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Florean Fortescue's Sorveteria

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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemGrecia [#168373] por Afrodite Hatzimichalis » 23 Out 2016, 23:20

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Era estranho poder passar um tempo com Andrew depois de tantos meses separados. De alguma maneira, o dinamarquês me fazia mais falta do que eu imaginava, mesmo com as detenções e sermões que ele vivia me dando. Claro que não era apenas de And que eu sentia falta, pois a academia francesa tinha um grande pedaço de meu coração. Não entendia, até aquela data, porque Phelipe havia sido transferido e, depois Anne enviada para lá e por fim, eu mesma. Não gostava daquele lugar e não me sentia bem estando ali, porém, de todas as tentativas de ser expulsa e coisas parecidas, foram falhas. De qualquer forma, o convite do meu irmão mais velho fez com que meu dia se animasse, uma vez que não estava com saco para ficar passeando num parque de diversões com o senhor 'dono do mundo' e seus servos mais idiotas. Muito obrigada, mas a ruivinha aqui, prefere gastar o tempo lendo do que num monte de brinquedos que não poderia sequer entrar. Antes Phelipe era mais atencioso quanto esses detalhes... Depois reclamava dizendo que eu estava estranha!

Claro que eu imaginava existir um motivo para Andrew pedir justamente naquele dia, para que nos encontrássemos. Porém, depois de ficar tanto tempo sendo jogada para o canto, ter um pouco de atenção apenas pra mim seria bem melhor do que ficar tentando intriguinhas. Por mais que eu sempre tenha gostado de seguir Phel para cima e para baixo, a idade me fez perceber o quão boba e infantil estava sendo. Talvez por isso tenha ficado mais de lado e ignorando o sonserino. Ou o simples fato de não ter mais paciência para os joguinhos insistentes e irritantes dele. Fosse o que fosse, não ia me fica bravinha ou irritada, de modo a fazer perder o pouco tempo que tinha com Andrew. Independente do motivo, ficar com Andrew seria bom, afinal de contas, ele sempre fora meu irmão preferido, mesmo que nunca tenha demonstrado isso de fato.

Pelo menos And não havia esquecido meus gostos para sorvete, exagerando nas geleinhas de ursinho (que nem sempre pareciam ursinhos, vale lembrar) que me eram tão gostosas. O dia estava gostoso e, mesmo que fosse estranho vê-lo tão informal e 'largado', estava gostando daquele jeito dele. Até que a presença de Gio o afetava de uma forma positiva, coisa que facilitava minha vida. Porém, não era dia e nem lugar para perguntar sobre a loira, já que não tinha ideia se ele sabia que eu sabia. Melhor deixar esse assunto de lado e focar no meu sorvete. Levei uma colherada até a boca e quando tratei de engolir senti todo o céu da boca congelar, de modo que não contive um leve tremor, mesmo com o sorriso nos lábios. Eu simplesmente não conseguia evitar enfiar mais sorvete do que deveria na boca e, como sempre, resultava naquela mesma situação. Quando a pergunta de Andrew me atingiu, levantei o olhar, de encontro aos seus olhos tão parecidos com os meus. Por mais que eu quisesse evitar aquele tipo de coisa, sabia que não poderia fugir, então simplesmente fiquei brincando com meu sorvete enquanto pensava nas palavras certas para lhe responder.

Podia responder a pergunta dele com uma bela mentira, porém sabia que ele descobriria logo. Andrew sempre sabia quando estava mentindo e, mesmo que na maior parte das vezes ele brigasse comigo, sabia que era por desejar o meu melhor. Não ganharia nada dizendo mentiras, então o melhor que poderia fazer, era lhe contar a verdade. "Acho que depois de estudar na França, jamais vou conseguir me adaptar em outro lugar, And..." Disse para ele, com um sorriso de lado, tentando parecer confiante. "A escola não é tão boa assim e... Mesmo com a presença de Phelipe e Anne, não me sinto bem, como era quando estava só eu e você em Beauxbatons!" Me recostei na cadeira, olhando para ele de forma meiga, tentando de toda maneira parecer indiferente. "Sinto falta de ter você por perto, mesmo que me dando detenções e tudo o mais.. Ah, não estou fazendo nada de errado na escola e desde que o ano letivo começou, não levei nenhuma detenção..." Mas como seria possível? Tenho apenas duas amigas mais novas e medrosas... Completei mentalmente. Era difícil fazer qualquer coisa sem ter companhia.

Levei a colher com sorvete mais uma vez para minha boca, sem conseguir olhar para ele, pois já imaginava as perguntas que viriam a seguir. "Você ficou sabendo que Phelipe me colocou no time de quadribol? Não entendi ate agora o por que, mas até que eu estou indo bem... Pelo menos não me machuquei muito." Disse para Andrew, tentando mudar a conversa de 'como eu estava em Hogwarts' para coisas que eu fazia lá. Só esperava que And não fizesse mais perguntas, porque do jeito que eu estava, acabaria soltando mais do que devia e, com isso, sem dúvidas que me daria muito mal.

With: Andrew
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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemDinamarca [#168380] por Anne Marie Schleswig Holstein » 24 Out 2016, 10:40

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    - Phel, vamos vai... Vamos!!!! – Olhava-o estilo os olhos de gato de botas. Queria comprar mais doces e os de hogwarts já tinha enjoado. Não era a mesma coisa que comê-los fresquinhos ao gosto natural. Ele não estava nem um pouco afim de ir e só disse que iria caso Benjamin fosse... Desenrolar disto? Estava sendo novamente a mochila nas costas dos cachinhos dourados, um apelido engraçado que Phelipe botara no sonserino e me ensinara sobre tal. Era gostoso ficar estilo mochila em Phel ou em Ben, gostava de sentir o cheirinho gostoso de shampoo ou do perfume usavam. Logicamente não iria revelar para eles o motivo disto já que como estava ficando mais velha, estava sendo cada vez mais difícil de me deixarem ficar assim. Estava mais “mocinha”.

    – Não é uma postura de princesa ficar neste costume. Já está entrando em uma nova fase, precisa se comportar como tal.– Girava os olhos e agarrava mais o pescoço de Benjamin enquanto sonorizava baixinho o– MImimimimimi.... – De Phelipe.– Mas eu gosto e outra... Só faço isso com duas pessoas. Você e o Ben.– Apertei o abraço no pescoço de Bem brincando com o mesmo e me divertindo com aquilo. – Posso até apertar assim e fazer mochila de urso!Na verdade era abraço de urso. Lacei a cintura de Benjamin com minhas pernas e apertei também, mas logo soltei para não machucar e nem incomodar.

    - Prometo que assim que chegarmos na loja de doces eu paro com isso.– Convenci o ruivo e o loiro. Finalmente podia suspirar profundo e me acomodar nas costas de Benjamin relaxando um pouco ao ponto de fechar meus olhos e curtir. Não me importava com o papo deles, mas quando abri os olhos em um dado momento, ao longe pude ver Cecil entrando em uma loja. Não me mexi muito para não levantar alarde. Ela não quis ir renovar o estoque de doces comigo porque iria acompanhada e vê-la ali, sem eu estando ao seu lado, me deixou um tanto quanto encucada da cabeça.– Pronto. – Benjamin comentou entrando na loja de doces.– Oba!!! – Soltei com excitação e antes de sair da posição mochila beijei a bochecha/pescoço de Benjamim porque já estava escorregando para o chão. – Podem ir lá... Não vou demorar.– Eles queriam ir na loja a frente para ver alguns artigos e revistas esquisitas. Garanti minha palavra e comecei a rodar as prateleiras.

