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Três Vassouras

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Re: Três Vassouras

MensagemHolanda [#150977] por Jade Rooijakkers » 17 Jul 2015, 00:40

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i won't give up on us
even if the skies get rough
i'm giving you all my love
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      A falta de responsabilidade e o excesso de confiança são duas das características mais marcantes em adolescentes, especialmente quando estes passam por momentos complicados. Violette, no entanto, não costumava seguir tais tendências, muito pelo contrário, era tão responsável e centrada que em muitos momentos chegava a ser irritante. Em quatro anos de estudo jamais chegou sequer atrasada em uma aula, também não costumava quebrar nenhuma regra, pelo menos até chegar a Hogwarts. A mágoa sobre os acontecimentos nas férias foi um pouco mais profunda do que ela gostaria de admitir, sua mente não vinha funcionando da mesma forma que antes. Talvez por ela finalmente ter percebido que nem sempre o correto é a melhor opção, ou simplesmente por o trauma ter a afetado mais profundamente do que imaginava. O fato é que até ela mesmo se surpreendeu ao perceber a bebida claramente proibida para menores em sua frente.

      O sabor adocicado ardente invadiu as glândulas gustativas da loirinha trazendo consigo um pouco de nostalgia. Apesar de saber sobre os perigos de consumir bebidas alcoólicas, ainda mais uma que nunca havia provado, para ela o álcool era também um elo forte de ligação com sua família, já que a mesma cultivava uvas e produzia os melhores vinhos da França. O hidromel era bem mais adocicado que o vinho, mas ainda resguardava o resquício do queimor na garganta oferecido pelo outro. Levou o copo aos lábios molhando-os levemente com o líquido rubro aproveitando para degustar de cada sensação oferecida pelo mesmo. Recordou-se de seu avô explicando-lhe todos os acordes do vinho, é preciso senti-lo com todos os seus sentidos para poder de fato apreciá-lo como se deve. Obviamente a mesma regra não deveria ser aplicada a essa outra bebida, mas ainda assim ela repetiu o processo que lhe foi passado na intenção de desfrutar da bebida como ela merecia.

      Aos poucos a conversa foi se desenvolvendo e em pouco tempo a loirinha já sabia um pouco mais sobre aquela desconhecida de quem já gostava bastante. O fato dela ser uma princesa, além de arrancar boas risadas das meninas, também ajudou a renovar um pouco sua fé na humanidade, afinal se alguém da realeza era capaz de desejar se rebelar e lutar pelos demais, ainda deveriam existir pessoas dignas pelas quais valia a pena lutar. Harvey, para a loira, era a forma que o universo havia encontrado para mostrar-lhe que manter a cabeça erguida era essencial, assim como a diversão, ainda que em tempos complicados, sem uma boa dose de sorrisos nenhuma revolução jamais seria feita. "A revolução começa na mesa de um bar", ela havia lido em algum lugar um tempo atrás, obviamente havia desconsiderado tal disparate, mas agora começava a perceber que sim, muito poderia se fazer em um bar. Não pelo país, mas pela alma de quem por ele luta.

      A pergunta da outra sobre o que havia imaginado fazer naquela tarde a pegou um pouco de surpresa, ela havia se distraído tanto com a presença de Harvey que esquecera toda a tristeza e frustração que a cercava. Em pensar que alguns minutos atrás ela começava a cogitar a possibilidade de ameaçar o editor chefe do jornal por não conseguir pensar em nada mais para fazer. A complexidade do momento voltou a atormentá-la e por alguns segundos o sorriso que iluminava suas feições deixou de existir, dando espaço para a preocupação e tristeza. Pensou em falar algo bobo como visitar a loja de logro e brincadeiras, mas descobriu que se sentia perfeitamente a vontade para relatar a outra tudo o que lhe ocorrera, tão a vontade quanto não se sentia a meses, mais precisamente desde que chegara de Beauxbatons. As férias, ao contrário do que era usual, representaram um conjunto de silêncios sem fim, justamente por isso havia optado por ir ao acampamento oferecido pelo ministério.


      - Você sabe algo sobre o passeio organizado pelo Ministério no Triangulo das Bermudas? - inquiriu ainda pensativa. A resposta dela, assim como tudo o que veio antes, renovou um pouco os ânimos da francesa, alguém havia ficado sabendo sobre o incidente, afinal. - Então, foi um pouco mais complexo do que isso, mas o caso vem sendo abafado pelos jornais e o Ministério se recusa a falar sobre o assunto. Meu plano era enviar uma coruja ao editor chefe do Lummus tentando marcar uma reunião para discutir o assunto pessoalmente, já que minha primeira carta sobre o assunto foi devidamente ignorada. -completou tão rápida e furiosamente que começou a considerar a quantidade de tensão que o assunto lhe trazia como algo fortemente prejudicial. - Desculpe-me... É só que esse assunto é delicado -comentou encarando o chão com uma determinação tão forte quanto a de ir ao fundo daquela história. Inspirou profundamente sentindo suas bochechas esquentarem pela vergonha.

      A resposta dela não foi nada menos do que a loira esperava, óbvio que ela a incentivou, por que não o faria? Depois de tudo o que fora conversado, ela não esperava nada menos da morena e isso a assustou um pouco. Violette sempre acreditou no melhor das pessoas, ainda que elas não lhe mostrassem uma face tão boa, mas depois do acidente ela havia se tornado um pouco mais retraída, o fato de uma estranha lhe fazer regressar ao ponto de partida era sinal de que sua auto terapia vinha funcionando. -
      Eu não vou parar, Harv... Desculpa, posso te chamar assim? - inquiriu sentindo as bochechas voltarem a corar. Ela não esperava que a outra discordasse, pelo menos não de verdade, mas observar o sorriso que surgiu em seus lábios fez com que seu coração acelerasse de um modo inesperadamente bom. - Não sou do tipo que desiste fácil, mas saber que ainda existem pessoas que acreditam e não acham isso uma bobagem me alegra.

      Era a mais pura verdade, por mais que ela pensasse que as coisas eram bem difíceis, ela nunca pretendeu desistir na primeira dificuldade. Cada um dos filósofos em quem ela tanto se inspirava havia dado uma parte de si por suas causas, se sua alma era o preço que precisava pagar pelas suas, ela o pagaria com um sorriso no rosto e muitas lágrimas no coração, mas ainda sim pagaria. A pergunta de Harvey sobre o que ela faria caso conseguisse a reunião a pegou um pouco de surpresa, não que não possuísse um plano, mas realmente não havia pensado em apresentá-lo naquele momento. Em verdade ela se encontrava mais focada em conseguir a reunião, o que viria depois ela ainda estava por planejar detalhadamente. Violette adorava a segurança, por isso jamais enfrentaria uma reunião sem um planejamento prévio que incluísse tópicos a serem abordados com argumentações satisfatória para cada um deles.

