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Na Zonko's não citamos nenhum dos personagens dos livros ou filmes. Vivemos no mundo mágico, mas nem Harry Potter, Voldemort, Dumbledore, Comensais da Morte e etc. existiram em nosso mundo, com isso você não pode usar nenhum sobrenome dos personagens dos filmes ou livros. O fórum encontra-se nos dias atuais, no ano de 2013 d.c. e as condições climáticas variam de dia para dia e de tópico para tópico, conforme você poderá observar. O nosso período letivo dura oito meses contando com as férias. Nossos adultos recebem por dia de presença e seus tópicos em ON lhe renderão pontos e goldens (nossa moeda). Você nunca poderá interpretar a ação de outro personagem (salvo com autorização), mas poderá interpretar livremente o seu personagem (seja sempre coerente), lembrando que toda ação possui uma reação. A capital do Mundo mágico está localizada em Vaduz, Liechtenstein.

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MensagemInglaterra [#146468] por Guardião Inglês » 04 Abr 2015, 10:51

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A estação mais famosa para os bruxos também é de grande importância para os trouxas. Conhecida pela plataforma 9 ¾ aonde se localiza o expresso de Hogwarts e a Paddington. Porém estas são apenas duas das 274 existentes, em funcionamento e outras inexistentes. Dizem que algumas estações não utilizadas dão passagens para lojas, departamentos bruxos, ou simplesmente a casa de uma megera inglesa. London Underground foi inaugurado em 1863 e pode-se dizer que é um tesouro histórico de Londres, não só pelo tempo de circulação, ou pela importância que ele desempenha para os seus transeuntes.

Existe um ritual bem londrino para comprar tickets, porém sempre pode pedir ajuda aos balconistas e também aos seguranças, que estão aptos a te ajudar. Porém, tome muito cuidado nas escadas rolantes. E para os bruxos que nunca utilizaram o metrô, ou não estão habituados, não entrem em desespero. Há sinalizadores, placas e mapas indicando todos os pontos e linhas mais importantes. Só por precaução, adquiram um guia de ruas londrinas quando forem utilizar o metrô, pode ser mais seguro do que possam imaginar. Entre as maiores e mais famosas estações destacam-se as:

Charing Cross (Caldeirão Furado)
London Bridge
Paddington
Victoria Station
Liverpool Street (Centro de Londres)
King's Cross (Expresso Hogwarts)
Waterloo: o trem Eurotúnel, une Londres a Paris e à Europa.
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Postado Por: Guardião Inglês.


Re: Estação King's Cross

MensagemInglaterra [#146819] por Sarah Scarlett Maison » 07 Abr 2015, 23:52

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                Os ponteiros do relógio se arrastavam moribundos pelas horas como se compartilhassem o sofrimento da ruivinha. A festa ainda acontecia, entretanto, o clima estava muito distante do agradável. Por mais que alguns continuassem tentando dançar, era notável que estavam, de algum modo, preocupados. Ninguém sabia de fato o que estava acontecendo fora das paredes do castelo teoricamente seguro. Sarah estava sentada em um dos enormes bancos do salão com o olhar distante, sem brilho, praticamente sem vida. As meninas ao seu lado tentavam acalmá-la silenciosamente, seguravam sua mão, limpavam as lágrimas que escorriam vez ou outra pelo canto dos olhos e arrumavam os cabelos.

                Não adiantava pedir para ela ficar calma ou despreocupada. Ninguém ficaria assim enquanto o pessoal não retornasse seja lá de onde eles tenham ido. Seus dedos inquietos ora tamborilavam seus joelhos branquelos, outrora a mesa de carvalho. Seus pulmões berravam por ar, mas os soluços o impediam de exercer suas funções com perfeição, o que tornava a agonia ainda maior. Foi quando algum aluno adentrou correndo o salão, deixando as portas escancaradas e gritando em alto e bom som a frase que a menina mais queria ouvir.

                - Eles estão de volta! Resgataram os alunos! – O menino não era mais novo que Sarah, devia ter apenas um ou dois anos a mais que a garota. Estava tão eufórico quanto os desesperados ali.

                - Trouxeram Lucca?! – Sarah pulou da cadeira. Tirou os salto altos de qualquer jeito dos pés e os tomou pela mão enquanto se desvencilhavam das mãos que tentavam a segurar. – Me soltem! Eu quero ver Lucca! – Ela foi grossa como jamais já foi na vida. Era compreensível, mesmo sendo esquisito ver essa transformação toda. Sarah tomou a frente de todos e saiu correndo em direção à ala hospitalar. Seus cabelos ruivos já se emaranhavam ainda mais com o vento e desfaziam o penteado, seu peito inflava e o coração palpitava dando a sensação esquisita de querer sair pela boca.

                Nada mais parecia importar. Os corredores eram intermináveis durante a corrida, Hogwarts nunca foi tão difícil de atravessar como naquele dia. Mas a alegria de saber que, mesmo se tivesse mal, Lucca estava ali debaixo de olhares atentos que o manteriam seguro trazia o alivio. Não tinha certeza de quantas pessoas tinham ido para missão de resgate e nem quantos outros tinham sido sequestrados, só sabia que tinha sido bastante gente. Os corredores que davam para a enfermaria estavam cheios e ela teve que se esquivar e atropelar as pessoas que não saiam da frente. Sarah era um furacão vermelho com roupa de princesa e atitude de ogro.

                - Lucca?! – A lufana gritou assim que viu os leitos ocupados por alguns rostos conhecidos. Não tardou para achar o de Lucca, que estava impecável vestido com roupas de gala e seus cabelos bagunçados como sempre. Seus olhos ainda estavam fechados, talvez por causa de alguma poção tranqüilizante, mas ele parecia inteiro. – Oh, meu Deus! – Seus olhos se encheram d’água enquanto ela dava os últimos passos que separavam os dois. Segurou a mão direita do menino e a repousou sobre suas bochechas, fechando os próprios olhos em alívio e deixando o rosto ainda mais borrado. Ela deu um beijo suave na mão do menino e depois acariciou seu rosto com todo o cuidado possível, arrumando um pouco os cabelos. – Por que você só se mete em confusão? – Sussurrava sem esperar uma resposta imediata.

                – Você... Quase me matou, sabia? Isso que dá ser metido a jornalista e querer ficar se metendo em tudo! – O tom de voz de Sarah não transmitia raiva ou demonstrava uma briga. Era mais como se ela prezasse pela integridade do menino acima de tudo. Enquanto isso, mais lagrimas corriam pelo seu rosto já vermelho e inchado. – Como se já não bastasse você montar numa vassoura e jogar quadribol... Tem sempre que arrumar mais motivos para me deixar desesperada... Eu nunca mais vou deixar você andar sozinho por ai.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

                Os dias difíceis estavam longe do fim. Com o encerramento conturbado do ano letivo, Sarah teria que voltar para casa e viver debaixo de outras preocupações. Para piorar, estaria longe de Lucca. Durante todo o trajeto de volta à estação King Cross, Sarah ficou em silêncio, segurando a mão do melhor amigo e olhando a paisagem correndo pelo lado de fora do grande vidro. O contato entre eles nunca durava mais de cinco minutos, até ou ela ou Lucca terem o rosto pintado de vermelho devido a vergonha. Ambos não sabiam o que se passava ali, mas desde o sequestro dele, Sarah não quer que ele fique distante. As mãos dadas não tinham segundas intenções, embora Sarah estivesse sentindo uma paz inexplicável por causa desse gesto.

                Como se já não bastassem as preocupações, que tornavam o clima menos propenso para conversas alegres entre os dois jovens, o tempo lá fora estava fechado. O céu em uma tonalidade cinza-escuro, a chuva cortava o ar com força e deixava o vidro bastante molhado. Era possível ouvir a agitação do lado de fora da cabine onde estavam, mas esta estava abafada devido a porta estar fechada. O que se tem para comemorar agora? Passaram de ano, o que não era nenhuma novidade devido o quanto estudaram durante os semestres. Lucca já havia cumprido todas as horas como monitor, o que lhe dava duas opções: se tornar monitor-chefe ou ter um ano inteiro de descanso sem o distintivo. Sem querer ser egoísta, mas já sendo, Sarah torcia para que o menino tivesse a folga. Por mais que ela tivesse consciência de que o rapazinho se orgulhava da sua função, ela não queria passar mais um ano tendo que dividir sua atenção com todo o castelo. Retomando aos motivos de comemoração, eles inexistiam. Era só o alívio e uma paz leviana.

                Tanta paz que tornava o ambiente meio triste. Não necessariamente as férias tinham que ser despedidas, mas a menina sabia que eles não conseguiriam se ver pessoalmente devido aos problemas da sua família. Além disso, a menina não teria coragem de visitar seu melhor amigo. Uma grande ironia. Lucca é a pessoa que Sarah tem mais consideração nesse mundo, mas pouco sabe sobre a família do menino. Isso era uma coisa a pensar em conversar, quem sabe pelas cartas?

                - Promete que vai me escrever? – Ela olhou para o menino pela primeira vez dentro dos olhos desde que adentraram o trem. – E que vai se cuidar?



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notas: simplezinho, mas tá ai. eu fiz mais o flashback, só por que não podíamos deixar isso passar. sz | interação: Lucca sz
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Sarah Scarlett Maison
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Re: Estação King's Cross

MensagemInglaterra [#147550] por Lucca Sartori » 01 Mai 2015, 12:04

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O jovem Sartori sentia uma dor de cabeça que mais parecia como se vários quilos lhe pressionassem contra o chão, já o seu corpo parecia levemente dormente, ao passo em que a turva visão despertava da escuridão de sua inconsciência. Um baque seguiu, junto com uma leve dor na lateral do corpo, logo após cair sobre o solo. Um guinar esquisito ecoava pelo recinto, destacando que não estavam sozinhos ali, seja lá como havia ido parar ali. Com dificuldade, começava a ter lucidez sobre o que lhe rodeava, inclusive a de uma ajuda familiar que lhe conduzia por uma espécie de saída, enquanto outras duas pessoas lutavam contra uma criatura enorme, ao mesmo tempo em que chamas começavam a se espalhar.