    Assim que observei que Phelipe e Benjamin estavam mais distraídos, paguei meus doces e saí de fininho da loja de doces. Esgueirei-me por algumas mesas e caminhei o mais próximo possível para onde Cecil e Andrew poderiam estar. Ela não me queria. Isso era nítido. Nem eu e nem ao Benjamin, e nem a Phel...– Que estranho. – Soltei baixinho vendo as vestes do meu irmão. Raramente ele se vestida daquela forma. Estava estranho, mas não iria lhe dizer ofensas somente porque ele estava com outra. Isto é coisa que criança invejosa faz. Falar mal das coisas dos outros só para tê-las. É o golpe mais idiota e inútil que já vi!

    Agachei rapidamente ao ver que Andrew olhava em minha direção. Eles pareciam estar conversando algo mais tranquilo e certamente não iria incomodá-los. Não queria... Iria respeitar o momento da Cecil ter o Andrew naquele momento. Seria mais louvável isso... E por isso, levantei-me rápido notando que Andrew tinha me visto, levei o dedo indicador da mão direita até os lábios e gesticulei para que ele fizesse silêncio. – Ttccchhhhaaaauuuu. – Soltei sem som, para que ele pudesse ler meus lábios e mandei beijinho para os dois sem que Cecil pudesse virar e me ver. Os deixaria em paz. Eles precisavam ter aquele tempo e se não fui convidada é porque não deveria me meter




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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemInglaterra [#172294] por Leah H. Walker » 03 Jan 2017, 21:04

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Sai do Empório das Corujas sentindo bastante enjoo devido ao cheiro forte dos animais. Finalmente tudo estava pronto para meu novo ano em Durmstrang. Meu dia de compras com Alisson tinha sido proveitoso, conseguimos comprar meu uniforme, os materiais necessário para aula, alguns livros e até mesmo uma coruja, coisa que Alisson tinha sido contra desde o inicio. Apesar de eu estar com pressa de arrumar minha mala a tempo de pegar a chave do portal para o navio da escola, eu não podia sair do Beco Diagonal sem provar pelo menos um sorvetinho da Florean Fortescue's, já que afinal, todos falam que os sorvetes de lá têm um sabor diferente e são maravilhosos.

-O que você acha da gente dar uma paradinha ali na Florean Fortescue's antes de saírmos do Beco, Alisson? - Eu disse cautelosamente – Ouvi falar que os sorvetes de lá são deliciosos.
-Você está tentando me enrolar para não pegar o navio?- Disse ela erguendo uma sobrancelha. Alisson as vezes podia ser muito irritante de tão desconfiada com as coisas.
-Não, eu realmente só quero provar o sorvete. E ainda tenho tempo até o horário da chave do portal. Vaaamos, por favor! Já compramos tudo que tínhamos que comprar. - Tentei fazer uma carinha fofa e ela riu. Não sei se tinha funcionado ou se eu tinha feito alguma careta estranha ao invés de fofa.

Ela pegou na minha mão e me guiou até chegar na pequena lojinha. Só de chegar ali, parece que o calor tinha piorado, ou apenas era a quantidade de gente que tinha ali no Beco. Entramos na loja, que também não estava vazia, o cheiro desse lugar era mil vezes melhor do último lugar que tínhamos ido.

-Vai querer o que Alisson? Eu acho que eu vou pegar um de limão. - Peguei algumas moedas do bolso e entreguei as sacolas para minha irmã.

-Qualquer um, Sarah. Faz muito tempo que eu não venho aqui, mas tenho certeza que o gosto continua bom depois de tanto tempo.
Me direcionei ao senhor que estava atrás do caixa e pedi para ele dois sorvetes já estendendo o dinheiro com a mão esquerda. Eu escolhi um sorvete de dois sabores para Alisson e um cítrico para mim, agradeci o senhor e me despedi gentilmente. Entreguei o sorvete para minha irmã e peguei de volta as sacolas que estavam com ela, ficamos ali por alguns minutos apenas aproveitando o sabor incrível do sorvete, parecia que eu estava comendo um limão congelado de tão concentrado que estava o sabor.
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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemEstados Unidos [#174013] por Annie Relish » 28 Jan 2017, 23:58

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Reencontro.
Capítulo primeiro.


Annie respirou fundo encarando o bêbado na sua frente. Fazia algumas horas que estava tentando sair para fazer as compras de material e uniformes. - É sério, pai. Eu preciso mesmo ir hoje, juro que é bem rapidinho. - Disse, passando a mão sobre o queixo para enxugar o sangue do corte que seu pai tinha feito ao bater nela. Só porque ela pediu para sair. -Ninguém vai me ver, não se preocupe. - Argumentar com ele parecia tão efetivo quanto argumentar com a parede. Apesar que essa parecia um pouco mais fácil de convencer. Fez um careta de dor, segurando o choro quando o cinto atingiu a pele desnuda de seu braço. Podia entender vagamente o palavreado enrolado do pai falando sobre ela querer sair por ali e não voltar mais como a vaca da mãe dela. Palavras dele. - Eu juro que vol… - Sentiu as lágrimas saírem por fim quando outro golpe a acertou. Esse mais forte. Correu para o quarto e fechou a porta. Arrastou a cômoda com certa dificuldade para que bloqueasse a passagem dele quando tentasse entrar. Não tinha chave da porta e mesmo se tivesse a chance dele arrebentar a porta tentando entrar eram grandes. Sentou no cobertor que lhe servia de ca,a por um momento e se permitiu chorar. Sabia que tinha de sair dali, não queria deixar o amigo novamente esperando sem que ela fosse. Nunca contaria a Luke que iria encontrar ele também, assim ele nunca deixaria e a surra seria bem pior.

Podia ouvir o homem esmurrar a porta enquanto um único pensamento gritava em sua mente. Precisava sair dali. - ME DEIXA EM PAZ. - Gritou. Era raro enfrentar ele, geralmente abaixava a cabeça e aguentava qualquer punição, sendo justa ou não(o que geralmente não era), o mais silenciosamente que conseguia. Se trocou rapidamente colocando uma calça jeans e uma blusa de manga comprida sobre a roupa que vestia - um shorts de tecido e uma blusa de alcinhas - não podia deixar que ninguém visse as marcas causada pela convivência com seu pai. Infelizmente o machucado no lábio não tinha como esconder. Deixou os cabelos soltos a fim de conseguir esconder mais o rosto se precisasse. Estava pronta para sair e, dessa vez, não obedeceria. Abriu a janela do quarto e saiu com cuidado para não cair. Não era fácil por estar no segundo andar da casa, mas era necessário. Só precisava sair dali e chegar no beco diagonal. Esperava não ser tarde demais.

***


A americana nem acreditava que estava mesmo no beco diagonal. Um enorme sorriso estampou seus lábios. Era uma emoção quase de chorar estar naquele lugar, bem longe de seu horrível pai que com certeza ia surrá-la até ela desmaiar quando voltasse. Olhou seu relógio de pulso. Já era tão tarde. Duvidava que o amigo esperaria tanto tempo na sorveteria, mas precisava conferir né? Correu para lá, entrando naquele lugar. Sentia tanto calor com aquela roupa quente, não via a hora de poder tirar. Olhou em volta, procurando o garoto. Nada. Nem sinal dele. Devia esperar nem receber mais carta alguma, porque sabia que ele não ia mais querer saber dela depois dessa. “Desculpe, eu juro que tentei” Pensou, respirando fundo. O jeito era sair dali, ir fazer compras e depois voltar para casa. Não podia escrever nenhuma carta lá, mas quando voltasse para a escola ao fim das férias… Bem, era o jeito.

