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Na Zonko's não citamos nenhum dos personagens dos livros ou filmes. Vivemos no mundo mágico, mas nem Harry Potter, Voldemort, Dumbledore, Comensais da Morte e etc. existiram em nosso mundo, com isso você não pode usar nenhum sobrenome dos personagens dos filmes ou livros. O fórum encontra-se nos dias atuais, no ano de 2013 d.c. e as condições climáticas variam de dia para dia e de tópico para tópico, conforme você poderá observar. O nosso período letivo dura oito meses contando com as férias. Nossos adultos recebem por dia de presença e seus tópicos em ON lhe renderão pontos e goldens (nossa moeda). Você nunca poderá interpretar a ação de outro personagem (salvo com autorização), mas poderá interpretar livremente o seu personagem (seja sempre coerente), lembrando que toda ação possui uma reação. A capital do Mundo mágico está localizada em Vaduz, Liechtenstein.

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Templo Escondido: Chénmò de cìkè shìzú - China

Templo Escondido: Chénmò de cìkè shìzú - China

MensagemChina [#124172] por Miriam Wu » 19 Jul 2013, 13:04

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Miriam Wu
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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemChina [#132459] por Miriam Wu » 29 Jan 2014, 23:21

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o amanhã é uma tela em branco que se estende eternamente.
O QUE PINTO NELA?




                Os olhos verdes como a relva de um dia de primavera encaravam a lareira com certo interesse, ou talvez não houvesse nenhum, o que era mais provável. Miriam tinha seus pensamentos longe do que acontecia em sua própria sala no ministério. Podia-se perceber certa ansiedade, um nervosismo juvenil que a morena quase não demonstrava, de certo modo não estava demonstrando, apenas quem a conhecia perceberia os sinais de tal sentimento que transbordava na jovem, afinal sua face mantinha-se inexpressível como sempre estivera.

                Wu ergueu a cabeça ao ouvir o barulho de uma batida forte na porta, feita com os nós dos dedos, mas que parecia nada firme, como se a pessoa detrás da porta não soubesse exatamente o que estava fazendo.
– Pode entrar. – falou a morena erguendo-se do chão onde sentara perto da lareira com delicadeza e fluidez características enquanto a porta se abria revelando o convidado que não era uma surpresa a presença. O chefe do departamento de aurores entrou na sala da chinesa um pouco confuso. Talvez pelo motivo que o levou a sala. - Está adiantado... - comentou a morena delicadamente, um pequeno e quase imperceptível sorriso nascendo nos lábios. - Se bem que não posso dizer que não tenho chegado muito cedo. Estou um pouco ansiosa. - suspirou profundamente voltando a sua expressão usual de seriedade. Algo que lhe era comum desde que foi adotada e treinada nas artes marciais. - Dexei todos os arquivos prontos... Tudo está em sua perfeita ordem.

                A menina sorriu puxando o colar que estava em cima de sua mesa de trabalho. Uma uma serpente enroscada em uma adaga. Parecida com a tatuagem que a morena carregava em suas costas. - Acho que podemos ir. Não se importa de fazer uma aparatação acompanhada, não é? O local é secreto, por assim dizer. - A morena sentia-se um pouco sem jeito ao questionar, mas ao ouvir a resposta de Suliver o sentimento passou. - Antes de irmos, devo lhe dizer como deve se portar. Você é um forasteiro, obviamente na ordem, há homens e mulheres de várias nacionalidades, mas eles vivem anos no local sabem as regras, você é um convidado. Suas ações perante ao mestre significaram sua permanência ou não. - a menina respirou fundo puxando um lenço vermelho amarrando no braço do homem. - É meu convidado qualquer coisa que fizer será portado no final a mim como elogio ou castigo. Mas sei que se sairá bem. Então... quando ver o mestre incline-se assim. - a morena demonstrou delicadamente, mas logo voltou a posição inicial. - Apenas fale quando se dirigirem diretamente a você. - sorriu delicadamente olhando para Ryan, era a primeira vez que levava alguém para ordem, talvez esse fosse o motivo de seu nervosismo. - Estarei lá para ajudá-lo. E por favor, jamais arrume confusão com nenhum dos membros, principalmente Eiji. Ele é o melhor homem que há, obviamente depois do mestre. Agora podemos ir.

