que ia fazer com que pelo menos uma parte dos seus amigos viessem, e caro Sherlock não poderia faltar. - comentou de modo divertido, vendo o olhar surpreso do loiro no trio de amigos, mas logo a olhando com uma pergunta no olhar. - Eu não ia querer que passasse por esse momento sem seus amigos, além do mais, caso desista, terá uma equipe de fuga. - falou de modo leviano, sorrindo diante do seu próprio dizer, porém surpreendendo-se com o leve puxar e a pausa naquela caminhada até onde estavam suas respectivas famílias, com o rapaz beijando-lhe sua testa levemente, a agradecendo de modo tão delicado. Alguns sons de surpresa e deleite com a cena chegaram aos ouvidos da princesa, fazendo com que seu rosto esquentou não apenas pelo ato do amigo, mas por lembrar que estavam sendo vistos. - Sabe que não precisa agradecer. - falou assim que voltaram a andar, com o russo dando uma resposta que fez ela ficar ainda mais vermelha e com o coração acelerado.

No entanto, ao se separarem ao chegar a plataforma, onde a jovem se sentou no que parecia um trono, mas não exatamente um, sendo ladeada por seu irmão mais velho no seu lado esquerdo e o “pai” no direito, sua avó mais atrás, também sentada no, verdadeiro, trono numa altura mais elevada de onde a mais nova estava, porém, a monarca se ergueu, tomando sua vez de falar naquele momento que era ao mesmo tempo sua prisão e sua brecha para liberdade.
- Agradeço a todos por comparecerem, afinal, dada as circunstâncias, achei necessário um evento deste porte para não apenas explicar o que ocorrera nos últimos meses, como a decisão que fora feita. - a mulher continuou falando, explicando, dando detalhes daquela trama que ela havia planejado, a qual Ayesha julga desnecessário, mas concordou por não haver muito o que dizer, na verdade, a jovem mal parecia ouvir, com ela lançando alguns olhares em direção aos poucos amigos que conseguira ter ali no meio de tantas pessoas, apesar da falta do penteado característico, ela reconheceu Annika, como também o trio que era mais amigo do seu, então, noivo do que dela. Sentiu um certo aperto no peito por causa da ausência de Darian e Dayana, como também de seus primos. Notou também outros amigos do russo ali, que ela havia convidado, tendo mentido descaradamente sobre quem eram realmente para a avó. Seu olhar por um momento desviou-se para a mais velha que continuava seu discurso, agora com ajuda do patriarca Shuisky, seu sogro de agora em diante, no entanto seu olhar recaiu na figura do avô do rapaz, que não vira desde aquela primeira tentativa de aliança entre as duas famílias, seguindo para as quatro mulheres perto de Ivan.

A Friedrich mal falara com a avó do rapaz, não havia muito o que ser dito para ser sincera, com Olga, a mãe dele, tivera alguns momentos a sós com ela, assim como acompanhada de Tanya, com quem, apesar de ter conversado, não conseguiu manter por muito tempo, sentia como se estivesse se esquivando da atenção da mais nova, daquele olhar prateado que às vezes parecia entender o que estava acontecendo, como se soubesse o que ela e Ivan estavam fazendo. Aquilo, talvez, tivesse sido o motivo para poucas conversas, algo que fora diferente com a tia do rapaz e antiga diretora de Durmstrang, Lana Shuisky. Por algum motivo, se sentiu quase naquela normalidade estranha que a mais velha ocasionava ao falar em cada discurso em sua antiga escola, era como se tivesse voltado a ser a aluna e a professora/diretora do instituto. Havia outras pessoas que ela conhecia naquela multidão, mesmo que apenas por nome e uma imagem no jornal. Ministros, outros membros da realeza, pessoas importantes e tudo isso estava sendo acompanhado pela imprensa.

Pensar nisso fez com que um nervosismo, ela ainda podia ouvir aquela saudação da mais velha na primeira aula que assistira dela, ou quando fazia algum anúncio no Salão Imperial. Claro, ela gostava de Anne Beatrice, que como alguém da realeza também estava presente naquele evento, mas tivera “mais anos” sobre os cuidados da russa do que da princesa da britânia. Por fim, seu olhar recaiu no melhor amigo, notando a forma que ele se portava na frente dos outros, máscaras que ambos teriam que usar, ali, com os adultos que controlavam suas vidas, porém não entre eles, isso a acalentava. Ainda seria ela mesma perto de Ivan, como sempre o fora. Foi com esse pensamento que logo se viu diante do amigo, após o chamado da Grã- Duquesa, mal ouvindo as palavras que a mulher dizia, ainda mais quando viu o amigo puxar a caixinha que Darius havia dado a ele minutos antes, não fora uma surpresa, pelo menos não o que aquilo representava, no entanto fora uma quando ele abriu, revelando o conteúdo da caixinha.

A jovem princesa tinha cinco para seis anos quando vira aquela aliança pela última vez, ainda se lembrava, ou melhor, desde que recuperara aquelas memórias, ela se lembrava do ritual que a mãe fazia, antes de trabalhar em sua plantação de ervas, ou antes de fazer almoço/jantar, ela o retirava, colocando num cordão fino em volta do pescoço, o brilhante pesando entre seus seios, por cima da blusa e avental que sempre trajava, nada em comparação aos vestidos que ela observara quando chegou ao castelo. Uma expressão de choque, animação e uma pontada de dor a tomou, mas acima disso tudo estava a felicidade, não sabia que aquele anel havia sobrevivido, muito menos que o irmão o possuía, mas deu todo um novo significado para alemã quando Ivan se colocou em um joelho estendendo aquela peça que era mais uma lembrança, uma chama para os desejos dela, sua família, os motivos para que ela estava aceitando isso tudo apesar dos sentimentos que tinha pelo melhor amigo. Não houve fingimento no rubor ou nas pequenas lágrimas que teimaram em fugir dos seus olhos diante do questionamento de Ivan, nem na voz embargada quando ela disse aquele “Sim” forjado por aquela trama, mesmo que, quisesse que que aquilo fosse real. Que seus sentimentos fossem correspondidos, mas ela estava feliz, porque o russo a estava ajudando, estava ali não importando os motivos para isso.