      - Primeiramente eu iria narrar as condições precárias as quais os tripulantes do navio destinado aos menos afortunados passaram durante toda a viagem. Tais condições incluem buracos nos cascos do navio e falta de tripulação para executar serviços, desde os mais essenciais, como os relacionados ao controle da embarcação, até aqueles que incluem a higiene e bem estar de todos. Segundo todas as leis, embasadas em pensadores como John Locke, Montesquieu, Voltaire e Jean-Jacques Rousseau, todo ser humano possuí o direito a sua liberdade e bem estar. A embarcação feriu ambos os princípios ao passo que a viagem que deveria ter se estendido por aproximadamente três dias, acabou se alastrando por dias. Sobre o estado a que os tripulantes foram submetidos acho que nem preciso argumentar. O caso aqui é o claro desrespeito do Ministério para com seus súditos menos afortunados, sem que toda a população tome conhecimento de tais fatos, o sistema não mudará e o povo continuará sofrendo tais atrocidades.

      A menina percebeu que havia se empolgado no discurso quando sentiu a necessidade de respirar antes de continuar a explicar tudo aquilo que estava preso em sua garganta. - A idéia geral é essa... Obviamente também falarei da omissão das vítimas que provavelmente sentem medo de se expor, o que prova que o atual Ministério é baseado em um regime ditatorial, contrariando as normas impostas pela constituição... E, acho que me empolguei um pouco, desculpe-me? -completou dando um sorriso desconcertado ao final de suas considerações. Apesar de não ter preparado nenhum cartãozinho ela achou que tinha conseguido cobrir, pelo menos superficialmente, todos os pontos que desejava expor na hipotética reunião com o editor chefe do jornal mais famoso do mundo bruxo. Sim, ela sabia que não seria nada fácil conseguir a reunião, quem dirá convencê-lo de que uma notícia como aquela, que favoreceria apenas a parcela menos influente da população, daria uma excelente capa de jornal.

      Um pequeno sorriso de satisfação já começava a ser delineado em seus lábios róseos quando a outra mencionou que ela talvez tivesse esquecido algo. Mentalmente ela revisitou todos os pontos que deveriam ser explorados, obviamente ela ainda não havia mencionado suas idéias sobre como convencê-lo que aquela notícia venderia muito bem, mas ela não acreditava que a morena estivesse se referindo a isso em particular.
      - Que seria? - inquiriu timidamente aproximando-se um pouco mais dela enquanto levava a bebida aos seus lábios. O sabor adocicado logo preencheu seu corpo com sensações de queimor a fazendo sentir-se um pouco mais relaxada. O argumento apresentado pela outra lhe pareceu um pouco ilógico, já que em sua mente o carisma não seria tão importante quando se tinha argumentos. Mas ela tinha razão, afinal todos os líderes já existentes, além da inteligência e desenvoltura, possuíam um carisma aguçado.

      Honestamente ela nunca havia pensado sobre como as pessoas se portavam perante seus argumentos, sempre acreditou que o conhecimento era a única coisa que importava. Aparentemente ainda havia um longo caminho a ser percorrido antes de chegar ao almejado sucesso como embaixadora dos menos favorecidos.
      - O que é necessário para se ter carisma? Pode me ensinar? -questionou sorrindo empolgadamente, aprender era uma das coisas que mais gostava na vida. Sim, um bar não lhe parecia o local mais indicado para se ter aulas, mas ela acreditava que todos os lugares podem lhe oferecer algo, inclusive um bar. E se ela estava tendo a oportunidade de conversar com alguém que poderia lhe ensinar algo, ainda mais algo daquela magnitude, ela agarraria com unhas e dentes, a oportunidade, não a professora. Os olhares se encontram por alguns segundos e a francesa sentiu suas bochechas voltarem a corar por algum motivo que ela desconhecia.

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cause even the stars they burn
some even fall to the earth
we've got a lot to learn
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Re: Três Vassouras

MensagemBelgica [#151024] por Harvey Anna Lothringen » 18 Jul 2015, 14:23

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Aquele era, sem dúvida alguma, um fim de semana irônico. Pensar que apenas alguns dias atrás estava caminhando pelos corredores de Durmstrang a procura de um infrator de regras em potencial para aplicar detenção ─ e consegui quatro ao longo dos cinco dias ─, para então comparar com a situação em que me encontrava fazia com que sentisse uma imensa vontade de rir. Isso porque a minha frente estava uma aluna um pouco mais nova, de uma escola cujos conhecimentos apenas adquirira através de aulas, enquanto confessava que teria ajudado-a a quebrar regras e deixava que desfrutasse de uma bebida alcoólica como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Bem, talvez fosse, tendo em vista que a família de Violette estava acostumada ─ de acordo com o que ela lhe contara ─, todavia não fazia parte da família. Não tinha como tomar responsabilidade caso alguma coisa acontecesse em decorrência de bebida. Além do mais, não era eu responsável por zelar pelo bem-estar dos alunos? Não deveria isso se aplicar naquela situação, mesmo que a escola não fosse Durmstrang? Sabia que uma cena assim, por mais banal que parecesse, poderia trazer problemas sérios em relação à meu emprego.

Pensar naquilo fez com que eu percebesse, de modo quase brutal, uma verdade facilmente lida em meu interesse no que ela dizia e no modo animado como me portava. Não queria que aquele bate-papo acabasse e odiaria que fosse interrompido quando a conversa fluía tão bem. Não só isso, mas a loirinha possuía um modo doce de se portar, quase tímido, que aos poucos revelava um lado mais descontraído; a paixão com que falava dos assuntos que tinham como base a injustiça ou a ignorância era uma razão a mais para gostar de sua companhia. Talvez, se fosse outra pessoa, até mesmo achasse aquelas características atraentes. Felizmente ─ ou seria o contrário? ─ aqueles pensamentos não passavam por minha cabeça, mesmo enquanto analisava suas feições. Seu rosto mostrava traços suaves, olhos de tal coloração que lembravam mel, cabelos alourados e um sorriso gentil; praticamente uma versão real da visão angelical dos escritores de ficção trouxa, em minha opinião. Parecia revelar fragilidade e maturidade, ao mesmo tempo, como se uma se apoiasse na outra, num equilíbrio quase perfeito. E não fosse pela intensidade em seu olhar, talvez pudesse acusá-la de ser ingênua. Estaria mentindo se dissesse que não sentia curiosidade quanto a garota a minha frente.