Parecia um terrível pesadelo, este que Lucca rezara para despertar, porém tudo era a mais pura realidade de mais um ano escolar em Hogwarts. Seu corpo estava fraco e sentia que caso se esforçasse ainda mais, poderia tombar novamente, mas não podia reclamar já que a voz parecia ter lhe sumido a garganta. Visualizou algumas arvores, onde lhe trouxe certa familiaridade com a floresta proibida, porém antes que concluísse algo, tudo voltou a girar e novamente despencou. - desta vez nos braços do corvino.

Na ala hospitalar, o garoto recebia a visita de sua melhor amiga, mesmo que não estivesse consciente para recepciona-la. Porém, em seus sonhos, desfrutava de uma paz reconfortante. Como se nada mais pudesse dar errado; como se não pudesse temer a nada e nem a ninguém. Ao seu lado, estava a ruiva na qual compartilhava – não o suficiente – de seu tempo, então nada mais importava.

(...)


Aquele evento na escola só enfatizou o quão egoísta Lucca havia sido em esconder tudo de sua melhor amiga, como também a frustração de não ter conseguido identificar a verdadeira identidade do ‘sombra’. Apesar de que Sarah não o deixara por nenhum momento se desestimular, pois passou os últimos dias de ano letivo sempre ao seu lado. Já na estação, ambos adentraram na locomotiva de mãos dadas. Sim, não sabia bem como havia acontecido, mas o fato era que haviam percorrido todo o trajeto com o elo entre ambos. E com certeza isto não seria um motivo de desgosto para Sartori, pelo contrário, estava em seu nível máximo de alegria naquele momento, apesar de não conseguir conter suas maças do rosto, que insistiam em corar a cada vez que passavam por alguém ou recebia olhares das outras pessoas.

O silêncio foi quebrado, quando os lufanos repousaram sobre a comodidade de uma das cabines, e apenas ambos estavam em seu interior. Umedeceu os lábios e então buscou sua voz no fundo da garganta para expressar o que estava engasgado, ao mesmo tempo em que ouviu as palavras da garota serem pronunciadas. – Me desculpe! – Desta vez olhava nos olhos acastanhados da ruiva, enquanto ambas as mãos seguravam as da garota com mais firmeza. – Eu fui um idiota em não ter compartilhado com você tudo o que aconteceu, eu queria, mas temia que algo pudesse acontecer contigo. – Este Lucca já não mais desviava o olhar daqueles orbes cheios de significado. – Se algo acontecesse com você, eu nunca me perdoaria, eu...eu, nem sei o que faria. Me desculpa por não ter te levado até o baile, e eu queria tanto dividir uma dança com você.

- E por eu ter sido tão idiota, acabei perdendo a chance de dividir mais tempo com você. Eu sei que você já deve estar cansada de ouvir este tipo de coisa, inclusive de seus familiares, eu não duvido de suas capacidades; pelo contrário, sabe que eu sou a pessoa que mais acredita nisso. – Balançou a cabeça positivamente, ainda sem saber a reação da garota sobre tudo aquilo que era confessado, mas pela primeira vez estava sendo transparente com o que sentia. Sabia que não fosse ali, não seria mais em nenhum momento, pois só se comunicariam através de cartas dali em diante.

- E você também, não esqueça de me responder com todas as novidades. - Assentiu com a cabeça, sentindo-se mais leve ao ter expressado suas angustias e estando decidido a - desta vez - não deixar qualquer coisa lhe impedir de ser sincero com a lufana, mesmo que isto pudesse trazer algum tipo de consequência. Sem mais nenhuma outra palavra ser pronunciada, ao fim daquele diálogo, apenas abraçou a garota - deixando-a repousar a cabeça sobre seu peito - e ambos permaneceram assim pelo resto do trajeto, pois o clima fresco do lado externo trazia um certo frio para o interior da cabine.


Com Sarah M. <3
Notes. Muito bom fazer este post :3 Mals a demora Marj =x
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Lucca Sartori
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Re: Estação King's Cross

MensagemInglaterra [#147770] por Kamille Dernach » 07 Mai 2015, 21:53

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[ Sala dos Troféus - Hogwarts ]
[ Junho, 2015 ]


Os olhos escuros corriam pelas prateleiras repletas de histórias contadas através de troféus e nomes gravados, os quais por vezes calhavam de soar curiosamente familiares à mente de Kamille. Raras haviam sido as vezes em que ela, ao longo de seus sete anos como estudante de Hogwarts, visitara aquele lugar, contudo, fora ali que, dias antes, Andrew decidira ser o ponto ideal para que conversassem após o baile de formatura. Por que ali? A corvina não sabia. Sobre o quê? Conhecendo o curioso vizinho, a resposta disso era mais do que óbvia: os acontecimentos do baile que, só de lembrar, faziam a mestiça ter sincera vontade de rir. Afinal, a noite anterior ainda parecia muito surreal, fosse pelas ações daquele que havia sido seu par, fosse pelas dela própria.

“Mills?”
– e ante a voz que se erguia, a morena se curvou para fora do caminho de prateleiras no qual se encontrava, sorrindo para o inglês que logo se aproximou com uma expressão divertida e um cansaço notável por trás das lentes dos óculos – “Não é por nada não, mas como melhor amigo acho que tenho a liberdade de dizer que, pela sua cara, alguém teve uma noite muito boa ontem.” – observou com quê de malícia que fez a companheira de casa sorrir, inabalável.

“Foi uma noite incrível. Você mal imagina.”
– concordou com um sorriso de canto que fez a expressão de Drew se alterar para uma incrédula e surpresa – “E acho que o mesmo posso falar de outro alguém. Ainda que no seu caso seja melhor eu não saber os detalhes sórdidos.” – observou com um olhar de soslaio que fez o moreno rir alto.

“Você me conhece tão bem.”
– afirmou, divertido – “Mas e aí, o que aprontou ontem? Parece que você nem dormiu – e baseado no meu conhecimento sobre a sua pessoa, estou acreditando que não foi pelo mesmo motivo que o meu.” – disse com um sorri cheio de significado.

“Dormi uma ou duas horas, apenas.” – concordou a inglesa, suspirando – “Passei quase toda a madrugada ouvindo e ajudando nos planos futuros da Sophy.”
– acrescentou, abrindo um sorriso carregado de significado para o moreno que, por sua vez, arqueou as sobrancelhas.

“Ele pediu? Ontem?”
– um aceno positivo por parte da mestiça – “E ela?” – um sorriso mais enfático ante a obviedade da resposta – “Aí, garoto!” – exclamou, dando um tapa na própria mão – “Preciso achar esse escocês maldito. Não sabia que aquele maluco ia fazer o pedido de noivado justo no baile.” – afirmou, indignado. Por um instante Kamille sentiu sincera vontade de comentar que talvez a ideia fosse justamente que nem ela, nem Drew, nem qualquer um dos amigos de Yan ou Sophy soubesse, justamente devido à falta de discrição de todos. Meneou a cabeça.

“Depois ele te contará tudo, provavelmente.”
– comentou com calma, cruzando então os braços – “Agora, porque você me fez prometer que estaria aqui às seis horas da manhã seguinte ao baile, Spencer?” – questionou com um olhar fixo no rosto do moreno que imitou a pose da amiga, elevando uma sobrancelha.

“Por que você acha, Dernach?”
– replicou o moreno com um sorriso de canto, o qual foi devidamente retribuído por um sorriso inocente – “Ora, Mills. Eu uso óculos, mas não sou cego. Vi você toda sorridente com o sonserino bonitão durante o baile.” – alegou com um revirar de olhos – “Como foi? – E não venha me dizer que ‘não aconteceu nada’ porque te conheço melhor que isso.” – alegou, sentando-se ao lado de um troféu particularmente grande, dando duas batidas no espaço ao lado de si – “Agora desembucha ou vou passar o resto da vida te contando detalhes sórdidos que farão você ficar mais vermelha que o nariz da Sophy no frio.” – garantiu, fazendo a corvina suspirar e se sentar ao lado do moreno.

“Sei que é desnecessário, mas por precaução... Você promete nunca mencionar nada do que eu disser aqui, nem usar isso contra quem quer que seja?”
– questionou com um olhar sério, vendo o moreno erguer a mão.

“Prometo e só não meto um voto perpétuo no meio disso porque não manjo dessas magias que metem a vida em jogo.”
– garantiu com ar solene, dando um leve empurrão na mestiça – “E agora para de enrolar que você sabe que se for zoar alguém vai ser você, não o Badgley.” – afirmou, revirando os olhos. Kamille sorriu, respirando fundo antes de começar. Ao longo dos minutos, conforme colocava pela primeira vez os acontecimentos, ou pelo menos uma boa parte deles, em palavras, internamente a corvina começou a perceber o quão real era tudo o que havia ocorrido na noite anterior e o quanto se passara dentro de si. Sensações inexploradas, complexas e conflitantes, tudo de uma só vez.

“Então...”
– disse Drew enquanto retirava os óculos para limpá-los, carregando na face uma expressão quase indiferente – “...você e Charles, enfim.” – sentenciou, colocando os óculos para fitar à amiga que assentiu, sorrindo levemente sem graça – “Hah.” – e um sorriso largo se abriu na face do inglês – “Demorou mais do que eu esperava.” – afirmou, divertido, fazendo a morena piscar, confusa – “Eu já disse várias vezes que te conheço melhor do que você mesma, Mills, não era nem é brincadeira.” – alegou com um olhar carregado de significado.

“Às vezes eu esqueço o quão bom com ‘enigmas’ você é.”
– comentou a morena, conformada. Os olhos escuros então fitaram aos arredores, levemente perdidos. Na mente aguçada, pensamentos variados e hipóteses que surgiam junto da realidade recém adquirida de tudo o que acontecera na noite anterior.

