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Estação King's Cross

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Re: Estação King's Cross

MensagemFranca [#166514] por Victória Orleans » 24 Ago 2016, 23:36

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Peu à peu, miette à miette
Goutte à goutte et cœur à cœur




Após a morte de seus pais, Victória Orléans conseguiu suprimir a dor que a atingia, lógico que essa dor nunca sumiria, mas a guardou dentro de si para sempre lembrar do que havia acontecido. Inquéritos policiais havia sido feito no local, autoridades vieram a público demonstrar condolências e pesares, para aquela que havia sido, por muito tempo, um dos mais trágicos acontecimentos envolvendo uma família real. Logicamente, nada havia sido encontrado no local, nenhum explosivo, nenhum vazamento; nada que pudesse ligar aquela explosão àlguma causa, pelo menos alguma causa trouxa.

Para questão de mídia, havia sido divulgado que houvera sim um vazamento de gás, vindo do aquecedor da casa, mas a família Bragança sabia que nada daquilo era verdade; Victória sabia que aquilo era uma grande mentira para acalmar os ânimos do mundo trouxa. No mundo bruxo circulava a notícia de que houvera um atentado, ninguém sabia dizer de quem ou o porque, só que havia sido alguém que, por algum motivo, nutria uma raiva muito grande daquela família. Por isso, Victória agora vivia uma vida dupla, uma para a sociedade, outra para família.

Jornais e revistas vinculavam o desenvolvimento da pobre garota órfã, que de pobre não tinha nada, aquela sua maturidade incomum para sua idade se desenvolveram num grau surpreendentemente ainda maior depois dos fatos, agora ela era uma adulta habitando o corpo de uma criança, e ela havia aceitado isso, vivendo um teatro de sua própria vida. Para ela existiam na verdade 3 Victórias, uma para mídia e sociedade, uma para sua família e conhecidos e outra só para ela.

Sua rotina havia mudado ao longo dos anos que antecederam sua ida para a escola bruxa, enquanto revistas de fofocas vinculavam notícias do tipo : “Princesa Victória começa a fazer balé” com uma foto sua de colã, sua família escondia as aulas de esgrima e a princesa escondia de sua família o pedido que ela havia feito ao professor de ensinar como matar uma pessoa. O mesmo havia sido com outras aulas, a terapia com animais escondia a equitação e por sua vez fantasiava a técnicas de combate sobre animais e assim sucessivamente. Com isso 5 anos após victória sabia ao menos o básico de como se defender e causar dor caso fosse preciso, tudo isso para que sua família se sentisse om pouco mais segura e poder envia-la para hogwarts onde seria melhor, afinal, manter a garota na França poderia ser perigoso.

No dia marcado, fotos montadas havia sido divulgadas pelos jornais trouxas sob o título “Princesa Victória de Alcântara Orléans e Bragança embarca em trem para a Suíça”, com o texto de que a família havia decidido matricular a garota em um internato suíço. Já no mundo bruxo a mesma foto se movia mostrando uma garotinha se despedindo de seus tios indo para Beauxbatons, tudo feito friamente calculado para encobrir a ida da garota para Inglaterra.

Foi assim que a garota embarcou no expresso hogwarts pela primeira vez, escondida, como criminosa que não era, enquanto o verdadeiro criminoso continuava livre, podendo ir e vir e gozar de todos os seus direitos como qualquer outro cidadão de bem. Victória sempre se imaginou ir a escola pela primeira vez, sobre flashes e mais flashes, pegando todos seus ângulos e podendo exibir sua superioridade real sobre os demais. Queria causar inveja aos seus futuros companheiros de escola, e aos pais deles mostrando quão melhores eram os seus e como suas vidas eram medíocres. Mas nada disso importava agora, só queria entrar em seu camarote reservado até poder chegar em segurança à escola. "Aquele safado irá pagar por isso também" pensava.

Uma chuva fina caia preguiçosa sobre o trem, que já seguia seu caminho para o norte, ganhando velocidade a medida que a paisagem passava cada vez mais rápido por sua janela. A francesa ainda tinha os olhos cheios de lágrimas guardadas só para ela e que ainda não havia caído por muitos anos, afinal precisava ser forte, forte por seus pais, por sua família e por si própria; para que assim pudesse focar no seu desejo de encontrar quem afinal tinha a feito cair em miserabilidade. Entretanto ali, sozinha, podia esvaziar sua alma sem que ninguém a olhasse, falasse, tirasse fotos, ou achasse que estava tendo problemas psicológicos; podia chorar livremente sem ser vista como A órfã.

-Si j'étais l'amie du bon Dieu. Si je connaissais les prières. Si j'avais le sang bleu; Le don d'effacer et tout refaire. Si j'étais reine ou magicienne; Princesse, fée, grand capitaine d'un noble régiment. Si j'avais les pas d'un géant... – cantarola baixinho a cantiga que sua mãe cantava as vezes a noite, para acalmá-la antes de dormir. - ...Peu à peu, miette à miette. goutte à goutte et cœur à cœur.



TRADUÇÃO: Se eu fosse amiga do bom Deus. Se eu conhecesse as orações. Se eu tivesse sangue azul; o dom de apagar e refazer tudo. Se eu fosse rainha ou feiticeira; Princesa, fada, grande capitã de um nobre regimento. Se eu eu tivesse o passo de um gigante...Pouco a pouco, migalha a migalha. Gota a gota e coração a coração.

Escute a musica aqui
Victória Orleans
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Re: Estação King's Cross

MensagemGrecia [#188509] por Ares Hatzimichalis » 30 Dez 2018, 19:04

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    ##Alexander (Alec) Frowber — 4º ano - Rurik++


    - Jokenpo! - Tudo começou com um jogo. Um teste de um novo brinquedo mágico em forma de dragão que Carl tinha ganho em nossa aniversário de quinze anos alguns dias atras. E claro que, no fim do dia, nos dois havíamos ficados doidos com ele, até por que ele soltava pequenas rajadas de fogo e tudo, diferentemente de minha arminha sem graça semelhante a um lançador de dardos trouxas que apenas servia para jogar cola nos pés de Alice quando ela tentava fugir de nós enquanto lhe oferecíamos balas e doces novos, ou oferecíamos nossa amizade sincera e companhia para fazer dever de casa, ou algo assim. Já viram alguma menina mais estranha que aquela Gutierrez teme-tudo?

    Enfim, voltando ao que importa, aquele brinquedo era incrível e não era por menos que tínhamos ficado eufóricos para testar com tudo, desde pedaços de pergaminho a livros como aquele compendio gigante de história da magia de Sophie sem nenhuma importância prática, queimando-os vitoriosamente enquanto o pequeno “dinossauro”-lança-chama caminhava tropeçando pelo quarto. E, falando de nossa Irmã, essa também estava envolvida na causa daquilo tudo, já que em nosso período de paz e sua depressão após ter acabado com o crapula que ela chamava de namorado (que aliás agora possuía larvas coça coça em todas suas roupas - que em minha opinião deveriam ser da variedade Necrosis Cútis para necrosar seu pinto, mas não pretendo ser acusado de assassinato tão cedo e perder toda a diversão), eu queria anima-la, portanto sendo sorteado para deixar o dragomon entre suas coisas.

    Boas intenções? Com certeza! Ao contrário do que minha irmã mais velha parece achar, eu a amo, e para sempre serei o cavaleiro a protegê-la, ou será que ela sempre esquece dos pedaços de chocolate de alta qualidade, apenas um pouco comido e grudento, que já lhe ofereci durante a Páscoa ou de quanto troquei aquela escova de cabelos cor de rosa horrível por uma em forma de porco espinho maneira que corria atras dela, ou então, quando descartamos toda a sua gaveta de calcinhas estragadas na privada (afinal, elas estavam com metade do tecido faltando) substituindo-as por cuecas femininas de super-heróis? Mas que por um mínimo erro de cálculo, acabara por se tornar um desastre infeliz.