Com a mesma delicadeza com ele sempre a tratou o russo colocou a aliança em seu dedo, beijando-o por fim quando as palmas leves começaram a soar no salão, fazendo com que a jovem alemã suspirou de leve, ah, ela tinha por um momento esquecido daquele teatro.
- Um novo ciclo se inicia, apesar de todas as questões e barreiras que foram postas no caminho deles, esse casal conseguiu vencer, e agora diante de vocês, eles iniciam a nova jornada. - apesar de escutar aquilo tudo, o pensamento da morena não estava naquele discurso previamente preparado, não. Tinha muita coisa para pensar. - Ivs… - chamou num tom baixo, com ele a olhando de leve enquanto ela secava as lágrimas do seu rosto com o lenço que ele lhe dera. - Poderia me dar sua permissão para entrar em sua mente? - questionou de modo sério, desde o que aconteceu em Hogwarts, do seu descontrole, ela nunca mais fez qualquer coisa, mesmo com permissão. - Quero te mostrar uma coisa. - disse simplesmente, dando de ombros diante do arquear das sobrancelhas do russo, fazendo com que ela sorrisse, com ele assentindo de leve, mas ainda com um ar de curiosidade, que não foi posto em palavras pela continuação do discurso da Grã Duquesa.

- Os Friedrich’s possuem um costume antigo, que infelizmente minha adorável filha não pode participar na época de seu noivado. - aquilo por um momento fez com que a morena prendesse a respiração, algo que foi notado pelo loiro. - Contudo, minha neta quer que essa tradição seja retomada, por favor, querida. - ela sentiu tanto o olhar de Ivan sobre si quanto da mais velha que a chamara, fazendo com que ela tomasse a frente, um pouco de nervosismo a tomasse diante de tantas pessoas, mesmo assim ela seguiu com aquilo, com o papel que deveria seguir, porém não completamente. - Obrigada por todos terem vindo. - começou de modo delicado, um sorriso tímido, mas elegante e convidativo se destacava nos lábios da alemã, que observou as pessoas por alguns segundos antes de continuar. - Primeiramente quero dizer que aqui será apenas o meu presente, já que quebrando um pouco a tradição, o noivo não apresentara nenhum presente, já que não o avisei sobre isso. Não vi a necessidade disso, sendo que o maior presente que ele me deu foi sua amizade. - disse sorrindo minimamente, um sorriso um pouco brincalhão. - Para ser sincera, demorou um pouco para que eu escolhesse algo para dar de presente para o Senhor Shuisky. - falou sendo sincera naquilo, sabia do que o russo poderia gostar, já o havia presenteado antes. - Contudo, me recordei de quando ele me presenteou e de suas palavras sobre como ele me via e o que gostava em mim. - aquilo por um momento fez com que o coração da morena se acelerasse, aquela parte não era mentira, ela lembrava exatamente daquele dia, fora na época que ocorreram os intercâmbios entre as escolas, quando o amigo se isolou do grupo por algo que ele fora obrigado a recordar, e foram essas imagens que ela lançou para a mente de Ivan. - Ele me deu um kit de pintura, pois admirava a minha arte, do mesmo modo que sabia o quanto ela é uma forma de me expressar.. - ela pausou por um momento pensando em como aquilo ainda era uma verdade e uma grande parte do que ela é até hoje. - No entanto, dar-lhe uma pintura não seria surpreendente, do mesmo modo que não mostraria a única faceta de mim, que ele mesmo tendo conhecimento, nunca tinha presenciado.

- Ele já me ouviu cantar, em Durmstrang. Em atividades ou quando estou distraída, mas ele nunca me ouviu tocar, pois é uma parte de mim que eu acabei por trancafiar após algumas perdas que tive em minha vida. - disse, mesmo que a voz tivesse quebrado um pouco com aquilo, aquelas lembranças que o amigo não precisava ver, nem imaginar o sentimento, mesmo que ele entendesse. - Por muitos anos me neguei, só a ideia de pensar em tocar as teclas de um piano novamente me assustavam, meus dedos travavam, mas depois que nossa amizade se firmou, quando conseguimos falar nossos medos, desejos e dores um para o outro, os anos se passaram e eu pude tocar novamente. Os primeiros a verem isso foram meus irmãos e então minha melhor amiga em Durmstrang. - comentou procurando Annika pela multidão, mas não a encontrando visualmente falando, afinal ela sabia que a jovem francesa estava ali. - Quando chegou próximo a nossa formatura, eu pensei naqueles anos que convivemos, naquilo que sentíamos um pelo outro. - realmente pensara, fora após o Torneio, após sua declaração, ela o amava como amigo, como além disso, ele a via e amava como amiga, eram cúmplices e isso bastava para ela. - Depois de anos, eu consegui compor novamente ao pensar em todas aquelas lembranças, e nos anos que ficaríamos longe, afinal, meu dever é para com meu povo, e apesar do que sinto, não podia dar as costas a outras partes que me importavam. - ali mentiras e verdades transbordaram, não era por um povo, apesar de querer ajudá-los, era sua família.- Nunca contei isso para ele. Fiquei um pouco nervosa com a ideia, além de que, acabaríamos nos afastando, seguiremos nossos caminhos, mas o destino de certo modo foi gentil e me permitiu não apenas ter o meu melhor amigo ao meu lado, como ter a chance de cuidar daqueles que tenho a honra de chamar de meu povo.