“Um galeão por seus pensamentos.”
– e os olhos negro-azulados se voltaram para os azuis-esverdeados que a fitavam com aquele aspecto típico de quem estava pronto para ser o bom amigo que de fato era.

“Ainda é tudo muito estranho.”
– murmurou Kamille em um tom baixo e confuso – “Eu...” – uma pausa, acompanhada de um respirar profundo – “Eu tenho esse costume de tentar cercar todas as possibilidades, por assim dizer.” – disse, vendo o moreno assentir, afinal, ele conhecia aquele lado da Dernach muito bem – “Então, eu nunca te disse isso, mas muito antes daquele sonho-que-não-era-sonho acontecer, eu tinha, em certo momento, imaginado em como seria um futuro com você, Drew.” – confessou, notando que aquela pequena revelação realmente surpreendeu o amigo – “Não foi algo proposital, talvez um reflexo do meu inconsciente percebendo seus sentimentos, mas o fato é que aconteceu, assim como aconteceu quando percebi a atenção de Saw.” – sentenciou com um suspiro, notando no franzir de cenho do amigo, a incompreensão de onde ela queria chegar.

“No entanto... Isso nunca aconteceu com Charles.”
– disse com um leve fechar de olhos – “Antes do baile, antes de ouvir tudo o que ele tinha a me dizer eu nunca sequer cogitei a possibilidade de ter o que quer que fosse com ele. Eu nem mesmo posso dizer que confiava nele, para ser sincera.” – sentenciou, fitando às próprias mãos – “Então, de repente, eu percebo agora que no calor do momento eu simplesmente dei o endereço da minha casa sem pegar nenhum contato dele e que daqui a pouco vamos voltar para Londres onde, sei lá, talvez nunca mais veja nem ele nem ninguém.” – sentenciou com uma nota de desespero no tom, algo seguido de um respirar fundo – “Eu acho que ...”

“Mills.”
– chamou o Spencer, pousando a mão sobre o ombro da mestiça. Os olhos negro-azulados giraram e viram no rosto do inglês um sorriso divertido, algo que, para Kamille, trazia a sensação de que ele estava esperando por aquilo – “Vem comigo.” – disse, levantando-se com um salto antes de estender a mão para a amiga, fazendo-a também se erguer – “Lembra lá nos nossos primeiros anos, quando a gente conversava sobre Hogwarts e você me dizia que ‘não via nada além de uma vida normal de estudante’?” – e a morena assentiu com um sorriso levemente nostálgico – “E lembra da época em que você comentou que fez o teste para o time Corvinal, mas ‘não achava que ia entrar’?” – um novo aceno positivo, acompanhado de um leve franzir de cenho.

“Pois bem.”
– disse Drew, parando de repente – “Aí está o resultado da sua ‘vida normal de estudante’ e do seu ‘não entrar’ no time de quadribol.” – afirmou, apontando para uma sequência de troféus visivelmente mais novos e que, sob os dizeres ‘Campeonato de Quadribol’, traziam em si o nome ‘Ravenclaw’. Um sorriso genuíno se abriu no rosto da Dernach, enquanto o olhar passeava pelas conquistas e a mente pelas memórias daqueles dias, de cada um dos rostos que haviam passado pelo time da qual fora responsável por anos a fio, dos momentos junto dos novos e velhos companheiros. Por alguns minutos ali permaneceu, em silêncio, contemplando, enquanto seu amigo limitava-se a se manter ao lado dela, observando.

“O fato é, Mills,”
– e o olhar da inglesa se voltou para o puro-sangue – “você nunca pensou que teria alguma significância dentro da Corvinal, nunca pensou que seria monitora-chefe, monitora, jogadora e capitã de quadribol, mas isso não muda o fato de que, no fim, você foi.” – alegou com um olhar calmo – “Então você pode ter pensado sobre mim, sobre Sebastian e não ter pensado sobre Charles, pode não saber o que vai acontecer e não ter ideia do que esperar, mesmo tendo essa mente medonhamente perspicaz. No entanto, isso é normal, especialmente quando falamos de você pensando sobre você mesma.” – observou com um olhar cheio de entrelinhas que fez Kamille sorrir – “Você só terá certeza do que vai acontecer quando, de fato, viver – exceto se você possuir algum tipo de clarividência, o que não é o caso, acho.” – observou com um olhar desconfiado e brincalhão.

“É...”
– murmurou Kamille após ponderar por alguns instantes com um suspiro – “Você tem razão.” – concordou, sentindo a tranquilidade retornar a si.

“Adoro quando você diz isso.”
– alegou com um sorriso divertido, recebendo em troca um sorriso condescendente – “De qualquer modo.” – disse com descontração – “Apenas aproveite, sem se preocupar e o que tiver que acontecer, acontecerá – seja em relação ao sonserino bonitão, seja quanto à vida em si – e quando ocorrer, tenho certeza que você terá a capacidade plena de lidar com seja o que for, carregando esse seu sorriso eterno e insistente.” – afirmou, abrindo um sorriso largo – “E caso dê tudo errado, você sempre terá, como diz a maluca da Sté, seu ‘BFF’ para dar um ombro amigo ou um chacoalhão para a realidade.” – garantiu, pousando a mão no ombro da inglesa que fitou ao rosto de Andrew. Os traços amadurecidos, os olhos que continham aquela mistura curiosa de azul e verde e o sorriso típico e que sempre parecia pronto para aprontar alguma. O mesmo ‘garoto’ que de repente lhe surgira como sendo seu ‘vizinho’. Sorriu, dando um passo para tomar o amigo em um abraço repentino.

“Obrigada, Drew. Por esses sete anos, por me aturar dentro e fora de Hogwarts... Por tudo.”
– sentenciou, sentindo o moreno retribuir o gesto e dar um leve beijo no topo da cabeça da inglesa. Um gesto fraternal, distante de todos os sentimentos que ele ou ambos pudessem um dia ter sentido. Uma despedida dos estudantes corvinos que haviam sido, a fim de abrir novas e desconhecidas portas para os bruxos adultos que seriam a partir dali.


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[ Expresso de Hogwarts ]
[ Junho, 2015 ]


Era estranho aquela coisa de formatura, de pensar que nunca mais voltaria para o lugar em que eu passara sete anos da minha vida. Eu lembrava bem de, ainda no castelo, ter falado com muita gente e de dizer e ouvir promessas de ‘vamos...’ surgirem. Pessoas normais talvez acreditassem naquilo, mas eu sabia que na maioria das vezes era inevitável que com o fim do meio comum, no caso Hogwarts, a maioria dos caminhos ali existentes seguiriam cada qual para seu canto e, por menor que fosse o mundo mágico, dificilmente voltariam a se cruzar. Claro que eu, particularmente, apesar de não ter certeza como ficaria minha relação com Ling, Dio ou Kel, que sempre foram os ‘gatos desgarrados’ do grupo, tinha certeza de que não me livraria de Nathan, Yan ou Sophy, nem se quisesse. Mills então, nem preciso dizer.

Prova disso era a cabine na qual eu me via, justamente com os quatro e Stephanie, que por mais louca e escandalosa que fosse, cuidava bem de meu amigo texugo – ainda que, sinceramente, eu não fizesse ideia de como seria os dois agora que Nat não mais voltaria para Hogwarts, enquanto ela ainda tinha mais dois longos anos pela frente. Foi quando eu refletia sobre isso, por sinal, que as meninas, por já estarmos quase chegando a Londres, resolveram ir atrás do primo de Kamille e da irmã de Sophy, deixando um silêncio tal que me vi encarando ao lufano e o grifinório a minha frente, enquanto eles faziam nada além disso também.

“Ok, caras, ficar olhando um para outro assim é algo no mínimo bizarro.”
– afirmei com um revirar de olhos, fazendo Nat explodir em risadas e Yan sorrir em concordância muda – “Apesar que isso me lembra do primeiro dia no expresso – e sim, momento nostalgia porque é nossa última viagem nessa serpente gigante e vermelha.” – aleguei, divertido, lançando um breve olhar para a paisagem externa que corria junto do expresso.

“Lembra? Do quê?”
– questionou Yan com um leve arquear de sobrancelhas em falso desconhecimento, afinal, podia não parecer, mas para coisa inútil aquele ali tinha uma memória ótima – “De eu sentado aqui no meu canto, de boa, e, do nada, você, Nat e Dio surgirem literalmente chutando a porta?” – questionou com um sorriso sarcástico que me fez rir daquele humor tão típico.

“A gente fez isso?”
– disse Nat, surpreso, girando os olhos para mim.

“Fizemos.”
– repliquei, divertindo-me com a lembrança – “Na verdade a gente percorreu o trem inteiro e quando achamos a cabine ‘vazia’, abrimos no melhor estilo ‘aleluia’, sem perceber que havia um maluco perdido ali.” – e franzi o cenho, incerto se fora por aquele motivo mesmo, já que não era difícil que três garotos de onze anos só estivessem agindo ‘de feliz’.

“E bota perdido.”
– observou o escocês – “Fui pra Hogwarts achando que daria pra aprender tudo na experiência, nem me preocupei em abrir um livro que fosse... Me ferrei.” – e eu sorri em concordância, afinal, não bastava Yan não conhecer ninguém com qualquer ligação mágica, ainda por cima, quando mais novo, era o típico garoto que não tinha paciência para ler nem um A que fosse de um livro, quem dirá pesquisar e se inteirar sobre todo um mundo mágico e diferente do qual ele estava acostumado.

“Ué, mas você se saiu muito bem, pelo o que me lembro.”
– e não pude deixar de rir ante a inocência de nosso caro texugo.

“Bem zoado, você quer dizer, né, Nat?”
– questionei, rindo e Campbell, após pensar um pouco, pegou o que eu queria dizer – “Perdi as contas das vezes que inventávamos alguma coisa nada a ver só pra ver os olhos do Yan brilharem.” – disse, notando o revirar de olhos do escocês – “Pensando agora, como você aguentou tanta babaquice da nossa parte?” – questionei, fitando ao moreno, vendo-o dar de ombros.

