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Taverne ein'augen manticore [Taverna]

Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemUniao Europeia [#99332] por Duque de Espadas » 15 Abr 2012, 21:47

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A Taverne ein’augen Manticore localiza-se ao lado da estalagem da cidade –por motivos óbvios-, e sempre está fervilhando de clientes. Não importa se é dia, noite, inverno, verão, temporada de caça das Manticoras ou se os pólos estão derretendo e ameaçando inundar o planeta inteiro: Esta taverna estará sempre atulhada de gente bem-humorada e disposta a beber até cair. As bebidas são famosas por serem muito mais alcoólicas do que o normal, mas não provocam a famosa ressaca quando a embriaguez se vai; isso mesmo!

Não tendo dor de cabeça, que se vá o fígado!
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Postado Por: Ministério da Magia.


Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemFinlandia [#101804] por Ravn M. Stephensson » 15 Mai 2012, 09:30

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Uma semana exata havia se passado até que eu voltasse a entrar em contato com Adrielle sobre as notícias que ela havia me pedido para pesquisar. Contudo, não fiz o que havia sido pedido por ela, completando aquela primeira parte da investigação ao meu modo. Muitas coisas ali não iam a favor dos meus gostos e outras até mesmo me atrapalhavam. Listarei alguns destes fatores, ainda que eu acredite não fazer muita diferença agora. Embora eu tivesse feito isso baseado somente nas minhas habilidades de especulação, não quis dizer que, desobedecendo as ordens de MacMillan, eu estava fazendo melhor do que o esperado. Moldei o seu pedido conforme os meus conhecimentos, chegando a um resultado satisfatório e ainda maior do que eu esperava para o momento.

Primeiro, é extremamente difícil procurar alguém sem nome, mas geralmente bruxos que fogem ou mudam de identidade dão para isso um valor superestimado. Com sorte, consegui rastrear algumas pistas deixadas para trás, propositalmente ou não; visto que algumas eram óbvias demais.

Depois daquela semana em que chequei alguns documentos do Ministério - alguns sem permissão e outros além do meu próprio departamento -, não dei também notícias à Michelle Rheys. Essa foi uma das partes de minha investigação que comecei a fazer por conta própria. Algumas pessoas me perguntariam, outra vez, porque estava fazendo aquilo. Até então estava apenas ligado à MacMillan. Eu não era uma pessoa que costumava se importar além da conta com os problemas alheios. Até porque, algumas pessoas mal se importavam com os próprios. Não estava fazendo nada além de educadamente resgatar o passado de Adrielle, embora isso, em minha humilde opinião, fosse uma forma bastante exótica de atrair dores emocionais e há muito enterradas. Nada que fiz pôde ser considerado exatamente perigoso; apaguei os pequenos rastros que havia deixado para conseguir o que queria, requisitando documentos em nome de outra pessoa - muitas vezes, Rheys - e analisando a movimentação bruxa local. E por local, eu quero dizer o próprio Ministério. Aprendi muito naquele tempo, embora não fosse nada comparado ao que eu realmente estava para descobrir. O que tinha de conhecimento era apenas uma gota que vazara de uma torneira, que guardava uma represa do outro lado do muro.

Meu frio relacionamento com Michelle não havia melhorado desde então. Comecei a reparar melhor nela, ou melhor dizendo, no seu trabalho, claro. O que havia para se suspeitar de uma recepcionista? Ela sabia melhor do Ministério do que eu, obviamente. Também era responsável pela entrega dos documentos nos outros setores, quando os diretores estavam ocupados demais para isso. Mas o que mais?
Pois é. O problema é que ela não precisava de mais nada, e ninguém havia notado. Pelo menos, se eu quisesse algo de dentro do Ministério, eu pensaria assim. Qual a necessidade de entrar dentro de um cofre, quando é possível roubar o que há dentro dele quando ele sair? Parei de pensar nisso antes que ficasse paranoico, embora Rheys me desse muitos motivos para isso. Por duas vezes notei que ela tentara uma comunicação quando entrei para trabalhar. Não a respondi em nenhuma delas, limitando nossos encontros ao básico de minha educação.

Agora que estava perto de expôr os meus resultados a MacMillan, achei que aquilo estivesse pelo menos próximo de um final. Claro, eu não sabia o que viria pela frente. Às vezes penso que tal desencadeamento não deveria parar aonde parou, mas não questiono o destino. O gancho entre MacMillan e eu estava prestes a surgir e tornar aquilo bem mais do que um simples pedido por parte dela. Havia convocado-a através de uma carta, para que me encontrasse em uma das tavernas próximas da região de Vaduz, durante o seu período de folga. Não assinei a carta, indicando que eu não esperava por resposta. Sabia que a taverna era entupida de frequentadores, e que haviam raros locais de repouso nos pisos superiores caso a conversa precisasse ser ainda mais discreta, mas não levei isso em consideração. Todos ali estariam embriagados, e eu sabia muito bem que, para passar despercebido, muitas vezes é necessário misturar-se com o ambiente.

Durante o nosso primeiro vago encontro, eu havia levado apenas um dos documentos que havia conseguido coletar. Agora estava com três em minhas mãos, empilhados em pequenas pastas que eu continuamente passava o que estava no topo para trás, abrindo o próximo para conferir seus dados. Já havia rompido o lacre enquanto saía do Ministério, já buscando ter alguma vantagem sobre o que havia dentro deles antes de MacMillan, não por curiosidade - eu jurava -, mas sim por estar um passo à frente e acima da medibruxa. O que me intrigava, porém, era que há uma semana eu sentia aquelas dores em meus olhos bastante características de meus piores momentos. Sentia minhas córneas apertadas toda vez que fitava um par de nomes em um daqueles documentos, tal como havia sentido uma leve vertigem ao olhar para o quadro do Andarilho, no escritório de Friedrich. A diferença é que agora eu sabia que se continuasse olhando para aquilo, eu receberia uma mensagem. Meus cinco sentidos estavam trabalhando a favor de meu sexto, mas eu estava tentando combatê-lo. Desta vez, inutilmente. Sabia que isso seria possível de remediar ou de escapar, cedo ou tarde me atingindo com força total, geralmente em sonhos terríveis, mas não estava nem um pouco afim de revelar minha clarividência na frente de outra pessoa.

Os nomes que eu via brilhavam em destaque, embaçando os demais ao seu redor. O mais estranho, além de tudo o que já me deixava completamente confuso com algo tão simples, era que eles não emitiam esse efeito quando os havia visto da primeira vez. Nem tudo a clarividência entregava a mim, nem mesmo quando eu não queria - porque ninguém nunca quer. Era quase como se eu precisasse saber de algo antes de eu saber o que meu sexto sentido queria me mostrar. Como um pré-conhecimento.

Ou, como eu temia em dizer... como se minha mente estivesse querendo me preparar para algo.
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemCanada [#101836] por Adrielle MacMillan » 15 Mai 2012, 21:04

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Depois que praticamente expulsara o rapaz de seu apartamento, Adrielle começou a se sentir arrependida daquele arroubo de falta de educação que demonstrara na saída do rapaz. Ele não falara por mal. Ele apenas quisera proteger sua futura cliente, por assim dizer. Ele não estava tentando governar a vida dela e muito menos quisera impor sua vontade. Apenas sugerira algumas ações, que naquele instante, soaram de forma desagradável aos ouvidos da medibruxa, que estava com seus nervos completamente abalados com as notícias recebidas e com o possível desenrolar daquela situação.