Ela engoliu em seco levemente sentindo o coração doer. Povo. Família. Ivan sabia, eram algumas palavras que eram dela realmente e outras que ela usava como a máscara da princesa que deveria ser, mas nunca se sentira. - Então, peço, desculpas de antemão caso não seja o tipo de melodia que apreciem, mas… - ela lançou um olhar para Ivan, sorrindo do modo que era real, não a máscara, não a princesa ou a monitora educada e gentil, mas ela, apenas ela como vinha sendo entre os dois a algum tempo. - O meu presente é uma música, porque sei que tanto quanto eu, você a aprecia. - comentou por fim, se virando para descer os degraus ao lado do “tablado”, onde agora podia se ver o piano que normalmente ficava naquele salão, onde muitas vezes quando era criança tocou ao lado do irmão. E foi sem qualquer outra palavra que a jovem princesa do Luxemburgo se sentou na banqueta, suas mãos tocando de leve o piano, como se pedisse permissão para o objeto para derramar sua melodia, sua música onde deixara transbordar todos os sentimentos que ela tinha dentro de si. Logo seu olhar se ergueu para o melhor amigo novamente, deixando naquele momento um aviso, uma lembrança do pedido que ela fizera antes de seguir para a frente daquele público. E foi com apenas um assentir que ela desviou o olhar, suspirando de modo pesado, antes de começar. Os dedos da pianista tracejando as pedras, enquanto sua mente se envolvia nas lembranças que eram compartilhadas com o loiro. Cada tom da melodia mostrando um sentimento, uma memória enquanto a música prosseguia, ela nem mesmo se lembrava das pessoas ao seu redor, apenas aqueles momentos que relembrava em sua mente.

Os dedos ágeis da morena seguiam pelas teclas, deixando a melodia soar pelo salão, ela como o único som de todo o ambiente, nem mesmo era possível ouvir as respirações das pessoas que estavam ali presentes, vendo a jovem princesa deixar todos, ou quase todos, os seus sentimentos escaparem para aquela melodia que fizera com tanto carinho, numa forma de mostrar não apenas o amor que sentia, mas também agradecer e mostrar sua amizade para com o russo, foi assim que a jovem guiou toda a música, deixando cada parte dela mostrar os anos que passaram juntos, parte da vida deles, como ela via aquilo tudo, demonstrando isso para o amigo, enquanto os outros apenas repararam no que sabiam, no que fora “visto” por eles através daquela armação feita por Adrika, que apesar de falsa, era bela. Contudo, a melodia começou a chegar em seu final, aumentando e diminuindo o ritmo que era imposto pela morena, assim como as memórias que, por vezes a deixava sem graça, compartilhava com o amigo, deixando para mostrar juntamente como a última nota, uma cena que era antiga e seria dolorida para o amigo, afinal, até mesmo para ela era um pouco triste lembrar daquilo, porém fora ali que de certo modo tudo começou, se findou e se reiniciou anos mais tarde.

Assim que a última nota soou no salão, o silêncio tomou conta, sendo apagado assim que as palmas tomaram o lugar da melodia que dizia muito sobre si, sobre o que sentia, e sobre a amizade que ela lutaria para proteger. Ao se erguer a jovem lançou um olhar para o loiro parado não muito distante, sentindo seu coração falhar um pouco.
“Desculpe pela última”. - pensou, compartilhando aquilo com o amigo, mas que apenas sorriu para ela, sabendo que não fora por mal, mas uma lembrança que ela guardava com carinho. - Agradeço a todos por terem ouvido e apreciado. - falou antes mesmo que a avó pudesse dizer algo. - Como artista é uma honra terem apreciado, como pessoa, estou um pouco envergonhada. - E estava, não era fingimento, parte dela estava nervosa ao se sentir exposta daquele modo mesmo que as pessoas não compreendessem aquela melodia como Ivan havia entendido. - Obrigada. - falou se calando por fim, deixando então a avó tomar seu lugar como oradora, voltando a ficar ao seu lado como a princesa herdeira que deveria ser, mas desta vez, o russo se aproximou ficando ao seu lado. - Agora, vamos comemorar o noivado desse belo casal, todos podem conversar com todos, mas por favor, a empresa, seja breve, eles devem falar com muitos convidados. - falou a mais velha com isso finalizando aquela parte da apresentação, deixando então o casal a mercê daqueles que contariam ao mundo e julgariam aquela união.


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Re: Friedrich's Palace - Grão-Ducado do Luxemburgo

MensagemRussia [#190962] por Ivan Shuisky » 08 Mai 2019, 01:36

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Quando Ivan se jogou naquela loucura de tornar-se noivo de sua melhor amiga por motivos de “vai saber porque c*ralho, já que esse p*to não deixa claro”, ele imaginara que seria difícil, que exigiria dele muito mais do que ele julgava ser sua própria capacidade e que o obrigaria a agir do exato modo que por anos fugiu de agir: como um Shuisky – e não a minúscula parte legal da família, mas a grande maioria cretina, elitista, sangue-purista, imbecil e um tanto cheia de ‘patias’. Ele sabia, se preparou e, em uma parte de si admirava o quão f* damente estava se saindo, tanto quanto outra parte queria se “tacar embaixo de um erumpente sapateante”, tamanho o desgosto consigo mesmo diante de algumas de suas atitudes e falas. Era uma batalha constante, um jogo de verdades distorcidas e mentiras convincentes que faziam com que o russo, quando enfim se via completamente só, sentisse tudo suspender-se.

Uma suspensão que por vezes trazia consigo lembranças, as quais basicamente consistiam nas faces daqueles que eram enganados. Podia ver claramente os olhares analíticos daqueles que ele queria que acreditasse, as linhas de dúvida nos que queriam acreditar nele, a estranheza nos que nunca o haviam visto daquele modo, a raiva dos que se sentiam enganados por seu eu anterior e a cara de paisagem de Tanya – porque Ivan nunca tinha certeza absoluta do que se passava pela mente da irmã, enquanto esta não abria a boca ou não se movia de algum dos modos tão particulares. O loiro não apreciava remoer essas memórias, de ter que pensar em mais coisas ainda, e, assim sendo, preferia quando, de tão exausto, sua suspensão se tornava um torpor no qual havia apenas o nada, sem Iv, Ivs, Ivan, Shuisky, mestre, filho, neto, pretendente ou o que quer que ele fosse ou precisasse ser; sem culpa, maquinações ou probabilidades.