    Um botão. Um mínimo ligador apertado em uma hora errada enquanto eu colocava o nosso presente em suas coisas e então, bum! A mala de Sophie estava em chamas. É claro que eu tentei melhorar a situação e desfazer minha confusão, mas apesar de ser mais alto 1 cm em relação a Carl, mais alto, valente e inteligente, eu realmente nunca fora o cara dos feitiços efetivos e, quando fui perceber, tudo estava bem pior do que antes, e minha irmã simplesmente entrava no quarto com olhos furiosos em chamas e intento assassino pronta para me esganar.

    Não. Eu não fui esganado, ou não estaria aqui encalhado na King Cross, procurando minha prima travessa para escolta-lá para o castelo de minha avó hoje. Mas meu pescoço ainda dói com a lembrança da corda do tentorium o apertando, assim como meus ouvidos ainda sangram com o tanto de berradores que recebi de meus pais após isso e é claro. O castigo. Realmente não queria estar ali buscando a princesa que fugira dos compromissos de família na mesma época do ano anterior, muito menos queria acompanhar uma chata riquinha filha de embaixadores no baile de natal tradicional de minha família (Já ouviram aquelas musicas? Davam vontade de dormir, ainda mais quando papai parecia corrigir e criticar cada um de meus passos que não seguissem aquele livro de etiqueta idiota), mas o que podia fazer, era isso, ou ficar sem os doces e Fast food por um ano. E o estômago de um príncipe tem suas necessidades para não deixá-lo enlouquecer.

    De qualquer forma, em teoria, a primeira tarefa em si deveria durar apenas alguns minutos. Imaginava, quando cheguei a estação inglesa, vestido com um casaco de peles e uma calça jeans trouxa e portando os dois tickets na mão, e até poderia ser divertida, já que, em minhas poucas viagens de trens me lembro de sempre ter a velha rechonchuda dos doces e algumas vezes até atividades interessantes para fazer, como o jogo de cartas, que havia trazido em minhas coisas para jogar com Anne,

    Mas até essa esperança, me soou mais como uma pegadinha do que qualquer coisa. Pois, sim, o trem espumante de fumaça, não demorara, mas, por mais que tivesse estendido o olhar para todas as direções, e não fosse tão baixo, a cabeleira ruiva da princesinha em nenhum lugar fora encontrada. Nem mesmo quando tudo se esvaziou ou eu a chamava na plataforma vazia. Ah, qual é, nem iria lhe entregar sanguessugas de presente dessa vez. Pensei, estendendo os olhos claros a todas as direções. Já havia 30 minutos que estava ali, e apenas eu e uma outra Alma viva restavam.

    With Mayanna - Tinder zonkos :)
Editado pela última vez por Ares Hatzimichalis em 30 Dez 2018, 19:05, em um total de 1 vez.
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Re: Estação King's Cross

MensagemAlemanha [#192524] por Lidell Revolverheld » 21 Jun 2019, 21:54

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    Posseidon coçou os braços um tanto quanto incomodado. Agora compreendia bem porque os irmãos odiavam aquela ilha inglesa. O espaço, lotado de gente, sempre lhe irritava por sentir tanta falta do mar. Era um homem simples, de blusas justas e quase velhas que ele usava diariamente sem nem sequer se importar com a beleza. Aonde trabalhava, no meio de um bando de monstros diariamente, não lhe parecia coerente lidar com nada além de proteger sua família - Athena, eu prefiro não ir de ônibus - Confessou a pequena, na esperança de fazer com que sua tensão dela diminuísse, mesmo que isso implicasse em algumas piadas dos irmãos mais velhos. Ser o mais responsável nem sempre era uma questão de que outros o tratassem da mesma forma suas atitudes e ele não se importava. Compreendia bem que os dois mais velhos tinham tantas coisas quanto ele a fazer e, como filhos dos deuses, assemelhavam-se em sua característica primordial.

    Ver eles irem embora, quando passavam um tempo na Grécia, era sempre muito difícil para Poseidon. Por sorte Helena, a menina do qual ele cuidava e sempre o seguia por todos os lados era alguém que ainda não precisava ir à escola – que ele a enviaria para Grécia com toda a certeza. Via o quanto os mais novos sentiam como um peso um ambiente que não os representava. Como lhe incomodava isso. Sentia vontade de sentir o aroma do mar e levar cada um deles para treinar - Espero que Arthemis lide bem este ano. Não sei como nosso pai lidará com mais um ano de falhas. - Abraçou os irmãos mais novos, lembrando-os de serem obedientes as regras e trabalhadores e logo ver o trem não lhe parecia uma boa ideia - Pelos deuses, Hades. Você só comenta do corpo dos outros? Já viu que você é o único sem músculos? - o tom pejorativo lhe divertia um pouco, usado muito entre os outros que trabalhavam com ele no meio do mar.

    O ar poluído lhe incomodava e logo tossiu - O que eu quero é ar puro.

Surprise!
Nanda, Lucas e Cleo. Se quiserem postar, a vonts.
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Re: Estação King's Cross

MensagemGrecia [#192553] por Hades Hatzimichalis » 22 Jun 2019, 20:51

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    A Inglaterra era um clima bem diferente da Grécia, mais frio e sombrio, não tão puro e não tão quente ou claro quanto a nossa terra natal. A minha família não tinha se adaptado bem aos costumes ingleses ou à Hogwarts, mas deveria-lhes manter a sanidade para não terem nenhum prejuízo em seus estudos. Estávamos por um motivo bem plausível e importante; não deixaríamos os ares ingleses tão cedo por simples capricho e vontade dos mais novos... – “Nyx está se comportando como se estivesse com algum pet novo” – Ameaçava-lhe como brincadeira e diversão destruir seus animais ou mata-los por serem muito irritantes, mas algo dizia que tinha um novo bichano com a mesma, que não me dava vontade de mata-lo e sim, de saber o quê era.

    - “Alguém está tão quente que poderá queimar uma escola” – Dizia Thânatos em minha mente. – “Volte para o inferno” – Soltava ríspido lembrando-o claramente quem dominava aquele corpo e acompanhando os mais novos, calado, observava-os com as mãos no bolso do casaco. – Por que está tão pensativa Athena? – A conhecia bem o suficiente para saber que seus olhos não traziam sua mente para o presente, mas que algo a preocupava. Certo fio de preocupação subira pela espinha bem como quando olhara ao longe Afrodite e Ares, os gêmeos que tinham problemas de privacidade e mesmo tendo dado um susto na Afro por conta de suas invasões excessivas na mente do gêmeo, sabia que ela não iria obedecer a minha ordem/ameaça tão bem. Apolo e Arthemis estavam mais tranquilos se comparado ao outro casal de irmãos e não me preocupava tanto até porque sabia que Apolo se daria bem na escola. Sua tenra idade e adolescência estava aflorado e sabia muito bem o que fazer!

    - Oi? – Virara o rosto para Athena aproximando mais da mesma já no automático. – Irei aceitar todos... –Soltava calmo e sereno abraçando a irmã mais sensível que tinha e mais uma vez o fio de preocupação coçava minha espinha dorsal. – Mas pra... –Thânatos também se incomodara com aquilo e cortara minha fala. – Eu prometo. – Dissera caloroso e amoroso. Algo que tínhamos em consonância, era o bem-estar de nossos irmãos e apenas afagara-a por um tempo ouvindo Poseidon questioná-la e a mesma responder seguindo de um abraço do filho do Deus do Mar. A voz da pequena ainda causava incômodo, mas não duvidaria de seu dom, muito pelo contrário, valorizava sua capacidade e conhecimento, porém, sentia o peso no peito...