Na verdade ela nunca precisara de seus pais em sua vida física, embora a falta de amor de seus parentes deixassem nela a impressão de que a vida com seus pais seria muito mais prazeirosa do que tinha sido. Não conseguia imaginar como teria sido sua vida se de fato seus pais não tivessem sumido e eles a tivessem criado num ambiente de amor, carinho e compreensão. Após alguns minutos sentindo-se uma completa idiota por ter tratado o rapaz daquela maneira tão rude, abriu a porta e olhou do lado de fora. Ele não estava mais lá. Com certeza descera pelo elevador, a julgar pelo barulho dos mecanismos que ouvia agora do lado de fora da porta aberta para o corredor do seu andar.

Entrara e trancara a porta. Exausta como estava, depois de ter trabalhado em um plantão desgastante e ainda ter todo aquele desgaste emocional que tivera ao chegar em casa, que foram demais para a jovem medibruxa. Agora sozinha ela rompeu em um pranto doloroso, sem se envergonhar de estar soltando o que tinha represado durante toda uma vida. Ainda bem que o rapaz se fora. Não aguentaria se chorasse novamente em sua presença. Chorava convulsivamente. Nem mesmo o suco de maracujá que ainda restava na jarra seria suficiente para acalmar seus nervos abalados com as notícias recebidas e as possibilidades que se descortinavam à sua frente. Ainda chorando, tomou um banho demorado e enrolada no roupão, deitou-se em sua cama, adormecendo de extrema exaustão.

Dias depois, quando estava atuando em sua rotina no hospital, com consultas e atendimentos normais em turnos de 8 horas de trabalho, recebeu uma correspondência de sua amiga do MM, Micky, dizendo que o processo estava em andamento e que aguardasse por novidades em breve.
"Como Micky consegue saber dessas coisas? Será que ela viola documentos ou usa legilimência para saber o que os outros estão pensando? Ela nunca me disse que tinha domínio dessa magia. Mas também, qual bruxo que sai por aí apregoando que sabe este ou aquele feitiço raro? Ela é bem esperta. Espero que de fato sejam boas notícias."

Quando completou uma semana exata de que tinha tido aquela conversa com o funcionário do MM, recebeu uma carta sem identificação, porém seu coração lhe alertou para a identidade do remetente daquela missiva. Era uma carta curta, onde dizia ter novidades e marcava o local e horário para se encontrarem, num dia em que ela estaria de folga em seu trabalho. O local era a taverna que existia no bairro bruxo. O dia da semana era o dia mais movimentado em uma taverna.

Adrielle se preparou para aquele entrevero em um local onde não teriam nenhuma privacidade para conversarem sobre assuntos que eram particulares para ela, todavia, não se negaria a ir ao encontro do rapaz, pois estava bastante ansiosa por saber o que ele tinha descoberto naquela semana. Vestiu um conjunto de lã vinho, saia e blusa de mangas compridas, colocou um sapato de salto. Ajeitou os cabelos de forma a deixar soltos apenas uma parte, prendendo em um coque parte dos cabelos loiros. Não se maquiou. Afinal, não estava indo a um encontro romântico e sim a um encontro de negócios. Não queria estar vestida e arrumada de forma a chamar a atenção dos frequentadores do local onde ocorreria sua nova conversa com Ravn. Se fosse durante o dia, com toda certeza, ela ainda colocaria um par de enormes óculos de sol que escondessem grande parte de seu rosto.

Chegou ao local apinhado de gente na hora estipulada pelo rapaz. Não era mulher que deixasse outros esperando por ela. Olhou ao redor, procurando-o em meio à multidão de cabeças que via da entrada da taverna. Finalmente o avistou e seguiu diretamente para ele. Ele encontrava-se encostado ao balcão. Aproximou-se dele e falou:
- Boa Noite! Desculpe se o fiz esperar muito tempo.


Spoiler: Mostrar
Ravn agora é com você, não dei nenhuma pista, porque a bola está em seu poder. Disse que você estava encostado no balcão, mas se quiser que eu mude, é só falar.
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Adrielle MacMillan
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemFinlandia [#101967] por Ravn M. Stephensson » 18 Mai 2012, 10:41

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Minha família tinha uma taverna, lá longe, na Finlândia. Eu lembrava de ser mais novo e ficar por lá horas e horas enquanto via meu pai e minha mãe dançarem. Devia ter uns dez anos de idade, e óbvio que não bebia, apenas era deixado numa mesa com outros adultos enquanto eles me davam atenção e brincavam comigo. Com dez anos tudo emite uma magia que nos faz depois perguntar onde isso foi deixado, e acabamos por nunca encontrar. O bar era mesmo da minha família, fundado há não sei quantos anos, mas com certeza não foi pelo meu pai, nem pelo pai dele, e nem por quem veio antes. Chamava-se Sankarihauta, algo como "Túmulo do Guerreiro".

E dava para entender o motivo, já que todo mundo saía de lá bêbado o bastante para poder cair na neve impiedosa do norte e nem sentir frio. Claro que em toda a sua existência ninguém de fato morreu por beber conosco, mas era um nome bastante carinhoso e até engraçado, levando-se em conta que algumas pessoas sempre querem mais do que podem aguentar beber. Até mesmo nossos amigos varegues - os russos - bebiam conosco de vez em quando. Eu acabei voltando lá durante todas as minhas férias, já que nunca passava-as dentro de Hogwarts, e mentira de meus tios ou não, havia sempre uma celebridade que passava por lá de vez em quando para provar do Gota de Vulcão, a bebida mais forte do estabelecimento. Alto teor alcoólico com o mínimo de quantidade no copo, como haveria ser de se esperar.
Não serviam, porém, apenas bebidas para cuspir as tripas fora, pois esse não era o intuito, já que a tradição de beber vinha de família. Eram bebidas quentes, algumas delas até servidas gratuitamente - sem teor alcoólico -, tendo em vista o fato de que muitos bruxos e trouxas viajantes morriam de frio no inverno russo, infelizmente. A reincidência era rara hoje em dia, mas ainda assim, eu não duvidava que a taverna ainda existisse, no meio de um nevoeiro entre duas estradas, em um montículo de neve logo antes da vila em que o resto de nossos parentes moravam, com os archotes suspensos e as luzes alaranjadas sempre ao ponto de serem arrancadas com o sopro gelado do vento salpicado de neve pesada.

Uma vez lembrava de termos conhecido uma mulher que foi um dia pedir algo para beber, numa certa noite de anos passados, uma viajante cheia de riquezas. Dizia estar fugindo, mas estava com um largo sorriso no rosto de quem sabe como despistar os seus grandes perseguidores. Eu era muito novo para entender aquilo ainda, e não foi uma lenda, e nem mentira, pois vi com meus próprios olhos os longos colares que ela usava e o chapéu de czarina que Romanov estava trazendo consigo.

Por mais incrível que parecesse, eu gostava do clima de um bom bar. Repetindo, um bom bar, não um bar qualquer. A taverna em que estava agora eu não duvidava que fosse o ponto frequente de alguns arruaceiros, e embora o clima não fosse exatamente o que eu gostasse de vivenciar, evitando o contato social, não senti-me menos seguro do que nas ruas. Pelo menos ali eu sabia que um de nós teria segurança, e embora não fosse eu, seria responsável pela segurança de Adrielle naquele singelo encontro.