Naquele dia, após a tensão do jantar, a pressão ainda maior dos olhos verdes e nada amistosos de seu futuro cunhado, Alphonse, e as conversas profundas com o “pai” da “princesa Katherina”, por sorte foi no exato segundo tipo de suspensão que ele se viu e por algum tempo pode relaxar, estirado sobre a confortável cama do quarto que lhe fora designado no palácio de Luxemburgo. Ali, apesar de absorto no grande “nada” que o envolvia, seus sentidos, ainda que tardiamente, o fizeram perceber uma movimentação vinda de um ponto em que, em teoria, não existia p*rra nenhuma para mover. A mão, que já segurava a varinha, a qual quase sempre se mantinha sob seu travesseiro enquanto dormia, em um ato automático, ergueu-se ao notar na penumbra um vulto, sentindo uma tensão receosa o qual muito o recordava dos tempos de estudante.

“Mas que…?!”
– retesou o palavrão, ciente de que ainda estava em “território inimigo”, e girou o punho para acender a luz da cabeceira da cama, avistando, para sua surpresa, alguém que ao mesmo tempo em que era natural ali estar, ele não imaginou que veria tão cedo – “Aye?” – confirmou com uma careta intrigada – “Mas como… que… quando… Que que cê tá fazendo aqui?” – questionou, aturdido, encarando a morena e não conseguindo não sorrir com a percepção desta – “Saquei…” – disse, satisfeito pela presença da melhor amiga, mas confuso ao olhar melhor do ponto do qual ela surgira – “…E como c*ralhos você chegou até aqui?” – questionou vendo-a se aproximar, sentindo uma certa nostalgia – “Bem a sua cara de curiosa sair caçando essas coisas.” – comentou, entretido, suspirando ante a questão da alemã e, então, movendo a mão para executar um feitiço no ambiente, antes de guardar a varinha.

“Exausto.”
– confessou, enfim relaxando e deixando todo o peso do dia se mostrar na expressão acabada e nos ombros caídos – “Cansa pra c*cete ficar andando parecendo um pombo, sorrir para tudo e todos e ter que pensar.” – resmungou com um suspiro – “Tava desacostumado a esse último, principalmente.” – comentou em um tom descontraído, a fim de não preocupar a alemão – “Mas estou bem.” – garantiu, tocando a coxa da amiga delícia, fitando-a com calma – “Depois de tanto tempo levando a vida na maciota, ‘tava na hora de me esforçar em alguma coisa.” – alegou, sorrindo com a sinceridade usual – “E você? Como está?” – questionou, ajeitando um mecha do cabelo escuro – “Como foi ficar entre tantas loiras?” – questionou, divertido. Riu com a resposta, quase podendo visualizar sua mãe falando e analisando com a precisão de alguém habituada a criar eventos e lidar com pessoas em excesso… ou quase.

“Olga sabe o que faz em geral,”
– comentou, entre risos – “mas colocar sua irmã de dama de honra… só se ela entrasse de joelhos. Já passou ‘um pouco’ da idade.” – observou, notando o olhar distante da amiga, o que o fez se calar em uma questão muda. Ouviu a frase preocupada, ciente pelo menos de um pedacinho do que se passava pela mente louca da amiga – “Hey,” – disse, erguendo a mão para puxar o rosto da morena, fitando aos traços delicados e parando nos olhos azuis com uma firmeza que no mais profundo de seu ser, não existia. Fez uma careta, como quem pensa no que não deve, suspirando por fim – “Eu não sou de desistir – e você, que foi alvo da minha insistência filha da p*ta, deveria saber melhor do que ninguém.” – observou, divertido – “Mesmo que as coisas estejam 100% pra mim e Tanys, ainda assim não vou largar nada nessa altura.” – observou, enfático, encarando os olhos azuis com determinação. Riu da questão desta, ainda que, no fundo, uma questão similar por vezes cruzasse a mente do loiro. Algo que, ainda mais naquele momento e com Aye tão próxima, era melhor não pensar.

“Não sei.”
– replicou, fingindo ponderar seriamente sobre a pergunta – “Acho que ou é culpa dos anos salvando pirralhos ou é influência da Tass e a mania que ela tinha de me chamar de Capitão América. Adotei o papel, sei lá.” – comentou, descontraído, sentindo o toque da morena se afastar, o que o fez fita-la, em dúvida, apenas para vê-la deitar-se ao seu lado. Algo que o fez crispar levemente os lábios e xingar-se mentalmente – “Então, como se sente para nosso noivado? Preparada?” – questionou, a fim de desviar a mente das besteiras típicas do russo, que curvou os lábios, brincando com uma das mechas do cabelo escuro – “Um pouco.” – admitiu com uma leve careta – “Não será exatamente a situação mais fácil do mundo essa coisa de manter o papel de bom noivo, mas...” – observou, lançando um olhar de soslaio à melhor amiga, enrolando o cabelo desta, distraidamente, em seu dedo – “Não será impossível também.” – e sorriu de canto, espalhando aquele gesto pelo resto dos lábios e adquirindo feições divertidas.

“Olha, ainda bem que você deixará de usar a máscara de princesa, porque, sinceramente, quando estamos a sós eu fico bem longe de querer ser um bom moço.”
– observou com um que de entrelinhas no tom, levando um corte que não sabia ao certo se fora intencional ou não, mas, com certeza, era o sensato, considerando que, por alguns instantes, aparentemente o m*rda do Shuisky tinha esquecido da coisa de ‘território inimigo’ e blá-blá-blá – “Mas descansar é tão sem graça...” – observou com uma leve careta, notando a sobrancelha da amiga se erguer e, então, rindo da resposta desta – “Ok, ok.” – concordou entre risos, vencido, deitando-se ao lado da morena, próximo, mas não próximo o suficiente para que começasse a se animar e acabasse ativando a sedução louca e iniciando o processo de providenciar herdeiros antes do previsto – “Então,” – sentenciou, pigarreando – “melhor assim?” – questionou, ouvindo-a concordar.