Foi andando para fora da sorveteria, olhando para o chão quando esbarrou em cheio em alguém muito mais alto que ela. Olhou para cima, se deparando com aqueles olhos castanhos do alemão. Nem acreditava que era ele mesmo. O abraçou. - Desculpe! - Pediu, sem dizer exatamente porque pedia desculpas. Queria pedir desculpas por ter esbarrado nele, por ter se atrasado tanto, por ter demorado a responder as cartas, por não ter ido para Hogwarts, por não ter encontrado ele antes. Tantas coisas. Quando estava prestes a desistir de abraçar ele pela falta de reação sentiu seus grandes braços a envolverem. Fez uma pequena careta quando ele apertou um hematoma, mas ele não tinha como saber. - Eu achei que… Você já tinha ido embora. Desculpe demorar tanto. - Olhava para o chão de novo, o cabelo cobrindo parte do rosto. Queria que ele não visse o machucado em seu lábio.

Annie sentiu ele afastá-la, doía onde ele a segurou com aquele movimento, não sabia se seria bom erguer o olhar agora, tanto pelo machucado quanto pela careta de dor que fazia. Por que ele não dizia nada? Era quase uma agonia esse silêncio. Olhou para ele quando o mesmo ergueu seu rosto e se soltou dele, virando o rosto pro lado. - Vamos nos sentar? - Perguntou, tentando fugir daquele assunto não comentado.


Interacting with:Luke Theodore Gray (NPC); Aiden Dewes (Karen)
Notes: Arco se passa nas férias de verão.
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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemAlemanha [#174134] por Aiden Dewes » 31 Jan 2017, 02:55

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GROW ME A GARDEN OF ROSES
paint me the colors of sky and rain
TEACH ME TO SPEAK WITH THEIR VOICES


    A ansiedade era uma sensação que Aiden não conseguia entender muito bem. Porém, desde que saíra de férias, essa sensação só aumentava e o garoto não sabia bem o motivo, e mesmo que já imaginasse o possível motivo, preferia não admitir que era por aquilo, afinal, não queria dar o gosto da vitória à Jeremy quando ele soubesse. Já conseguia até imaginar como ele estaria sorrindo e se vangloriando por já ter repetido as mesmas palavras por tantas vezes, como um aviso, incansável e irritantemente. Mas, naquele momento, não queria estar pensando no amigo, já que algum tempo antes de deixar o hotel trocaram algumas palavras por telefone, com o alemão simplesmente dispensando a companhia do outro sem dar um motivo. Sequer mencionara o local para onde estava indo, afim de evitar que ele aparecesse por lá sem nem ao menos ter sido convidado para tal.

    Desde as últimas férias, acabara se acostumando a andar por Londres quando tinha a chance, optando sempre por caminhar ao invés de pegar um táxi ou ônibus, mas como o Caldeirão Furado era um pouco longe demais para caminhar, não viu outra opção a não ser chamar por um táxi e esperar que não demorasse muito para chegar lá. Ela disse que iria dessa vez, então não tinha por que duvidar, não é mesmo? Após algum tempo que sequer percebeu passar, se viu parado em frente à entrada do estabelecimento enquanto o carro se afastava. Suas pernas lhe guiavam distraidamente até os fundos do local, onde sem demora alcançou o Beco Diagonal, rumando diretamente para a famosa sorveteria em frente à Madame Malkin’s.

    Ao observar o interior do local através da vitrine, involuntariamente tornou a lembrar da última vez que estivera ali – antes das últimas compras. Ficara plantando como uma planta insignificante quando não há ventos, e nem mesmo a menor das brisas conseguiria atingir suas folhas. Não compreendia como ficara tão chateado, possivelmente magoado, já que não era de seu feitio se incomodar com esse tipo de coisa, ainda mais quando se tratava de uma pessoa que convivera por tão pouco tempo e considerava sua amiga. Percebeu ali então a grande ironia em sua amizade com Jeremy, que havia feito o mesmo consigo; ser chamado de amigo em tão pouco tempo. Tudo bem que o inglês às vezes poderia ser um babaca, mas nada que Aiden também não o fosse, e esse talvez fosse o motivo pelo qual podia suportá-lo com mais facilidade agora.

    Por ter chegado alguns minutos antes do que era esperado, decidiu esperar sentado do lado de fora, sentado em uma das mesinhas ali disponíveis. Acomodou-se, apenas observando a pouca movimentação pela rua, sempre mantendo a mesma feição inexpressiva que ostentava na escola – a famosa “cara de poucos amigos”. Talvez, mas muito talvez mesmo, ele deixasse de ficar assim quando ela chegasse, mas parecia que estava demorando um pouco demais. Pensou por um momento que ela pudesse ter se perdido em algum lugar, mas isso era de longe impossível. Só havia um caminho para chegar até ali, e era justamente por onde ele havia passado. Pelo que pareceu uma eternidade, Aiden apenas esperou, olhando vez ou outra no relógio de pulso para conferir que ela estava oficialmente atrasada, o deixando inconvenientemente preocupado.

    As horas passaram como se não valessem nada, como se nada importasse o suficiente para que se apressassem um pouquinho que fosse. Ficar contando os malditos segundos não ajudava a aliviar a tensão que se instalara em seu corpo, percebendo mais uma vez ter feito o papel de bobo por estar novamente ali, esperando como se alguma coisa fosse ser diferente. Infelizmente, para o jovem Aiden, tudo continuaria do mesmo jeito, ele ainda iria até ali para esperar novamente quantas vezes mais ela dissesse que estaria presente, e no fim das contas não aparecesse, como naquela hora. Desviou sua atenção do relógio para encarar o céu, já não conseguindo encontrar o sol de onde estava. — Só pode ser brincadeira... Scheisse, não deveria ter vindo — agora demonstrando estar claramente irritado, levantou-se da cadeira e caminhou alguns metros rua abaixo, até a Artigos de Quadribol, onde deveria ficar um tempinho apenas olhando as vassouras e bastões antes de voltar para o hotel.

    Mal podia acreditar que, em algum momento, Jeremy poderia estar certo sobre mais alguma coisa, e só de pensar nisso já lhe dava calafrios; não mais do que tivera ao passar novamente em frente à loja de animais, onde as tenebrosas corujas faziam estardalhaço em suas gaiolas. Nada que passar quase grudado aos prédios do outro lado não ajudasse a evitar um ataque de pânico como da última vez. Seria vergonhoso passar por isso sozinho. Bastou apenas alguns minutos para que Aiden perdesse toda a vontade de estar naquele lugar. Mas, já que eram seus últimos minutos ali, pelo menos até a próxima visita, aproveitaria para tomar o sorvete que sequer havia pensado em tomar enquanto esperava.

    Saindo da loja e voltando para a sorveteria, estava prestes a passar pela porta quando se deparou com uma pequena figura indo de encontro a ele, de cabeça baixa mas ainda assim reconhecível pelo garoto. A pancada do encontro não fora nada se comparada ao abraço inesperado abraço que recebeu da garota em meio a um pedido de desculpas sem motivo. Sentira seu coração pulsar um pouco mais rápido, ficando ali parado sem saber o que fazer, apenas esperando que aquilo acabasse de uma vez; quando isso estava acontecendo, no entanto, não pode deixar que acabasse assim, seus braços respondendo rapidamente ao envolver Annie em um novo abraço, meio sem jeito mas profundamente aliviado por tê-la encontrado.

    Não sabia dizer ao certo como, mas ela estava diferente. Quem diabos, além dele, estaria usando uma blusa de manga comprida num calor daqueles? Imaginou que ela estivesse doente, mas ainda naquele abraço não sentiu o corpo dela mais quente do que normalmente deveria estar. Ao ouvir as palavras de Annie, desfez-se do abraço para poder olhá-la apropriadamente, segurando-a pelos ombros para conseguir fazê-lo. Escondendo o rosto daquele jeito, Aiden então teve certeza de que havia alguma coisa muito errada acontecendo com ela. Aquela não era a Annie da qual se lembrava do primeiro ano, que independente do que ele a dissesse, estaria sempre o olhando de volta. Diante disso, não teve outra opção que não fosse obrigá-la a encará-lo, segurando seu queixo e levantando o suficiente para que pudesse analisar seu rosto. Diferente do que havia imaginado, não conseguira manter a atenção em seus olhos, mas sim no corte bastante recente em seu lábio. Quem poderia ter feito aquilo com ela?