Não demorou até que ela me encontrasse. Não estava tão escondido assim e ela também não havia demorado. Confesso que enganei-me a respeito dela mesmo que esperasse o seu melhor. Até que ela era bastante natural, e bem menos madame do que eu havia imaginado quando ouvi tal pedido chegar aos meus ouvidos. Assumia-se, e eu gostava de pessoas assim. Pelo menos, ela deixava transparecer a mim as suas verdadeiras intenções, obstinada a chegar ao seu destino, estando bem vestida e tendo uma boa aparência sem precisar mudar, em sua imagem, qualquer coisa. Virei-me com o rosto para o balcão, ordenando que fossem entregues duas taças e uma garrafa de vinho para uma das mesas mais afastadas, o que já era o esperado, tendo em vista que me conheciam por ali, mas não o suficiente para sequer saber o meu nome completo. Era engraçado o modo como julgavam conhecida uma pessoa cuja imagem é facilmente memorizada. Meu rosto não era comum, mas eu ajudava a não ser conhecido. Gostava de passar despercebido por onde geralmente eu frequentava, uma atitude que muitas pessoas condenavam, mas eu não dava ouvidos. Em todos os casos, as pessoas que lutam para gritar seu nome ao mundo sabem que no fundo sempre terão a infelicidade de saber que nunca valerão nada. Eu faria meu nome ser ouvido se tivesse descoberto a cura da doença-que-corroi-os-orgãos, ou se eu tivesse impedido a Terceira Guerra de acontecer, não "curtindo" a vida ou vivendo de maneira imatura e promíscua, lançando-me ao estilo impensado dos jovens de hoje em dia.

Essas palavras não vinham de mim. Vinham de minha mente.

- Separei um lugar para você, longe dos demais frequentadores. Boa noite. Por favor, venha comigo. Primeiro, as desculpas. Eu sabia o quão inconveniente poderia ser uma mulher frequentar um bar, por isso já havia tomado as devidas providências para que Adrielle não tivesse de enfrentar uma situação ainda mais infame do que a que eu já a havia a metido. O lugar que havia separado continha somente duas cadeiras, uma delas voltada com as costas para a parede, de modo a ter uma visão privilegiada de todo o resto do estabelecimento. Esta seria a minha. Era uma mesa que ficava em um dos ângulos da taverna, assim me deixando julgar visualmente se o momento era o certo de ter aquela conversa, e também preparar-me para o caso de precisar estar alerta, possivelmente prevendo qualquer sujeito identificável ou suspeito que fosse aproximar-se de nós. Havia um andar superior, mas havia reparado que ficávamos em um ponto cego em relação ao segundo piso. Na minha opinião, era o melhor lugar. E sim, eu havia avaliado isso imediatamente após minha chegada.

Parei atrás da cadeira que seria a de MacMillan, puxando-a para que esta pudesse sentar-se antes de mim. - Tomei a liberdade de pedir algo para beber. Sinta-se à vontade, eu pago. O clima de formalidade estava mais brando, embora eu não quisesse com aquilo dizer que a notícia seria menos preocupante. Pelo menos, não para mim. Após ter afastado a cadeira e esperado Adrielle se sentir confortável, pude dar a volta na mesa e deixar os documentos sobre meu colo. Nunca os revelava fora de ordem, e embora quisesse que a medibruxa os visse, usei-os para acompanhar os meus rápidos pensamentos.

- Pois bem. Estes documentos provam a verdade sobre os seus pais. Agi a partir de minhas duas cogitações, as mais básicas; ou eles estavam mortos ou não. Não me meti a tentar descobrir, porém, onde eles viveriam, caso realmente estivessem vivos.- Uma das minhas primeiras preocupações foi investigar suas varinhas, mas não vi nada de interessante a princípio. O movimento delas parece ter parado depois de um certo tempo, um intervalo de seis anos, o que me leva a acreditar que se esconderam no mundo trouxa. Porém, nada havia sido confirmado ainda. Levei tal documento para verificação. Passei a ela o primeiro dos arquivos azuis, deixando uma das mãos passar pelo meu rosto e deixar o cabelo que caía em minha orelha ser direcionado para trás. Não estava tanto calor assim para que eu não pudesse deixar meus cabelos soltos, longos como eu bem gostava. Estava também com uma blusa negra de gola alta e calças comuns, com sapatos. - Este mostra o que eu acabei de dizer. Parti, obviamente, primeiro pela hipótese mais otimista. Ela notaria que isso foi quase uma gentileza, baseando minha investigação em suas expectativas? - Acredito que poderia até mesmo ter rastreado os seus pais. Se eles ainda estão vivos, não devem ter te deixado tão sozinha quanto você pensa. Sua família é pura, não teria ido para o mundo trouxa sem um ótimo motivo. Seu hospital, por exemplo. Mesmo que tivessem algum problema de saúde, jamais teriam sido tratados em hospitais convencionais. E até onde eu sei, eles fariam questão de serem tratados por você. Suspeito que o tempo todo eles estiveram perto de você, coisa que teria provado, se a senhorita tivesse ficado em casa. Não deixei de lembrá-la e provar que havia também investigado seus movimentos. Vi que ela não havia faltado ao trabalho, e que isso, mesmo sendo uma ordem minha e não sendo uma verdade absoluta, a sua simples falta poderia ter desencadeado algum movimento incomum que seria a chave de minhas investigações. - Isto eu acredito que pertença a você. Não pude deixar de dizer aquilo com certo prazer, devolvendo um documento de seu próprio hospital, que eu havia conseguido colocar as mãos depois de uma pequena atribulação.- Você não pode negar que encontrar você ou qualquer membro de sua família é um verdadeiro desafio. Muito incomum uma canadense ir parar em Durmstrang. Não quis parar e começar a dar a entender que o foco - ou um dos focos - da minha investigação fora ela própria. Prossegui, e entreguei a ela o restante dos papeis, deixando no entanto um deles em minhas mãos.

- O que tirei de conclusão foi que estas evidências todas não tinham ligação até serem centradas em você. A vida ativa das varinhas, o desaparecimento de seus pais, a sua localização, tudo. Porém, com a somatória dos dados, e o possível cálculo de onde eles estariam hoje, encontrei alguns nomes que poderiam ser os de sua família, mas categorizei-os e eliminei todos através de incompatibilidade sanguínea.Achando que ela poderia seguir meu raciocínio, franzi meu cenho de maneira séria e disse logo o final de todo aquele mistério. - Todos, menos um. Seu sangue bate com o resultado do produto de um dos casais. Seus pais estão vivos, Adrielle.
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemCanada [#101981] por Adrielle MacMillan » 18 Mai 2012, 19:51

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Que coisa estranha. Dois quase desconhecidos, encontrando-se em uma taverna lotada, para discutirem assuntos privados em meio a um lugar público. Quem visse de fora, pensaria que eram dois loucos, ou algo pior. Pareciam duas pessoas agindo na clandestinidade, escondendo-se em meio a multidão. Talvez essa fosse a lógica insana daqueles dois. A melhor forma de camuflagem era se esconder em meio aos outros e tentar passar desapercebidos. Adrielle se ocupara em seu trabalho durante aquela semana, para não dar margem a desconfianças de que ela estava buscando algo em seu passado obscuro. Já bastava dois saberem de sua busca e sua história. Não queria que no TvH alguém começasse a fazer perguntas sobre seu passado. Tinha vindo de umas férias pouco antes e não podia se afastar de seu trabalho agora, a não ser que caísse doente e outro médico, que não ela própria, confirmasse esse diagnóstico.