“Sei lá, acho que bem ou mal me ajudava a aprender sobre essa bizarrice que vocês chamavam de magia. Vocês sabem que sou uma pessoa de ações, não de blá-blá-blá.”
– comentou com um sorriso sarcástico que me fez rir. De fato. Depois de tanta zoeira com o pobre Yan, nosso pequeno gatinho bobo se tornara um leão ligeiramente sagaz – “Só, confesso, lembro que quando vim pra Hogwarts eu esperava mais piadinhas por eu ser escocês do que outra coisa.” – observou, elevando uma sobrancelha, o que fez Nat ponderar por um momento e eu sorrir.

“Sua sorte, caro Yan, foi que conhecemos o Kel logo depois, carregando todo aquele ‘ói’ só na primeira frase.”
– afirmei, fitando Nat que sorriu, cúmplice.

“Ainda que seu ‘r’ seja algo que nos divertiu e nos diverte até hoje.”
– acrescentou, fazendo-me alargar o sorriso. Aquilo nunca perdia a graça.

“Olha,”
– disse Yan, curvando-se para se apoiar nos joelhos, fitando-nos com os olhos ligeiramente estreitos – “Eu só não devolvo a zoeira porque depois de anos convivendo com vocês, tomadores de chá, eu aprendi a gostar dessa mania que vocês tem de falar com a boca cheia.” – afirmou de um modo, no mínimo, ultrajante – “Especialmente quando vem da boca de Sophy.” – acrescentou com triunfo, fazendo com que tanto eu quanto o lufano revirássemos os olhos.

“Você consegue ser irritantemente bonitinho quando quer, Yan.”
– afirmei, vendo-o alargar o sorriso vitorioso. Sabia que aquele maldito tinha total ciência de que o excesso de melação era algo que sempre fazia com que parássemos com as brincadeiras – “Aliás, na correria das coisas, nem disse, mas... Parabéns pelo noivado.” – congratulei com um sorriso, animado, vendo o sorriso sacana mudar para um plenamente satisfeito – “E aí, qual os planos depois disso?” – questionei, realmente curioso, recebendo, em um primeiro momento, um suspiro como resposta.

“Sei lá.”
– disse Yan, passando a mão pelos cabelos – “Pelas notas, pensei em tentar os testes para entrar no ministério como auror, mas... Lidar com os riscos é algo f*da.” – comentou, fazendo-me ficar realmente surpreso com a hesitação por parte do grifinório – “Não pra mim, você sabe que não ligo de pular na bagunça, mas para a Sophy. Ela ficou uma pilha com toda aquela loucura de Hogwarts, imagina comigo perseguindo bruxos das trevas por aí.” – e, de fato, ele tinha razão.

“Talvez você devesse conversar com ela direito sobre a possibilidade, se for o que você realmente quer. Ou falar com alguém que tenha experiência em lidar com riscos.”
– ponderei, pensativo – “Se quiser posso falar com a Mills, talvez o caso dos pais dela possa te ajudar de algum modo.” – comentei, notando então que o olhar de Yan estava em Nat, o que me fez fitar ao texugo ao meu lado que, por sua vez, me encarava com um olhar que eu bem conhecia – “Fala logo, Nathan, antes que eu vá atrás da Sté falar que você está apaixonado por mim.” – disse, vendo-o então pular para o espaço ao lado de nosso amigo escocês, a fim de me olhar de frente, o que apenas me fez ter mais certeza que vinha alguma besteira pela frente.

“Acabei de lembrar: como foi a conversa com Mille?”
– questionou de um modo que me fez pensar o quanto eu odiava aquela memória ‘conveniente’ de Nathan – “Você não nos falou nada sobre isso.” – e ante aquela afirmativa, não pude deixar de fitá-lo com minha melhor cara inocente – “Drew, eu sei que ela ficou com o Badgley.” – afirmou, tão categoricamente que foi impossível esconder a surpresa.

“Ela ficou com o Badgley?”
– observou, Yan, realmente assustado, enquanto eu pensava por um momento se havia sido justamente por aquele motivo que Sté resolvera acompanhar Sophy e Mills na hora de sair da cabine.

“Ficou. Na pista de dança, enquanto você devia estar com Sophy e Drew ocupado com a prima do Ling.”
– replicou Nat rapidamente, fazendo-me fitá-lo com certa censura ante tamanha indiscrição – “Ah, qual é, não foi de propósito. Eu e Sté estávamos lá, logo, não teve como não ver.” – replicou o lufano, sem graça.

“Ok você ter visto, mas isso não te dá o direito de sair falando por aí, assim como não explica o porquê da sua pergunta, Nat.”
– repliquei, notando o olhar cheio de significado vindo de meus dois amigos – “Por Merlin!” – exclamei, realmente de saco cheio daquilo – “Quantas vezes eu vou ter que dizer que eu já superei, faz tempo por sinal, aquela bagunça toda com a Mills?” – questionei, realmente indignado – “Eu tive sentimentos bem profundos por ela, mas isso é passado. Por que é tão difícil pro cérebro de vocês entender isso?” – disse, fitando-os com um pingo de irritação real, porque era f*da aguentar aquela mesma ladainha até em nossa última viagem juntos.

“Desculpa, Drew.”
– pediu Nat, realmente parecendo sem jeito e fazendo aquela cara de cachorro abandonado que era difícil de não perdoar.

“Foi mal, cara.”
– disse Yan, suspirando – “Mas é que, de verdade, acho que a gente sempre insiste nisso justamente porque nosso cérebro não entende.” – e arqueei as sobrancelhas, surpreso – “Não faz sentido você ter desistido e não faz sentido você ter, de certo modo, torcido por ela e Badgley. Nenhum. Nem pra mim, nem pro Nat, nem pra Sophy, nem pra Sté, nem pra nenhum dos caras e acho que, se bobear, nem mesmo para a Kamille.” – afirmou com aquela sinceridade firme que me fez respirar fundo. Pelo visto não tinha mais escapatória e já que era a única coisa que parecia ‘pairar’ ainda incógnita e incomodando aqueles dois bestas que, eu sabia, apenas estavam preocupados comigo, talvez fosse hora de contar.

“Eu sei.”
– afirmei, ajeitando os óculos – “É que é algo difícil de explicar.” – comentei, franzindo levemente o cenho sem saber exatamente como colocar aquilo antes de concluir que os dois só entenderiam se eu desse um exemplo – “Basicamente, é quase o mesmo caso do porquê de eu ter te dito que você devia largar a Lia e investir na Sophy” – disse, virando-me para o Yan – “e o porquê de eu ter te dito que não tinha certeza do que esperar de você e da Sté como casal.” – observei, fitando então Nathan, já com um pedido mudo de desculpas no olhar, uma vez que eu definitivamente não gostava de lembra-lo daquilo – “A diferença é que no caso de vocês o que eu fiz foi dar minha opinião baseada na minha fantástica capacidade de análise, no caso de Kamille, contudo, essa ‘opinião’ me envolvia, então o que eu tive de fazer foi uma ‘escolha’.” – aleguei, notando o olhar confuso dos dois.

“Que escolha?”
– disseram ao mesmo tempo. Fitei aos pares de olhos azuis e castanhos a minha frente, suspirando. Nunca havia falado daquilo com ninguém e, talvez, fosse até bom falar para aqueles dois, tanto para acabar com aquela ladainha, como para que eu mesmo me livrasse daquilo.

“O que era ‘melhor’ para mim e o que era ‘melhor’ para ela.”
– afirmei com um sorriso plácido e firme. Notei a troca de olhares entre meus dois amigos, vendo-os suspirar, se jogar nos acentos e me encararem.

“Então você optou por escolher o que era melhor para ela.”
– disse Yan, verbalizando o que ele e Nathan pensavam e o que eu, sim, imaginava que eles pensariam.

“Não.”
– aleguei, vendo uma expressão surpresa e esperada se abrir na face de ambos – “Eu queria conseguir ser nobre desse jeito, mas... Escolhi o que era melhor para mim, mas necessário para ela.” – afirmei com um sorriso de canto, observando a cara de perdido dos dois a minha frente – “Eu disse que era algo difícil de explicar.” – afirmei, divertido – “Mas não esquentem.” – acrescentei com um dar de ombros – “O fato é que eu estou bem, ela também e, como melhor amigo da Mills, eu realmente espero que as coisas andem para ela e o sonserino bonitão.” – garanti com um sorriso pontual que fez Yan suspirar, meneando a cabeça e Nat apenas me fitar com um olhar de total descrença.

“Ok...”
– murmurou o lufano, mantendo aquele olhar sobre mim – “Corvinos são estranhos, mas você é o mais estranho de todos. Definitivamente.” – concluiu, fazendo-me rir alto.

“Não vou negar que sou mesmo parte da casa, logo, sou estranho, tanto quanto sou inteligente e bonito.”
– garanti, divertido – “Assim como você não vai negar que a-ma, esse corvino estranho, Nat.” – aleguei, puxando aquele texugo palhaço pelo pescoço sob os protestos deste e o riso de Yan – “Do contrário você não teria me aguentado por sete anos zombando da sua lufanisse.” – garanti, soltando-o só para ver o rosto vermelho e os cabelos bagunçados de meu bobo amigo.

“Um nerd fora da curva,”
– disse Yan apontando para mim – “um lerdo por natureza,” – e apontou para Nat – “um nascido trouxa e escocês” – acrescentou, apontando para si antes de começar a erguer os dedos – “um pseudo-elite, um poço ambulante de testosterona, uma maníaca por moda, uma estudiosa frenética e uma nipo-inglesa eternamente sorridente...” – enunciou, citando, eu supunha ser Ling, Dio, Sté, Sophy e Mills – “Isso não tem nada a ver com casa, acho que está nas companhias.” – concluiu o grifinório – “Somos todos absurdamente estranhos, exceto, talvez, o Kel.” – ponderou, fazendo com que eu e Nat nos olhássemos.

“Realmente. Kel é normal, comparativamente falando.”
– concordei, pensando em nosso amigo irlandês.