“Ok... Se alguém me visse agora, deitado aqui, do seu lado e sem fazer nada, no mínimo achariam que era alguém usando polissuco, certeza.”
– comentou, divertido, lançando um olhar para o perfil pensativo da amiga. Um vinco se formou entre as sobrancelhas do loiro, enquanto as íris cinzentas passeavam pelo perfil da amiga, a poucos centímetros de si, descendo pela silhueta, antes de retornar ao ponto inicial. Observou o mover dos lábios em um chamado, vendo o rosto girar e, então, mergulhou no azul daqueles olhos que, então, carregavam certa decisão que apenas intensificou a curiosidade em seu rosto – “Posso prometer que vou tentar prometer se a promessa for algo prometível, pode ser?” – questionou, erguendo de leve uma sobrancelha, sentindo suas mãos serem pegas, o que, na concepção de Ivan, muitas vezes não era um bom sinal ou um sinal de ‘lá vem’. De fato, veio. Veio fazendo-o sentir o coração acelerar e os músculos se tencionarem, apertando as mãos da morena para trazê-la para mais perto.

“Que m*rda é essa, Aye?”
– questionou, sentindo a voz sair baixa, contendo a irritação que surgia em si – “A gente chegou até aqui. Não desista nessa altura. Não agora.” – sentenciou, sentindo uma nota de desespero em si, a qual relaxou um pouco ao ouvir a negativa, a viu suspirar e, então, explicar-se. As íris cinzentas encararam as azuis, conhecendo aquele ar irredutível, a teimosia tão típica. Sabia que a alemã tinha razão, sabia que não tinha condições de imaginar todas as variáveis, mesmo que tentasse, mas ainda assim, ir embora com os outros... – “Prometo que se der m*rda, garantirei a proteção de Tanys e dos seus irmãos.” – sentenciou, vencido – “Isso, eu prometo.” – repetiu, fitando-a, estranhamente sério – “Mas não me faça prometer fugir, Ayesha. Eu já fugi uma vez e não me perdoaria fugir novamente.” – sentenciou, entredentes, contendo a irritação que sentia com aquela simples hipótese.

Uma reação que, provavelmente, a Friedrich compreendia os motivos, mas que para este narrador, que sabe os detalhes de tal afirmação contundente, é tão irritante que queria ter uma forma física para dar na cara desse pivete do c*ralho que fica falando m*rda sobre si mesmo. Fugido. Fugido, meu rabo, p*rra. ...Enfim, de um modo ou de outro, era como Ivan se sentia: como um alguém que já dera as costas para pessoas e se recusava a fazê-lo mais uma vez. Um pequeno vislumbre de sinceridade, talvez, na atitude falsa e cheia de máscaras do loiro russo e tão intensa que mesmo a ex-romanov se viu inclinada a conceder. As linhas na face do russo se amenizaram com o comentário e o toque em seu rosto, tanto quanto o pedido que, ainda que apenas precaução, também refletia um dos maiores receios que, por trás da fachada de f*delança do Shuisky, existia em grande peso e era o sussurro que o fazia se esforçar e manter o foco sempre mais.

“Espero que seja só isso mesmo...”
– murmurou o loiro em um suspiro, balançando a cabeça como se afastasse uma fada irritante de perto de si. Girou os olhos, observando o movimento sutil da melhor amiga e o convite que o fez sorrir de canto, antes de novamente menear a cabeça e concordar, apagando a luz de cabeceira e aproximando-se do corpo esguio para passar um braço por sob a cabeça da morena, a fim de melhor aconchega-la – “Bom garoto...” – murmurou, deslizando os dedos ao longo do comprimento das mechas escuras, observando as linhas ali presentes, bem como sentindo o calor de Ayesha, as curvas delicadas – “...realmente. Ando interpretando esse papel bem demais até pro meu gosto.” – resmungou em um grunhido quase inteligível, ajeitando-se melhor para, então, tentar jogar de escanteio a p*taria inata e focar no compasso da respiração de ambos em meio ao silêncio que, então, tomava novamente aquele quarto.


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As vozes dos pais e do ‘vovô Vladimir’ entravam pelos ouvidos de Ivan, enquanto eles, bem como Tanya e alguns parentes seletos, se encontravam ali, em meio àquela antessala do Palácio de Luxemburgo, aguardando o momento em que o grande evento teria início. Ivan fingia prestar atenção, ainda que de tempos em tempos seus olhos vagassem pelo ambiente, observando-o e, então, observando o aglomerado em torno de sua futura-noiva onde se deparou com os olhos verdes de seu cunhado o fitando, fosse propositalmente, fosse por acaso. Moveu discretamente a cabeça em um cumprimento silencioso, vendo-o desviar o olhar em um gesto que fez o mais novo estreitou os olhos e suspirou, voltando-se ao olhar analítico de seu patriarca que, então, deixava o próprio pai fazer suas observações, enquanto Olga garantia que as vestes, cuidadosamente escolhidas para que recordassem de que era um comum, mas um belo exemplar de um, se mantivessem perfeitas contra o corpo bem formado do filho.

Com tantas vozes e mãos o incomodando, não por acaso que foi com alívio que viu, aos poucos, todos deixarem aquela sala, não sem antes lançarem as últimas considerações para as quais, com aparente calma, o loiro assentiu em concordância. Um suspiro e um revirar de olhos lhe escapou quando enfim se viu só, permitindo-o sentar-se sobre uma poltrona e fingir conferir um candelabro particularmente brilhoso, ao mesmo tempo em que, disfarçadamente, analisava a presença de Ayesha e a quantidade de guardas que ali se apresentavam e os observavam atenção, oferecendo nem mesmo um tempo para um respiro. Desviou o olhar, focando-se de fato no metal a sua frente, bem como em seu reflexo, quase não se reconhecendo com o cabelo perfeitamente colocado, as roupas em completo alinho e a face em uma seriedade altiva e tranquila a qual, ele, em seu âmago, também tentava manter. Sorriu de canto por um breve momento. Bem, já começara a tornar-se um costume não se reconhecer, a ponto de que não se reconhecer era o novo reconhecimento para si – o que não fazia qualquer m*rda de sentido, mas... Ivan.