    Um nó se formou em sua garganta no instante em que ela se desvencilhou de suas mãos e mudou drasticamente de assunto, como se nada estivesse acontecendo e fosse sair dali sem dar uma explicação. — Não vou fingir que não vi isso, Annie — continuou parado no mesmo lugar, esperando que ela o olhasse como deveria ter feito no momento em que se encontraram. Eu não vou sair daqui enquanto você não me disser o que está acontecendo. Acha que vim até aqui pra te ver desse jeito e simplesmente ignorar? — estreitou os olhos na direção da garota, seu coração pulsando desregulado, com a sensação de que estava em seu estômago, as mãos suando e o corpo tremendo todo por dentro. Aquele sentimento, no entanto, ele conhecia e muito bem por sinal. Estava com tanta raiva que poderia tirar forças de onde não tinha para acabar com a pessoa que a havia machucado. — Nem sonhando — ninguém tinha o direito de fazer isso com ela.



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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemEstados Unidos [#174257] por Annie Relish » 02 Fev 2017, 08:37

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Reencontro
Capítulo Segundo.



Por que ele ainda insistia nesse assunto? O que a loirinha mais queria é que ele simplesmente esquecesse e pudessem apenas aproveitar esse curto tempo de calmaria em meio a papos triviais. Como se acreditasse que ele deixaria mesmo esse assunto de lado. Percebia a irritação dele por alguém tê-la machucado, ainda que não compreendesse esse lado protetor do garoto. –Aiden, estamos na frente da porta. Podemos nos sentar? Juro que explico tudo. – Seus olhos encontraram os dele. Não queria dizer nada, ainda mais ali em pé na porta da sorveteria. Seguiu ele até a mesa, olhando com certa confusão aquele gesto de puxar a cadeira para ela se sentar. Seu coração pareceu dar uma balançada em ritmo diferente. Sentou-se, dizendo um baixo – Obrigada – no processo.

Seus olhos encaravam o garoto a frente como se ele fosse um interrogador e ela estivesse nervosa demais para entregar o criminoso de um crime que ela poderia ser culpada se não confessasse. – Meu pai. – Respondeu por fim de modo direto. A reação dele a fez se encolher um pouco na cadeira. Não gostava daquele tipo de riso de zombaria. Por que ele não parava de perguntar? Sentia como se ele estivesse invadindo a vida dela de uma maneira bem desagradável. Por que devia alguma explicação a ele? Talvez ele atribuísse o fato de ter se aberto para ela sobre sua família a uma obrigação dela fazer o mesmo. Ele não estava vendo os diversos hematomas nela... Poderia mentir? Mas mentir era tão errado, já se sentia tão mal de ter de mentir para a parte que gostava de sua família trouxa. – Ele me bateu.– Não daria detalhes. Ele só tinha perguntado o que ele tinha feito né?

Observou ele por um momento. Ele estava tão estranho, braços cruzados de modo rígido. Inclinou um pouco a cabeça quando ele jogou a cabeça para trás. Ele estava irritado? Não sabia decifrar o que acontecia com ele e isso a deixava angustiada. Mordeu a ponta da unha do dedão de nervoso. No instante seguinte tomou um susto quando ele a encarou e puxou seu braço, expondo a superfície marcada por hematomas. Puxou num golpe forte, como se o toque dele tivesse lhe dado um choque. – O que isso importa? - Perguntou, ajeitando a blusa a fim de esconder tudo. O coração batia acelerado e a garganta tinha um nó que parecia difícil engolir. A mudança de atitude dele para algo que pareceu raiva a assustou e, ao mesmo tempo, a deixou irritada. Quem ele achava que era para gritar com ela? Já aguentava o suficiente com o pai, todo o grito, toda a humilhação, não precisava disso com mais ninguém. Balançou a cabeça algumas vezes como se tentasse expulsar as memórias de sua mente. – Eu sou idiota? – Perguntou com uma voz em tom baixo apesar de seu interior querer gritar, empurrar e correr dali. Balançou a cabeça mais uma vez, respirando fundo. – Para onde eu iria?– Perguntou então mantendo a voz estável. - Você acha que eu continuaria lá se tivesse opção? Eu só tenho meu pai. Eu não conheci a minha mãe, nem sei se ela está viva. Minha avó morreu na minha frente. O que você espera que eu faça?– Sua voz parecia quase cansada nessa última frase.

Ouviu o que ele dizia em silêncio. De repente, se sentia exausta demais para responder. – Quem se importaria comigo? Quem se importava está a oito palmos sob a terra. Os outros fingem que se importam, mas pergunta se eu pedisse abrigo... Ninguém ia nem olhar para mim. Acha que eles se importam que eu viva com um bêbado violento? E o que eu poderia fazer? Sou apenas uma garota de treze anos que mal tem dinheiro para pagar uniforme, quanto mais me mudar. E, eu querendo ou não, ele é meu pai. – Deu de ombros. Annie observou ele, acompanhando seus movimentos, enquanto o mesmo se levantava e ia até ela. Suas palavras seguintes a surpreenderam e deixaram a americana sem reação por alguns instantes. Pegou a mão dele então. –E o que isso muda? – perguntou baixinho, olhando em seus olhos. O coração disparado no peito.


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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemAlemanha [#174288] por Aiden Dewes » 03 Fev 2017, 05:43

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GROW ME A GARDEN OF ROSES
paint me the colors of sky and rain
TEACH ME TO SPEAK WITH THEIR VOICES


    Lembrava-se das poucas vezes que estivera com ela. O primeiro ano em Durmstrang em que Aiden fora um completo babaca com a garota e ainda assim, mesmo não querendo, se importando com ela como não faria com mais ninguém. Annie tinha alguma coisa que despertava aquele seu lado que só demonstrava quando estava com seus irmãos mais novos. Mas, ao mesmo tempo em que se preocupava em sempre estar ao lado dela para que nada de muito ruim acontecesse, como na aula em que a havia protegido daquelas criaturas que certamente a matariam, não conseguia olhar para ela sem se sentir incomodado, pois sempre via nela um pouco de sua madrasta mesmo que em questão de personalidade elas não tivessem exatamente nada em comum. Annie era boa demais para ter alguma coisa a ver com aquela mulher, mas era inevitável não pensar naquilo.

    Talvez Annie estivesse chateada demais para falar sobre aquilo, mas não era tão simples para Aiden simplesmente fingir que já não estava preocupado o bastante com aquele machucado no rosto dela para deixar o assunto de lado. Claro que eles não teriam aquele tipo de conversa ali, de pé, e como a garota havia sugerido, o alemão caminhou até uma mesa mais afastada da entrada da sorveteria, puxando uma das cadeiras e indicando com a mão que ela deveria se sentar ali. — Não me agradeça — falou, contornando a mesa para se sentar à frente de Annie. Acomodou-se em sua cadeira, encarando-a por alguns segundos enquanto pensava na melhor maneira de perguntar o que havia acontecido, mas não havia jeito que não fosse ser direto. — Quem fez isso aí? — apontou para o corte no lábio, esperando por uma explicação boa o suficiente para que sua preocupação se esvaísse, mas as breves palavras da outra lhe fizeram estremecer por dentro. — É... É sério? Seu pai fez isso com você? — talvez a forma com que expressara isso não tenha sido das melhores, pois o riso descrente que soltara o faria parecer mais escroto do que realmente era. Estava ficando irritado apenas por pensar que o cara responsável por aquilo não passava de mais um monstro que não deveria nem mesmo existir no mundo.