“Apesar...”
– e tanto eu quanto Yan fitamos Nat – “Nunca entendi como alguém RUIVO como o Keelan conseguia passar tão desapercebido no meio da multidão, já que várias vezes ele sumia e ninguém sabia dele, assim como nunca entendi como ele sabia quando devia aparecer. Era quase como se ele tivesse, sei lá, uma capa da invisibilidade e vivesse nos seguindo para nos pegar de surpresa.” – afirmou, fazendo com que nós três ficássemos em silêncio por alguns instantes antes de trocar olhares rápidos.

“É, somos todos estranhos.”
– concluiu Yan com um dar de ombros.

“Chato seria se não fossemos.”
– acrescentei com um sorriso maroto, vendo os outros dois compartilharem do gesto.

“Fossemos o quê?”
– ouvi uma voz questionar, fazendo-me notar que as meninas acabavam de voltar e abriam a porta naquele instante.

“Fossemos”
– e meu olhar correu para o exterior do trem, notando que chegávamos à King Cross – “caçar o Ling, Dio e Kel para tirar uma foto lá fora, assim que o trem parar. Você está com sua câmera por aí, não está, Nat?” – questionei, fitando ao lufano que assentiu – “Ótimo. Uma última recordação.” – afirmei, divertido.

“Ai, que mara! Adorei a ideia!”
– e sorri para Sté, divertido por pelo menos ela ter caído naquela, visto que Sophy e Mills me fitavam com um olhar desconfiado.

“Vamos mesmo causar no meio da multidão de famílias se reencontrando?”
– questionou Yan, encarando o caos típico nas plataformas.

“É nosso último dia como estudantes, usando essas vestes aqui. Acho que temos o direito.”
– aleguei com uma piscadela divertida, vendo todos concordarem, enquanto meu próprio olhar pousava sobre cada um naquela cabine e, então, para o exterior do trem que, enfim, parava.

Então, era isso. O fim de minha vida estudantil e de minha participação como coadjuvante de uma longa jornada de sete anos letivos. Meu fim? Não, claro que não. Porque assim como todos os personagens aqui, eu também tenho uma história e por mais que uma parte tenha aqui acabado, ainda havia muito para acontecer e muito onde aparecer. Era só aguardar para ver.


[ Interaction: Andrew Spencer (NPC) | Yan Scheinberg (NPC); Nathan Campbell (NPC); Stephanie Campbell (NPC); ]
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[ Off: Só pra ‘finalizar’ com essas crianças. <3 ]

Kamille Dernach
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Re: Estação King's Cross

MensagemDinamarca [#148556] por Benjamin Carter » 02 Jun 2015, 02:24

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***


    É engraçado como nem notamos nossas próprias mudanças, sejam físicas ou psicológicas. Eli sentado na cadeira olhando o sol se por e vendo a grande Hollywood se acender eu podia entender como os ciclos de mudança são infindáveis. A um ano atrás eu aguardava ansioso o retorno para França enquanto hoje tudo o que via era incerteza de um recomeço.

    Certeza absoluta! – Respondi Scar. que parecia titubear a fazer o que eu havia pedido. – Não me serve de nada e apenas me atrapalham. – Conclui a afirmativa voltando a manter o olhar no horizonte e não demorou para que eu pudesse sentir o primeiro tufo cair. Para muitos aqueles cabelos eram apenas um emaranhado castanho, contudo, a cada tentativa falha de arruma-lo eu lembrava os milagres que minha mãe conseguia fazer, do cuidado, do esmero, do amor que eu precisava deixar de acreditar. Corta-los representava a ultima fase de minha mudança, as lagrimas desceram abundantes delineando minha face tão branca e focada. – Não se preocupe, apenas faça! – Falei de forma embargada e totalmente firme, aquele não seria mais um de meus momentos de fuga desesperada, não haveria correria e tão pouco pediria para que Scarlatt parasse o que estava fazendo. Eu aguardaria até que o fim daquela tortura chegasse, aquelas não seriam lagrimas de fraqueza e tão pouco de medo, seriam felizes e realizadoras, seriam a marca de minha nova vida.

    Foram apenas alguns minutos e suficientes para que todas as lembranças de minha infância fossem passadas como imagens da caixa magica de Phel. Eu sentia uma leveza desconhecida e assim que minha tutora passou o pequeno espelho, pude entender de onde estava vindo. A pessoa no espelho era um estranho, a fisionomia esguia agora não podia ser escondida e minha face destacava as marcas de minha juventude. Talvez, só talvez eu estivesse me achando realmente bonito e aquilo era tão estranho, sempre foi suficiente ser amigo de belas pessoas, mas agora eu via alguém diferente. Sorri e levantei nitidamente animado. – Então, esse corte foi inspirado em Sean Dewey ou Andrew Schleswig? – Questionei soltando a alfinetada suficiente para ver Scarlett corar e logo me dar uma resposta à altura. – Relaxa, eu só queria saber se o Dewey tinha roubado seu coração ou se eu ainda tenho chances, afinal já sou mais alto que você. – Pisquei enquanto gargalhava e fazia uma tentativa ridícula de ser mais alto do que realmente era. Era meu ultimo dia em casa talvez por isso tanta felicidade, Abraham havia feito minhas bolachas com cobertura de amoras e preparado um pequeno embrulho para a viagem. Meu malão agora exibiam o símbolo de Hogwarts , Bob - o sapo azul – e Morrigana – a coruja – já estavam em suas gaiolas, a vestimenta negra descansava bem passada na cama. Estava tudo pronto, eu só precisava partir.

    Não se preocupe, a tampinha vai ficar bem. Ficarei de olho para que ela tenha apenas um namorado. – Gargalhei mais uma vez e logo dei um abraço afável em Scarlett. Abraham havia arrumado todas as coisas no trem e só restavam uma pequena bolsa e a roupa no protetor. O sino soou anunciando a última chamada, eu ainda podia desistir e pedir para que Scarlett mandasse algumas corujas e usasse sua influência para que eu pudesse voltar para Beauxabatons, mas aquele não seria um dia de desistências. Segurei firme no suporte e coloquei o primeiro pé, olhei para trás e vi Scar ali parada totalmente disposta a me apoiar. – Caso encontre o Andrew, diga que mando lembranças ao Phelipe. – Sim, eu estava me deixando tudo para trás por culpa daquele maldito, era justo que ele soubesse o quanto eu estava bem e feliz longe daquelas mãos macias e firmes. Adentrei buscando novos amigos, uma nova vida, um novo amor. Que meu desejo se realizasse, mas se não acontecesse... tudo bem, pelo menos eu não veria Phelipe pelo resto de minha vida.
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Benjamin Carter
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Re: Estação King's Cross

MensagemFranca [#148742] por Amélie Lavoie » 03 Jun 2015, 19:42

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- Mademoiselle... – disse, curvando levemente o tronco e com a mão, em gesto delicado e suave, conduzindo não só Amélie como também seus pais. A francezinha estava ligeiramente enjoada. Andara de carro trouxa pela primeira vez e não se habituara a ideia de uma máquina a conduzindo com velocidade acima de 40km/hora. Pensou inclusive que ia vomitar, mas Erwan, conhecendo não só a filha, como também a esposa que estava enjoada, trouxe consigo uma poção para aliviar os sintomas estomacais.

– Você poderia ter nos dado isto antes da viagem, Erwan... Teria nos poupado do vexame perante estes trouxas. Como conseguem andar nesta coisa? – dizia a francesa que assim como a rebenta pouco conhecia dos costumes trouxas. Erwan, ao contrário, sabendo que em breve aquele espaço seria sua morada, tratou de ler, pesquisar e se interar mais sobre os humanoides que eram carecidos do dom da magia. Realmente, era algo complicado não usá-la na frente deles. E mais ainda... O bruxo viu quão dependente não só ele, mas a maioria, senão todos, de sua espécie o são. Trouxas eram uma singularidade que paulatinamente chamava a atenção do francês, posto ter conseguido sobreviver por tantos séculos, milênios até, sem o uso da magia. No entanto, criaram a tecnologia que em algumas partes conseguia suprir o dom mágico, principalmente para aqueles que não o tinham, e assim como os bruxos eram dependentes do cerne mágico, os trouxas dependiam da tecnologia e de suas engenhocas brutalmente.

- Pensei que vocês iam gostar de andar de automóvel; que gostariam de sentir o vento batendo no rosto, coisa que só conseguimos com a vassoura... – disse ligeiramente desapontado. – isto porque pedi para o motorista não ir muito rápido, fazer as curvas suaves. Se tivesse ido como os ingleses aqui costumam dirigir... Amélie precisaria de um uniforme novo agora.

-Aff! – Chloe deu o último gole da poção após Amélie ter bebido a sua parte. – obrigada então, mon amour, por ter sido um verdadeiro cavalheiro. Não vou voltar neste geringonça... vamos usar a aparatação – e sem esperar Erwan responder, caminhou em direção a plataforma 9 ¾ puxando a filha pelo braço. – e ainda temos que dar uma de atores, enganar estes trouxas para podermos chegar ao Expresso de Hogwarts. Seria muito mais prático se tivéssemos ido pelo mundo mágico. Mas, não... você como sempre quer inventar modinha com mal humor, Chloe ainda conseguia fazer trocadilhos a respeito da profissão do marido, que, contrariado e um pouco envergonhado pela discussão que a esposa travava e angariava alguns olhares tortos de trouxa, andava a poucos centímetros atrás da esposa.

Amélie não dizia nada. Ainda não se sentia completamente restabelecida e ainda a ideia de que naquele momento, a quilômetros de distância Gilles se dirigia para Beauxbatons pela primeira vez sem ela, fazia seu coração apertar dentro de seu peito. A estação estava lotada, e não duvidava que boa parte da aglomeração se dava pelo inicio letivo em Hogwarts. Afinal, muitos alunos usavam o lado trouxa para poder chegar a plataforma 9 ¾ . A pedido do pai, a filha já usava o uniforme da escola escocesa, embora ainda sem distinção de qual casa participava, posto ainda não ter participado da seleção. De fato, as indumentárias francesas eram deveras mais atraentes; elas conseguiam modelar mais o seu corpo, deixá-lo mais feminino e delicado, além, de claro, evidenciar suas silhuetas que paulatinamente davam a Amélie um contorno mais de mulher.