O som de um arrastar o fez erguer os olhos e ajeitar a postura, encontrando a esguia figura de Ayesha caminhando. Ergueu uma sobrancelha, observando a bela morena, cujas curvas e linhas eram notáveis sob aquele vestido belo e claro, mover-se pelo aposento, quase como a ninfa que, sabia, na infância tanto a comparavam. Acompanhou por alguns instantes aquilo, ciente de que ainda que a face se mostrasse um tanto composta, no fundo havia todo um caos na mente maluca da melhor amiga e, provavelmente, uma ansiedade que começava a atiçar o nervosismo que ele mesmo vinha tentando – e até certo ponto, conseguindo – manter tão em controle. As íris de prata percorreram casualmente por um momento o aposento e os guardas ali presentes, como que em um revirar de olhos incomodado, e então ergueu-se, avançando a passos firmes para próximo da ex-romanov que, enfim, parava com seu desfile.

“Seu ir e vir está me deixando um tanto quanto impaciente, Ayesha.”
– observou com um leve erguer de sobrancelha, ouvindo a voz da morena se erguer em uma resposta cujo tom ele bem conhecia. O tom de quem estava começando a entrar em pânico. O loiro suspirou, pousando as mãos, um de cada lado do rosto da morena, erguendo-o para tomar os lábios que se movimentavam, fechando os olhos por um momento, apenas para, no momento seguinte, averiguar os guardas desviarem a vista – “Respira, morango.” – pediu em um sussurro, separando-se brevemente para encará-la nos olhos – “Já estamos aqui. Não é hora de pensar e sim de concentrar e agir. Aproveite um pouco ou você perderá tudo em um estado de maluquice maior que o normal.” – alegou, abrindo um sorriso, enquanto mantinha uma das mãos na face da melhor amiga, vendo-a aquele sorriso doce e a concordância que o fizeram querer se estapear mentalmente.

As íris de prata fitaram as azuis por alguns segundos e, apesar do que dizia para a alemã, sabia que estava sendo um pouco hipócrita. Crispou os lábios por meio milésimo de segundos, tal como se guardasse e selasse para si os pensamentos que percorriam a mente do russo. Tudo o que queria e não queria dizer. Tudo o que podia e não podia dizer. Cada desconfiança e certeza. Encarou-a, então, ocultando toda a m*rda que carregava e demonstrou, com uma cara de pau ímpar, apenas dúvida ante o chamado desta. Percebeu que ela desejava dizer algo, mas, antes que soubesse ao certo o que, viu a interação ser interrompida pelo aviso vindo da familiar figura de certo loiro gostoso de olhos díspares, o qual atendia por Darius. Assentiu, apenas, vendo, para a sua surpresa, o rapaz aproximar-se e voltar-se a ele, não Aye, com uma pequena caixa. Franziu o cenho ante a afirmação de quem enviara aquele item, olhando da caixa semi-aberta para o loiro.

“Ah...”
– e fez uma breve careta, controlando a língua e as piadas – “Pra que essa caixa, exatamente?” – questionou, sinceramente confuso – “Eu já possuo um anel.” – observou com simplicidade, tal como se não fosse nada de mais, ouvindo a resposta que o fez se silenciar. Por um momento a mente, então no modo usual de sempre procurar as entrelinhas, começou a rabiscar motivos com base nas conversas que tivera com o Friedrich primogênito, os quais foram impedidas por um movimento de cabeça de Ivan que, então, apenas concordou, fechando e guardando a caixa consigo, antes de posicionar-se frente a porta que seria aberta em pouco tempo. O olhar do loiro recaiu sobre Aye por meio segundo, antes de encarar a porta que os separava da, imaginava, multidão sedenta por um vislumbre do casal delícia que eles faziam. Inspirou e expirou calmamente, sentindo a mente, aos poucos, clarear e a face ganhar certa calma aparente.

No momento em que as portas se abriram, as vozes o alcançaram e ele, sem mais, apenas sorriu. Um sorriso brilhante e composto, o qual parecia tornar mais notáveis as feições e o porte do russo, que se mantinha próximo à “princesa Katherina”, agindo como o impecável cavalheiro que deveria ser. Não aparentava nervosismo ou qualquer dificuldade em cumprimentar e responder com primor o que lhe era questionado, tal como se houvesse nascido para o holofote e para estar em meio àquele bando de almofadinhas do caramba. Seu olhar caminhava pelas faces desconhecidas, tentando manter a firmeza do papel, mesmo ao deparar-se com aqueles que conhecia. Notou o olhar confuso de seus amigos, os poucos que haviam sido convidados, ignorando-os como se nada fossem, talvez em um receio de que, sem querer, saísse daquele papel e reentrasse no de Ivan-p*to de seus tempos de Durmstrang.

Avistou de relance os olhos claros de sua ex-diretora e princesa loira não muito dentro do padrão, logo encontrando o olhar analítico de Dawid e Olga, os quais eram acompanhados por Anzhela, uma prima de sua mãe, que vinha servindo de consultora desde que o noivado fora efetivado – aparentemente ela tinha algum conhecimento em organizações de eventos e nobreza, até onde entendera – e sorriu em um cumprimento para a mulher que, até então, se mostrara ‘ok’. Encontrou Tanya não muito distante, observando uma discreta interação entre seus avós e, para a surpresa de Ivan, sua tia Lana, que parecia divertir-se com tudo aquilo – e, Ivan supunha, devia de fato estar, fosse porque ela sabia da situação dele e tinha um pé no sadismo, fosse pela simples reação do querido ‘papai’ dela. Meneou a cabeça em uma negativa, concluindo que a louca dos gatinhos definitivamente gostava de brincar com o perigo – ou só não se importava nem um pouco com ele, o que era o mais provável.