    De tanto assistir programas de investigação junto com Gretta, Aiden sabia que esse tipo de coisa nunca acabava em um só tapa ou soco, e que nunca acontecia uma única vez. Inclinando-se para a frente na cadeira, apoiou os braços sobre a mesa e a encarou como se tentasse obter uma resposta silenciosa, mas sabia que se não perguntasse mais alguma coisa, ela também não diria mais nada. — O que mais ele fez? — não se surpreendeu ao receber aquela resposta. Conhecia muito bem a sensação que rapidamente se instaurava em seu corpo; o tremor interno, o estômago se contorcendo e a enorme vontade de socar alguma coisa, o que deixava suas mãos suando em extremo desconforto. Tentando controlar a raiva, afastando todo e qualquer tipo pensamento ruim, cruzou os braços em frente ao peito, respirando fundo ao inclinar a cabeça para trás de olhos fechados. Compreendeu então que, o motivo de Annie estar usando aquela blusa de manga comprida no calor, era justamente para esconder as provas que incriminariam o ser absurdamente repulsivo que deveria ser o homem com o qual vivia.

    Precisava apenas confirmar suas suspeitas antes de julgá-la, como já estava preparado para fazer desde o segundo em que seus olhos absorveram a nova imagem da garota à sua frente. Apoiando os braços sobre a mesa, levou poucos segundos para que a olhasse e então segurasse sua mão, puxando-a indelicadamente para, logo em seguida, levantar a manga de sua blusa encontrando ali, marcado em sua pele, o que procurava. — Como é? — indignou-se com a forma que ela se esquivara dele, sentindo certa raiva por aquilo também, e pela maneira como ela dissera aquilo como se não fosse nada. — O que isso importa? Por um acaso você é idiota? Por que ainda não fugiu de casa ou, sei lá... Por que não pediu ajuda? — não havia o mínimo de consideração em suas palavras, sabia disso, mas não conseguia se impedir de fazê-lo, indo de um tom extremamente irritado para algo semelhante à sua preocupação sendo externada. — Pare de agir como se essa fosse a única opção, é isso que quero que você faça. Não aja como se ninguém se importasse com você, porque isso não é verdade! — a forma como ela falava lhe causava certa agonia. Não gostava de ouví-la falar daquele jeito, não sendo nem um pouco otimista quanto à sua própria situação. — Cai na real Annie... Acha mesmo que esse cara ainda merece ser chamado de pai por você? — não existe uma única palavra que descreva com perfeição o turbilhão de sentimentos que Aiden estava reprimindo naquele instante.

    Annie havia mudado, com certeza absoluta, não havia mais como negar isso. Ela não estava percebendo, bem ali à sua frente, como Aiden já não ligava mais em esconder que se importava com ela, e que tudo o que havia dito era porque queria ajudá-la, mas ela já não via esse tipo de “salvação” que o garoto poderia oferecê-la. Se havia uma única coisa que Aiden aprendera, durante toda sua vida, era que a ajuda poderia vir de qualquer pessoa, e que não era necessário que houvesse um laço de sangue estabelecido para tal. Annie insistia em não ver isso, mas Aiden se sentia na obrigação de mostrá-la, do seu jeito, mas ainda assim o faria. — Eu me importo — pronunciou-se após ter levantando de sua cadeira, dando alguns passos até parar ao lado dela, lhe estendendo a mão para que a segurasse. — E se você não estivesse ocupada demais se martirizando, teria percebido — ela o fez, sim, mas não sem antes demonstrar mais uma vez sua descrença; dessa vez o havia afetado mais do que gostaria de admitir, mantendo-se inexpressivo enquanto gesticulava para que se levantasse da cadeira e o acompanhasse. Aiden não encontrava as palavras certas para respondê-la naquele momento, mas por estar avaliando o que deveria falar. E se ela estivesse certa? O que mudaria o fato de ele se importar com ela? O que ele, na condição em que se encontrava, poderia fazer para ajudar aquela garota? Ele tinha a resposta pronta, sim, se sentia confiante em dizê-la, mas Annie não acreditaria. Não, não mesmo.

    — Lembra quando nos encontramos no navio, no primeiro ano? — soltando a mão da americana, conduziu-a rua abaixo, caminhando lentamente ao seu lado. — O ataque de pânico que eu estava tendo por causa daquela sua coruja demoníaca... Lembra de como se preocupou comigo, mesmo eu tendo sido um imbecil com você? Annie, aquela foi a primeira vez que uma dessas crises passou tão rápido assim, e isso porque você estava lá pra me acalmar, de alguma forma... — nem ele mesmo entendia onde queria chegar com aquilo, mas sentiu que deveria ao menos terminar de contar aquela lembrança. — Você foi a primeira pessoa pra quem eu falei sobre meu pai, e sobre o meu irmão que ia nascer... Mas teve uma coisa que você falou, e agora eu entendo o que queria dizer com aquilo — parou a apenas alguns metros da loja de animais. Passara três vezes por ali desde que chegara, e continuava odiando olhar para aquelas corujas, tão longe mas ao mesmo tempo tão perto. Em todos esses anos, sua opinião sobre aquelas aves não mudara. “Acho que bons pais não existem”, não é? — se virou para olhar diretamente para ela, tentando ignorar os barulhos das corujas batendo as asas nas gaiolas. Pensou em como ela poderia não estar entendendo nada, ou apenas esperando que ele concluísse sua ideia, o que Aiden já estava fazendo por sinal, dentro de sua cabeça, antes de concentrar suas energias para que sua voz saísse por fim. — Vai ficar tudo bem, Annie... Eu prometo.



with annie gray part two
roses poets of the fall atemporal


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Repeti trocentas vezes que a Annie mudou? Repeti sim, só pra enfatizar que Aiden percebeu isso .lixa
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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemDinamarca [#175901] por Andrew A. Schleswig » 04 Abr 2017, 16:21

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    Exagerado e não exatamente minha guloseima preferida. Sempre achei que aquelas balas de gelatinas, cremes de chocolate e palitos de biscoito em sorvetes só vinham a estragar o seu sabor natural, uma vez que os mascaravam com mais montanhas de açúcar. Mas quem era eu para questionar os gostos de uma princesinha adolescente que pretendia agradar? Minhas normas de etiquetas e todo aquele tempo eterno perdido dentro de uma sala com alguma das professoras particulares, sempre ensinavam que não deveria ter gostos e sempre deveria agradar os convidados. E ali estava eu, levando a colher com seu gelado conteúdo para a boca quase preso ao modo automático do velho "Andrew-Robo", enquanto sorria de maneira calma para minha não tão pequena irmã. Uma colher, duas... A sensação de ter meu cérebro congelando de uma vez, e então a volta do autocontrole. Ao menos aquilo conseguia aliviar a temperatura, embora a culpa intrínseca não me deixasse relaxar completamente enquanto a ouvia lamuriar sobre a nova escola. Uma escola para a qual, almejando evitar que ela continuasse sobre más influências, eu fora obrigado a dar-lhe um empurrão.

    Sim. Hogwarts. Não fosse por Lilith e o que o eu imaginava ser o amor da minha vida, antes de ser jogado as traças, aquele lugar realmente não fora o detentor de meus melhores anos ou memórias, mas também não era de todo ruim como ela parecia achar. Descreveria mais como um mal necessário que talvez lhe trouxesse frutos positivos no futuro.