Percebi o exato momento em que o sorriso murchou em seu rosto e perguntei-me se tinha falado alguma coisa errada, voltando a memória a minha última fala. O único motivo aparentemente válido seria minha pergunta, não tinha pensado que poderia ter tamanho impacto na ─ e isso eu descobriria mais tarde ─ grifinória, e senti-me mal por tê-la feito. O que veio em seguida me surpreendeu. Aquele era o momento perfeito para que desse o fora ou inventasse uma mentira, mas sua voz denunciava ainda um pouco de tristeza, o que provavelmente representava que iria me guiar a uma resposta confiável. Pensei, então, tentando desligar-me do fato dela ainda parecer um pouco triste, e respondi de uma forma que achei no mínimo plausível, por mais que não tivesse uma boa resposta para sua questão. ─ Se refere àquela em que vários dragões surgiram e atacaram os visitantes? Eu soube através de uma antiga amiga da época que estudava, ela disse que a irmãzinha foi para lá e se feriu. Não tenho muito no que me basear, mas sei um pouco sobre o que está se referindo. ─ Não tinha dimensão do estrago que fizeram ou mesmo como o conflito ocorreu, mas tinha uma ideia da viagem e dos acontecimentos gerais, por mais que muito pouco e sem maiores detalhes.

Observei-a enquanto falava, não sabendo se a clara irritação em sua voz era algo positivo ou negativo em comparação à tristeza que demonstrava em sua fala anterior. Era verdade que a raiva poderia ser descrita como um sentimento ruim, já que levava as pessoas a fazerem coisas sem pensar e desconcentra-as o suficiente para impedir que visassem o lado bom de alguma coisa. Ainda assim, um pouco de raiva poderia servir como foco e estimular na busca por alguma coisa. Com ela a pretender enviar uma carta ao diretor chefe para depois marcar uma reunião, talvez aquela raiva pudesse ser usada a seu favor; o truque, claro, era controlá-la, sem deixar que passasse dos limites. ─ Olha, eu sei que não te conheço muito bem, mas... Se você têm isso em mente e acha que é o certo, independente do que está na mente do pessoal do Ministério ou do Lummus, então acho que deve ir em frente com seu plano. Mesmo que talvez você seja ignorada outra vez ou respondida de forma que possa considerar ruim. Pelo menos você foi até o final com suas crenças e tentou, certo?

Talvez fosse um pouco inesperado ou inusitado, mas a cada vez que via a loirinha parecer triste ou, de alguma forma, perdida, uma vontade quase desconhecida de protegê-la apossava-se de minha mente. Havia sentido a mesma coisa antes de sentar-me consigo, e lembrava-me muito o que sentia sobre minha irmã mais nova. Mas ao mesmo tempo em que sabia que Laet precisava aprender a se cuidar e deixava, às vezes, que aprendesse com seus erros sozinha, sem influenciar ou dar um jeito de amparar os machucados, não gostava nem um pouco da ideia de que, talvez, outras pessoas e acontecimentos lhe ─ Violette ─ machucassem e a deixassem de um jeito tão desamparado quanto nos momentos anteriores, ou que alguém lhe fizesse se sentir mal por alguma coisa que ela viera a falar com tamanha convicção. O modo como me pedira desculpas fazia-me pensar que havia gente no mundo que lhe criticariam por seu modo de pensar, independente do quão delicado ou complicado o assunto fosse, era como um soco no estômago. Mesmo assim, não parecia certo sentir aquilo e era assustador demais para que me protegesse de tais sensações. Não tinha nenhuma ideia da onde aqueles sentimentos iriam me, talvez nos, levar.

─ Pode, pode sim. ─ Um sorriso animado aos poucos surgiu em meu rosto, boa parte da tensão que estava sentindo ir embora, sem saber exatamente o porquê daquilo. Para ser sincera, não queria saber. Mesmo que isso definitivamente não combinasse comigo, sabia que teria por muito tempo medo da resposta. E meu lado da razão fez-me o favor de ignorar seu rosto corado, também, optando por prestar atenção no que dizia. ─ Se têm uma coisa que aprendi nos últimos dezesseis anos, é que as pessoas sempre podem te surpreender. ─ Pausei, pensando em qual seria a melhor maneira de continuar. Veio a minha mente uma coisa que talvez fosse importante e ela poderia ter ignorado em meio a raiva; ok, ela provavelmente pensou, eu quem estava interessada em saber, mas que culpa eu tinha se tudo que ela falava saía de um modo muito mais inteligente e lógico do que sairia da boca das outras pessoas? ─ Se você conseguir a reunião, como pretende conduzi-la? Quais seriam seus argumentos? ─ Talvez pudesse achar um meio de ajudá-la, alguma coisa qualquer que ela ignorara ou deixara passar por alto. Era algo humano deixar um ponto ou outro de lado, enquanto os outros pareciam mais importantes.

Pois é, não aconteceu. E que modo melhor de definir o que pensei senão citando o que eu disse: ─ Uau. ─ Pois é. Literalmente. Juro, por uns sete segundos eu não consegui pensar no que dizer e fiquei simplesmente admirando, mentalmente, o que ela já tinha dito, para não mencionar que todo seu raciocínio me deixara boquiaberta. Mil vezes melhor do que o que um dia eu poderia fazer. Ok, novecentas e noventa e nove, não iria me desmerecer tanto. ─ Sinceramente, você me convenceu e olha que eu não tenho nem ideia da situação. Enfim... Acho que os seus argumentos são válidos, levando em conta que estão bem fundamentados. Só tem uma coisa que você talvez não tenha pensado, acho. ─ Eu realmente queria encontrar um jeito de ajudá-la e algo bem simples veio a minha mente. Algo que ela provavelmente não pensara, já que seu modo de agir demonstrava que se importava muito mais com a parte técnica e não com a prática. Na verdade, provavelmente acabaria ensinando-lhe algo útil não só para a situação da reunião, mas para futuras reuniões que eu torcia que acontecesse tanto quanto aquela. ─ Basicamente, carisma.

Suspirei, fitando-a, percebendo que ela poderia ter achado aquilo um pouco mal fundamentado. Fiz, então, questão de explicar. ─ É, eu sei, soa pomposo e irritante, mas acho que será bem importante, até porque ele parece importante e isso pode trazer uma bagagem imensa de arrogância. Não estou falando de etiqueta, por mais que se ligue muito a etiqueta em si, mas sim tomar cuidado com a forma que você vai apresentar seus argumentos. Carisma pode pôr tudo a ganhar ou perder. ─ Eu poderia facilmente pensar nos androides trouxas que percorriam suas imaginações e imaginar um deles argumentando. Dependendo de como fossem programados, a falta de movimento, gesto, a voz robótica e a pouca emoção poderia pôr tudo a perder, mesmo que a argumentação em si fosse perfeita. Carisma era quase tão importante quanto os argumentos em si, pois era ela quem definia se o ouvinte estava realmente ouvindo ou apenas dormindo enquanto ouvia a voz do locutor. ─ Claro! Acho que seria bastante divertido, mas aviso logo que nunca fui de ensinar coisas para outras pessoas. Bem... Por onde quer começar? Supondo que você queira começar desde já. Mas podemos marcar para um outro fim de semana que você venha à Hogsmead.