Agora estava ela ali, ao lado daquele oficial do MM num ambiente cheio de pessoas, em sua maioria já com alguma quantidade de alcool correndo por seu sangue. Ela de fato não se demorara a avistar o rapaz. Agora ele se desculpava por ter marcado o encontro naquele local, indicando que tinha preparado previamente um local para ficarem enquanto conversassem. Ela deixou-se conduzir por ele até a mesa reservada por ele. Ele puxou a cadeira educadamente para ela e só depois que ela se sentou, ele se dirigiu para a outra única cadeira existente naquela mesa, que ficava em um ângulo de onde ele poderia observar a movimentação do recinto.
- Obrigada! Ela falou simplesmente ao se sentar. Percebia que ele não era apenas educado, mas também muito cuidadoso. Isso era uma boa qualidade em alguém que trabalhava com investigações na maior parte das vezes secretas e também demonstrava que estava atento ao que acontecia ao redor, para tomar uma atitude rápida se assim fosse preciso.

Ele trazia consigo documentos em pastas e logo depois que se sentaram, um garçon apareceu trazendo as bebidas que ele escolhera. Uma taça de vinho foi servida.
"Vinho?! O que ele tem para me dizer que possa ser simbolizado com uma taça de vinho? Serão boas as notícias que ele me traz?" - Ao que parece tem novidades sobre o paradeiro de meus pais. - Ela falou sem tocar no fato de que acreditava no simbolismo de uma taça de vinho em um assunto de negócios, como o que os dois estavam tratando naquele momento.

Ele falou sobre sua investigação ter partido de dois pressupostos, um que seus pais ainda estariam vivos e outro de que eles haviam morrido. E apresentou um documento em que havia a comprovação de que seus pais ainda estavam vivos.
- Está tentando me dizer que eles viveram em meio aos trouxas escondidos e se camuflando sem uso de magia? Tem certeza de que bruxos puro-sangue se escondereriam em meio a trouxas sem jamais usarem suas magias? O que eles fizeram e o que temiam para se esconderem e se afastarem de mim, sua única filha? Ou eles tiveram outros filhos nesse tempo de afastamento do mundo mágico?

Apesar da torrente de perguntas, ele respondeu apenas o que achava que deveria naquele momento, deixando as outras indagações para responder depois. Aquilo deixava Adrielle um pouco exasperada. Contudo, ela não poderia se arriscar a deixar ele perceber que sua atitude de não responder as indagações no momento em que estas eram feitas a aborreciam. Após algumas palavras dele, mostrando o que tinha descoberto e que constava do conteúdo da primeira pasta, ele falou que ela não obedecera ao seu pedido de permanecer em casa enquanto ele investigava e que possivelmente seus pais estavam mais próximos dela do que ela imaginava.

- Eu tenho meu emprego e não gosto de faltar sem justificativa. Estive em férias há bem pouco tempo e não posso me dar ao luxo de faltar sem que seja necessário. Para tirar uma licença médica e ficar de molho, teria que pedir a outro médico que me fizesse um exame e me diagnosticasse de maneira a me impedir de trabalhar por um certo tempo. Como não quero que ninguém do trabalho saiba o que estou fazendo, porque ninguém lá sabe do meu passado, não vou dar margem a que alguém comece a pensar coisas erradas ao meu respeito. Nunca faltei ao trabalho antes, mesmo que tivesse um pouco resfriada, então não tenho motivos para faltar agora, sem necessidade, uma vez que quem está saindo em campo para investigar não sou eu. Estou errada em pensar assim? E quanto ao fato de meus pais terem sido tratados por mim, eu não conseguiria distinguí-los depois de tantos anos. Eu não tenho nenhuma foto deles de como eram quando eu era bebê. E agora então, não teria como saber. E eu trato muita gente no hospital.

Então ele colocou sobre a mesa outro documento, este com o nome de Adrielle do lado de fora. Seu comentário seguinte, fez com que ela fechasse um pouco seu semblante diante das palavras e do conteúdo da pasta. Ele tivera investigando a ela também. - Por que motivo eu me tornei alvo de sua investigação? - Ele então justificara sua atitude como parte de sua investigação para descoberta da verdade sobre o paradeiro dos pais dela. E segundo ele, quando mudara o foco para ela percebera que tinha seguido para um caminho mais correto agora. E no fim ele soltara a bomba. - Eles estão vivos mesmo? E por que só agora estão em atividade? - Em suas últimas palavras sua voz soara surpresa e trêmula. Ela estava novamente bem perto de uma crise de choro. E não queria novamente chorar diante de Ravn. A primeira vez fora mais do que suficiente para que ele a julgasse uma tola.
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Postado Por: Adrielle.


Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemFinlandia [#102200] por Ravn M. Stephensson » 22 Mai 2012, 11:58

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Muitas outras respostas com múltiplas perguntas. E eu me perguntava poucas coisas após isso. Adrielle era curiosa, e embora eu bem soubesse a resposta de muitas coisas das quais ela me indagava, acaba por acreditar que ela também conhecia a direção em que a verdade a levaria. Ela só poderia acabar ou em sua própria destruição ou no sacrifício de seu perseguidor a favor de um bem maior, mas quais as chances de uma verdade se desdobrar e revelar, por dentro, a valiosa pérola que esconde, e que tantos homens tentam ofuscar, por mais letal que ela seja? A verdade não pode ser escondida, roubada ou modificada, tampouco coberta por mentiras, por mais numerosas que sejam. Elas sempre caem, elas sempre caem ao redor de nós. Eu não seria hipócrita ao dizer que tinha medo de perseguir a verdade ou que eu não era curioso, porém bem menos do que MacMillan, sim, eu era. Perguntei-me porque ela fazia aquilo, e resolvi não fazer isso em voz alta, já que, oras, eram seus parentes, eram seus pais. Mas, mesmo assim, quem realmente tinha cuidado daquela medibruxa? Quem, a princípio, a havia ensinado a viver, senão ela mesma? Quem além dos seus pais havia cuidado dela, e porque ela não se importava com os demais parentes, ainda que, sim, eles estivessem mortos?

Eu achava que nenhuma dessas perguntas era a correta. Não, eu tinha certeza disso. Eu sabia que nenhuma delas iria mexer com ela, a não ser se eu perguntasse uma simples outra coisa que talvez a fizesse desistir de tudo. Porque ela fazia isso? Porque importava? Acreditava que ela já tivesse me respondido isso de uma forma bem abrupta quando pensei que ela me obedeceria, não realmente acreditando nessa hipótese, após ter sido quase expulso de seu lar durante o primeiro encontro. Ainda assim, até quando ela iria perseguir uma verdade que ela só queria escutar de mim para confirmar suas suspeitas? Por dentro, tive raiva de MacMillan, obrigando-me a lhe dar as notícias que ela sabia que iria encontrar, obrigando-me a consolá-la pelo que estava por vir, e pelo que eu nem sabia ainda.

Eu estava absurdamente errado. O desaparecimento de seus pais logo, muito em breve, seria problema dela tanto quanto seria meu. Não admito que fui tolo em algumas horas durante a minha existência perto de Adrielle, simplesmente porque nada do que fiz foi tolice, porém posso ter sido ingênuo. Naquele momento, eu acreditava que meu trabalho estava concluído, mas não via satisfação estampada no rosto de Adrielle, ainda que, sim, existisse um certo alívio. Eu não a culpava. Eu fui bem ligado aos meus pais, por isso talvez não entendendo bem o que seria a perda deles, e em minha família, eu praticamente fui criado por todos da matilha - um apelido carinhoso para nossos parentes -, herdando a personalidade de cada um de meus parentes. Não fiquei surpreso, porém, ao saber viver perfeitamente bem sozinho. A cidade, a família, e muitas vezes até mesmo a escola apodrece os nossos instintos de sobrevivência e de simples vivência, mas eu não caí nessa armadilha, tampouco a medibruxa. A nossa diferença é que eu não lamentava o que eu não tinha, e sim o que havia perdido, ao contrário dela, que não estava calculando muito bem o que poderia perder, para ter o que nunca teve.