    - “Será que farei algo aos meus irmãos? Thânatos?” – A criatura estava calada e em consequência, sentira mais tremor ainda. Jamais mataria meus irmãos ou pais, jamais mexeria um fio de cabelo deles e... – “Quem você quer enganar?” – Gritara as trevas em deboche e sabia que deveria manter-me longe da minha família para proteger eles de mim. – Se cuidem! –Despedira de todos e observara Nyx sair o mais rasteira possível. – Ela vai aprontar. – Rira vendo-a e fingindo que sequer tinha notado alguma mudança. Seja lá que bicho fosse, ela iria ter alguns problemas na escola e eu não seria o culpado dessa vez! – Como estão crescendo...

    Os jovens subiram no trem e ficara ao lado de Poseidon observando-os com mais preocupação que o normal, mas logo a tosse do mesmo cortara o silêncio. – O quê? – Voltara a si notando que deixara certos comentários de lado, mas conseguira relembrar do ‘sem músculos’. – Posso ser sem músculo, mas pelo menos meus pulmões não são tão fracos. – Soltara sem mudar o tom de voz, sem soar como deboche ou tirada, tão normal e sereno, tão controlado e frio que parecia ser uma frase normal. – Qual o problema de não ter músculos? – Olhava pra os próprios braços debaixo do casaco. Será que como sempre, seria o coplô dos dois contra mim naquele lugar, justo agora?

    - Melhor não tê-los... – Lembrava do que Athena dissera. – E você vai choramingar de novo que gostaria estar no mar, e blá, blá, blá? – Girara os olhos seguido de um enorme sorriso nos lábios escondendo a enorme preocupação. Zeus já caçoava do meu corpo acusando e afirmando ser fraco e esguio, uma estatura fraca para levantar coisas, fazer coisas e também, levantar alguém... O irmão mais novo deles que era considerado o fraco para se relacionar com alguém, o incapaz de algo, o inferior dos dois e... – "Como poderiam julgar-me após passarem tantos meses sem verem meu corpo e" - ... Pensava. Que problema tinha em não ser um troglodita musculoso? Gwen não reclamava disso e jamais reclamou e... – Não se preocupem comigo. – Soltara seco e levemente raivoso sentindo que jamais deixaria de ter eles pegando no meu pé... Sim... Zeus e Poseidon conseguiam me tirar do sério mais fácil do que imaginava.




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Com Irmãos.-q hads ficando bravinho genteem -q.
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Re: Estação King's Cross

MensagemRussia [#194978] por Daemon J. Stalinsk » 05 Nov 2019, 10:48

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O caminho de um homem





Apesar de não conseguir dormir na noite que antecedia a partida para Hogwarts, Daemon não se sentia cansado. Aparentava estar sereno e calmo, até mesmo indiferente sobre a ida à escola. Porém, dentro de si, o gigante grifinório tentava aplacar uma tempestade de sentimentos e ansiedade que quase o deixavam louco.

Ele não iria para a escola naquele ano e, a partir de então jamais retornaria à escola. Mas ninguém sabia disso, apenas ele guardava seu valioso segredo e apenas ele tinha conhecimento dos planos que ele começaria a desenrolar assim que chegasse na estação de King’s Cross. Não contara nem mesmo a Rachel sobre o que iria fazer. Não era da conta dela. Ele havia decidido há algum tempo que a escola não era um lugar para ele e, ainda mais agora, com Rachel em sua vida, ele tinha certeza de que estava vivendo as experiências erradas e se contasse a ela o que pretendia fazer, ela certamente tentaria fazê-lo desistir, ou pior ainda: iria querer que ele fosse morar com ela e isso ele não poderia aceitar. Não podia admitir que ela o sustentasse. Orgulhoso como era, não podia admitir sair da casa do pai para ser um peso para outra pessoa.

Dinheiro não era um problema, ainda... Ele havia juntado sua mesada e daria para alugar um quarto e se virar até arrumar um emprego. Ainda não havia nenhum, mas estava disposto a fazer qualquer coisa, até mesmo limpar o chão, desde que pudesse provar a todos e a si mesmo que era um homem e que podia dar conta de si mesmo.

O pior naquilo tudo eram as despedidas. O “boa noite” para o pai teve um gosto amargo de quem a saudade iria corroer até que, um dia, se encontrassem de novo. Mas ainda assim fora contido, como se fossem estar juntos para sempre.

No entanto, ele evitou Ed o quanto pôde. Tanto o verdadeiro quanto o que falava sempre dentro de sua cabeça. Com certeza o irmão mais velho notaria algo e poria a perder todos os planos e Daemon não estava nem um pouco inclinado a ceder, não podia perder aquela oportunidade.

Mas nenhuma despedida doeu mais do que a de Melissa... Ele amava a prima verdadeiramente e sabia que se não fosse seus sentimentos por Rachel, ele certamente não se importaria em viver uma vida longa e feliz ao lado da menina. Mas agora, não haveria mais volta para ele. Conhecera uma paixão tão intensa e avassaladora quanto a que tivera por Gene e ele já sabia que se consumiria nisso ou morreria louco. No entanto, sentiria muita falta do sorriso fácil e das maneiras inocentes de Melissa. A pele macia que o tocava indolentemente despertando sensações, mesmo sem querer... Esperava que Mel pudesse perdoá-lo, um dia... Foi difícil enganá-la na estação e “fugir”dela para não ter que entrar no trem.

Com medo de que o identificassem como aluno, Daemon foi se afastando aos poucos o mais sutilmente que conseguia mas parou momentaneamente, antes de sair e ficou de longe, parado vendo a locomotiva que se enchia de alunos ansiosos por voltar à escola. Por um instante, sentiu o coração se apertar. Estava deixando para trás toda uma vida e era preciso muita coragem para seguir adiante. Porém, coragem era o que nunca lhe faltava.

Assim, atravessou o pilar da plataforma e começou a caminhar para fora da estação. Um misto de medo e felicidade se misturavam dentro de si, fazendo-o suar frio debaixo do grosso casaco que o abrigava. Daemon ganhou a rua e respirou fundo levemente perdido, pois não sabia exatamente aonde ir. Demoraria um pouco até que sentissem sua falta e começassem a procurá-lo, portanto ele devia se afastar o máximo possível de lá. Foi assim que Daemon Jones rompeu com toda a sua origem e sua família. Foi assim que ele decidiu ganhar o mundo!.




Off: Trata-se da trama pessoal do Daemon e o momento em que ele fugiu da escola para viver por conta própria. Se não puder postar aqui, me avisem e eu arrumo. Gracias, los amo a todos <3

Citei Melissa Jones (da Bia), Edmond Jones (NPC da Letty) e Rachel (amorzinho do Dae, personagem da Letty tbm)
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Daemon , só isso
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Re: Estação King's Cross

MensagemInglaterra [#196872] por Kamille Dernach » 14 Fev 2020, 17:42

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<< Parte I

Enquanto as íris azuis escuras de Kamille fitavam à familiar placa verde e branca acima do café frente ao qual se encontrava, no interior da inglesa um sentimento misto de curiosidade, estranheza e diversão se formava. Curiosidade, dado o local tão específico escolhido pela pessoa que a chamara; estranheza, porque estava prestes a encontrar-se com a namorada do melhor amigo sem que este soubesse; diversão, porque eram duas bruxas – ainda que uma delas, aparentemente, não vinha se autodenominando assim – se encontrando em um ambiente completamente trouxa – ou que talvez houvesse alguma magia envolvendo-o, visto a quantidade de franquias daquela marca abertas e a similaridade do logo com o símbolo de uma das mansões de certa escola de magia. Parou por um momento, absorvendo as impressões úteis, enfim dando um passo para entrar no estabelecimento, a fim de abandonar o frio, escolher logo uma bebida, pagá-la e, então, seguir para buscar seu encontro daquele dia, o qual havia sido marcado ao fim da festa de aniversário de Yan.