Desviou o rosto por um instante, aproveitando uma breve brecha entre os convidados para fazer uma leve careta de quem tenta recuperar o movimento facial normal, concluindo que, definitivamente, sorrir demais, ao menos daquele jeito brilhante, cansava. Voltou-se para Aye ao ouvi-la indicar um trio, girando os olhos para o ponto que ela indicava. Um curvar de lábios satisfeito despontou na face do loiro, reconhecendo seus bons e velhos amigos, Zakhar e Dmitriy, junto de um terceiro elemento ruivo e, definitivamente, não familiar. Franziu o cenho por um instante, sem ao certo saber o que olhava e achando algo estranho naquela imagem, tanto quanto pensando que, talvez, o estranho era não ter Sieghard por ali. Não que apenas ele, mas Schwarz, em específico, era alguém que, sabia, não era só ele desejava que estivesse naquela festa, mas que infelizmente, considerando aquele contexto elitista, purista e altamente perigoso, não teria como estar.

...Ou não.

“O que?”
– murmurou, ouvindo o apelido tão familiar fugir dos lábios da alemã, fazendo com que o russo piscasse algumas vezes, encarando o rosto de Zak e Dimi, que conversavam naturalmente com o ruivo. Ivan piscou algumas vezes, absorvendo aquela informação. Zak conversar naturalmente com um desconhecido, ok, Dimi... Nunca. Uma conclusão que fez, de fato, o entendimento se fazer, de modo que as íris claras viraram para a face de Ayesha, encarando-a por um momento antes de fechar os olhos por um momento e, então, puxá-la pela mão, deixando que os lábios tocassem a testa da alemã de um modo discreto, mas que carregava em si um peso significativo – “Muito obrigado, Ayesha. De verdade.” – disse, tendo um sorriso emocionado, fitando-a com carinho sincero, considerando que, talvez, ela nem mesmo imaginasse a importância daquele ato que, sabia, por si só deveria ter sido complexo.

“Posso não precisar,”
– sentenciou, tocando de leve a face rubra – “mas a você, sempre quero.” – garantiu em um sussurro, sorrindo de canto ao ver a vermelhidão da morena, mas logo deixando para trás aquele momento, readquirindo a face composta e educada que até instantes antes sustentava, tentando ignorar as demais presenças no salão. Separou-se da morena, vendo-a subir para o que era o palco daquele pequeno show que protagonizavam, enquanto ele próprio se juntava à família, recebendo uma piscada de Lana, a qual retribuiu com um discreto aceno de cabeça, fazendo a mais velha estreitar os olhos, entretida. Os olhares se voltaram para a grã-duquesa que, então, erguia sua voz com a precisão de alguém acostumada àquele tipo de discurso e explicações que, Ivan, parecia prestar atenção e, por mais incrível que pareça, de fato prestava, analisando cada movimento daquela senhora conservada.

Viu então Dawid avançar, sério e firme como o soldado que era, ouvindo a voz deste erguer-se, com a clareza e segurança típica e que, como narrador que observa e analisa, dou o crédito de ter presença. Um escr*tão, cretino e imbecil, mas com presença. Ivan, por outro lado, não fitou ao pai, além de um breve momento, voltando os olhos de soslaio para Vladimir, parecendo buscar algo ali que, se encontrou, não faço ideia, uma vez que, como quem não queria nada, logo desviou o olhar, fitando às mulheres de sua família e, então, à multidão, antes de retornar à grã-duquesa. Os olhos verdes, que de uma forma menos amistosa recordavam os dos irmãos de Aye, o encararam em um sinal silencioso para o qual, com a educação que vinha sustentando, Ivan sorriu, avançando com toda a elegância, enquanto retirava do bolso a caixa entregue por Darius, apresentando à melhor amiga, cujo olhar ele não compreendia, mas tinha certeza estar relacionado ao anel recebido. Prosseguiu como se nada houvesse notado, apoiando-se em um joelho frente à princesa, encarando às íris azuladas como tantas vezes antes fizera, ainda que não daquele ângulo em especifico.

“Princesa Katherina. Ayesha.”
– sentenciou, embutindo no tom um quê de carinho enquanto a fitava e oferecia o anel que descansava na pequena caixa. Havia milhares de palavras que poderia dizer, inúmeras frases que fariam olhos lacrimejarem e o show ser mais tocante, mas não era isso que precisavam. Não naquele momento – “Aceitaria casar comigo, dando-me a honra de tornar-me seu esposo, a fim de acompanha-la não apenas como amigo, mas como companheiro para a vida?” – questionou com um olhar firme e um sorriso com linhas de nervosismo, ciente de que distorcia um pouco aquela questão, mantendo a essência e acrescentando ali seu próprio toque não exatamente convencional. Havia expectativa nos olhos cinzentos, tanto quanto emoções sob as emoções que aparentava e as quais, mesmo a mim, estavam inalcançáveis, mas que eram guiadas por um palpitar nervoso que, ante o sim emocionado da alemã, se transformaram em alívio, tanto quanto em um largo sorriso que iluminou a face do Shuisky.

Com cautela, retirou a aliança de seu invólucro, colocando-o no anelar delicado e, então, beijando-o como que para dar sorte, antes de erguer-se. Com um passo, mantendo a mão da aliança presa a si, aproximou-se, tocando o rosto e erguendo-o para tomar os lábios da noiva com intensidade, ainda que apenas por um breve momento, afastando-se com um sorriso calculado de quem era o homem mais sortudo da face da terra. Manteve o olhar sobre a face emocionada da morena, um tanto divertido, oferecendo a essa um lenço antes de posicionar-se ao lado da alemã, um tanto quanto atordoado pelos acontecimentos que ali se desenrolavam. Ouviu o sussurro ao seu lado, girando os olhos, ligeiramente confuso com a questão da morena e mais ainda com o que quer que ela tivesse para mostrar. Encarou-a sem entender aquele sorriso, apenas tendo tempo de concordar, antes de escutar o discurso da grã-duquesa, franzindo o cenho ante o tal costume da qual nunca ouvira falar.