                A jovem ergueu a mão com a palma virada para cima seus movimentos leves como uma pena, e rápidos como um projétil disparado de umas das armas que ficavam ocultas na roupa que ela vestia. – Pronto? – perguntou vendo Ryan assentir solenemente, logo ambos sumiram da sala do ministério, sugados pela aparatação que os levou para em frente ao que seria um templo destruido pelo tempo. - Leia isso aqui e depois queime. - diz retirando um pequeno pedaço de pergaminho e o entregando a Ryan, vendo o olhar questionador deste. - Alguns dos seguidores do meu mestre são bruxos, outros não, talvez quebramos algumas regras, ou não, afinal os não bruxos daqui são casados ou filhos de um bruxo. Nossa ordem é secreta perante até mesmo o ministério, espero que continue assim. – dá de ombros delicadamente olhando em frente – O Feitiço Fidelius é algo engenhoso para uma organização que quer viver as sombras. Ou melhor, que precisa viver nas sombras.

                A jovem suspirou pesadamente quando enfim Ryan pode visualizar o que realmente tinha por trás do feitiço. Aquela montanha era uma vila inteira apenas para aqueles como Miriam e para aqueles que eles protegiam. Algo que seria explicado ao chefe dos aurores. – Vamos? – chama a chinesa olhando para Ryan de forma um pouco alegre, afinal estava em casa novamente. De certo modo, é claro. – Essa vila é bem antiga como pode observar, quando o primeiro de nós veio pra cá reergueu-a a sua glória e aos poucos com a confiança entre bruxos e não bruxos foi decidido que a organização seria protetora deste lugar. – Enquanto andavam a jovem explicava tudo que lhe fora ensinado quando chegara ao local onde se encontravam, enquanto isso crianças corriam pelas ruas e os mais velhos observavam o que seriam “visitantes”. – Na primeira grande guerra, foi decidido pelo conselho que seria melhor para todas essas pessoas que nunca precisaram manusear armas, que a cidade sumisse dos olhos dos inimigos. Então foi o que fizeram, e ainda trouxeram muitos da cidade para protegê-los, outros não quiseram se unir a nos. Por consequência mandamos muitos dos nossos para a cidade para ajudar na guerra... Poucos sobreviveram.

                Um nó se formou na garganta da morena ao se lembrar de mergulhar nas memorias de seu pai adotivo e mestre, pessoas morrendo por algo sem sentido na mente da pequena, mas que agora como mulher podia entender que fora o ódio e a ganância que causou tudo aquilo. O silencio, após as palavras da jovem perdurou por algum tempo enquanto andavam para longe das pequenas barracas de vendas e começavam a ver as primeiras casas, porém na ultima loja, ambos foram surpreendidos por uma voz sarcástica que para Miriam era bastante conhecida. - Shuí zhīdào zài shìjiè gèdì lǚxíng, dàn zǒng shì fǎnhuí qí zǔxiān dì dìzhǐ. (Quem é de viagens conhece o mundo, mas sempre retorna a morada de seus ancestrais.) – um riso escapou dos lábios da garota se virando em direção à voz, seus olhos verdes brilhando com certa felicidade que Suliver nunca tinha visto, ao encarar o homem vestido de monge, seus cabelos longos e presos, uma expressão de malicia e um olhar firme demonstrando que era capaz – ou assim pensavam os tolos – que ele era capaz de matar um homem apenas com aquele olhar, nada nele demonstrava a calma de ser religioso. - Zhè yěshì hěn hǎo de liàng cǎi shì wǒ dí gēgē.( É bom revê-lo também meu irmão.) – comentou Wu com delicadeza e calma que lhe era usual. Um riso escapando novamente de seus lábios ao ouvir a pergunta do rapaz. – Não, ele não é meu noivo. Ryan este é meu irmão de armas e de certo modo irmão de destino, Eiji. Meu irmão este é Ryan Suliver, chefe dos aurores e um grande amigo. – disse a morena com firmeza, mostrando que não discutira qualquer coisa de sua vida pessoal que se passava longe de sua casa.

                - É um prazer conhece-lo, Júwàirén. (forasteiro) – disse Eiji fazendo com que Miriam erguer-se uma sobrancelha, mas logo revirasse os olhos com a risada do homem. – Estamos indo para a casa, virá conosco ou irá para o templo? – perguntou seus olhos se dirigindo ao chefe transparecendo um sorriso tímido, talvez pelas palavras do irmão, este que respondeu que iria para casa, acompanhando-os então pelo resto da viagem que perdurou em silencio ou pequenas perguntas discutidas em chinês pelos dois irmão, estas perguntas sendo calada pelo olhar feroz da jovem. Alguns minutos de caminhada se passaram até que então a grande casa ao estilo chinês, que mais parecia um templo budista surgiu à frente dos três. Enquanto Eiji caminhara em frente, Miriam parou por alguns segundos observando o lugar como se milhões de memorias passassem por sua mente. – Estou bem, é só... Faz quase dois anos que não venho aqui, e como sempre... Sinto-me em paz quando chego. – disse ao ser questionada por Ryan, sua voz denotando preocupação pela jovem.