Após inúmeros acontecimentos, dentre os quais incluíra rir das histórias absurdas de Diogenes, observar entretida enquanto Ling quase apanhava de um Nathan indignado – devido a um comentário qualquer sobre Sté, parte do pessoal e ex-namorada do lufano –, ficar sabendo um pouco mais sobre Keelan – o ex-lufano ruivo que, dentro daquele grupo, sempre havia sido a figura mais misteriosa de todas –, conhecer a família de Yan – que havia ouvido falar dela e a agradeceu, ainda que não houvesse entendido bem por qual motivo –, colocar as ‘fofocas’ em dia com Sophy e, como não podia deixar de ser, conversar e rir junto de Andrew e também de Karina, que se enturmou com facilidade, mostrando-se a exata garota animada, bem-humorada, engraçada e cheia de energia da qual Kamille se lembrava daquele único encontro durante o Torneio Tribruxo em Beauxbatons. Foi esta última, por sinal, que a puxou de canto, perguntando se elas poderiam se encontrar em um Starbucks perto da King’s Cross para conversar em algum dia.

Kamille aceitou, combinando um horário e dia que funcionasse para as duas, de modo que ali estava, pronta, curiosa e ciente de que, dado o local público do encontro, não corria o risco de ser morta – e não que julgasse que ‘Karina’ fosse capaz daquilo, mas como boa filha de auror que era, tinha sempre em mente que todo o cuidado era pouco, ainda mais quando descobria um segredo que, pelo visto, não era para ser descoberto. Deste modo, após pegar seu london fog e muffin de mirtilo, caminhou pelo ambiente, buscando com o olhar a pessoa que queria, encontrando-a encostada em um canto, observando um ponto além, mordiscando o final de uma guloseima idêntica à que se encontrava na bandeja da Dernach. Respirou fundo e, com o sorriso típico, ajeitando em uma mão a bolsa e o cachecol, que retirara ao entrar ali, enquanto na outra equilibrava a bandeja, aproximou-se da mesa, parando logo ao lado desta.

“Vejo que não sou só eu que gosto desse muffin.”
– comentou em um tom suave, vendo as íris claras girarem, surpresa, logo retirando as coisas que estavam do outro lado, a fim de dar espaço para a inglesa – “Obrigada e bom dia.” – sentenciou, entretida com a afobação da morena.

“Esse muffin é ótimo e eu que agradeço por me encontrar e... Bom dia!”
– disse com um sorriso embaraçado, visivelmente nervosa, de modo que Kamille deu um tempo, a fim de que a outra pudesse acalmar-se – “Desculpe.” – pediu, respirando fundo – “Estava distraída pensando se estaria no lugar certo, porque a verdade é que nunca tinha vindo até aqui.” – explicou, fazendo a mestiça a sua frente arquear as sobrancelhas, confusa – “Digo, quando falei ‘Starbucks perto da King’s Cross’, foi sem pensar muito, porque eu já tinha ouvido falar bastante dessa estação, já que liga Londres a Paris, e como tem essa cafeteria em cada esquina, supus que seria um bom ponto de encontro, então...” – e ainda que a calma da inglesa se mantivesse, dentro de si ela tentava não rir do ligeiro absurdo com sentido que era aquela lógica – “Argh.” – resmungou a mais velha, levando a mão entre os cabelos, ao mesmo tempo em que espalmava a testa – “Ok, eu estou entrando em pânico e protelando e...” – respirou fundo, fechando os olhos por um longo minuto – “Você se lembra de mim, não é?” – questionou em um tom baixo, enfim fitando à Dernach com os lábios curvados em um sorriso triste

“Sim, lembro.”
– sentenciou a medibruxa, confirmando com a cabeça em ênfase “Arisha Kurakin.” – disse em um tom baixo – “Ex-aluna da Rurikovich de Durmstrang, uma das melhores amigas de Hiki e Day.” – acrescentou, abrindo um sorriso – “Alguém altamente animada, simpática e um pouco desastrada e doida.” – pontuou, arrancando um leve riso da russa – “Não tenho como esquecer, Rishy.” – observou, entretida, mas logo erguendo de uma sobrancelha – “O que me surpreende é o Drew não lembrar. Digo, foram poucas as vezes que vocês se cruzaram, mas ainda assim...” – comentou, momentaneamente pensativa.

“Acredito que em parte deva ser pela minha habilidade de passar desapercebida para quem não gosto ou, como era o caso, não conheço tão bem. Um costume que adquiri desde criança.”
– observou com um suspiro, meneando a mão como se afastasse aquilo – “Obrigada, aliás, por não ter dito nada na hora e desculpe por tê-la feito mentir.” – observou em um olhar carregado de culpa sincera, recebendo um aceno negativo da ex-corvina.

“Não há necessidade de pedir desculpas por algo assim.”
– garantiu a Dernach – “Omiti e talvez tenha optado por distorcer minha interpretação quanto a algumas perguntas para melhor adaptar uma resposta, mas... Mentir efetivamente sobre você, não.” – disse com um sorriso calmo, que pareceu desconcertar momentaneamente a mais velha – “Contudo,” – e um leve vinco se fez entre as sobrancelhas da morena – “talvez você me deva desculpas sim por enganar meu melhor amigo.” – observou, com um raro tom de seriedade na voz e na face – “Você pode me explicar o que exatamente está acontecendo? Que história é essa de ‘Karina’ e porque o Drew acha que você é trouxa?” – questionou em uma postura firme, enquanto sorvia um gole de sua bebida, o que fez a russa respirar fundo, tal como se preparasse.

“Antes de mais nada, meu nome é realmente Karina. Digo, na verdade é meu segundo nome, mas não deixa de ser meu nome.”
– explicou, colocando-se contra o encosto do banco, enquanto Kamille pegava seu muffin – “Já Nikolaev é uma adaptação do sobrenome de solteira da minha avó materna, que era de fato ucraniana.” – e suspirou – “Uma junção de nomes que não deixam de serem meus, para criar uma identidade falsa, a fim de dificultar que me encontrassem.” – disse, de modo que a medibruxa não pode deixar de arquear as sobrancelhas, surpresa – “Sim, eu fugi de casa. Meu pai nunca se importou muito comigo e nem minha madrasta ou meu meio-irmão precisam de mim, então resolvi me jogar no mundo e ir fazer companhia à Viktoria – lembra dela?” – questionou, fazendo a inglesa assentir, lembrando da outra amiga de seu primo e Day, mais tímida e calma que a ex-rurik à sua frente – “Ela tinha se formado um ano antes de mim e ‘sumiu do mapa’ com uma pequena ajuda da irmã mais velha, já que os pais dela... tem um grave problema em serem contrariados, vamos assim colocar, além de serem daquelas famílias de sangue-puristas absurdos.” – observou com uma careta de desgosto que, dado o teor da conversa, a inglesa compreendia bem.

“A gente é amiga desde pequena, daí como sempre vivemos coladas, no meu último ano ela enviou uma mensagem me convidando para fazer companhia para ela e, bem, dada minha situação familiar, não vi porque não aceitar.”
– sentenciou com um dar de ombros – “No entanto, como sei que a família dela seria bem capaz de ir atrás de mim para achar ela, já que eles não são tão burros assim, também precisei ‘sumir do mapa’. Nisso adquiri uma nova identidade e deixei a magia e todos nossos contatos antigos de lado.” – explicou, girando a xícara que tinha consigo – “Seu primo mesmo só soube do nosso paradeiro porque acabamos nos encontrando sem querer em um mercado trouxa perto de casa.” – observou, de modo que Kamille, enquanto sorvia um gole de seu london fog, não pode deixar de franzir o cenho, reconhecendo uma história similar – “Sim. O mesmo em que conheci o Drew, por sinal.” – esclareceu com uma careta – “Inclusive parei de ir naquele mercado sozinha porque, olha, os preços são ótimos, mas caramba...” – comentou movendo a mão como se afastasse a breve digressão.