Se continuássemos conversando a partir dali, em base àquela "aula", provavelmente tomaria pelo menos uns quarenta minutos de nosso tempo. Não podia passar nada muito experiente ou prático sentada num bar, mas pelo menos o lado teórico, que depois poderia ser treinado por si só com facilidade, demandava relativamente pouco tempo. E então veio sua resposta. No começo meus lábios se curvaram para cima, denunciando uma risada, mas logo que ela mencionou o fato de só ir ali quatro vezes por ano eles voltaram ao normal. Tentei ao máximo não passar a impressão de estar triste ou chateada ─ não com ela, mas com o imbecil cabeça dura que inventara que os alunos só tinham permissão para ir ali quatro vezes por ano! ─, esperando que desse certo. ─ Só?! Nossa. Isso é bem pouco. Mas... vocês não podem ficar presos tanto tempo, podem? Quer dizer, deve ter algum dia da semana em que esteja livre e possa vir aqui. Alguma passagem, não sei. Afinal, vocês estão aqui agora. ─ Sua resposta não surpreendeu-me, e por um instante peguei-me com um sorriso maroto ao rosto. Iria mesmo falar o que falaria, sendo que era a zeladora de Durmstrang?

─ Beauxbatons é uma ilha que vive mudando de lugar, você sabe, e é por isso que não tínhamos passagens secretas. Mas você tem toda razão ao dizer que Hogwarts provavelmente têm passagens secretas. Bom, eu... Não quero lhe forçar a quebrar regras, não só por ser zeladora em Durmstrang, mas porque parece ser algo que vai contra o que você acredita e o modo como age. Então acho que nos resta aproveitar hoje e darmos um jeito de nos comunicarmos por, sei lá, coruja, né? Q-quero dizer, se você aceitar. ─ Nem mesmo eu entendi porque gaguejei no final, e juro que tive vontade de me xingar mentalmente. Desde quando eu, Harvey, gaguejava? Ainda mais quando era uma pessoa tão tranquila quanto Violette? Mas... Não fazia sentido algum! Só faltava estar corada. Ainda bem que eu não corava facilmente. Mas por que eu tava pensando que poderia estar corada? Não tinha motivos para estar... tinha? Pois é, confuso. E só pra me deixar ainda mais confusa, me vêm a frase "então talvez faça parte da minha terapia te ver", seguida de uma risada que eu realmente não entendi. ─Sua terapia?

Sua resposta deixou-me um pouco mais relaxada, todavia o modo como eu perguntara quando ela mencionou terapia ─ tão curiosa quanto achando estranho, o que deve ter ficado um pouco obvio por causa de minhas sobrancelhas arqueadas ─ me fez sentir vontade de tentar me explicar. ─ Desculpa, não queria que tivesse soado daquele jeito. É que, bem... você sabe qual é a ideia que as pessoas têm quando falam terapia. Não que eu tenha pensado realmente na possibilidade, você parece bem mais inteligente e lúcida que as meninas da sua idade, ainda mais se eu pensar em como era quando tinha sua idade. Eu não sei sua idade, mas você entendeu. ─ Peguei-me, então, olhando para baixo, um pouco envergonhada. Não queria que ficasse chateada comigo, ou decepcionada, de alguma forma, e não tive coragem de olhar para cima e ver sua reação. Por três segundos, até eu brigar mentalmente comigo e erguer o rosto. Se ela tivesse algo a dizer, conduziríamos a conversa a partir dali, mas se não, então eu simplesmente iria perguntar se ela ainda estava interessada nas aulas de carisma que prometi. Parecia um modo tranquilo de continuar.


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Harvey Anna Lothringen
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Re: Três Vassouras

MensagemInglaterra [#152207] por Oliver Sartori » 04 Set 2015, 16:28

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O clima estava animado, ou talvez animado demais, já que na visão de Sartori até mesmo as mesas estavam dançando ao som da música. Ou pelo menos aquele seria o aviso de que havia ido mais longe do que deveria, o fato era que aquela morena havia se tornado o símbolo da perdição. O que ela havia feito para conseguir levar Oliver àquele nível de exaltação? Não sabia bem o motivo, mas em mais um giro que realizava na mulher, sobre o ritmo elétrico da canção que estava ecoando pelo ambiente, começou a raciocinar lucidamente. Haviam pouquíssimas pessoas no local, mas o fato era que só aquela donzela era suficiente para tornar aquele fim de noite tão animado.

- Quer saber, acho que já bebi demais. Quero dizer, você e eu.- Desta vez apontava repetidas vezes para a mulher e para si próprio.– Eu e você, bebemos demais. –Os olhos já precisavam de esforços para focar fixamente sua face, assim como o pescoço parecia sustentar mais peso do que a própria cabeça. – Acho melhor irmos embora. – Voltou-se para a mesa em que haviam ocupado quando chegaram no recinto, retirando de sua bolsa alguns goldens. Quantia suficiente para pagar as doses que haviam tomado, como também conceder uma boa gorjeta para o funcionário do estabelecimento. Talvez estivesse sendo careta com toda aquela atitude repentina, como também não sabia bem a reação de sua companheira de noite sobre o que acabara de fazer. Porém sabia que se continuasse, iria acabar apagando, e não lembraria mais como havia ido dormir.

- Não se preocupe, na próxima vez que sairmos você paga. Assim eu tenho a certeza que terá uma próxima vez. – Sorriu de maneira descontraída, utilizando de um abraço para evitar que a mesma alcançasse a mesa, arrastando-a contra a sua vontade para longe do garçom. O perfume dela percorreu sua narina, - que estava prejudicada pelo álcool, porém não o suficiente para apagar os seus sentidos -, diria até que se aproveitou um pouco da situação, já que ela parecia insistir em querer se soltar. Mas logo alcançaram a saída, e a felina logo acalmou-se e escondeu as unhas. – Você não me disse onde mora. – Questionou, ainda com a visão turva, mas não o suficiente para que o impedisse de notar que a rua estava deserta. E não era para menos, já era madrugada, e Hogsmead não era um vilarejo tão agitado assim. – pelo menos não naquele quarteirão.

- Hmm, interessante. Eu adoraria conhecer. – Arqueou a sobrancelha, desta vez com os olhos cheios de malicias, mas logo retomou a face neutra. – Mas, acho que seria melhor em uma outra oportunidade. – Tomou posse das mãos da mulher, realizando um beijo em ambos os dorsos.– Estamos alterados demais, e quando não estou bêbado, eu não sou tão legal assim. Quando acordasse de manhã, você não iria me suportar.–Com certeza não estava raciocinando direito, já que iria se odiar eternamente por não ter insistido em passar a noite com aquela morena tão atraente. Conversa vai, conversa vem, e logo o momento de despedida foi chegando. E talvez ela tivesse ficado chateada pela maneira como Oliver estava agindo, para tanto que esta já ia dedicando um ‘boa noite’, e ia se afastar.