Não demorou muito para o trio chegar ao trem que levaria a herdeira Lanvin-Lavoie para a escola. E Chloe ainda um pouco irritada com o marido, tentou respirar fundo e isolar toda a sua ira para posteriormente, dedicando ali um momento mais especial com a filha.
– Qualquer coisa nos mande uma coruja, viu? Vai dar tudo certo em Hogwarts. O ensino de lá é ótimo, um dos melhores da Europa, - ajustava o uniforme de Amélie, passava as mãos nos cabelos soltos da filha que cascateavam sobre seus ombros, levando algumas mexas carinhosamente para detrás da orelha – Logo fará novos amigos e se sentirá em casa como se sentia na França e em Beauxbatons, ok? – beijou a testa da filha, abraçando-a forte, em seguida. Je t'aime mon amour. Bon Voyage.

- Está melhor do enjoo, minha filha? – perguntou Erwan, carinhosamente, enquanto se despedia de Amélie.

- Estou sim, papai. Obrigada. E fiquem tranquilos... qualquer coisa, mando uma coruja. – e se dirigiu ao seu pai, num tom triste e sério – e papai... vê se consegue trazer a nana para a Inglaterra. Não quero ficar sem ela... tenta transferir o Gilles para Hogwarts também... por favor. Eu cresci com eles... não sei porque eles têm que ficar na França... de porque não puderam vir com a gente. – sentiu sua voz embarcar com um choro latente aos seus olhos. Chloe olhou para o marido ligeiramente impaciente com a volta daquele assunto, pela milésima vez, talvez até no sentido literal da palavra.

- Ok, minha filha... Verei o que posso fazer – o homem mentiu para filha. Pois, sabia que não havia nenhum motivo que impedisse Nana e Gilles de se mudarem com a família para a Inglaterra a não ser a vontade dos pais da garota de afastá-la um pouco do filho da criada, de impedir que algo de mais sério acontecesse entre os dois. Dissera várias vezes para Amélie que a Nana dela precisava ficar na França a fim de cuidar da casa e outras desculpas mais que não enganaram a garota muito menos a própria Nana que logo percebeu a real intenção dos patrões e tentou dissuadir o filho bem como a pequena patroinha a aceitarem a mudança. Pelo visto, a garota ainda estava irredutível, e, pela primeira vez, viu um desejo seu não ser atendido pelos pais. Como aquilo feria seu coração bem como seu orgulho.

Os pais, relutantes em prosseguirem naquele assunto, despediram-se da filha novamente, pedindo para que ela adentrasse no trem que já tocara a sineta anunciando a partida. Erwan ajudou a filha com as bagagens e Amélie adentrou no Expresso de Hogwarts com lágrimas nos olhos.
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Amélie Lavoie
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Re: Estação King's Cross

MensagemHolanda [#148763] por Desirée Beatrix van Oranje » 03 Jun 2015, 23:21

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THERE'S AN EMPTY PLACE IN MY BONES
THAT CALLS OUT FOR SOMETHING UNKNOW
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STATUS: finished. // WORD COUNT: 1.615 words
TAGS: Me recuso a marcar NPCs. // WEARING: roupas de verão e um chapeu // CREDITS: moi
NOTES: prólogo para o post no jantar de abertura. //
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– A não serr que você queira... Non, merci, não serrá necessário. Tudo bem... Tudo bem, com certeza serrá um ano incrível. Merci beaucoup, tenha um ótimo dia.

Coloquei o telefone no gancho.

Era quase dia primeiro de setembro; o sol iluminava as copas das árvores e as felosas-das-figueiras cantavam destoantes. Continuei um tempo ao lado da janela. Observava a calmaria da Villa Eikenhorst. Não sei quantos minutos gastei em estado de completa contemplação. Talvez tenha sido uma eternidade. Meus pensamentos iam desde o dia em que me mudara com minha família para aquele lugar até quando abandonara a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, no ano passado. Respirei fundo com pesar.

Alguns dias se passaram e nada mudou. A não ser os telefonemas que não paravam de aumentar. Por Merlin, será possível que eu não possa ter um momento de paz, eu pensava o tempo todo em conjunto a um sentimento ruim me fazia querer esconder-me embaixo da cama e matar qualquer um que se atrevesse a se direcionar a mim.

Familiares, súditos e quem quer que fossem não paravam de ligar com o objetivo de contentar-me com palavras doces e declarar apoio a qualquer uma que fossem as minhas decisões dali para frente. O fato de eu ter abandonado Hogwarts no ano passado havia repercutido em toda sociedade bruxa e o meu problema havia se tornado problema do reino dos países baixos, mais especificamente de meu pai, que me obrigava a voltar aos estudos na academia inglesa para o bem da paz de todos. Eu, Desirée, era a mais nova messias da socialite. Era meu trabalho salvar-lhes de tamanho incomodo que era eu viver a minha vida do jeito que eu bem entendesse. Ao sair do meu quarto, após colocar alguns livros e bugigangas em minha mochila, não pude evitar fitar meu reflexo contra o espelho da penteadeira. Eu estava terrível. Arrependi-me e segui até a escada à direita de meu quarto, que me levaria em direção o hall de entrada.

A escada era de madeira, bem lustrada, e eu, por um momento, não conseguia descê-la sem apoiar minha mão direita sobre a parede. Eu não me sentia bem. Algo me fazia querer parar e desistir daquele circo onde a palhaça era ninguém a não ser eu. Ser a primeira herdeira de um trono real também implicava a não privacidade em todos os momentos de minha vida. Não achava impossível que estivesse sendo fotografada naquele momento e que em alguns minutos uma manchete estamparia um site da internet qualquer com a manchete “A retardada Princesa da casa de Orange-Nassau não consegue descer escada”. Levei a mãos às têmporas e balancei a cabeça como quem espanta uma vertigem, um sonho ruim. Depois de recomposta desci os lances da escada que restavam, com altivez. No hall bem iluminado pela porta aberta quatro pessoas me aguardavam: Minha mãe, Máxima; minha irmã, Alexia; meu pai, Guilherme; e Ralf, meu guarda pessoal, que me aparataria até a estação de King’s Cross, em Londres. Minhas malas seriam mandadas depois até Hogwarts. Não estranhei a ausência de minha irmã mais nova, nós tínhamos acabado de sair de uma situação desconfortável onde a pequenina tentara decepar-me com inúmeros feitiços. Apenas uma relação agradável entre irmãs.

– Minha filha, por que está tão pálida? – o Rei Guilherme Alexandre parecia estar preocupado.

– Tudo bem, Desi? – seguindo os passos do pai Alexia veio até mim. Pegou a minha mão e me olhou nos olhos. Tentava encontrar lagrimas.

Minha mãe nada fez. Ela não gostava de teatros. Como somos parecidas, pensei.

– Está tudo bem comigo – tentei fazer com que aquela mentira soasse o mais real o possível – não se prreocupem, por favor.

– Prometa que vai mandar cartas!

– Sim.

– E fotos?

Clarro.

– Promete?

Oui, Alexia. Deixe-me ir agora. Mande um abrraço a Ariane por mim, porr favor.

A abracei e me dirigi até Ralf, meu guarda-costas, que se reverenciou brevemente, com classe. Ele era alto e vestia roupas escuras que contrastavam com a ambientação suave da residência. Era claro que ele fazia parte de outro mundo. Queria poder ter conversado com ele, pedido conselhos de como era ser uma pessoa de outro mundo, no entanto a única coisa que aconteceu quando me aproximei dele foi um aperto de mão seguido por um nó em meu umbigo e a sensação de ser amassada com uma bola de papel. Eu adorava aparatar.

Em uma fração de segunda estávamos próximos à estação, em uma região deserta semelhante a um estacionamento. O contraste da ensolarada e verde Haia com a nublada e morta Londres, abarrotada por prédios e carros, me fez parar de respirar por alguns segundos, como se o ar estivesse contaminado. Olhei para Ralf. Ele observava os arredores, se assegurando de que ninguém tivesse nos visto. Era muito provável que não, trouxas apenas se preocupavam com seu próprio umbigo, era reflexo de sua ligeira inferioridade aos bruxos que dominavam todo aspecto da existência humana e da vida. Eu não sabia o que fazer a seguir, era a minha segunda vez naquele lugar. O sentimento que me inundava os nervos era de pura irritação.

– Por aqui, Princesa.

Fomos em direção às massas que se direcionavam até a construção monumental, nos mesclando ao fluxo homogêneo. Eram muitas pessoas, muitos sons diferentes, um oceano onde desaguava toda a vida social trouxa. Sem avisos Ralf agarrou meu pulso e praticamente me arrastou pelo imenso pátio.

– Ei, Ralf, vá com calma! Vou acabarr caindo!

Ele nunca dava muita atenção às minhas reinvindicações. Com certeza era uma instrução que meu pai dera a ele previamente, fazia parte de seu trabalho. Preferi acompanhá-lo em sua pressa decidida. Por consequência em segundos estávamos na plataforma nove, em frente ao pilar de blocos que servia como portal para a famigerada plataforma nove três quartos. Ir em direção a um pilar e atravessa-lo me deixava desconfortável. Preferia portas. Olhei de soslaio para Ralf que se posicionava atrás de mim. Ele apenas aguardava a minha próxima ação. Se eu corresse para qualquer lado a não ser diretamente ao portal ele me agarraria e jogaria dentro do expresso de Hogwarts, tinha certeza disso. Arrisquei um muxoxo baixo. Ele escutou, mas não ligou. Como não havia opções atravessei a pilastra. Lentamente um mundo novo se apresentou para mim.

No lugar de pessoas indo ao trabalho, ou indo para qualquer lugar que fosse, dezenas de famílias se amontoavam com seus filhos e suas malas envolta da maria fumaça negra.