“De qualquer forma,”
– sentenciou, meneando a cabeça – “com isso tudo eu quero dizer não estou fingindo ser trouxa, eu realmente tenho vivido como uma e evitado ao máximo o contato com o mundo mágico ou qualquer bruxo que não seja o Rian e a Yana e isso não só porque confiaria minha vida a eles, mas também porque eles moram relativamente isolados, então não apresentam qualquer risco.” – disse, soltando um longo suspiro – “Daí nessa eu conheci o Drew e nunca nem passou pela minha cabeça que ele fosse bruxo.” – garantiu, parecendo sincera – “Nos encontramos mais algumas vezes e, mesmo que houvesse indícios, só percebi que ele era bruxo mesmo porque em certa ocasião acabei vendo a varinha que, querendo ou não, qualquer pessoa do mundo mágico sempre anda com, até eu deixo ela esquecida na bolsa.” – sentenciou, um tanto cansada, apoiando as mãos no rosto – “Eu fiquei tão perturbada quando percebi isso.” – disse em tom de desabafo – “Pensei mil coisas, se ele sabia quem eu era, se ele não estava ali a pedido de alguém, se aquilo tudo tinha sido real mesmo ou o que fosse...” – observou, fechando os olhos, trêmula.

“Só que nessa, eu já estava REALMENTE gostando dele, então conversei com a Vik e concluímos que era melhor dar mais um tempo antes de qualquer atitude drástica – e ela ter que me aguentar disfarçadamente deprimida por semanas.”
– explicou com uma careta – “Daí nessa o tempo foi passando e eu não via nada de extraordinário, além do fato de nunca ter encontrado quaisquer dos amigos ou familiares dele – o que, considerando minha suspeitas, era bem conveniente... –, então veio a oportunidade desse aniversário e... eis que ali estava você.” – observou, erguendo os olhos para fitar à morena a sua frente – “Daí eu observei melhor e lembrei dele na atividade de... Durmstrang, acho, durante o Tribruxo, assim como outros momentos e... Droga, eu nunca me senti tão estúpida quando naquele instante – e olha que não é raro eu fazer alguma estupidez.” – comentou, entre a descontração usual e uma leve desolação – “Aí agora eu estou me sentindo péssima por ter desconfiado dele, por ter mentido, mas também não sei se posso falar a verdade, porque fazer isso pode dar um grande problema e...”

“Respira, Rishy.”
– sentenciou Kamille, começando a perder-se na fala da russa que se tornava muito apressada, pousando a mão sobre a desta e mantendo a mesma calma que mantivera ao longo de toda explicação-barra-desabafo. Viu a Kurakin respirar fundo, sorvendo um gole da bebida – “Melhor?” – questionou, vendo-a assentir – “Eu compreendo o seu lado. Convivo com pessoas bastante cautelosas e, bem, pelo o que Hiki me contava, imagino que isso acabe sendo potencializado ao estudar em Durmstrang.” – observou, curvando os lábios em um sorriso sincero e gentil – “Além disso, lembro que pelas conversas que a gente teve na época do Tribruxo, a família da Viktoria tem pessoas que trabalham junto ao governo mágico russo, assim como conhecidos importantes, então é natural que você não possa contar nada e que esteja em dúvida.” – ponderou, mantendo o tom firme, mas calmo – “Não é um segredo seu, é da sua melhor amiga e isso torna essa decisão mil vezes pior.” – sentenciou, suspirando – “O que?” – questionou, notando o olhar um pouco surpreso da russa sobre si.

“Não, nada demais, apenas...”
– murmurou a ex-rurik, abrindo um leve sorriso – “Que você é inteligente, eu sabia, agora compreensiva assim...” – analisou, pensativa – “Até o Rian ficou um pouco receoso por eu ter continuado a namorar alguém da qual estava desconfiada, ao mesmo tempo em que achava um tanto incorreto eu ficar nessa desconfiança em meio àquele relacionamento.” – comentou, fazendo a inglesa sorrir, divertida.

“Acredito que eu compreendo seu lado um pouco melhor que o Hiki, porque sou um pouco mais sentimental que ele e também porque meu pai é chefe de um departamento ministerial”
– explicou, enquanto dobrava o papel do muffin recém ingerido, ignorando a expressão surpresa e um tanto comum de ocorrer – “e mesmo que ele fale quase nada do trabalho em casa, consigo ver as entrelinhas das reações e expressões para ter ciência de que não é simples, além do modo como ele age quando estamos em algum lugar do mundo mágico. Existe sempre um cuidado, um olhar, uma suspeita pairando nas ações dele.” – disse em um suspiro, pensando no peso que o mais velho devia carregar nas costas – “Isso que meu pai não é exatamente um procurado, então o seu caso, com você de certo modo sendo uma, não tem como ser mais simples.” – afirmou, curvando os lábios em um gesto compreensivo e, ao mesmo tempo, em lamento pela situação na qual as duas russas se viam por conta de tolices familiares.

“Sinceramente, não acho que eu esteja em uma situação pior que a do seu pai, porque lembro que ele já foi auror e, bem, bruxos das trevas são um problemão real e rancorosos que só a peste,”
– observou com um breve sorriso divertido – “mas...” – e suspirou, apoiando a cabeça na mão – “também não é simples, realmente.” – concordou Rishy com uma careta – “Ai, Mille...” – murmurou, talvez inconscientemente, retomando a familiaridade que havia adquirido durante o breve convívio de anos antes – “Eu gosto MUITO do Drew e quero contar tudo, explicar a situação toda para ele, tirar essa pedra que eu sei que existe de ambas as partes – porque ele não pode contar que é bruxo e eu estou em uma situação que não posso falar que sei que ele é.” – comentou em um tom irritado – “Seria um alívio tão grande, mas...” – e fechou os olhos – “Se eu fizer isso, eu teria que me afastar da Vik.” – afirmou, observando Kamille que girou a cabeça, não seguindo exatamente aquela linha de raciocínio.

“Possivelmente se eu contasse para o Drew, supondo que ele não fique fulo da vida e queira terminar tudo, invariavelmente eu retornaria ao mundo bruxo.”
– e apesar do jeito de ser de Rishy, era visível que havia uma mente extraordinária ali para pensar tão a frente – “Contudo, ao fazer isso, eu colocaria em risco qualquer disfarce da Vik.” – explicou, ajeitando-se no banco – “Acredito que ela até pode voltar para o mundo bruxo, mas seria algumas vezes mais difícil se esconder e... Mille, ela está tão feliz!” – afirmou com um leve sorriso – “Eu a conheço desde que a gente tem um ou dois anos e nunca a vi tão solta e alegre quanto nesses últimos anos. Ela seguiu na dança tal como sempre quis, fica com as pessoas que ela quer, sem receio de sangue, aparência ou o que seja, vive a vida... Ela já até se aventurou em um relacionamento!” – enunciou, tendo uma nota de orgulho no tom, antes de ficar em silêncio por alguns instantes.