E mais uma vez sem pensar muito, impediu que a mulher misteriosa se distanciasse, segurando firme o seu pulso. – Quer saber... – Repetindo um movimento de dança que havia realizado mais cedo, porém desta vez com segundas intenções envolvidas, puxou o corpo dela de volta. Oliver beijou seus lábios assim que o espaço que os separava foi reduzido o suficiente, extraviando a vontade que estava pulsando em suas veias desde o momento em que havia decidido ir até a sua mesa, enquanto suas mãos trafegavam pelas curvas da mulher. Sartori sentia seu corpo se incendiar de maneira similar ao whisky, porém ao inverso - de fora para dentro. A noite que parecia ter acabado, naquele momento parecia ter sido reiniciada. À medida em que a intensidade ia maximizando, girou o corpo da mulher, direcionando-a contra a parede do bar ao qual haviam acabado de sair, ainda se deliciando com o néctar de sua boca, que parecia tentar saciar uma sede insaciável. Alimentando um vício, que a tão pouco não imaginava que fosse encontrar naquela misteriosa e enigmática morena.



Com Elizabeth O.
E desta vez só foi alguns meses...
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Oliver Sartori
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Re: Três Vassouras

MensagemUcrania [#153688] por Viktor K. Zolnerowich » 27 Dez 2015, 00:21

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O dia parecia perfeito para um passeio em sua Harley. Viktor não aguentava ficar enjaulado dentro daquelas paredes do instituto como muitos professores faziam com tranquilidade. Sentia aquele ar pesado, o ânimo acinzentado e seu humor paulatinamente abalado toda vez que não era aulas o motivo pelo qual o prendia. Embora houvesse outro em particular, ainda não tivera forças e muito menos coragem de se aproximar de sua filha a qual havia abandonado numa época em que diversão, mulheres e vida fácil parecia mais atrativa a ter que ficar madrugada a fora, acordado á beira de um berço com uma criança berrando em seus ouvidos. Não sabia como justificar seus atos, porque hoje sabia que eles seriam nada justificáveis, principalmente quando algumas partes de seu passado fosse exposta aos quatro ventos.

Mas, as fiandeiras do destino o haviam provocado e fizera com que reencontrasse sua filha; antes... descobrira que ela não morrera, mas havia sido criada pela irmã de Evey, que na época era sua amante. A mulher também não estava preparada para a tarefa, e decidira jogá-las nas mãos da irmã que não conseguia ter filhos. Ela poderia não ter matado a filha como Viktor havia pedido, mas também a abandonara e, aos olhos do ucraniano, seus pontos positivos com o lado bom da força não era de todo grande.

No entanto, naquela manhã em especifico, tais assuntos nebulosos estavam afastados de sua mente. Antes, queria brindar a vida, beber uísque e sair contra o vento em cima de sua Harley. Daphne não podia compartilhar deste momento, afinal, seu trabalho exigia uma rotina da qual uma escola, graças aos deuses não exigia, pelo menos, não de Viktor. Além do mais, após a conversa conturbada que tivera com a escocesa na qual ela revelara que outro filho de Viktor estava a caminho e em seguida, dias depois a reconciliação de ambos, o ucraniano tentava evitar a mulher, inconscientemente. Não sabia porquê, mas décadas vieram e embora afirmasse que não iria abandonar Daphne, que juntos criariam o filho que vinha, a realidade não mostrava tão verossímil às suas promessas.

Conversara com o garçom que era mestiço, contando as muitas viagens das quais ele havia feito por vários continentes e países, escondendo obviamente os motivos dos passeios de algumas, ligado ao outro trabalho, além de professor do qual ele mantinha. Tudo parecia tranquilo. O lugar agradável, pouco cheio e o cheiro de pão preto ainda assando pairando pelo ar.
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Viktor K. Zolnerowich
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Re: Três Vassouras

MensagemFranca [#153689] por Amélie Lavoie » 27 Dez 2015, 00:23

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                 Amélie sabia que o professor de História da Magia adorava coisas trouxas, em específico sua motocicleta customizada a qual ele a mantinha num canto protegido, próximo à cabaça de caça do Instituto de Magia. E que ele, sempre que podia, andava com ela não somente nas mediações como também por caminhos mais distantes. A francesa não conseguiu muitas informações do homem antes de se aproximar de fato dele, mas, pelo visto parecia bem relacionado uma vez que aparentava conhecer a funcionária do Ministério da Magia, a Inspetora, a qual tivera o desprazer de cruzar o caminho da morena que regurgitara aos seus pés durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Havia sido um fiasco, e por mais que Amélie tentasse esconder os detalhes, praticamente, Hogwarts inteira já sabia e suas chances de se tornar Monitora-Chefe esvair ao vento.

                A garota aproveitou uma das liberações feitas pelo instituto aos alunos para que visitasse Hogsmead, desta vez sozinha. Rezava aos deuses para que não viesse nenhuma criatura dominada pelas trevas e muito menos que outra destruição se desenhasse na vila a qual há poucas semanas havia sido palco de uma cena de terror na qual não somente ela, mas Benjamin, Anne, Phell e outra desconhecida que se mostrou ser Nuala, conseguiram se safar com vida. A vila aos poucos ia conseguindo se reestruturar, e o pub três vassouras poderia soar intacto se Amélie não soubesse que ele estava ainda de pé, por pura garra dos donos e ajuda da magia para reconstruí-lo.

                Viu a motocicleta de Viktor, embora não soubesse o nome devido do meio de locomoção em virtude da rara vivência que tivera com os trouxas e muito menos seu conhecimento sobre os costumes destas criaturas. No entanto, julgava o artefato peculiar e poderia até tê-lo vistoriado mais de perto se não fosse algo mais importante que a trazia ali. Viktor se encontrava no balcão, com os olhos e sorrisos vívidos, mantendo um copo de uísque de fogo nas mãos e conversando animadamente com o garçom ou dono do bar. Sem jeito a garota se aproximou do homem que assustado a fitou em silêncio, tendo seus olhos confusos e interrogativos sobre o motivo pelo qual ela estava ali.
– Professor...bom dia... será que podemos conversar em particular?
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Amélie Lavoie
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Re: Três Vassouras

MensagemUcrania [#153691] por Viktor K. Zolnerowich » 27 Dez 2015, 00:40

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- me dá mais outro, por favor, Jeff! – Viktor colocou o copo com ligeira força sobre a madeira do balcão. O garçom num gesto amigável, levantou o copo, sinalizando que era para já e afastou-se para pegar mais bebida para o ucraniano. Aquele era seu quarto copo do dia. Ainda era de manhã. Mas, Viktor considerava seu dia de folga, então poderia beber o quanto quisesse e quem sabe até não pegar um rabo de saia para levá-lo ao andar superior e fazê-lo esquecer os seus problemas. Afinal, o loiro não era o tipo de homem que gostava de desafios pessoais. Quando a situação começa a pesar e lhe dar enfado, Viktor se tornava perito em fugas inesperadas e repentinas, deixando suas amantes a ver navios. Não fora criado para solucionar problemas de mulheres, no entanto, tinha uma habilidade quando se referia a acordos bélicos. A vida se tornava traiçoeira, com certa comicidade quando se tratava do ucraniano; do covarde e mal caráter ucraniano, o qual não se importava que Daphne agora trazia seu filho; os prazeres alcançados no meio das pernas de uma mulher qualquer sempre soava mais interessante, embora, devo dizer como narrador desta história, não por muito tempo.