- Óbvio que são apenas especulações. Segui os traços mais claros partindo de minhas próprias conclusões, achando que seria infinitamente mais simples rastreá-los se tivesse em mente uma teoria, assim facilitando o meu próprio pensamento linear.Tive de prever o passado, um termo ambíguo mas que aprendi enquanto estava estudando métodos investigativos. Para solucionar um mistério infelizmente já deve-se estar à frente dele, ou seja, no futuro. Assim sendo, a vítima ou o criminoso deve ter seguido um roteiro para seus atos, que temos de interpretar e descobrir para onde eles pensariam ser a saída mais óbvia e então, prever, no tempo deles, qual seria a próxima ação. Ou seja, é aquele método clássico de se perguntar "se eu fosse um bandido, onde me esconderia?", nada mais, nada menos. - O nome de seus pais é diferente, assim como o endereço, mas terá de confiar em si mesma para encontrá-los e se identificar. Nisso eu não vou poder ajudá-la. Pode ser difícil para você se apresentar a pessoas disfarçadas, como eles agora são, e ainda mais sinuoso colocar todo o passado em dia. Por educação, eu não vi o endereço deles, mas sei que estão na Europa, segundo meus cálculos.Segundo meus cálculos, eu estava correto. Não escondi um mínimo sorriso de triunfo. - Claro, não peguei nenhuma foto, ou ficaria muito suspeito. Achariam, com razão, que eu estava indo atrás de alguém.

Eu estava indo atrás de alguém? Bem, ainda bem que ela não captou aquela falha no meu discurso. Que eu estava procurando alguém para ela, sim, isso era bem conhecido, mas não que estava atrás de alguém mais. No entanto, acho que ela não reparou, por se tratar quase da mesma coisa.

- Oh, a propósito, o vinho é para você. Leve ou aproveite, eu não ligo. Não pedi apenas uma taça porque não é educado uma mulher beber sozinha. Além do mais, acredito que não irá mais precisar de mim. Saio em alguns minutos. Um presente de despedida, talvez. Aproveitei aquela gentileza de minha parte, sem pretender nada além, para guardar o terceiro documento. Optei por deixar a verdade fluir por outro córrego. Ali estava o mais importante dos documentos que eu poderia mostrar a ela, mas agora aquilo era assunto meu, e achei que ela não iria mais precisar de meus serviços. Estava errado, bem errado. Aquilo, de alguma forma, não acabaria ali.
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemCanada [#102316] por Adrielle MacMillan » 24 Mai 2012, 00:24

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Ela ficou um pouco perplexa com a atitude de Ravn. Como assim ele despejava a bomba sobre seus pais, deixava uma garrafa de vinho e saía batido sem maiores explicações. E ele nem se dignara a lhe responder metade das questões que ela dirigira a ele. Demorou talvez alguns segundos para se recobrar e tomar uma posição, onde demonstrasse toda a indignação que a forma como ele terminava aquele compromisso de negócios. - Espera um pouco... Você vai sair assim sem me explicar direito sobre a investigação. Vai jogar a batata quente na minha mão e sair de fininho? Ah, mas não vai mesmo. Faça o favor de sentar novamente e me explicar direitinho toda essa história. O que você está me escondendo? Teve tempo até de investigar sobre minha vida então também descobriu mais coisas sobre meus pais. Vamos, desembuche. Eu não fui chamada aqui para ler esse mísero papel e tomar uma taça de vinho na companhia de um belo homem.

Enquanto falava, ela puxou a manga da roupa dele, como forma de mostrar que ele deveria voltar e se sentar, porque ela não aceitaria apenas aquelas poucas palavras como encerramento de sua busca. Queria saber a verdade, precisava que ele falasse tudo o que sabia e não ficaria parada, como se tivesse petrificada, esperando que ele saísse de sua vida, como se nada tivesse ocorrido. Ele sabia mais do que estava relatando e ela iria até o inferno se fosse preciso para saber o que ele não dissera. Por que razão estava ocultando a sua descoberta para ela. Ela não era mais criança e saberia lidar com o que tivesse pea frente, fosse por seus pais serem bruxos das trevas ou por serem caçadores destes e terem sido ameaçados de destruição por estes. Não importava qual a verdade se descortinaria a sua frente. O que ela não permitiria era o fato de Ravn ter descoberto e estar ocultando dela os fatos.

Olhou fixamente para ele, aguardando que ele decidisse se iria dar mesmo por encerrada a conversa, sem maiores informações ou se sentaria novamente e contaria tudo o que tinha observado em suas buscas. Seus olhos se pudessem o fuzilariam ali mesmo, por ter pensado em ir embora sem terminar o que ela havia lhe solicitado. Se em algum momento ela se sentira fraquejar e temera chorar novamente diante dele, agora a situação mudara completamente. Ela estava furiosa com a situação. Queria mesmo era sair dali e ir ela mesma atrás de seus pais, porém, ela não sabia o endereço deles e essa informação, com toda certeza, ele já teria em suas mãos.
- Então o que pretende fazer? Vai sentar e me contar o restante da história, estou aqui para ouvir...

Sua voz soara bastante fria, talvez até com um toque de arrogância, coisa que não era natural nela, contudo, naquele momento, ela não pensaria em ser diplomática ou educada. Estava na expectativa de qual seria a reação dele ao seu ataque. Não se importava se tinha alterado a voz e quem sabe chamado a atenção dos demais ocupantes para a discussão deles. Nada era mais importante do que saber o que ele escondia.


Desculpe o post pequeno e tão grosseiro, mas não resisti a um ataque pela atitude dele.
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemFinlandia [#102990] por Ravn M. Stephensson » 04 Jun 2012, 11:50

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Aquilo foi longe demais. Eu já estava começando não mais a me sentir um investigador e sim um escravo pessoal. Certo que nossos santos não haviam se batido desde o começo, mas eu pensei que Adrielle fosse se acalmar uma vez que as notícias sobre seus pais fossem reveladas. Não sabia o que ela queria com eles, mas estava bastante convicto que ela não estaria feliz nem mesmo quando os encontrasse. Pobre garota. Ainda que pouco mais velha do que eu, eu não sabia se ela entendia o mesmo que passava pela minha cabeça e caía logo em si que a família não era importante. Nunca seria homem de deixar uma mulher desprotegida, mas protegê-la de uma verdade era pior ainda, por isso eu continuei seguindo. Ainda que eu também estivesse bastante calejado por tudo que a verdade havia me mostrado nos anos passados, pela minha própria família e pelo assassinato que, por uma questão de minutos, eu não havia visto com meus próprios olhos, ainda havia muito para aprender, não apenas com ela, mas comigo mesmo.

Ao apertar o meu braço, talvez ela não soubesse o quanto aquilo me remetia ao meu passado. Eu não era uma pessoa que tinha muitos hábitos sociais e nem gostava de contato humano, mas se tinha algo que Brunna gostava era justamente disso. Ela era alegre, vivaz. Gostava de me apertar e me machucava com algumas brincadeiras, me apertando ou dando tapas. Pensei em retirar meu braço do aperto da mão de Adrielle, mas não o fiz. Eu teria retirado em qualquer outra circunstância. Teria ido embora porque meu trabalho ali já estava terminado mas há semanas eu resistia àquele impulso de lutar contra minha mente, mas MacMillan o havia despertado. Se eu tivesse escolhido fazer qualquer outra coisa no momento, seria sair dali o mais rápido possível, mas conhecia minha mente. Conhecia o meu dom e a minha maldição, e naquele momento, também reconheci para onde ela estava tentando me levar.