Manteve uma expressão calma, ainda que intrigada, no interior de si pensando o que era aquilo e como Ayesha não se dignara a avisá-lo ou, ao menos, dar um sinal que fosse antes que estivessem ali, frente a todos. Inspirou e expirou, colocando no lugar sua mente, pensando nas possibilidades, em especial a pior possível. Confiava na amiga, mas também a conhecia o suficiente para saber que tudo e nada sempre poderiam ser esperadas daquela ‘morango selvagem’. Acompanhou a morena adiantar-se, ouvindo com atenção as palavras sem conseguir deixar de arquear as sobrancelhas, ainda que apenas por um instante, surpreso pela menção daquele presente que ele, definitivamente, não tinha a menor ideia de existir em qualquer tradição que fosse. Podia sentir os olhares de prata do ex e do atual patriarca contra si e, tinha certeza, receberia algum tipo de ‘conversa b*sta’ em algum momento no futuro. Não se importou, focando-se na melhor amiga sacana, ouvindo cada palavra e sorrindo com a velha lembrança mencionada.

Uma linha se fez nos lábios de Ivan, enquanto, atento, o russo escutava as palavras da noiva e observava cada nuance na expressão que esta carregava. Havia sentimentos por trás dos olhos cinzentos, inalcançáveis para quem quer que fosse – mesmo para a c*ralha deste narrador, ressalto novamente com frustração – e os quais eram, na aparência, apenas apresentados como uma leve expectativa. Apesar de não ter certeza de p*rra nenhuma, arrisco dizer que ele sabia como ninguém o choque que Ayesha sofrera e que a fizera, anos antes, encontrá-la solitária e triste em uma cabine do Navio de Durmstrang, assim sendo, compreendia o porquê de ela não conseguir tocar ou o quanto ela ter voltado a ser capaz significava. Ivan, sendo a besta que é, não devia dar-se o devido crédito ou sequer imaginar a importância que tinha, motivo pelo qual, junto daquela expectativa havia um quê de surpresa ante os detalhes citados pela jovem princesa, bem como o quanto ela, de fato, sentia por ele – o que ele sabia, mas não com aquela profundidade.

Naquele momento, tenho quase certeza, se havia alguma dúvida em Ivan quanto àquela bagunça na qual ele havia se jogado – o que eu duvido, mas ok –, com certeza ela sumiu, em especial ao ver o sorriso que a melhor amiga lhe oferecia, que ele conhecia muito bem e que, sem dúvidas, necessitara de um longo caminho para ressurgir. Sorriu em resposta com uma gentileza afável pouco comum, mas sincera, observando a bela figura encaminhar-se para o piano. A lua se encontrou com o mar e, ali, Ivan viu-se envolvido pela melodia e pelas memórias que lhe eram transmitidas, cada momento que haviam compartilhado desde aquele acaso proporcionado pela p*tice de Ivan às custas de um banho em seu querido amigo Iki. Os bons, os maus, os neutros, os confusos, os ‘p*taquepariu’, os estranhos, os deliciosos... cada uma daquelas grandes e pequenas reminiscências durante os anos de convivência, sentindo cada emoção embutida e que, dia após dia, o haviam conduzido àquele salão, àquele compromisso e àquela vida longe de seu eu libertino.

Então veio o fim e o ar escapou dos lábios do Shuisky como se tomasse um soco na boca do estômago. Era estranho ver ele e Ayesha pequenos, como fora muito tempo antes, mas mais estranho era ver aquela outra face, tal como se recordava, mais ainda mais detalhada. A cabeça praticamente raspada nas laterais, deixando um moicano ao centro, os olhos azuis e brilhantes que se estreitavam daquele modo tão próprio, o sorriso aberto e que criava inúmeras linhas na expressão do mais velho... Ainda que fosse um ótimo ator, mesmo para Ivan foi quase impossível segurar a emoção, a dor e a culpa que aquela imagem lhe trazia, tanto quanto a felicidade genuína que, havia demorado, mas ele entendia ter ajudado a trazer de volta. A prata se tornou mercúrio e Ivan fechou os olhos com força por um momento, para recuperar a frieza, e os reabriu, acenando com um sorriso tranquilo para a amiga ante o pedido mental desta. Respirou fundo por um momento, afastando o nublado que existia em seu olhar e sua mente, após tantas informações, demorando um instante para colocar-se ao lado da alemã, mal escutando a liberação da grã-duquesa.

“Se você queria me emocionar, morango sacana, parabéns, você conseguiu. Obrigado.”
– enunciou em um tom rouco, cobrindo os lábios como se segredasse à noiva algo antes da coletiva – “Apenas se prepare, porque você sabe que gosto de retribuir presentes. E sou muito bom ao fazê-lo.” – sentenciou com um sorriso embutido de malícia, denunciando suas segundas intenções, antes de readquirir a face belamente composta e correta, tendo no peito um palpitar e na mente uma decisão. Algo que já tinha consigo há muito tempo e até mesmo conversara com suas tias e que, como elas haviam lhe aconselhado, poderia fundamentar ou acabar com tudo. Seu olhar fugiu momentaneamente dos jornalistas, encontrando as íris cinzentas de Lana, então retornando com um sorriso brilhante, a fim de responder uma questão qualquer.

Mesmo que o circo terminasse, teria muito o que fazer.

Definitivamente.


Interaction: Ayesha Friedrich; Darius Não-lembro-o-sobrenome-droga (NPC da Dandy);
Tags: Uma porrada, maioria NPC porque faz parte da loucura toda.
Clothes: Alguma coisa nesse naipe “comum bonitão”
Off: Depois de 439803404 anos... Não tá perfeito, mas pelo menos existe. Mal ae, Dandy. .brit

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Ivan Shuisky
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