Foi num momento inesperado, entretanto, que o ucraniano ouviu uma voz sob seus ombros. Uma voz feminina, aparentemente de adolescente; num primeiro instante não a associando a nenhum rosto, mas, logo em seguida alguém tomou aquela voz para si e o sorriso do homem fora parcialmente interrompido.
– Srta. Lavoie? –inquiriu-a falsamente interrogando sobre sua pessoa, ela confirmando ser proprietária daquele sobrenome. Não estava a fim para ter uma conversa de escola naquele momento – não prefere deixar isto para Hogwarts? – disse em tom educado, no entanto, pareceu grosseiro num primeiro momento. – aqui não é um local apropriado para conversamos sobre notas escolares ou tirar dúvidas de disciplinas – delegou um sorriso forçado, querendo ser mais gentil do que suas palavras evidenciavam. Mas, a garota mostrava-se relutante em deixá-lo em paz e quando Jeff trouxe seu quarto uísque de fogo, ele apontou para a garota uma mesa afastada, longe de ouvintes, até porque ela havia dito que o motivo não poderia esperar. E por um momento, temeu aquele tom de conversa, principalmente, pela face da garota diante da falta de interesse do homem em dividir algum momento com ela. No entanto, não era por total descaso, nem por total desinteresse; só não achava o momento nem local apropriado para qualquer assunto com alunas, principalmente sozinhas. Vai que aquilo angariasse comentários?! Viktor não queria criar problemas. Não ali. Não em Hogwarts. Não agora.

- Aceita alguma bebida, Srta. Lavoie? – e chamou o garçom – uma cerveja amanteigada, por favor. – a menina não pedira nada, mas, como a bebida era a preferida dos adolescentes, achou que poderia fazer um agrado. Aliás, suas ações e pensamentos estavam confusos, pois ao mesmo tempo em que queria se mostrar caloroso e educado, queria apartar-se dali e pegar sua motocicleta por destinos desconhecidos. – pois, não, Srta. Lavoie. Pode falar o que a senhorita deseja falar. É algum problema com a cátedra de História da Magia? Com algum outro professor ou até mesmo algum problema estudantil? – tentou parecer interessado, mas, parecia não estar se saindo muito bem e assim, num só gole virou todo o seu uísque de fogo. Afinal, aquela conversa renderia mais vários copos.
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Re: Três Vassouras

MensagemFranca [#153692] por Amélie Lavoie » 27 Dez 2015, 01:05

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Amélie por um instante se arrependeu de ter procurado o homem. Ele não parecia num momento de espírito e de racionalidade para conversar sobre um assunto tão sério, principalmente quanto suas falas e até mesmo sua linguagem corporal se mostrava reticente a qualquer proximidade com ela, embora julgasse que seria com qualquer aluno que ali viesse para procurá-lo. Amélie sabia que estava sendo inconveniente, mas também não queria ter aquela conversa, sobre aquele assunto em Hogwarts. Ali as paredes pareciam ter ouvidos, e, em meio de tantos conhecidos, pela poderia soar intimidada, mesmo sendo uma conversa particular. - Sim... Amélie Lanvin Lavoie, aluna da sonserina, do quinto ano e também monitora da casa de Salazar - sua insegurança a fizera falar tanta coisa que era desnecessária, no entanto, que também a fazia meio petulante por dar tantas descrições sobre sua pessoa para um homem que fingia não se lembrar dela.

- Não, professor. - soou impaciente, pedindo silenciosamente para que ele finalmente cedesse e a levasse para um local mais silencioso. - o motivo não pode esperar. É urgente de certa maneira. - Amélie não sabia que Viktor tinha consciência de sua real identidade e também desconhecia alguns aspectos importantes de seu passado que por um tempo Viktor agradeceu aos deuses por isto. Viktor, então, a conduziu até uma mesa longínqua, o que a deu certa confiança de prosseguir em sua investida e até mesmo força para continuar ali. A garota semicerrava suas mãos; ambas suavam, estavam gélidas, trêmulas. Engoliu em seco e sentou-se próxima à janela de onde podia ver a neve pender do céu.

- Não - disse após o professor perguntar se ela queria uma bebida - obrigada, professor. - mas, o homem pedira uma cerveja amanteigada como cortesia, embora a garota duvidasse que ela conseguiria beber sequer algum gole daquela bebida. Se até sua saliva ali a incomodava, imagine outro líquido extracorpóreo! - Não, professor. Não é nada a respeito de Hogwarts. É pessoal. - sentiu certo incômodo no olhar do docente que num gole virou todo o seu copo de uísque de fogo. O silêncio em seguida veio incômodo, atravessado finalmente por Jeff que trazia a cerveja amanteigada de Amélie, que num gesto educado agradeceu, no entanto, não tocou na bebida e levava o copo de Viktor para mais outra dose.

Amélie sabia; precisava ser rápida. O tempo ali não era seu único algoz. O alcóol ingerido pelo docente, com pouca modéstia, logo poderia lhe tirar a lucidez. Portanto, foi o mais rápida, clara e incisiva possível. O máximo que toda aquela profusão de sentimentos contraditórios conseguia superar. Sua voz veio trêmula e levemente alta. Os batimentos de seu coração pareciam tambores de bateria de rock Death Metal, um pedal duplo, embora Amélie não conhecesse tal descrição. E pensou que falar alto, poderia com sua voz suplantar seus batimentos, mas errou. - Sobre o senhor. e ao ver que angariou um pouco da atenção de alguns clientes, Amélie respirou fundo e perguntou: - queria saber se o senhor é meu pai.
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Re: Três Vassouras

MensagemUcrania [#153693] por Viktor K. Zolnerowich » 27 Dez 2015, 01:25

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Amélie não tocara em sua bebida, Viktor, em compensação, encaminhava-se para o seu quinto copo de uísque de fogo. Não. Ele não era um bruxo a caminho do alcoolismo. Mas, por instinto, sabia que a presença de Amélie ali de forma tão intimidadora e com olhos carregados de mistério, não lhe faria bem. E ele estava certo. Pois a garota fora tão direta como um ataque de hipogrifo ou de outro animal de grande porte bem no meio do seu peito. Se ele tivesse bebendo, naquele momento engasgaria e poderia dramatizar uma cena que o levaria ao TvH e assim o apartaria daquele diálogo que de amistoso ele sabia, não sairia nada. Mas, não. Jeff ainda não trouxera a bebida e com isto a única reação que pode fazer foi engolir em seco e estatelar seus olhos.