    De qualquer forma, com a mesma expressão de paisagem, e ouvindo o discurso da menina enquanto observava a atividade não autorizada e traquina atrás de si, me vi pegar outra colher de sorvete, encostando mais as costas na cadeira e esticando a perna. -Cecille, como diria a mamãe, é fundamental a uma princesa saber se adaptar e se comportar adequadamente com o ambiente ao seu redor.- Explicitei, quase copiando o mesmo tom de voz que a mulher usaria na ocasião ou das professoras de etiquetas, como uma descontração, antes de colocar o sunday na boca. Gelado e doce... O açúcar não demorou para deixar um gosto quase enjoativo em minha boca. -De qualquer forma, deveria pensar que isso não é de tudo ruim, afinal eu não estou mais em Beauxbatons para te vigiar, e sem detenções desconfio que tenha ficado com mais tempo livre...

    E com menos chances de levar broncas de papai ou ser empurrada para algum casamento arranjado ou medida disciplinar apenas por questão de manter-lhe sobre controle. Mas não falaria isso, apesar de querer fazer certas perguntas, antes que novamente a pequena versada em fugir do assunto resolvesse mudar seu foco totalmente para Quadribol e o tal time de Phelipe, o qual achava que não sairia muito bem do papel. -Sim. Eu soube... - Dei um sorriso meio forçado, enfiando outra colher de sorvete, dessa vez maior na boca. Aquele assunto em si não me era exatamente confortável, afinal quase fora praticamente obrigado a abandonar o esporte no ano retrasado. Não que me fosse permitido demonstrar isso em qualquer lugar. - Deveria aproveitar, é um esporte divertido... - E talvez te ajude a se manter longe de problemas. -Quero dizer. Se for talentosa, até pode ter mais mérito que Phelipe e Anne e ganhar a taça como melhor jogadora do campeonato. Se está brava com ele, isso seria interessante, não?- continuei, tentando novamente mudar o foco para o que queria saber, e sair daquele assunto que tanto me incomodava.

    Off:com Cecille.
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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemEstados Unidos [#175977] por Annie Relish » 08 Abr 2017, 12:29

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Reencontro.
Capítulo Terceiro.


Annie podia dizer que aquele estava sendo o dia mais estranho de toda sua vida. Além de ser capaz de um rebeldia, o que é tão atípico para a loirinha, estava diante de seu amigo (eram amigos mesmo?) e, de repente, ele se importava com ela. Não queria parecer rude nem incomodá-lo, mas era difícil acreditar em uma coisa assim. Que alguém realmente se importava com ela. Sabia que não devia ter feito a última pergunta, mas escapou de maneira tão espontânea. Ele se importava com ela, mas o que isso mudava? Ter um garoto da sua idade se importando com você não faz com que ele possa salvá-la de anos de abuso físico e psicológico. Na verdade, ele nem seria capaz de sequer fazer algo contra o que a aguardava quando retornasse para casa após ter fugido.

Seguiu ele pela rua em silêncio, apenas ouvindo o que ele tinha a dizer, curiosa para saber qual seria o destino. Estranhou terem parado em frente a loja de animais, mas permitiu que ele prosseguisse. Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios ao saber que tinha ajudado ele sair mais fácil de uma crise. Era quase como se encontrasse um pouco de importância em si mesma, mesmo que seu único feito fosse fazer uma pessoa que precisasse se sentir melhor.Observou a loja de animais por um momento para depois tornar a olhar para ele. Sua mente foi há quatro anos atrás, quando se conheceram no navio de Durmstrang e conversaram pela primeira vez. Tinha dito mesmo aquelas palavras, se lembrava de ficar decepcionada com o fato de não existirem bons pais.

Ela queria acreditar que ficaria tudo bem. Ele estava prometendo. Mas como podia ele prometer uma coisa dessas? Não tinha como. Não quando cada vez mais sentia sua garganta apertada de medo, na expectativa de como e quanto ia apanhar quando retornasse. Por que tinha saído? Olhando seu amigo parado diante de si, parecia quase um bom motivo, mas a ideia de voltar tornava tudo um grande erro. Abraçou ele então - Obrigada. Você é um bom amigo. - Disse baixinho antes de se afastar. -Infelizmente, você não pode garantir que tudo ficaria bem. Eu não podia ter saído. Quando eu voltar, bem, é só torcer pra não doer muito e nem quebrar nada. - Suspirou. -De qualquer modo, deve ser melhor eu ir. Já fiquei tempo demais longe. Pode não parecer, mas eu estou com medo. Demais. Mas não há nada que eu possa fazer. Eu não tenho para onde fugir. Foi bom te encontrar. Espero te ver de novo. - Disse, virando as costas e começando a andar. Talvez o melhor a fazer era encarar tudo de uma vez. Sabia que se fosse pra casa de sua tia, por exemplo, seu pai ia reagir de forma bem pior. Voltar direto pra casa parecia a única opção viável. Parou de andar quando sentiu uma mão segurando seu ombro, o corpo ficou tenso na hora. O alívio foi quase imediato quando ouviu a voz do amigo, mas não era capaz de compreender o que ele queria dizer, nem sabia se estava mesmo escutando corretamente.


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Re: Florean Fortescue's Sorveteria

MensagemEstados Unidos [#178838] por Pierre Jacobs » 21 Ago 2017, 01:02

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O sol começava a despontar no horizonte, refletindo-se nos cabelos negros e volumosos cuidadosamente despenteados, revelando a figura ajoelhada reverenciando o velho livro com concentração absoluta. O mundo poderia encontrar-se inteiramente descampado, uma bomba nuclear poderia explodir ali mesmo naquele quarto, ainda assim Raizel não seria capaz de perceber, já que todos os seus pensamentos se encontravam elevados as palavras pronunciadas na língua antiga, cujas influencias alemães eram tão latentes quanto a própria história de seu povo encontrava-se ligada aquele país. Era fato que a Alemanha não havia sido um marco positivo na história dos judeus, mas perdoar e resignificar fatos era algo inerente ao seu povo, sendo estes, parte do motivo de não ter dado as costas a sua religião, mesmo acreditando que a mesma não fosse inteiramente boa.

A reverência maior, cujo significado encontrava-se diretamente relacionado ao respeito e a fé que deveria lhe acompanhar pelo dia, foi feita com calma, ainda que seu coração começasse a se agitar, afinal aquele era o seu dia de folga e encontrava-se mais do que ansiosa para se aventurar em um ambiente novo. Desde que se mudara para a Cidade do Cabo adquirira o habito de visitar novos países, ou cidades durante seus dias de férias, ainda que estes fossem escassos, mais por uma opção própria do que por limitações profissionais. Raizel acreditava que haviam coisas demais a serem feitas para se perder tempo com algo que não fosse ajudar a construir um ambiente melhor para aquelas crianças e adolescentes. Contudo, vez ou outra, concedia-se a regalia de aproveitar o dia, sendo aquele um deles, já fazendo dois meses desde da última ‘folga’, o que tornava aquele momento ainda mais especial.


- Para onde iremos hoje? -. Perguntou para o pequeno pássaro que se encontrava em seu poleiro, Jonas, como decidira chama-lo, era uma espécie de Turaco e era perfeitamente livre, mas sempre acabava voltando para a pequena casa que a menina havia feito para ele. Raizel aproximou-se do pequenino acariciando suas penas enquanto fazia um estudo do mapa onde registrava os locais por onde já havia passado e aqueles que desejava conhecer um dia.- O que acha do Beco Diagonal? -Perguntou ainda acariciando o animal, pensando que seria bom voltar a Inglaterra, poderia até passar na casa de seus pais para jantar. Embora fosse inglesa, nunca tivera a oportunidade de conhecer o local, pois seus pais compravam o seu material escolar através de seus contatos no mundo judeu e, obviamente, ela não era permitida em ambientes daquela estirpe.