“Quando eu voltei da festa e cheguei em casa, ela me perguntou como tinha sido.”
– comentou, olhando as próprias mãos – “Por um momento pensei em contar tudo, em falar que estava tudo certo, que eu tinha te visto – porque sei que ela lembra de você –, que de fato Drew é um bruxo e não do tipo ‘maluco que tá nos perseguindo’...” – e suspirou – “Só que quando eu consegui falar alguma coisa, apenas contei que tinha conhecido os amigos do Drew, que parecia tudo verdade, mas ainda precisava de mais provas para ter realmente certeza. Depois disso comecei a falar mais ou menos o que tinha acontecido, as brincadeiras, as pessoas, mas sem tocar de novo no assunto principal.” – observou, apertando os próprios dedos – “Não consegui contar o que precisava, porque sei que, na situação atual, se eu contar, ela me apoiaria, ajudaria a explicar o que fosse, me jogaria para o Drew e, então, ficaria sozinha.” – disse, soltando ar um tanto exasperada.

“Viktoria é uma garota maravilhosa, linda, inteligente e talentosíssima, mas dificilmente consegue ver algo disso ou confia quando qualquer pessoa, que não seja algumas específicas, o afirma.”
– explicou com uma ponta de frustração – “Já dei tanta bronca nela, mas não adianta, vira e mexe ela se auto sabota e me parte o coração imaginar que, apenas por eu não estar perto para reafirmá-la, ela volte a fazer isso.” – alegou com uma careta – “Porque mesmo que eu diga para mim mesma que eu não faço diferença nenhuma, todo mundo ao meu redor, incluindo ela, faz questão de dizer e mostrar o contrário.” – sentenciou, incomodada – “Então ao mesmo tempo que quero acreditar na Vik, eu tenho medo, dada a bondade extrema dela e a mania estúpida de sempre colocar os outros na frente.” – e Kamille ergueu uma sobrancelha – “...Tá, não que eu possa falar muito no momento, mas você entendeu.” – comentou, um pouco descontraída, fazendo a mestiça curvar os lábios.

“Daí é isso.”
– findou, respirando fundo – “Aqui estou eu desabafando sobre meu conflito interno relacionado a minha melhor amiga e o cara que eu amo, vivendo de mentiras e omissões com essas duas pessoa super importantes na minha vida e sem ter a menor ideia do que fazer, porque, parece, qualquer coisa que eu faça daria um resultado bem ruim.” – sentenciou, levando as mãos à cabeça, fechando os olhos mais uma vez por alguns instantes e parecendo tentar recolocar os pensamentos no lugar – “Ai, me desculpe, Mille.” – pediu, soltando o ar com força – “Eu te chamei aqui só para explicar a situação, não para ficar nesse falatório meio perdido e te atolando de informações desnecessárias ou mesmo envolvendo você mais do que já te envolvi nessa bagunça toda.” – garantiu com sinceridade, erguendo os olhos para a medibruxa – “Só que eu não sei o que fazer e sei que se pedir conselho para o seu primo ele vai me falar para ser honesta e a Yana provavelmente ia ficar empolgadíssima com eu estar com seu amigo e querer para ontem a gente resolvido, mas... Não conseguiria. Não tenho tanta coragem assim.” – e Kamille sorriu em resposta.

“É, consigo imaginar eles falando alguma coisa do gênero – ainda que Day possa surpreender, já que ela amadureceu muito desde o Benny.”
– sentenciou, entretida – “Eu não sei se tenho como te aconselhar direito, Rishy, porque, sendo bem sincera, a pessoa que sempre foi ótima em analisar e achar soluções para esse tipo de problema, sempre foi o Drew.” – observou em meio a uma expressão de quem pede desculpas – “Contudo, acredito que suas razões são válidas e não acho que seja errado você manter a omissão até sentir segurança quanto à Viktoria, no entanto,” – e a fitou com calma e firmeza – “não vou mentir e dizer que no final ficará tudo bem, porque conheço o Drew. Adoro ele e por isso sei que mesmo sendo uma pessoa maravilhosa, dependendo da situação, ele também pode ser teimoso, um pouco cabeça-quente e um tanto rancoroso, então... Há um risco.” – afirmou, lamentando sinceramente – “Apesar disso,” – e sorriu com tranquilidade – “prometo que se algo acontecer e eu tiver a chance de ser ouvida, farei aquele corvino cabeça-dura escutar algumas verdades.” – garantiu, mantendo a face calma – “Porque ele pode conhecer muitas verdades sobre as pessoas, mas... Eu também conheço muitas sobre ele e não tenho pena de usá-las.” – declarou com um estreitar de olhos perverso, fazendo a russa piscar e, então, rir alto.

“Ai, Mille... Bem que Drew falou que dentre todas as pessoas que ele conhece, você é de quem ele mais tem medo – porque apesar de ser um doce de pessoa, pode ser altamente perigosa se quiser.”
– comentou, divertida, fazendo a morena rir, podendo facilmente ouvir o Spencer dizer algo do tipo – “Nunca tinha entendido o porquê, mas agora, neste pequeno momento, fez muito sentido.” – observou, o que entreteve a inglesa, a qual já se acostumara àquele tipo de comentário, especialmente entre os amigos de escola – “De qualquer forma, obrigada.” – e sorriu – “Não que eu ainda não esteja no mesmo dilema, mas pelo menos me sinto mais leve de ter colocado tudo em voz alta e ouvido isso tudo de você.” – sentenciou, sorrindo – “Creio que ter a certeza de que estou ferrada, não importa o que eu decida, apesar de deprimente tem também seu lado tranquilizador.” – comentou, descontraída – “Só preciso trabalhar o que fazer e como fazer, mas...”

“...mas que tal deixar isso para ser feito ao longo de um passeio? Aproveitar que já veio até aqui e conhecer Londres?”
– questionou, interrompendo, antes que a russa retornasse a seu estado reflexivo caótico, o que, se bem se recordava, podia ser um tanto frequente – “Caso não tenha nenhum compromisso, hoje eu tenho o dia livre, pelo menos até umas 20h.” – observou, divertida – “Posso servir de guia e aproveitamos para alinhar nossa história sobre hoje.” – acrescentou, vendo um largo sorriso empolgado abrir-se no rosto da russa – “Assim não haverá mentiras além das necessárias.” – sentenciou, sorrindo.

“Aceito!”
– exclamou Arisha, tendo a animação visivelmente renovada – “Eu sempre quis conhecer Londres! Tem alguns lugares que acho que é bom eu deixar para depois, mas outros que não terá tanto problema!” – observou, divertida, enquanto ambas pegavam seus pertences – “Vem,” – disse, já se livrando dos lixos da mesa em que estavam – “vamos pegar uma outra bebida e aí partimos para enfrentar o frio.” – comentou, empolgada, iniciando um falatório que fez com que Kamille sorrisse, concordando com movimentos de cabeça ou comentários pontuais. Internamente, todavia, a inglesa não podia deixar de se preocupar e lamentar por todo aquele problema que Rishy carregava consigo, afinal, sabia que a ex-rurik se tratava de uma ótima pessoa e que ela e Drew, por tudo o que ouvira, pareciam ter muitos aspectos em comum, tanto quanto se completavam em outros tantos. Uma conclusão que fez o coração da inglesa apertar e ela decidir que era melhor não pensar naquilo. Não até que o momento chegasse e, então, tudo o que restasse fosse falar, consolar e torcer.