Uma coisa curiosa sobre os clarividentes é que, embora os demais bruxos pensem que tal dom é apenas ligado à natureza visível das coisas, ou ligado apenas à visão, o dom envolve todos os seis sentidos. Dependendo da pessoa, obviamente. Existiam graus de clarividência, mas o meu era altíssimo. Podia sonhar com o futuro, ter relances durante minhas distrações ocasionais, ouvir uma voz, sentir uma presença mais forte através de um toque, ou tentar resistir contra todos estes estímulos e, no final de tudo, acabar por ser atingido por todos juntos. Foi o que havia acontecido comigo, e o gatilho fora o toque nervoso de Adrielle, em meu braço. Imerso, como em uma memória, eu não pude mais resistir. Enquanto ainda todos me viam normalmente, eu já não via mais o mundo dos humanos, da magia, ou sequer dos mortais. Estava além da transparência falha do mundo, havia abaixado a cortina da realidade e estava vendo meu futuro. Um dos meus futuros. O que muitos também não dizem é que todas as profecias e predições são evitáveis, mutáveis. A clarividência lhe diz o que seria do seu futuro naquele exato momento, não predizendo rupturas ou ações posteriores, razão pela qual existem tantas visões. Se a clarividência previsse um futuro único, imutável, de nada adiantaria ter tantas visões, pois então apenas uma bastaria.

- "Apressado. Aonde vai, hum?", disse Brunna, no lugar de Adrielle. Estávamos no Sankarihauta. Ela vestia um xale vermelho ao estilo camponesa, com uma bata medieval branca por baixo - uma daquelas que camponeses usam, com pequenos laços abaixo do pescoço, para ajustar a gola -, juntamente com um cachecol da mesma cor vermelha que a sua primeira peça. Uma música tocava ao fundo, mas não parecia vir do bar, já que observava pessoas cantando mudas ao fundo, dançando em grande alegria, pois tudo o que eu conseguia escutar era uma batida orgânica no fundo de minha mente, e a voz de minha prima. Se eu tentasse olhar para longe, não veria muita coisa também; estava tudo meio embaçado, ainda que nítido por onde eu havia passado. Não conseguia ver a saída do bar, e toda vez que alguém abria a porta da taverna - agora, para mim, o Sankarihauta - tudo que eu podia ver lá fora era um branco infinito. Os rostos não tinham fisionomia e para onde quer que olhasse, além de não ver o rosto das pessoas, eu via várias figuras encapuzadas. O sorriso de Brunna era irritantemente tranquilo, apesar disso tudo. Estava óbvio que além de uma visão futura, também era, aquilo, uma intervenção do presente.

- "Ravnos, estou mandando, sente! Não é educado ficar aí parado como um poste.", continuava ela, no nosso dialeto finlandês. Ainda que fosse óbvio de se compreender, eu não havia entendido que ela estava pedindo o mesmo que Adrielle, e que minhas reações correspondiam, naquele devaneio, exatamente às do meu presente realista. Em outras palavras, eu estava fazendo tudo aquilo como um sonâmbulo, que não percebe que as suas ações durante o sono se refletem no mundo dos despertos. - "Aí está você, todo de cara amarrada. Um doce, um doce. Mal sabe para onde está indo, não é?". Aquilo me deixou intrigado. Dei a volta por onde havia saído para me levantar da cadeira quando quis deixar a medibruxa para trás e sentei-me outra vez. - "Pois vá, existe muita coisa te esperando. É o que você sempre quis, não é? Eu sei. Mas cuidado. Tem gente que não é confiável.".
Eu não sabia de quem ela estava falando no momento. E se aquele era meu futuro, que tipo de futuro eu teria com uma conversa tão estranha quanto aquela? Não me preocupei, no entanto. Era como pegar um filme pela metade. Mais tarde eu nem liguei para o conteúdo daquela conversa, e sim para a sua mensagem. Parecia ser, sim, o meu futuro. Mas parecia também uma... realidade paralela. Como se Brunna estivesse me encorajando a seguir em frente, como se eu tivesse pedido ajuda a ela, como eu sempre pedia. Não costumava dizer, por ser ofensivo, mas era como uma grande irmã para mim, além de meu amor, antes do grande acidente. Eu ainda queria encontrá-la, mas me sentia longe, e não me aliviei depois daquela visão. Ela ergueu as sobrancelhas expressivas mas tão claras e tão ruivas que eram quase invisíveis em seu rosto claro e enérgico. -"Força, meu amor, força.". Queria me alertar sobre algo com aquela última suave amostra de sua voz, mas depois, tudo se apagou.

Deixe uma grande pedra, quadrada e pesada, cair sobre um monte plano de areia, e saberá o que eu vi naquela hora. Foi lindo. Não foi como a visão apareceu. A visão havia aparecido para mim como se sempre estivesse lá, como se alguém trocasse a realidade pela ilusão do futuro enquanto eu estava piscando, mas quando ela se dissipou, foi como se a imagem de Adrielle batesse de encontro contra a de Brunna, e a taverna contra o Sankarihauta, mandando toda a sua imagem pelos ares, como areia, como névoa, aos poucos se desfazendo para jamais deixar qualquer evidência de sua existência.

Aquilo foi estranho. Não havia dúvidas do que eu deveria fazer, mas eu queria isso? Desejei estar ali, com uma estranha, cumprindo um papel que não era o meu? Ela nem devia ter notado meu pequeno intervalo em silêncio, porque enquanto ouvia Brunna, não tinha ouvido nada do que Adrielle havia dito, mas sabia que não devia ser nada muito agradável. Eu pensava, e com razão, que eu não poderia esperar dela a mesma frieza que eu mesmo trazia, portanto soube o que dizer assim que vi suas sobrancelhas franzidas, e seu rosto claro atraente e belo mesmo apesar de sua ira.

- Existe muita coisa que não me foi respondida, Adrielle. Coisas sobre seus pais que não são apenas questões sem respostas, e sim falhas, como se alguém tivesse interferido. Por essa razão, mesmo que tudo seja como você espera, pode ainda ser bem desagradável. Seus pais poderiam estar loucos, ou de fato vivos e arrependidos de ter a filha que tiveram. Tudo podia ser possível e mais do que possível, provável.- Se você desejar, pode ir comigo. Na minha próxima folga tentarei me aproximar da localização de seus pais. Documentos não vão provar mais nada.

Agora ela teria de ver com seus próprios olhos. Irresponsável da minha parte, sim, mas talvez o único jeito de fazê-la chegar ao final de sua especulação. - Não devia tê-la trazido aqui. O comentário foi duplo. Para mim, foi um lamento por ter tido aquela visão, e talvez até mesmo ter deixado que ela tenha percebido. Para ela, e também para mim, já que foi o tom que usei para dar à mensagem, foi outro lamento, mas por notar o bar começando a ficar um pouco acima de sua capacidade, e ter desejado levar MacMillan a um lugar menos desagradável e mais digno de falarmos a sós.
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemCanada [#103176] por Adrielle MacMillan » 07 Jun 2012, 13:00

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Seu toque no braço de Ravn pareceu levar uma eternidade e não apenas questão de segundos, que de fato existiu. O rapaz pareceu momentaneamente em transe ou mesmo hipnotizado por alguma coisa que não estava ali. Enquanto ela esbravejava com ele e o impedia de sair da taverna sem maiores explicações. Ela não quisera tomar aquela atitude. Ela sempre evitava ao máximo qualquer contato físico com qualquer pessoa, e só chegava a esse ponto quando já tinha alguma intimidade com a pessoa. Seu gesto fôra totalmente divergente de seu comportamento natural. Ela retirara a mão logo em seguida, se lamentando de ter feito aquilo. Não sabia dizer ao certo o que a movera a fazer tal gesto. Talvez poderia ter sido causado pelo medo de que o rapaz se retirasse do recinto sem lhe dar as explicações que ela tanto ansiava.