                Os olhos verdes da chinesa observaram o local com certa reverencia no olhar, algo que para alguns fosse loucura, mas não para ela que passara por tanta coisa em tão pouco tempo de vida, afinal tinha apenas dezoito anos e teve coisas que aconteceram nesse tempo que nenhuma pessoa que ela conheceu na escola passou, mas não naquela casa, onde todos eram irmãos, não de sangue, mas pelo destino, pelos laços, pelas dores que tiveram.
– Vamos... Tenho que encontrar o mestre, avisei a ele de nossa chegada. – disse a morena suspirando pesadamente enquanto caminhava sendo seguida por Ryan. O local onde entraram parecia um lugar diferente, estranho, quase que surreal, de uma pureza que parecia ser impossível existir, principalmente para o tipo de pessoas que ali vivem, entretanto, talvez esse fosse o motivo para aquela beleza exorbitante. Viviam ali pessoas que desejavam o bem, mas que foram obrigadas a usar métodos diferente daquilo que pregavam. – Senti falta desse cheiro... – um comentário que quase não passava de um sussurro escapou dos lábios da chinesa, e pela primeira vez uma expressão de paz tomou conta da face da jovem, mas logo este sumiu ao ouvir um chamado. – Ryan... Desculpe, tenho que resolver um assunto antes de apresenta-lo formalmente poderia esperar aqui? – perguntou vendo a confusão nos olhos do mais velho, mas que acenou delicadamente enquanto a jovem subia as pequenas escadas de madeiras, deixando seus sapatos para trás no processo.

                Eiji observava tudo um pouco afastado de onde Miriam deixara o chefe dos aurores e este pelo que parecia nervoso, talvez pelo fato de estar longe de casa, e nem ao menos saber falar a língua nativa, sentia-se preso. O que quase fez um sorriso vitorioso surgir nos lábios do moreno. Este nem aparecendo ao ver um dos homens do seu pai sair e deixar a porta um pouco aberta sem se importar do forasteiro por perto. Um nó se formou na garganta do homem quando este viu o “amigo” de sua amada ouvir algo e se concentrar na porta como quem sabia o que estava acontecendo ali dentro, olhando como se aquilo fosse um ritual de boas vindas, mas que não passavam de marcas mostrando que alma de Miriam se perdia para escuridão que todos naquela casa já haviam caído, algo que o deixou chocado demais, ele não sabia o que significavam aquelas marcas, muito menos tinha o direito de vê-la e ficar assombrado, mas será que ele via aquilo mesmo, só havia um modo de descobrir. O moreno saiu de onde estava caminhando para perto de Ryan com uma expressão de poucos amigos.
– Gosta do que vê, Júwàirén? – perguntou o olhando como se fosse um de seus inimigos. – Pois não deveria, aquela marca significa a perdição dela... Eu a mandei para vocês achando que ela não precisaria mais matar... Eu disse a ela... Que não precisaria mais sujar as mãos e o que vocês fizeram? A jogaram para a matança. O que ficou fazendo nesse tempo? Tomando café enquanto ria da desgraça dela?

                As palavras escaparam dos lábios do chinês antes que pudesse detê-las, algo que sempre irritou a sua “irmã”, mas daquela vez não estava errado. Então não tinha motivos para medir palavras, não passariam disso, não precisaria de mais que aquilo para mostrar a aquele homem que estava errado, mas o que ouviu fez com que a surpresa e o ódio surgissem, cegando-o completamente de quem era. Suas mãos antes que pudesse detê-las estavam na camisa do auror o segurando com firmeza. - Você não a conhece... Você não é um de nos para saber como é o mundo para nós. Eu quero que você e seu Deus se fodam... Eu não me arrependo de ser um assassino... Apenas desejava que Miriam fosse feliz, que não precisasse olhar nos olhos de um homem e mata-lo. Ela é doce demais para isso. – a raiva crescia ainda mais dentro do chinês, ele queria matar aquele homem sem se importar com as consequências, ainda mais ao ser afastado por ele como passe de mágica. – Acha que apenas por ser bruxo é grande coisa aqui? Posso mata-lo sem deixar vestígios de sua existência por aqui... – disse após a retaliação do homem – Posso fazer isso agora... Seu grande...