- Como? -a garota o fitava interrogativa. E pelas mãos da garota ele pode ver que ela não se passava de uma criança. Uma criança amedrontada que queria saber sua origem, mesmo que a sua realidade mostrasse bem convidativa. Pois, Viktor sabia que ela havia sido adotada pela irmã de Evey e que era a única herdeira de um grande conglomerado da indústria da moda. Naquele momento pensava do porquê remexer no passado quando o futuro era tão atraente, mas, a resposta lhe viera em seguida em sua mente levemente atordoada pelo alcool: todos gostam de saber de suas origens, elas são demasiadamente importante e ele como professor de História da Magia era um exemplo vivo disso. - seu pai? - fitava a garota que esperava alguma resposta que não fosse repetir a mesma pergunta que ela fizera. - Como assim Amélie? - chamou a garota pelo primeiro nome sem se dar conta da gafe que fizera. - de onde você tirou isto tudo?

E Amélie relatou uma breve história na qual Viktor era o personagem principal. Melhor... era o vilão da história; o homem que havia abandonado Evey quando soubera que ela estava grávida e nunca perguntara qual o fim que tivera a filha que ele havia abandonado; que Evey precisou dar a filha de ambos para a irmã que não poderia ter filhos, abrandando, pelo visto, o lado da francesa-mãe da história, talvez porque, como a garota tinha dito, ela soube através de uma conversa entre a mãe dela e uma empregada. - Srta. Lavoie é feito ouvir as conversas alheias. Sua mãe não lhe ensinou isto? - mas, a resposta da garota não foi das mais agradáveis e muito menos das mais educadas, forçando Viktor a endireitar seus pensamentos e finalmente confessar, de forma tão direta como outrora lhe fora feito a interrogativa, sobre o passado que cruzaram a vida de ambos ali.

- Eu não sabia até pouco tempo atrás que você sobrevivera... - ele viu outra gafe que havia soltado e tratou rapidamente de consertar, antes mesmo que Amélie o fizesse outra pergunta da qual ele não estaria nenhum pouco disposto a responder. - digo... que a gestação vingara, já que Evey não era muito saudável. - mentiu descaradamente, mas, prezando pelo bem da garota diante da verdade da qual ele havia pedido a Evey que a abortasse. Ela parecia ainda arredia e ele acrescentou mais. - tentei me aproximar de você, mas...
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Re: Três Vassouras

MensagemFranca [#153730] por Amélie Lavoie » 28 Dez 2015, 09:36

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                - Mas, o que? – Amélie o interrogou. E ele falou da falta de coragem, do receio, de todas aquelas emoções das quais ela mesma também carecia. Acreditou em Viktor, mesmo uma pontinha negra lá dentro de seu coração dizendo para fazer o contrário. Ela estava ali diante dele todos os dias e ele nem ao menos para tentar puxar qualquer assunto frívolo consonante a Hogwarts. - Por que vocês não me criaram? Por que me entregaram a Chlóe e ao Erwan? - inquiriu novamente a garota ao ucraniano. A francesinha não tinha noção de que estava causando incômodo no homem, no entanto, aquilo a fadigava por tempo considerável de sua vida para poupá-lo daquele interrogatório. Não julgava que abandonaria seus pais adotivos, afinal, eles lhe deram o mundo, mesmo que tentassem afastá-la de Gilles, o amor que a garota nutria pelos pais sobrepunha a tudo.

                 Contudo aquele não era o momento em pensar no francês cujos sentimentos que angariavam em Amélie eram demasiadamente complexos para trançarem naquela roda do destino tempestiva da qual ela ali estava inserida. Viktor parecia ter esquecido de chamar o garçom para outro drink e Amélie, em seu íntimo, agradeceu isto, embora tivesse ouvido que o alcóol tinha propriedades que deixavam as pessoas mais soltas, mais libertas e, consequentemente, um livro aberto para aqueles que eram interrogados. Mas, a ideia de ter um bêbado a sua frente não a agradava de sobremaneira. Queria ser uma legilimente ou quem sabe até poder usar uma maldição imperius contra o pai biológico, assim, a pouparia daquele diálogo que paulatinamente se tornava mais incômodo para ambos. No entanto, por outro lado, gostava da sobriedade da mente do homem; ele deveria sentir tudo que ela estava sentindo, até mesmo aquela confusão que fazia seu estômago até mesmo embrulhar, impedindo-a de bebericar a cerveja amanteigada que esquentava à medida do tempo.

O professor parecia tentar se esconder no silêncio, mas, os olhos interrogativos de Amélie querendo saber a verdade bem como a repetição de perguntas das quais ela, há pouco tempo, havia feito, fazia o homem agir, mesmo que contra a vontade.
- Diga, professor, sr. Zolnerowich, - evitava chamá-lo de pai, até porque, embora a biologia dissesse o contrário, ela o considerava em grande estima; pelo contrário, aquela relutância em respondê-la, aumentava seu ódio e ressentimento contra o homem. - por que não me criaram? Vai dizer que eram jovens e despreparados para criar uma filha? Mas, não se preocuparam nisto quando faziam as "coisas" sem proteção? - Via o professor levantar as pestanas diante da audácia da garota e ela já irritada continuava - sim... tenho dezesseis anos. Não sou idiota. Sei como os filhos vêm ao mundo e sei que podem ser evitados. - mas, ela mesma não havia pensado nisto quando, após dilacerar o peito de Gilles e levá-lo para o quarto, entregou-se aos braços apaixonados do amigo, pela primeira vez em sua vida. Mas, isto ela ignorava deliberadamente.

                - Minha tia me via constantemente - iniciava num desabafo - sempre distante, nunca tentara se aproximar de mim, mesmo sabendo que eu era sua filha - seu tom era de rancor e evidente despreparo para lidar com a rejeição, a primeira e a maior que tivera em sua vida. - não posso reclamar de Erwan e Chlóe. Afinal, eles me deram aquilo que vocês rejeitaram me dar. Mas... - as lágrimas começaram a descer de seus olhos e quedou a cabeça para frente. Seu orgulho e sua dor impediam-na de fitar Viktor naquele instante e as respostas demoraram para vir e quando vieram, não lhe ajudavam.
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Re: Três Vassouras

MensagemUcrania [#153733] por Viktor K. Zolnerowich » 28 Dez 2015, 10:25

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Viktor sabia que aquela conversa não seria fácil, só não tinha ideia que a insistência da garota se tornaria uma montanha de desagrado. O ar do pub Três Vassouras se mostrava denso, um enfado para respirar e beber parecia não resolver o problema, pelo contrário, se continuasse naquela insistência de a cada pergunta da garota chamar Jeff para lhe dar um uísque de fogo, logo ela teria que levá-lo carregado para Hogwarts. Algo que outrora já havia sido feito por seus amigos, mas, nunca, jamais por sua filha, uma situação que alcançaria o cume do desagradado e da incredulidade.