– Pode me deixarr por aqui, Ralf. Muito obrrigada pela companhia.

Me direcionei até o trem, focada em encontrar uma cabine vazia em que eu pudesse simplesmente me trancar da realidade externa de euforia e felicidade. Não queria compactuar com aquele sentimento coletivo. Ralf subitamente chamou minha atenção.

– Seu pai pediu que eu lhe desse isso, Princesa. – Ralf estendeu um bilhete para mim. – pediu que lesse com atenção.

Não demorei e abri o bilhete. Dizia apenas “vagão sete, cabine nove”. Fiquei confusa à principio, mas acatei como uma ordem marcial enfim.

Merci, Ralf. Au revoir.

Direcionei-me ao trem, ao vagão sete, à cabine nove.

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Re: Estação King's Cross

MensagemBrasil [#149005] por Vitor Resadore » 07 Jun 2015, 16:28

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................- Falta tão pouco tempo... dissera Vitor em um tom de voz tão baixo que ele mesmo sentiu ser um cochicho. Estava muito ansioso para seu primeiro dia em Hogwarts, tudo o que soubera da escola tinha sido contado pelo seu pai que já fora um estudante de lá quando jovem. Não conseguia segurar tanto entusiasmo para se admirar com as dimensões monstruosas do castelo de um milênio como foi descrito pelo seu pai, as coisas incríveis que possuía, além do sentimento de nervosismo e a sensação fraca de medo do desconhecido. Tinha medo de não se dar muito bem com as outras pessoas, principalmente com os outros alunos e colegas. E mal esperava por saber a qual casa pertenceria em todo o período que passaria em Hogwarts.

................Era o primeiro dia de setembro, e foi um dia que Vitor esperou e que nunca saía de sua cabeça. Como todos os dias comuns em Londres, naquele podia-se sentir o clima típico local, com o som de costume das grandes cidades atuais. Nas ruas diversos carros iam pra lá e pra cá, todos pareciam apressados com a correria do dia-a-dia comum de um cidadão que possui suas ocupações diárias. Tudo era novo e interessante para o pequeno Vitor, nunca estivera em um outro país tão distante de casa, já havia visitado o México, o Canadá, e alguns outros países das Américas, porém nunca tinha se aventurado tão distante de casa.

................Vinha treinando seu inglês desde cedo, com o incentivo de seus pais que já sabiam que um dia seu filho teria de viver longe por um pequeno período. Em casa haviam algumas regras, onde alguns dias da semana só podiam pronunciarem palavras do vocabulário inglês. Vitor não entendia muito bem o porquê disto, porém quando começou a sair para outros países, principalmente os que possuíam a língua inglesa como principal idioma, começou a entender os motivos. O sotaque britânico era algo que ele pouco teve contato, para Vitor era algo lindo de se ver, era mais fluente, mais fácil de entender, as pessoas se preocupavam com o uso e pronúncia certa das palavras, algo que ele começara a prestar atenção.

................- Vamos filho, você primeiro. As palavras vieram de seu pai que estava do seu lado, estavam parados diante das plataformas 9 e 10 da estação King's Cross, que possuía uma ligação mágica com a plataforma nove três quartos. Sua mãe estava junto de seu marido e filho e estava tão surpresa quanto ele, nunca antes tivera contato com a estação King's Cross, quem imaginaria que entraria no portal mágico do Expresso de Hogwarts? Vitor empurrava o seu carrinho que carregava o malão com todos os seus pertences e segurava em uma de suas mãos o seu bilhete do trem. - É só ir na direção da parede e atravessar? Ele olhou para seu pai que confirmou positivamente com um aceno com a cabeça. - Mas e se eu bater na parede e me machucar? Tornou a falar ainda olhando para seu pai. - Não se preocupe, eu também estava tão receoso quanto você na minha primeira vez, mas depois ocorreu tudo bem, é só tentar que você consegue filho... Vitor consentiu com um leve sorriso em seu rosto e tornou a olhar para a grossa coluna de pedra que divida as plataformas, respirou bem fundo, sentindo um leve frio na barriga de medo, começou a caminhar com uma certa velocidade e de repente, literalmente como mágica, ele se encontrava em uma estação de trem semelhante, porém com muito mais pessoas que a anterior. As pessoas desta se diferenciavam por suas vestimentas características, alguns poucos possuíam roupas no estilo dos trouxas, outros já se vestiam do modo tradicional de um bruxo.

................Vitor ouviu um forte e alto apito de trem muito próximo dele, quando virou para olhar de onde havia vindo, leu o grande escrito que o trem possuía: Expresso Hogwarts. Um pouco antes do barulho do apito cessar diante da multidão de pessoas transitando pra lá e pra cá pela plataforma carregando seus malões e gaiolas com animais de estimação, os pais de Vitor apareceram às suas costas, sua mãe tinha o tom de surpresa em seu rosto, tanto quanto o de seu filho. - Vamos filho, você já está atrasado, se apresse para entrar no trem. Disse seu pai que procurava com os olhos um lugar de entrada no trem. Vitor se apressou para empurrar seu malão até o bagageiro do trem, deu um forte abraço em sua mãe e logo em seguida em seu pai. Ele levava em seu rosto uma expressão de medo e tristeza. - Está tudo bem amor? Perguntou sua mãe que estava a olhar para seus olhos. - Não sei mãe, estou um pouco confuso... Vitor possuía uma mescla de sentimentos, que hora era entusiasmo, ansiedade, e hora era medo de ficar longe de casa por tanto tempo e sozinho. - Não se preocupe filho, logo você irá fazer novos amigos e irá se acostumar com a escola... Sua mãe, apesar de surpresa com o mundo mágico e não saber muitas coisas, estudou durante dois anos em um colégio interno e sabia como seu filho se sentia naquele momento.

................- Mande corujas com notícias Vitor. Disse seu pai, à Vitor que já estava entrando no trem. Vitor olhou para trás para dar uma última olhada em seus pais, virou-se de volta ao interior do trem e sumiu por entre os alunos que também já estavam dentro. Procurou uma cabine com algum espaço para se acomodar e tentou se espremer entre os outros alunos que estavam olhando pela janela para ver seus pais. Os pais de Vitor estavam parados do lado de fora esperando o trem partir junto de dezenas de outras pessoas fazendo o mesmo, e de repente com um último apito, o Expresso Hogwarts começou a se mover. Vitor olhava para seus pais dando tchau, até que foram ficando cada vez mais distante da plataforma. Com o tempo o que ele podia ver era apenas pequenos pontos pretos no horizonte muito distante. Apesar de tudo, Vitor tinha esperança de que tudo iria dar certo neste ano...
Vitor Resadore
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Re: Estação King's Cross

MensagemEstados Unidos [#149042] por Sebastian Ramshaw » 08 Jun 2015, 13:40

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    Lá estava eu, andando pela estação King’s Cross com o meu pai, minha madrasta e meio irmão. A caminhada fora um pouco desconfortável. Vlad me contava sobre a realeza, da importância de ser um conde e todas essas coisas que sinceramente, não me interessavam muito. Na verdade queria que ele me falasse sobre a minha mãe ou mais sobre si já que tivemos pouco tempo a sós. Também percebi que a minha madrasta, que se chamava Kirstin Gravel, não estava gostando nenhum pouco de mim, notei que ela me observava de nariz empinado e cara fechada, o que a deixava ainda mais feia, infelizmente o meu pai não teve o bom gosto do meu tio (exceto com a minha mãe), a diferença entre ela e a minha tia era de um montinho de areia feito a mão para Everest. – Uou, mil anos na realeza? É tempo pra dedeu. – Ok, isso me deixou impressionado. Percebi que o meu pai gostou do comentário que fiz, minha madrasta torceu o nariz e o meu irmão continuo indiferente, estava na cara que queria estar em outro lugar.

    Continuei empurrando o meu carrinho, desviando dos trouxas e de algumas famílias bruxas. Porem percebi ao olhar para o meu relógio, que havíamos chegado cedo demais. Ainda faltava uma hora para que o expresso de Hogwarts partisse, ou seja, ainda teria mais uma hora desconfortável com a minha nova família. – Então, o Kyle não estuda em Hogwarts pelo que percebi, então em qual escola ele estuda? – Dessa vez o meu irmão olhou em minha direção. Não consegui entender muito bem se aquele olhar era de tristeza ou de raiva, já que ele sabia disfarçar bem suas expressões e eu não sou muito perceptível. – Ele estuda em casa com os melhores professores particulares, longe dessas escolas pestilentas e cheia de gente mal educada. – A resposta veio da Sra. Gavrel, suas palavras foram frias e diretas, o que me irritou bastante. – Hogwarts não é uma escola pestilenta. Acho que a Senhora precisa se informar melhor. – Não sei de onde me veio toda aquela coragem, mas estava começando a desaparecer a cada segundo que o silencio prevalecia.

    A mulher estava prestes a me responder, provavelmente algo bem abusado já que o seu rosto assumiu uma cor avermelhada. Porem o meu irmão fora mais rápido e se interpôs entre a gente. – Não ligue para ela, Ramshaw, minha mãe adora responder por mim e pelo meu pai. Enfim, estudo em casa porque eles me obrigam, queria mesmo era estar em Beauxbatons, dizem que aquela escola é cheia de gatinhas... Mas é verdade que as Corvinas são as mais belas de todas as garotas de Hogwarts? – E me encarou com um meio sorriso. Fiquei um pouco nervoso, pois meus pensamentos foram direto em Kamille. – Hm... Eu di-diria que s-sim... Mas elas são bem difíceis. – Engoli em seco e afastei a garota dos meus pensamentos. Meu irmão em resposta apenas sorriu confiante e disse. – Difíceis para você, queria ver se eu estivesse lá. Sem ofensas, cara, mas você é muito nervoso.... Ei, quem é aquela gatinha acenando para você? Ela esta vindo para cá, acho bom você nos apresentar. – Olhei para o lado e vi July Eastwood vindo em minha direção.