[ Interaction: Karina Nikolaev (NPC) ]
[ Tags: Diogenes Laskaris; Bingwen Ling (NPC); Nathan Campbell (NPC); Stephanie Campbell (NPC); Keelan O’Farrell (NPC); Yan Scheinberg & Sophie Blake (NPC); Darian Nagaen; Dayana Fountcher; Andrew Spencer (NPC); Viktoria Losev (NPC) ]
[ When: Janeiro de 2017 (do reset atual) ]
[ Off: Aproveitar as dores de cabeça eternas para organizar a cabeça com essa niña. ]

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Re: Estação King's Cross

MensagemAlemanha [#198152] por Aiden Dewes » 25 Mar 2020, 00:53

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    Um mero aperto de mãos, que encerrava uma longa viagem de volta até Londres no Expresso de Hogwarts. Aquele fim de ano vinha mexendo particularmente com seu emocional, mas parecia que nenhum desconforto interno era o bastante para alterar seu exterior, a expressão em seu rosto permanecia fria, como se não ligasse para qualquer coisa que fosse. No entanto, pensar nos acontecimentos dos últimos dias fazia sua cabeça girar, tão rápido como se acabasse de deixar um carrossel a mais de 100km/h. Despedia-se de Jeremy com os lábios comprimidos, sentindo uma náusea insuportável e um aperto na boca do estômago; aquilo não significava boa coisa. ― Sinto muito não ter te acompanhado na cabine, mas você precisava de um tempo sozinho para pensar ― e o inglês não estava de todo errado, mas Aiden detestara a ideia de ter de viajar em uma cabine separada de seu amigo e de sua namorada... ao menos esperando que ela ainda fosse sua. ― Pelo jeito você aproveitou a companhia ― recordou de tê-lo visto sentado ao lado da garota que, não muito tempo atrás, havia admitido ter certa “paixonite”. ― Ela é... Foi divertido, nós conversamos bastante durante o caminho ― percebeu as bochechas do outro tomando uma tonalidade avermelhada, coisa que o fez esboçar um sorriso no canto dos lábios antes de mudar de assunto. ― É bom fazer novos amigos, cara ― tentou aliviar o clima para o lado do inglês, que no segundo que se seguiu, transformou sua expressão alegre para algo muito semelhante à preocupação.

    Ao virar o corpo na direção que prendera o olhar de Jeremy, entendeu então o motivo para aquela cara aparecer. Teria de lidar com um enorme problema de sobrenome Dewes, que deveria estar ali, no meio de todos aqueles alunos e pais presentes para garantir que sua ameaça ainda estivesse surtindo efeito. ― Onde ela está? ― indagou de maneira retórica, não esperando uma resposta imediata do amigo, mas sim que ele tivesse entendido seu questionamento e surgisse com uma solução silenciosa. Olhou novamente na direção da mulher, que estava acompanhada por dois homens que lhe eram desconhecidos, trajando ternos escuros e de braços cruzados. ― Seu pai acha que ela está correndo perigo pra tudo isso? ― Jeremy também os havia notado, e como não poderia deixar de ser, seus comentários sempre vinham a calhar. ― Ela não... Nos falamos mais tarde ― agarrou a pequena alça de seu malão, e com um pequeno mas significativo aceno de cabeça, se afastou do amigo em direção a onde estava sua madrasta. Em meio a tantas cabeças naquela plataforma, procurou por uma ou duas que ele reconheceria sem a menor dificuldade; no entanto, não encontrou nem uma ou outra.

    ― O que faz aqui? ― disparou com rispidez, deixando a mala aos pés da mulher, que o olhava como a quem ignora uma criança birrenta. ― O que acha, garoto? Vim buscar você e sua amiga ― a loira retorquiu arrogância, cruzando os braços na altura do peito. Aiden esperou por um segundo ou dois, apenas para ter certeza de que escutara exatamente daquele jeito. ― Você nem mesmo tem coragem de dizer ― deu um passo à frente, estando quase cara a cara com a madrasta, que permaneceu no mesmo lugar, inabalada com as ações do sonserino. ― Não se esqueça do que conversamos, Aiden ― se ainda sabia respirar de forma coerente, tinha certa dúvida, já que ao ter seu nome pronunciado por ela, sentiu o estômago voltar a embrulhar. A falta de ar era apenas o primeiro sinal de um novo acesso de raiva. Prestes a retrucar aquela mulher, separou os lábios e, no instante que se seguiu, perdeu a linha de raciocínio ao avistar a loira Gray passando apressadamente por eles, sem que notasse sua presença. Ela estava apressada, fugindo daquele lugar, talvez. ― Ela não vai querer voltar pra casa se você não disser nada. Se estava esperando o momento certo pra essa conversa, é agora ou nunca ― não era sua intenção intimá-la, mas tinha certeza que se deixasse Annie atravessar o portal até o outro lado, não a veria novamente.


[ with? annie gray, maya dewes & jeremy davies ]
[ music? by arctic monkeys, american sports ]
[ when? final do ano letivo ]
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Aiden Dewes
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Re: Estação King's Cross

MensagemEstados Unidos [#198153] por Annie Gray » 25 Mar 2020, 01:02

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Why did you do this?
Capítulo único.


Os últimos dias de aula tinham voado como se eles quisessem esfregar as férias na cara da americana logo. Annie, diferentemente da maioria dos alunos, não se sentia nem um pouco ansiosa para isso. Em muitos de seus dias em Hogwarts, excepcionalmente nos últimos, preocupações acerca de para onde iria quando desembarcasse na estação assolava seus pensamentos como grandes pesadelos acordada. Não tinha uma casa, não tinha uma família. Não tinha nem mesmo amigos com quem possuía vínculos fortes o suficientes para que pudessem ampará-la naquele momento. Não tinha mais o que fazer. Talvez… O que? Passou o ano inteiro tentando pensar em um plano, mas nem mesmo um pequeno lhe viera à mente, então agora entrava no expresso como uma bruxa que seria levada à forca por praticar bruxaria, pronta para abraçar seu destino queimando no fogo ardente que consumiria sua vida para sempre, deixando para trás os trapos e cinzas que restaram de nada que importasse. Era o fim. E que fim indigno que a aguardava. Respirou fundo. Acomodou-se em uma das cabines pela última vez, sentia como se fosse uma despedida. Recostou-se no canto próximo à janela e se deixou observar a paisagem, vendo tudo como se nunca mais fosse ver. Passou a viagem toda daquela maneira, imersa em sua própria ilusão de final. Até que por fim, chegou. Se obrigou a estampar o sorriso tão amargo na face e encarar o mundo de frente com tudo o que tinha. Ou só o que tinha. Para onde iria ou o que faria tinha assim tanta importância? Tinha… Isso estava acabando com ela por dentro! Desceu do trem e caminhou, para longe da esperança. Para longe do único lar certo que tinha.

Os passos da jovem corvina eram tão apressados pela plataforma, ela não via ninguém em particular, não escutava ninguém, o mundo parecia nublado e confuso enquanto sua mente trabalhava em tentar encontrar uma solução para o seu problema. Ela só parou quando sentiu um toque humano em sua mão, trazendo ela de volta para a realidade, ao mundo real. E aquela voz… Tão conhecida… Tão distante… Parou. O que ele queria? Assim, tão de repente. Estava confusa. Magoada. Confusa. Ele pedia para que esperasse e ela não dizia nada. Não tinha nada a dizer. Aiden não havia dito nada o ano inteiro, porque seria ela a quebrar o silêncio de repente? Não olhou para ele. Estava sozinha. Estava machucada. Estava quebrada. Estava tão sozinha. Olhou para o chão, respirando fundo. Não conseguia olhar para trás ao mesmo tempo que não conseguia soltar a mão dele. E aquela mulher de voz familiar começou a falar com ela. Não sabia o que fazer além de ser uma versão estática de si mesma. A mulher pareceu contornar ela e se colocou à frente dela. Ergueu a visão para olhar mais que apenas os sapatos caros que a loira usava. Sua mão apertou um pouco a do garoto da sonserina como se o toque dele fosse proteger ela de algo que não quisesse ouvir. Conhecia a mulher em questão, Maya, madrasta do Aiden, por quem ele nutria um profundo sentimento de raiva desde Annie o conhecia. Mas o que ela poderia dizer que deveria ser direcionado a ela?