- Beco Diagonal será -Murmurou alegremente erguendo o braço para que Jonas voasse para sua casa, ou para algum outro lugar que desejasse, seguindo para o pequeno banheiro, onde passou alguns bons minutos em um banho mais do que renovador. Demorou mais alguns minutos escolhendo uma roupa que fosse condizente com o clima da Inglaterra, utilizando-se de seu telefone – embora fosse bruxa por lidar com vários trouxas havia acabado adquirindo um, tinha até redes sociais – e conferir como estariam as coisas por lá, alegrando-se com o clima aberto e ensolarado que estava programado para o dia.

- Here we go -Falou para si quando finalmente jogou o casaco de coro preto por cima da blusa fina e curta, recebendo a proteção necessária caso não estivesse tão ensolarado assim. Pegou a foto da rua que daria no Beco Diagonal, concentrando-se no local como se sua vida dependesse desse fato, sentindo o corpo ser puxado brutalmente em seguida. O mundo pareceu passar em frente aos seus olhos ao mesmo tempo que o seu corpo era chocalhado de um lado para o outro, causando enjoo e dor. Raizel já deveria ter se acostumado com aquelas sensações, afinal já havia conseguido permissão para aparatar há alguns anos, mas ainda não acreditava que alguém pudesse realmente se acostumar com aquilo, era realmente muito ruim.

O caminho até o Beco Diagonal se deu, graças a Merlin, sem maiores complicações, fazendo apenas uma breve parada no bar local para pedir um tônico que deveria diminuir as sensações incomodas que se espalhavam por seu corpo. Quando finalmente repousou a varinha no tijolo da parede, sentiu os olhos brilharem com a beleza da rua que se apresentava para si. Caminhou empolgadamente, deixando que os olhos recaíssem em cada artefato, loja e pessoa que passeava pela rua, detendo-se por alguns segundos em uma figura de cabelos negros que se aproximava de si. As feições conhecidas, junto com o abuso absoluto fizeram com que a jovem inglesa engolisse em seco, fechando um pouco o sorriso que antes repousava em seus lábios.


- Não, eu não estou aqui lhe seguindo, ou qualquer coisa que sua imaginação fértil vier a pensar. Eu sinto muitíssimo por alguém ter te empurrado em cima de mim e acabarmos nos beijando, mas pelo amor de Deus esquece isso e finge que não existo, realmente não quero discutir -Explicou com o máximo de calma que lhe foi permitido. Não era comum abordar as pessoas já com palavras não agradáveis, mas Aileen, uma das novas colegas de time, parecia desafiá-la a todo mundo, desde do primeiro dia de treino que ela sentia o desprezo por parte da outra, sendo este intensificado a medida do insuportável quando uma das meninas do time resolveu aplicar uma peça, empurrando-a para cima da inglesa, fazendo com que os lábios das duas se encostasse.

Raizel considerou a situação engraçada, até porque se havia alguém naquele time que ela definitivamente não beijaria era a canadense, contudo ela parecia ter tornado parte de seu objetivo de vida tornar a estadia da inglesa no time o mais difícil possível. O que fazia com que Raizel pensasse que seus lábios deveriam mesmo ser muito gostosos para serem capazes de despertar tanta fúria, o que, obviamente, sempre arrancava várias gargalhadas dela e de Violette quando relatava os acontecimentos dos treinos, cujas ‘brincadeiras’ se tornavam cada vez mais pesadas, mas, felizmente, nada grave o bastante para fazê-la perder a cabeça.


Raizel esperava qualquer tipo de reação de sua colega de time, literalmente qualquer uma, havia se preparada para gritos, até mesmo tapas, mas definitivamente não havia considerado a possibilidade da morena a puxar para si, envolvendo-a em um beijo. Em geral, aquele seria o momento em que pediria licença e afastaria a outra para dar um senhor discurso sobre limites e respeito, contudo o choque parecia ter lhe tornado completamente incapaz de qualquer tipo de ação. Internamente ela gritava, se perguntava se aquela era uma nova forma que Aileen havia encontrado de atormentá-la, mas externamente a única coisa que conseguia fazer era deixar os braços soltos ao seu lado ao mesmo tempo em que retribuía o beijo roubado.

Os lábios da colega de time pressionavam os seus de forma lasciva, causando algo que lhe inteiramente desconhecido. Raizel não possuía muito conhecimento de causa, até porque o único beijo recebido em sua vida, foi da própria Aileen, o que era no mínimo confuso. A verdade é que parte de si se encontrava aliviada, pois seria extremamente hipócrita de sua parte não admitir que já havia sentido curiosidade, e até mesmo vontade, de beijar alguém, em especial, uma mulher, só não imaginaria que isso aconteceria justamente com Aileen, muito menos em meio a rua e sem o menor aviso prévio, sendo essa última parte responsável por finalmente fazê-la despertar, afastando a outra com delicadeza, ainda que o momento não pedisse isso.


- Sua o que? -Inquiriu sentindo a raiva finalmente a dominar, afinal se o que aquela louca estivesse dizendo fosse realmente verdade, ela não só havia sido atacada, como havia o sido por uma completa desconhecida. A explicação, se fosse possível, deixara a inglesa ainda mais atordoada, afinal como alguém poderia agir tão naturalmente depois de desrespeitar completamente o espaço do outro? Que família era aquela? Uma parecia odiar pessoas sem razão, a outra as agarrava? Precisou inspirar e expirar algumas vezes antes de finalmente encarar sua agressora, repousando o olhar em seus olhos, tentando estabelecer uma conexão que fosse, não queria ser mal-educada, ainda que considerasse a situação propicia para o caso.

- Você sempre saí beijando desconhecidos? -Inquiriu sentindo as bochechas esquentarem um pouco, concedendo-lhes uma coloração avermelhada bastante fofa, mas demasiadamente detestada por nossa protagonista.- Você sabia que isso é bastante desrespeitoso? Além de ser considerado crime em vários países, inclusive o que nos encontramos. Consentimento é essencial em qualquer tipo de relação, não acho relevante para o caso o que achei, ou não, de seu beijo, já que não lhe dei permissão para me beijar para começo de história. Embora precise falar que você parece ser bem mais simpática e divertida que sua irmã, acho que precisa começar a ter um pouco de respeito pelas pessoas.

As palavras que deixaram a boca da mulher, por incrível que pareça, conseguiram deixar a morena ainda mais furiosa, fazendo-a respirar três vezes antes de finalmente abrir a boca.- Eu não beijei a sua irmã. Você não entendeu, foi tudo um mal-entendido, uma das meninas no time achou que seria engraçado empurrá-la em cima de mim e nossos lábios acabaram se encostando e sua irmã surtou e decidiu tornar a minha vida um inferno. Mas isso definitivamente não vem ao caso, mesmo que eu tivesse beijado sua irmã, pelo que você me diz, você não é ela, logo, isso não significava que eu quisesse lhe beijar, mesmo que você fosse ela e tivéssemos nos beijado isso não significava que quisesse novamente, ou seja, nada justifica essa sua atitude e eu gostaria muito que não repetisse esse gesto com mais ninguém. Não a parte do beijar, você pode beijar quem quiser, mas beijar sem permissão, isso é assedio, sem falar de um desrespeito tremendo.

Uma pessoa mais paciente do que Raizel provavelmente já teria perdido a paciência, o que significava que a judia se encontrava perigosamente perto de seu limite, ainda assim buscou ar, deixando que sua pureza limpasse seu corpo, aniquilando aquelas sensações negativas enquanto recitava uma oração pedindo por calma.- Não houve beijo! Foi apenas uma brincadeira! -Afirmou veementemente concedendo-se o tempo necessário para pensar na pergunta que a outra havia feito, a verdade é que provavelmente beijá-la seria uma boa opção, já que embora fosse continuar encontrando com sua gêmea, as chances era que não voltassem a se encontrar com tanta frequência, ou mesmo nunca, de modo que não precisaria se preocupar com coisas como o dispense, ou cortar laços.