    Instantaneamente me senti seguro e muito feliz pela chegada da garota, agora não estava mais sozinho com aquelas pessoas e ainda por cima, reencontrei minha melhor amiga. – Hey Julys. – Nos abraçamos, fazia muito tempo desde a ultima vez que nos vimos. Pensei que talvez ela estivesse irritada por eu não ter enviado muitas cartas, mas aquele sorriso demonstrava o oposto. – É muito bom te ver... Alias, esse aqui é o meu pai, Daniil Vlad Gavrel . Essa é a Sra. Kirstin Gavrel, sua esposa e minha... m-madrasta... E esse aqui é o meu irmão, Daniil Kyle Gavrel. Pessoal, essa é a July Eastwood. – O garoto se adiantou e beijou a mão de July. Minha madrasta ficou ainda mais vermelha com a atitude dele. Meu pai apenas piscou para mim e fez um discreto sinal positivo na qual eu não entendi qual era o objetivo.

    É um prazer, Senhorita Eastwood, não sabia que o meu irmãozinho andava tão bem acompanhado. Espero que um dia a leve para conhecer nossa mansão. – Kyle a encarava nos olhos, July estava corada e eu senti algo estranho naquele momento, meu coração acelerou instantaneamente e as minhas orelhas estavam em chamas. Então apenas fechei o punho e escutei a resposta da garota. - Bem, acho que chegou a hora de irmos, Sebastian já esta praticamente entregue. Fico feliz que tenha aceitado o convite, filho, é muito importante para mim vir te deixar aqui. – Eu não esperava por aquelas palavras, meu pai parecia ser um pouco frio as vezes, não da forma como o meu tio que fazia isso para espantar as pessoas. Um sorriso formou-se em meu rosto ao sentir o tapinha nos ombros que fora seguido por um abraço. A Sra. Gavrel por sua vez deu as costas e saiu andando em passos firmes, pareceu ter chegado ao limite. Kyle piscou para July e saiu junto com o meu pai.

    Acenei para os dois até que ambos sumiram do meu campo de vista. Em seguida girei o corpo para poder ficar de frente para July, sorrindo meio sem graça. – Desculpe por isso... Conheci o meu meio-irmão ontem, juntamente com a minha madrasta. Tenho tanta coisa para te contar, você tem um tempo? – Olhei em direção a família de July, talvez ela quisesse ficar mais um pouco com eles já que iria passar muito tempo sem ver os pais. Porem ela apenas indicou um banco próximo para que pudéssemos sentar e conversar. – Certo, antes de começar a te bombardear com as minhas asneiras, quero te entregar algo que não quis mandar por coruja. – Disse enquanto seguíamos até o banco, mas antes de sentarmos, eu abri o meu malão e retirei uma caixa que estava embrulhada para presente. – Feliz aniversario, July, não é todo dia que uma bruxa completa quatorze anos, ainda mais se essa bruxa é a mais inteligente da sua idade. – Empurrei o embrulho nas mãos dela, sorrindo animado, fora bastante complicado conseguir aquele presente, então torci para que ela gostasse, meu coração saltava a medida que ela abria a caixa. Fiquei ansioso, aguardando a reação da corvina. –
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Sebastian Ramshaw
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Re: Estação King's Cross

MensagemEstados Unidos [#149190] por Scarlett Adams » 11 Jun 2015, 02:46

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                – Você tem certeza disso? – questionou, encarando as madeixas enroladas de Benjamin. Acreditava que da mesma forma que o cabelo rosa era sua marca, os cachos eram a do mais novo, por isso estava com certo receio a respeito de tudo aquilo. Assim que ele respondeu, até pensou em contestar, mas se ele realmente parecia confiante, não havia nada que a estadunidense pudesse fazer além de atender ao seu pedido. Com a tesoura em mãos, ergueu uma pequena parcela do cabelo do garoto, tentando medir um tamanho que seria apropriado. Levando em conta que seria mais fácil arrumar caso ficasse grande demais do que absurdamente curto, preferiu ir aos poucos, cortando mais ou menos a metade. – Algo que diz que algum desastre vai acontecer. – comentou, encarando a parte do cabelo que estava menor que as demais. A verdade era que nunca precisou se preocupar com cortar cabelo, então, realmente não tinha a menor ideia do que estava fazendo.

                – Mas que fique claro que se sair ruim, eu sou inocente, já tinha avisado que não tinha a menor habilidade para essa coisa. – afirmou, dando de ombros. – Ok, vou ser legal… Até te compro um gorro, um boné, chapéu, um lenço ou o que você quiser pra esconder. – completou, rindo com a própria fala. Deixando as brincadeiras de lado, continuou fazendo o serviço, fazendo seu melhor para que o cabelo do menino ficasse pelo menos de um tamanho padrão. Quando terminou, percebeu que o cabelo de Benjamin aparentava ser liso, não havia espaço para um mísero cacho. Colocando-se entre o garoto e a vista da cidade, encarou o mais novo diretamente, observando criticamente o resultado de tudo. Ben parecia completamente diferente, mas tinha ficado bonito, ainda mais se levassem em conta o quão amadora Scarlett era naquilo. – Ai, Merlin! Será que dá tempo de irmos atrás de um chapéu pra você? Ou vou ter que te emprestar um dos meus? – questionou, fingindo desespero ao mesmo tempo em que passava o espelho para o mais novo.

                – Com certeza você ficaria bem com aquele chapéu com flores vermelhas, mas pra sua sorte, não vai precisar. – comentou, piscando de uma maneira bem humorada para o garoto. Enquanto ele se observava, manteve-se apreensiva, mas assim que um sorriso surgiu, soltou um suspiro de alívio, porque ele havia gostado, afinal. A pergunta que veio em seguida, fez com que os olhos da estadunidense se arregalassem e suas bochechas assumissem um leve tom rosado, sinal de que não estava esperando por aquilo, mas a supresa logo abriu espaço para uma risada. – Está mais pra “Scar tentando não estragar tudo”. Nem se eu quisesse, conseguiria copiar um dos dois e também não faria isso, Sean e seu cabelo são uma coisa, Andrew e seu corte outra, completamente diferente e amigável, e Benjamin e seu novo visual uma terceira, aparentemente mais abusada que as demais. – comentou, erguendo uma sobrancelha para Carter. Não sabia de onde aquela pergunta tinha surgido, mas seria bom deixar claro que o ruivo não era nada além de um amigo.

                – Vejamos… Pode-se dizer que metade é seu e metade é dele. Mas com esse cabelo e essa altura, certamente você vai conseguir roubar muitos outros corações. – disse, contendo a vontade de jogar Benjamin na piscina. Por conta do fuso horário, o rapaz deveria sair de casa antes das três horas da madrugada para poder chegar a tempo de embarcar no King’s Cross na Inglaterra, ou seja, seria melhor aproveitar aquelas horas dormindo, não com brincadeiras aquáticas. – Agora, já pra cama! Não vai conseguir fazer muitos amigos no trem se estiver parecendo um zumbi. – ordenou, sacudindo as mãos para apressá-lo. – Se alguma coisa estiver faltando, eu e Abraham daremos um jeito, vá descansar, sério. – falou, puxando Ben pela mão até a porta de seu quatro, de onde só o permitiria sair quando os relógios da casa estivessem marcando pelo menos duas horas.




                – Tenho certeza que você vai gostar de Hogwarts, mas qualquer coisa, se estiver com problemas, quiser ajuda, dicas de esconderijos na escola, ou qualquer coisa, basta me mandar uma carta ou chamar o Abraham. – afirmou, ao mesmo tempo em que colocava mais algumas coisas na bolsa de Benjamin, doces, itens de primeiros socorros, dinheiro, o básico. – Taylor também vai estar lá, não hesite em procurá-la se precisar. Estou contando que um vai cuidar do outro. – comentou, aproveitando para procurar os cabelos ruivos da irmã mais nova em meio aos alunos, não encontrando nada, no entanto. – Um namorado? Por favor, aquela ali não deveria ter nenhum, praticamente nem saiu do berço. – disse, abrindo um sorriso e tentando ignorar aquela pequena provocação de Carter. – Só não diga isso pra ela, ou vai ter que aguentar um discurso de meia hora sobre a diferença de um berço e um saco de dormir. Acredite, já passei por isso. – falou, erguendo as sobrancelhas para completar a advertência.

                Sem uma despedida melosa ou algo do tipo, simplesmente retribuiu o abraço de Ben, fazendo questão de esmagá-lo um pouco no processo. Já tinha passado uma série de dicas sobre Hogwarts (afinal, tinha estudado lá) e recomendações, então, naquele momento não havia mais nada a ser dito. Na ausência de palavras, apenas abriu mais um sorriso, acompanhando o distanciamento do mais novo com o olhar. Já entrando no trem, o rapaz fez um último pedido, que mandasse lembranças para Phelipe caso encontrasse Andrew e em resposta, Adams apenas ergueu o polegar, indicando que certamente o faria. O expresso já estava prestes a partir, quando uma ruiva bastante familiar apareceu em seu campo de vista, correndo desajeitadamente na direção do trem. Nem precisava entrar em contato com ela para saber o motivo de seu atraso: a mãe de ambas, que definitivamente não conseguia ser breve em despedidas.

                – Taylor! – chamou no momento em que a menina pisou dentro da locomotiva, já que não queria acabar atrapalhando sua corrida. – Não esqueça: Corvinal! – gritou ao ver que tinha atraído a atenção da irmã. – Grifinória! – foi a única coisa que a jovem teve tempo de responder antes que o trem começasse a andar. – Essas crianças… – comentou para Abraham, que havia acabado de aparecer ao seu lado. – Pronto para voltar para casa e dar uma festa? No estilo “meu protegido viajou e a casa é só minha”. – questionou com um tom divertido. – Como a senhorita quiser. Abraham ajuda na decoração. – afirmou o elfo, tentando se mostrar útil, mesmo que estivesse visivelmente cansado. – Ei, era uma brincadeira. – falou, colocando uma mão sobre os ombros da criatura para retornarem para Hollywood. – Ou não.
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Victoria Magrath
 
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