Onde estava Evey para compactuar daquela situação embaraçosa? Afinal, como muitas mulheres adoravam falar, inclusive para ele, filhos não eram feitos sozinhos, no entanto, ali ele estava completamente abandonado ao relento, tendo apenas Amélie para jogar na cara os pecados do passado que Viktor ostentava sobre seus ombros. A garota além de inqui-lo somente o motivo pelo qual ele não se aproximara dela durante todo aquela metade de ano letivo, agora também o instigava por que ele e Evey abandonaram a garota quando ainda era um bebê, entregando-a aos Lanvin Lavoie. Para isto Viktor tinha uma resposta, no entanto, julgava-a totalmente inapropriada para o momento: o ucraniano não estava a fim de ser pai, naquela época, simples e rápido. Crianças sempre foram consideradas um peso na vida do homem o qual ele não tinha cabeça, saco nem paciência para suportar. Por que não se prevenia? Fácil... não gostava de preservativos e as mulheres que tinham que cuidar destas frivolidades, afinal, quem mais sofreria com uma gravidez indesejada eram elas, que teriam que levar alguém dentro de si por nove meses. Ele pediu para Evey tirar, e como ela não tirou, o problema de lidar com o futuro da criança já não era mais dele. Mas, ela, por comodismo, entregara Amélie à irmã. Ele julgara ter sido bem mais fácil deixá-la num orfanato então, assim, poderia tê-lo poupado daquela cena jogosa da qual ele fazia parte. No entanto, por certo, queria acompanhar o crescimento da filha de perto, numa daquelas cenas de drama mexicano trouxa, digna da francesa que agora estava refugiada na imensidão de Durmstrang, totalmente alheia ao que acontecia ali.


"Merda! Evey... Merda" Viktor sentia-se acuado, suas mãos se fechavam sobre suas pernas com raiva. Mas, a garota, por mais incômoda que estivesse sendo, não tinha culpa. E os questionamentos, por mais irritantes que fossem, era natural para alguém que desejava saber sua origem. Viktor poderia entrar na mente da garota, com sua habilidade de legilimente, assim, descobriria o que ela queria ouvir, embora julgasse que a cabeça da garota deveria estar em completa combustão de sentimentos, dúvidas e, porque não, raiva. Assim, optou pela "naturalidade" do momento e ir em favor da corrente, do fluxo de desagradado e clichês das situações. E, claro... não pode deixar de erguer as pestanas pelo tom que Amélie se dirigia a ele; num tom carregado de audácia e falta de educação com os mais velhos. - De fato era isto, Amélie -achou que continuar chamando-a pelo primeiro nome poderia trazer certa proximidade, acalento para a garota que parecia necessitar tanto - Éramos jovens, tínhamos acabado de nos conhecer e nos formar - exagerou na juventude do momento no passado, deliberadamente

- De fato, - engoliu um pouco da saliva, dando uma pausa para respirar e prosseguiu - poderíamos ter nos protegido, mas, como você também deve saber - sorriu forçosamente de canto, e num levantar de pestanas também a atacou com palavras audaciosas, embora mais comedidas do que a garota - nem sempre conseguimos pensar nisto quando estamos no momento e simplesmente aconteceu. Evey não tinha maturidade para ser mãe e nem eu para pai. Tanto que ela, como você mesmo citou - ergueu a mão em direção a garota que cabisbaixa começava a chorar - a entregou para seus tios lhe criar, julgando que eles poderiam lhe fazer feliz, algo que ela nem eu, naquela época dificilmente conseguiríamos. - achou que isto poderia consolá-la. Viktor sempre fora péssimo para estas situações embaraçosas. Não sabia manejar com tato suave as coisas dos sentimentos nem do coração. Por isto, tentava ajudar a garota da melhor forma que conseguia até mesmo para fazê-la parar de chorar. Aquilo não seria bem visto ali, mesmo os dois estando tão afastados do resto da clientela.

- Queríamos lhe dar o melhor - conjurou um lencinho macio para a garota, oferecendo-lhe de forma educada e pouco insegura. Mentia, sabia disto, mas a julgava mais palatável do que toda a verdade -mas, de nós mesmos isto não seria o suficiente para lhe fazer a pessoa que é hoje; uma garota determinada, que luta pelo que acredita, de personalidade forte - enaltecia o ego da garota, que, pelo que ouvia nos corredores, era demasiado grande e talvez aquilo poderia ajudá-la em conter as lágrimas. - acredito que possa dizer que erramos na época com o intuito de ajudar. Erwan e Chloe como você mesma disse foram ótimos pais para você. Deram-lhe amor, uma situação financeira bastante confortável - embora soubesse que ele, com todo os galeões e dólares que tinha na conta poderia dar até mais que o casal francês. Mas, isto Amélie não sabia e talvez, ao fazê-la imaginar a si mesma numa situação de economia financeira, algo pelo qual ela nunca passara, também pudesse ajudá-la a ver a situação por um ângulo mais frio, no entanto, também mais egoista. Afinal... Viktor sabia da ostentação que a garota gostava de fazer em compras, com roupas, acessórios e associados. E imaginá-la sendo filha de professor, da famigerada profissão de docente, ainda mais de História da Magia, de um historiador, poderia fazê-la se ver vivendo com todas as privações das coisas que tanto amava.

- Mas, - ele tentou tocar a mão da garota, que num gesto instintivo recuou. Pelo menos ela não mais chorava e ocasionalmente delegava seu olhar a ele quando se permitia a isto - gostaria de tentar recuperar o tempo perdido com você agora que estamos juntos, próximos um do outro. Queria tentar me redimir de todo o mal que te fiz e também lhe pedir perdão. - tá! Viktor poderia estar exagerando um pouco, pelo menos no requisito perdão, uma vez que não se arrependia de não ter assumido sua paternidade na época, embora, se pudesse voltar ao tempo, faria as coisas pelo menos um pouco diferentes. No entanto, agora mais velho, com Amélie já crescida, não necessitando tanto de uma presença paterna ao seu lado, principalmente quanto tinha os pais adotivos para fazer este papel, que convenhamos, fazia super bem, poderia tentar se redimir, ser o pai biológico aventureiro, que a levaria a passeios inimagináveis, que poderia lhe mostrar um pouco do mundo ao qual estava tão habituado. Queria realmente se aproximar da filha mais velha e aquele parecia o momento ideal para tentar. Uma filha adolescente parecia bem mais fácil de ter ao lado do que uma criança recém-nascida.
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