Raizel vivia para o trabalho, fosse o executado na sinagoga, o realizado na ONG, ou mesmo o quadribol que sempre foi muito mais um hobbie, pelo menos até ser convidada para fazer parte das Harpias, ou seja, não haviam muitos espaços vazios em sua vida e os que haviam eram preenchidos por Jonas, seu pássaro, e passeios com as pessoas com quem trabalhava. Realisticamente falando, mesmo sendo bastante atrativa, as chances de encontrar alguém com quem dividiria a vida de fato eram inexistentes e ela já havia aceitado isso. Contudo, como também já havia decidido, não precisava se refutar dos prazeres da carne, ainda que estes fossem novos para si, já que passara toda a adolescência se privando de qualquer tipo de contato íntimo em nome da fé.


- Eu definitivamente não gosto da sua irmã -Afirmou tentando ganhar um pouco mais de tempo para tentar decidir o que queria.- Eu sou a Raizel, mas pode me chamar de Rai, ou Haná, como preferir -Falou oferecendo a mão para outra, aproveitando o momento ‘normal’ para recuperar, o plano pareceu maravilhoso, até a mulher que agora sabia se chamar Reagan voltar a soltar comentários referentes a intimidades que as duas poderiam ter, fazendo com que a inglesa voltasse a ruborizar.- Eu não acho que existam inimizades, apenas pessoas em lados opostos, mas que no final possuem objetivos semelhantes: Aproveitar o momento da melhor forma possível, não concorda? -Perguntou deixando que os olhares voltassem a se encontrar pela primeira vez desde dos primeiros ocorridos.- Não sou uma pessoa adepta da violência, então acho que terei que ficar te devendo a jogada na parede -De onde ela tirou coragem para falar aquilo? Ela não saberia explicar, mas complementou a fala com uma piscada rápida na direção da outra, dando um passo para trás demonstrando seu interesse em deixar aquele local.

- Não, você não me assustou -Afirmou calmamente. Era verdade, embora a experiência fosse inteiramente nova, não poderia dizer que tinha medo da outra, até gostava dela, mas já passava das dez da manhã e ainda não havia visitado nenhuma loja e precisava chegar na casa de seus pais antes das cinco da tarde se quisesse uma chance de falar com eles.- É que eu não conheço o Beco Diagonal, ou a cidade, se for ser sincera, embora tenha nascido aqui, e como hoje é um dos meus raros dias de folga, decidi atacar de turista, então se ficar aqui com você, por mais legal que seja, vou acabar não conhecendo nenhum lugar, entende? -Explicou aproximando-se da outra para poder lhe dar um abraço de despedida, mas antes de fazê-lo foi interrompida por ela com um comentário sobre deixar o café para depois.

- Sim, sim, definitivamente podemos marcar, você por acaso não sabe o que é telefone, não é? -Perguntou deixando que sua mão tocasse a dela brevemente, deixando claro que realmente havia gostado dela e não estava a expulsando ou algo do gênero.- Então vou escrever o meu telefone e meu Skype para você, tá? –Explicou já pegando um bloquinho que sempre andava consigo, onde colocou as informações que tinha acabado de informar.- Não, na verdade eu moro na Cidade do Cabo, África do Sul, mas venho para Inglaterra com frequência, como disse, sou daqui, ou melhor, meus pais são. -Continuou colocando o papel nas mãos da outra, aproveitando para puxá-la para um abraço apertado.- Eu realmente adorei te conhecer -Sussurrou dando um último aperto antes de voltar a soltá-la.

- Não, eu costumo abraçar pessoas de quem gosto -Respondeu a provocação com um sorriso leve nos lábios, afinal, aparentemente Reagan já havia entendido a pequena lição sobre limites e os comentários mais lhe pareciam brincadeiras, tais quais as trocadas com Baka, um dos funcionários da ONG em que trabalhava.- Caríssima -Completou colocando a língua para fora em uma careta boba. Raizel era assim: Não conseguia guardar raivas e rancores por muito tempo, passava mais tempo sorrindo e brincando do que falando sério, ainda que soubesse os momentos de fazê-lo.- O que acha de descobrirmos juntas? Uma companhia definitivamente cairia bem. -Convidou oferecendo a mão para que a outra pudesse caminhar junto a si.

- Poxa, o beijo era a melhor parte -Gargalhou fortemente observando a confusão nas feições da menina.- Super modesta você -Implicou começando a caminhar pelas ruas, sendo atraída pelo que parecia ser uma sorveteria.- Mas, admita, eu quem beijo muito bem, por isso que você não consegue parar de pensar no assunto -Brincou gargalhando um pouco mais com a resposta mais do que afiada da outra.- O fato de você querer novamente, confirma minha teoria de que eu beijo bem -Determinou puxando-a levemente para que ocupassem uma das mesas da sorveteria, adorava o doce desde pequena.- Você quer de que? -Perguntou observando um senhor se aproximar para anotar o pedido das meninas.

- Um de morango e um de cajá, por favor -Pediu dando um sorriso sincero e bem aberto na direção do vendedor antes de voltar a atenção para a canadense a sua frente.- Btw, eu sou Raizel Kreigsman, bibliotecária da Sinagoga da Cidade do Cabo, voluntária do projeto Conscientização Jovem e, atualmente, goleira das Harpias.... Adoro discursos politizados e desconstutores e beijo muito bem, como você teve a oportunidade de comprovar -Piscou com a última informação, não querendo confessar que não poderia afirmar se era, ou não, boa de cama, pois jamais havia divido uma com ninguém, a não ser que contasse as noites que ela e Violette acabavam adormecendo na frente da TV, o que dificilmente teria o mesmo sentido do colocado por sua interlocutora.

- É uma fruta, nunca provou? -Inquiriu um pouco surpresa, já que era grande apreciadora da fruta, sendo provavelmente uma de suas favoritas.- Quando chegar, te dou uma colherada, o que acha? -Continuou tentando imaginar como seria triste sua vida sem sua fruta favorita, o que acabou despertando-lhe um sorriso leve e divertido.- Eu não tenho uma vida, assim se torna fácil administrar tudo -Explicou sentindo seus lábios se contorcerem em um sorriso ainda maior ao perceber a aproximação do senhor com duas taças imensas de sorvete, sentindo os olhos brilharem pela felicidade latente.

- Você vai me comprar sorvetes? -Perguntou com um sorriso infantil no rosto.- Então pode achar que estou dando em cima de você -Gargalhou fortemente antes de levar a primeira colher aos lábios, desfrutando do sabor doce amargo delicioso que inundava sua língua, deixando-a levemente dormente pelo gelo excessivo.- MARAVILHOSO -Exclamou desfrutando de cada silaba da palavra como se ela fosse o próprio doce. Aproximou-se da canadense em seguida, fazendo uma imitação de avião para que ela pudesse pegar um pouco do sorvete.- Claro -Afirmou a pergunta da outra se poderia colocar mais, levando mais uma colher até a boca da outra, aproximando-se um pouco para poder realizar o feitio.

- Qualquer coisa pedimos mais um -Sim, Raizel não conseguia se controlar quando se tratava de sorvete, ou qualquer outro doce até onde sabia dizer. Baka costumava dizer que o que ela evitava em alimentos derivados de animais – já que não comia carne, ou frango, resumindo-se ao peixe e mesmo este evitava – ela compensava comendo todo o doce que conseguia encontrar.- Eu acho que me expressei mal, não tenho uma vida comum, mas amo a que tenho, não acho que algo possa me dar mais prazer do que o trabalho que realizo na ONG, ou mesmo na Sinagoga -Explicou quando as colheres finalmente começavam a lhe satisfazer, desviando sua mente para o assunto em pauta.


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