Após soltar o braço dele, ele contornou a cadeira de onde havia saído momentos antes e tornou a se sentar diante dela, agora com um semblante mais sério e mais frio do que o anterior. Parecia que o contato da mão dela em seu braço o desagradara profundamente. Ela não queria fazer aquilo, mas também não podia aceitar que ele fosse embora assim, deixando apenas meias palavras e pouca explicação e um monte de perguntas girando em sua cabeça, que já estava ficando tonta com tudo o que tinha escutado, unido ao copo de vinho que tomara pouco antes na companhia de Ravn.

Ele então começara a explicar, que não descobrira grandes coisas e que parecia que alguém estava interferindo com suas investigações. Talvez alguém estivesse manipulando a ele ou aos dados que ele por ventura conseguia encontrar. Tudo o que sabia ele apresentara a ela e não lhe escondera nenhuma informação. Agora ele estava dizendo que se ele teria que continuar procurando, ela poderia se unir a ele naquela procura.
- Você está me perguntando se eu quero participar de suas buscas? Acho que já deixei bem claro que gostaria de saber toda a verdade e que vou aonde tiver que ir para encontrar essa verdade, doa a quem doer, mesmo que seja em mim essa dor. - Ela respondeu um tanto quanto exasperada pela atitude dele. Parecia que ele não entendera nada do que ela pedira desde o início. Ou estaria ele testando-a para ver se ela teria a tenacidade necessária para ir ao fundo daquela investigação ou se era só fogo de palha, palavras ao vento, algo que não tem forças para seguir em frente, apenas falação sem fundamento.

A medibruxa olhou atentamente seu interlocutor e ficou aguardando o que ele diria em seguida. Ele então tece um comentário que a deixou em dúvida se estava falando do local onde estavam ou da situação em que se encontravam, ou se por trás desse comentário havia mais algum motivo, que ela desconhecia no momento. Mas essa frase fez com que ela se recordasse de uma vez, pouco antes da morte da sua tia-avó, que a levara para um passeio num parque e antes de irem embora ela tecera o mesmo comentário.


Início de Flashback


Era uma das poucas tardes ensolaradas e sua tia-avó Margheritte a levara para um passeio no parque. Elas quase não saiam de casa para passear. A tia-avó era uma pessoa solitária e muito fechada e parecia não gostar de sair de casa, mesmo que a menininha precisasse disso. Além da escola, a pequena Adrielle só tinha o quintal de sua casa para se distrair nos dias em que não estava chovendo ou nevando. Aquele seria um passeio bastante raro, de fato, ela só saíra com sua tia-avó para comprarem roupas ou materiais escolares, ou todos os meses irem ao supermercado, comprarem alimentos. Agora, sair para passear... Isso era de fato uma raridade.

Quando chegaram ao parque a tia-avó deixou que ela corresse pelo gramado, como um bichinho enjaulado ao receber sua liberdade. Ela procurou brincar em todos os brinquedos do playground, na tentativa de usufruir ao máximo essa situação inusitada. Não percebera que a tia-avó, apesar de manter os olhos fixos nela, estava agora conversando com um casal, que estava todo encapotado, com touca e capuz, além de grandes óculos escuros, que cobriam grande parte da face dos dois.

Depois de algumas horas, brincando e se divertindo ao máximo, a menina se aproximou da senhora, que estava ainda conversando com o casal. - Tia Marg, estou com fome, tem como comprar alguma coisa pra mim. Pode ser qualquer coisa. É porque minha barriguinha tá roncando e doendo. - Disse a pequena Adrielle, depois de gastar toda sua energia nos brinquedos. E antes que a tia-avó respondesse qualquer coisa, o homem que estava conversando com sua tia-avó se prontificou a comprar algo para a menina. - O que você prefere: Pipopa ou cachorro-quente? - Perguntou ele. - Quero cachorro-quente. Eu nunca comi cachorro-quente antes. - O homem virou-se para a mulher ao lado dele e falou: - Compre o cachorro-quente para a menina e não esqueça do refrigerante. E entregou para a mulher sua carteira recheada de dinheiro trouxa, sinalizando para a mulher levar consigo a criança.

Depois que Adrielle saciou sua fome, agradecendo ao casal pela cortesia de lhe oferecer o lanche, voltou para os brinquedos, mas sua tia-avó logo lhe chamou de volta, dizendo que tinham que ir para casa, porque logo anoiteceria e terminou exatamente com a seguinte frase:- Não devia tê-la trazido aqui. - A menina não entendeu, mas também não perguntou, pois sabia de antemão que sua tia-avó não lhe responderia.


Fim do flashback


E essa única frase dita por Ravn, desencadeara aquelas lembranças da única vez em que saíra de casa com sua tia-avó já falecida e encontrara aquele estranho casal. Precisava falar sobre isso com Ravn. Aquele casal esquisito poderia ser seus pais que haviam marcado um encontro ao ar livre para vê-la. - Essa frase que você acabou de dizer, me despertou a recordação de uma única vez em que saí para passear com minha finada tia-avó Margheritte e encontramos um casal que me ofereceu cachorro-quente para lanchar quando tive fome e logo em seguida, minha tia disse que deveríamos voltar para casa porque iria escurecer em breve. Você acha que esse casal poderia ser meus pais? - Ela estava entre abismada pela recordação e interessada em saber o que ele lhe diria.


Spoiler: Mostrar
Enquanto Ravn tem visões premonitórias, Adrielle tem recordações, que só são ativadas por frases que a fazem lembrar coisas de sua tenra infância que se encontram escondidas em seu subconsciente.
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Re: Taverne ein'augen manticore [Taverna]

MensagemFinlandia [#103338] por Ravn M. Stephensson » 09 Jun 2012, 20:00

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Ainda que eu, por anos, já tivesse me acostumado com a visão com a qual eu nascera, não acreditava que um dia eu sequer pudesse descobrir a sua total extensão de poder. Era algo incompreendido, mas que eu tentava estudar e entender, não sendo apenas mais um que tirava da clarividência um proveito próprio ou egoísta. Por si só, eu já me sentia um tanto mal por tê-la. Nenhum clarividente é realmente feliz com o que vê, pois jamais mostra algo feliz. O que quero dizer é que nunca é satisfatório o que a visão nos entrega, e como eu já havia pensado antes, também nunca é certo. O nosso destino é feito a partir de cada uma de nossas ações, nunca é algo permanente, embora nunca nos deixe. Tudo é feito através de escolhas. Como eu havia, por exemplo, tido a visão de Brunna bem à minha frente, teria que descobrir quais eram as escolhas na minha vida que me deixariam mais próximo dela. A única parte boa era que, como eu havia a visto, eu já sabia que estava no caminho certo. Precisava ter extremo cuidado para não sair dele, agora.