A medida que as palavras saíam por seus lábios bem desenhados cobertos por um batom de aparência fina, Annie tinha a expressão de que estavam sendo ditas em uma língua estrangeira bem complicada. Era como se não pudesse compreender uma palavra, seu cérebro se recusava a processar as informações passadas pela loira. Sua garganta se bloqueou com um nó de puro desespero e os olhos se encheram de água. Aquilo… Não era possível. Não fazia o mínimo sentido. Não podia ser. -Não. Por que você está mentindo? - Suas palavras saíram tão baixas que ela não tem certeza como a bruxa a escutou, mas ela a escutou, porque argumentos e mais argumentos comprovando sua versão dos fatos eram despejados na adolescente. Era demais… Era… Não estava aguentando. Sua cabeça parecia que ia explodir com toda aquela quantidade de informação. Soltou a mão de Aiden e arrancou o colar que vestia no pescoço com toda a violência e força, saindo correndo logo em seguida. Deixava tudo para trás, absolutamente tudo. Queria fugir da verdade. O quão desesperador era isso?

Annie correu estação afora até seus pés doerem, mas ela não tinha um rumo, tampouco conhecia a cidade bem o suficiente. Não tinha para onde ir. Quer dizer, agora tinha. Não era isso o que vinha pedindo o tempo todo? Isso era tão injusto. Não sabia o que fazer. Parou, sentindo seu coração bater em suas orelhas com força, se encostou em um portão qualquer, abaixando a cabeça e deixando as lágrimas rolarem livres por seu rosto. Se sentia tão perdida. Tão machucada, tão traída. Por todo mundo. Aquela mulher talvez fosse a pior de todas e ela só queria desaparecer da face da Terra. Tentava controlar o choro, mas era tão difícil, sentia desespero, precisava liberar tanto sentimento preso naquele momento… Enfiou as unhas na pele do antebraço como se quisesse se dar um motivo a mais para chorar e foi surpreendida com o toque do garoto em sua mão. Nesse momento tudo o que queria era seu melhor amigo de volta. Era se atirar em seus braços pedindo conforto. Sentia tanta dor, tanto desespero. Mas… Ele havia abandonado ela sem nem dizer porquê. Havia evitado a corvina como se ela fosse a portadora de um vírus mortal. Ela não podia mais contar com ele. Estava sozinha. Tinha de enfrentar essa descoberta como tinha enfrentado aquele ano inteiro. Sozinha. - Por que eu deveria ir para casa? - Tirou as unhas da própria pele. Não deixou ele responder, porém. Aquela era uma pergunta ridícula. Ela não tinha nenhum lugar melhor para ir de qualquer forma. Tinha de se obrigar a fingir aceitar essa situação. Por mais ridiculamente dolorosa que fosse. Imagina só saber que sua mãe sempre soube onde você estava, te viu tantas vezes e deixou seu pai fazer tudo o que fazia… Tudo… Ela tinha certeza que ela sabia de cada marca física e emocional que ele havia deixado na garota. - Só vamos logo. - E foi seguindo o garoto de volta para a estação, não sabia nem como voltar. Patética.


Interacting with: Aiden Dewes; Maya H. Dewes
Notes: Foi difícil. doeu.
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Re: Estação King's Cross

MensagemAlemanha [#198154] por Aiden Dewes » 25 Mar 2020, 01:04

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    Apressou-se para alcançar a garota e, a fim de pará-la, estendeu uma das mãos em sua direção. ― Annie, por favor, só espera um minuto ― segurou em sua mão com delicadeza, com sucesso a fazendo escutar, mesmo que não estivesse a fim de encará-lo e com motivo de sobra para isso. Não demorou muito para que Maya se aproximasse, dissimulando uma voz de preocupação que não enganava ao alemão; ele já a conhecia tempo suficiente para saber que sua indiferença era a única coisa real que havia na mulher. ― Annie, querida ― ouvir sua voz com aquela doçura toda, como se fosse a pessoa mais amorosa do mundo, lhe causava tanto nojo como raiva. Lembrava-se muito bem de tê-la escutado exatamente daquele jeito quando mais novo, justamente em momentos que seu pai estava em casa. Era ridículo demais. ― Preciso conversar um instante com você ― Maya passou ao seu lado, com um esbarrão proposital, antes de chegar à frente de Annie, que não havia movido um músculo sequer, nem mesmo para se livrar de sua mão, que ainda a segurava. ― Não tenho uma maneira melhor de dizer isso, então acho melhor ir direto ao ponto. É uma notícia que ninguém espera receber assim, mas... Gostaria que soubesse que, por todos esses anos, eu sonhei em ter você aqui comigo, minha filha ― “ótima escolha de palavras, bruxa”, ponderou em pensamento ironicamente, apenas a encarando para saber quando ela terminaria o discurso de mãe arrependida.

    Era óbvio que nem Annie havia comprado aquela história, não pelo uso desnecessário daquele tom de voz, mas pelo ENORME fato de que, em dezessete anos, ela nunca dera as caras na vida da própria filha. Seria de se duvidar que ela fosse mesmo uma mãe adequada. Já teria saído daquele lugar e sentado o traseiro no banco do carro até a discussão acabar, mas algo ainda mais profundo dentro de si o fez ficar ali, de pé, segurando a mão da loira mais nova para que, de alguma maneira, a pudesse ajudar a receber aquela notícia bombástica. ― Querida, eu não estou mentindo, jamais mentiria para você ― “além de tudo é cara de pau”, contendo-se para não rir da situação que já não era séria o suficiente, Aiden virou o rosto para o outro lado. O que aconteceu, logo depois do longo discurso da madrasta – sobre como o colar que pertencia à Annie, um dia, já fora de Maya e, antes disso, da mãe dela –, foi tão rápido que Aiden apenas teve tempo de pensar em uma coisa antes de sair correndo atrás de Annie: ― Mandou bem, mamãe.

    Não sabia como se colocar no lugar da garota, o que estava sentindo e, principalmente, o que estava pensando para sair correndo daquele jeito – da plataforma 9 ¾, da Estação King’s Cross – e ir em direção à cidade que, não fosse pela ajuda do guia turístico Jeremy, ele mesmo não conheceria tão bem. A vantagem em distância que a americana tinha não era muita, se parasse para comparar a distância de seus passos em uma corrida com os dela; tanto que levou pouco menos de três minutos para encontrá-la, alguns quarteirões depois, escorada contra um portão e aos prantos. Vê-la naquele estado, sem que pudesse fazer outra coisa que não fosse convencê-la a ir embora, lhe doía dentro do peito, sentindo aquela velha sensação de cuidado que deveria ter tido com ela durante todo aquele ano letivo e não o fez, por simples e puro medo. Se aproximou com cautela, observando com indignação o jeito que a deixara, durante tanto tempo. O que havia acontecido com a Annie que conhecia? Ela não se machucaria daquele jeito ― Por favor, nós precisamos ir embora... Pra casa ― não sabia se a estava tentando convencer ou a si mesmo, porque nem o próprio alemão acreditava que o melhor lugar para ficar era a casa que dividia com aquelas pessoas, vulgo seu pai e a mulher dele. Ouviu com certa culpa a pergunta da loira, não sabendo como deveria responder sem que a afastasse de vez. Não a queria mais naquela casa, não porque a odiava como odiava à mãe, mas sim porque não teria uma família como estava sendo prometido. Não deveria tê-la levado para sua casa no início do último período de férias; poderia ter pensado em um plano melhor, poderia ter conversado com Pierre para saber o que fazer, mas agiu completamente por impulso. A jogou naquele antro de maldade e de cobras, sem perceber que ele mesmo fazia parte delas, sendo das mais traiçoeiras. E agora estavam caminhando de volta para lá, direto para o olho do furacão.



[ with? annie gray & maya dewes ]
[ music? by arctic monkeys, american sports ]
[ when? final do ano letivo ]
[ parte 2 de 2 ]
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Aiden Dewes
5° Ano Slytherin
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