É essa a parte que nunca nos deixa satisfeitos. Eu poderia me desvirtuar do caminho correto e nunca mais ver Brunna, ou até mesmo tentado esquecê-la, mas a visão não respeitaria isso, e eu tinha medo de enlouquecer se cedesse aos meus instintos, utilizando-a a meu favor. Mesmo o que eu via e não podia mudar, mesmo o que não dizia respeito a mim, e mesmo aquilo o que eu via com pessoas que não conhecia, não me deixava de entristecer. Nem sempre as visões eram só minhas. Elas partiam de mim, mas meu cérebro processava as informações sempre depois de meu sono, com pesadelos ou visões na parte da manhã. Eu podia sonhar com alguém que julgava nunca ter visto, mas que fora apenas um transeunte na rua, ou alguém com quem falava muito pouco. No final das contas, eu também me julgava egoísta, mas não por sofrer com essa clarividência, e sim por não sentir que fazia algo para impedir o que via. Embora eu soubesse que era o epicentro desse fenômeno, eu não achava que eu atuava através dele, e sim exatamente o contrário. Eu era um canal para a paranormalidade.
Talvez eu pudesse começar a usá-lo.

Uma visão que tive e uma coisa curiosa que aconteceu foi quando eu era menor, bem menor. Era pirralho, o que queria dizer que nem tinha ainda sentimentos por minha prima, mas vivíamos juntos. Nunca gostava de dormir em beliches, e naqueles tempos não havíamos expandido a nossa casa subterrânea na Finlândia. Fazia frio e era o único jeito de continuar morando no local, já que o amávamos. Nossa família quase inteira morava lá, mas Brunna não. Cada membro da família que nascia e passava a morar na casa, desde que fosse um bruxo sangue-puro e estudasse em Hogwarts ou Durmstrang, tinha o direito de expandir um quarto para si. A mansão, no final de minha geração, ficou imensa, como já deve ser percebido. Enfim, eu dormia na parte de baixo da beliche e Brunna estava logo acima. Lembro dela ter saltado de lá de cima em um pulo só para me ver enquanto eu tinha uma das visões mais perturbadoras que já tive em toda a minha vida. Eu não conseguia me ver, mas isso era quase de praxe; mesmo que olhasse para minhas mãos, enquanto andava e interagia durante uma visão, eu não me via. Isso se devia ao fato de haverem vários tipos de clarividentes. Eu via tudo a partir do meu corpo, enquanto outros poderiam assistir a cena de cima, ou do ponto de vista de outra pessoa. Estava frio, muito frio, mas na minha frente estava um vulcão, uma enorme massa escura, cor de prata gasta, que cuspia fluxos ao longe de fogo. Quando eu chegava mais perto, mesmo há quilômetros de distância, eu conseguia ver uma espécie de porta, uma entrada, uma passagem bem ao longe.
Daí, eu acordava.

Bem, eu tive essa visão de novo. Eu só podia explicar isso de duas formas. A clarividência era o fenômeno de poder ter visões claras sobre eventos paranormais, e não apenas o futuro. Através de visões e sonhos, eu podia ver elementos que seriam necessários para que eu progredisse. Não sabia o que aquilo significava, e não sabia se era também apenas um sonho recorrente. E, mais importante de tudo, eu nunca tive coragem de perguntar a alguém se a clarividência mostra apenas o futuro.
Se sim, então eu sabia porque estava vendo aquilo. Porque a profecia não havia se realizado ainda. Eu era pequeno quando tive essa visão, mas ela ainda não havia se realizado, certo? Era isso que me dava a impressão de estar vendo uma visão do passado, quando na verdade, ela nunca havia sido desdobrada.

Outra vez eu tive uma visão ainda mais perturbadora, mas é mais uma daquelas que não sabemos explicar, porque não era assim tão distinta da primeira. Eu via uma mulher, uma mulher coberta de ouro, e não apenas coberta, mas sim feita de ouro, como uma grande estátua grega, mas ao invés de mármore, ela era de metal. Ela tinha um nome específico. Um não, vários. Era outra figura da mitologia de minha terra. Na Finlândia, o folclore dizia que o deus-ferreiro havia tentado aprimorar o ser humano, construindo uma mulher de ouro, mas percebendo que até ela podia ser dura e fria, ainda que bela. Daí nasceu a raiz do orgulho. Pode parecer estranho, mas os deuses não criaram os humanos em nosso folclore. Fomos criados junto da natureza, e há muito tempo, há muito tempo mesmo, os deuses andavam entre nós, e cada um dos seres humanos viventes tinham um pedaço de seu dom, um pouco de magia. Eu não era religioso, mas era bem ligado à folclores e cultura, até porque seria um desperdício se eu não fosse, vindo de onde eu havia nascido. Eu não podia deixar de crer, também, como o folclore se aproximava de nossa realidade, onde agora o mundo se dividia entre os que tinham magia e os que não tinham.
E eu temia o fato de ser muito fácil surpreender os trouxas. Em seu mundo, qualquer um que possuísse a magia era nomeado como milagreiro. Era fácil ser um deus para eles.

Em seguida, ouvi o relato de Adrielle, quase segundos depois dela ter aceito viajar comigo. Seria mais difícil para ela do que para mim. Eu não iria parar o meu trabalho por conta da investigação, mas iria designar meu campo de estudo para qualquer país que tivesse alguma coisa a ver com sua história. Inomináveis raramente trabalhavam todos juntos, porque o Ministério não queria que uma só pessoa descobrisse todos os segredos que existiam lá dentro. Eu mesmo havia sido ensinado a não falar sobre meus estudos, a não ser que me designassem um parceiro, e ainda assim nem todo mundo explicava o que deveria ser feito. Quando mandavam, tínhamos de fazer, quase sempre sem perguntar. Apenas o nosso chefe sabia de nossas pesquisas paralelas e ainda assim, eu suspeitava que uma pessoa assim não fosse ficar no cargo durante muito tempo. Eles sempre trocavam, e logo quando fui escolhido para o cargo - o que nunca foi minha intenção, já que fui pego de surpresa quando fiz o teste para obliviador - havia me deparado com um chefe pouco mais velho do que eu, sendo responsável pelo cargo no mesmo dia em que eu havia começado.
Amanhã mesmo iria mudar meu campo de atuação para o Canadá. Sentia que precisava visitá-lo. Contanto que eu emitisse relatórios quase diários, o Ministério não se preocuparia com meu sumiço. Havia muita coisa perdida na América do Norte, seria fácil fingir que estava atrás de algo. Por Deus, mas ainda assim, isso era arriscado.

- Quando chegar em casa, pegue um frasco selado e guarde suas memórias dentro. Acredito que saiba como fazer isso. Mais tarde posso investigá-las para você mais a fundo ou até ver algo que você não tenha visto. É uma grande ajuda se você começar a lembrar de coisas do seu passado. Era algo inocente, e eu pude imaginar uma Adrielle bem pequena, enquanto ela falava. Uma memória doce, que me fez dar um sorriso de canto pela inocência da visão, algo irrelevante não fosse pela visão daquele casal misterioso, mas ainda assim, algo de natureza cativante. - Se não for incômodo, eu a deixarei em casa. Acompanharei você até a porta. De noite as ruas não são mais tão seguras. Não era um pedido, e sim apenas um aviso do que aconteceria. Ela não precisava de guarda-costas, mas não precisaria correr riscos se eu estava ali à sua disposição. - E sugiro que arrume suas malas. Algo me diz que partiremos muito em breve.
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Ravn M. Stephensson
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