                As palavras do rapaz ficaram presas em sua garganta ao ouvir a voz da chinesa que saiu da sala trajando apenas um quimono negro longo, com pequenos detalhes em vermelho em um dos lados como se fosse sangue. Aquela roupa fez Eiji querer se trancar em qualquer lugar juntamente com a morena e protege-la pelo resto de sua vida, aquela roupa tinha tantos significados entre os dois, que Suliver jamais entenderia. – Não... Não ofendi nossa família, apenas estava... – as palavras foram cortadas com frieza, à inexpressão de Wu somada a isso era voraz e intimidadora. - Não, mas ofendeu a mim sua irmã, e ao meu convidado... Deveria chama-lo a uma luta, mas não o farei apena peço que se retire, e que apenas dirija a palavra a Ryan se ele assim desejar, compreendeu, meu irmão? – Um orgulho ferido era tudo que o jovem podia aguentar uma desfeita daquelas era demais para ele, a preocupação e o medo de perder sua pequena, o destroçava. – Sim, minha irmã, compreendi. – disse o rapaz se afastando lançando um olhar de pura raiva ao homem ao lado de sua amada.

                A auror suspirou pesadamente com a saída do moreno, seus olhos verdes acompanhando os passos de seu irmão, como se esperasse que ele voltasse e pedisse uma luta. Algo que felizmente não aconteceu.
– Por favor... Venha comigo. – disse a morena ao ouvir as palavras de Ryan, caminhando juntos para longe daquele lugar que fora palco de uma discussão que a jovem chinesa não esperara. Ou talvez soubesse que no fundo algo aconteceria. Assim que chegaram ao jardim, a menina já tinha todas as palavras prontas para serem dita, mas estas não queriam sair de seus lábios, com medo da reação, com medo de qualquer coisa que pudesse acontecer, não que nada disso aparecesse na face dela. - Não me ofendeu, Ryan. - comentou se inclinando em reverencia mostrando parte das costas nuas, parte de um desenho se revelando - Eu que devo pedir perdão por as palavras de meu irmão. Essas ofensas serão reparadas... Oferecerei qualquer coisa que for necessário para reparar isso, mas não peça que eu lute com meu irmão. Eu teria que mata-lo sem vencesse, então, por favor, peça-me qualquer coisa. – As palavras enfim saiu de forma rápida, ela ofereceria qualquer coisa pelo bem de Eiji, não pelos mesmos motivos que ele faria a mesma coisa por ela. Esperava saber o que o chefe dos aurores decidiria.


WEARING • A roupa é parecida com essa, apenas é comprida. and Roupa do Eiji.| MUSIC • Complication – ROOKiEZ is PUNK'D
.

| WITH • Ryan Suliver; Eiji. |
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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemEscocia [#147158] por Ryan Suliver » 18 Abr 2015, 01:58

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“Oh, pilot of the storm who leaves no trace, like thoughts inside a dream
Heed the path that led me to that place, yellow desert stream
My Shangri-La beneath the summer moon, I will return again
Sure as the dust that floats high in June, when movin' through Kashmir.”

[“Kashmir” – Led Zeppelin]


Miriam havia lhe pedido um favor, algo que ela fazia muita questão que o então chefe dos aurores aceitasse. E, por mais que a chinesa não deixasse suas emoções transparecerem com muita freqüência, Ryan sabia bem que o que ela estava lhe pedindo era importante; sabia também que ela não pediria algo daquela magnitude a qualquer um. Suspirou, levemente preocupado, e então aceitou o convite.

No dia combinado, Ryan compareceu à sala da auror e com uma batida nervosa porém contida, anunciou sua presença. Seus olhos azuis varriam a sala, tentando encontrar algum sentido naquilo tudo, como se quisesse encaixar as peças de um quebra-cabeças que não existia. Talvez fossem os anos de auror lhe falando mais alto, mas em seu íntimo ele sabia que Miriam jamais o colocaria numa situação perigosa ou desagradável.
“Por que é que eu sempre me meto com negócios misteriosos?” Suspirou profundamente deixando que as palavras da chinesa lhe adentrassem os ouvidos e sorriu assim que foi indagado a respeito da aparatação acompanhada. – Bom, eu nem ao menos sei para onde vamos, então é justo que você se aparate comigo. – Deixou o sorriso estampado no rosto enquanto notava o breve alívio da garota e enquanto ela amarrava um lenço vermelho em seu braço, Ryan começava a sentir que seria levado a um local onde as regras que conhecia simplesmente não se aplicavam. – Pode deixar, não vou causar nenhum problema para você. – Copiou o gesto ensinado e, momentos depois, estavam num local completamente diferente de tudo o que Ryan já havia visto. Varreu os olhos pela construção, parcialmente incrédulo com o que via. Recusou-se, por um breve momento, a acreditar que Miriam tivesse vindo de um lugar como aquele até que esta entregou-lhe um pergaminho. Ergueu uma sobrancelha frente à ordem recebida: “leia e depois queime”, mas decidiu não verbalizar nenhum questionamento. Para sua felicidade, no entanto, a auror passou uma breve explicação daquilo que viria pela frente e, enquanto as últimas palavras do pergaminho ressoavam em sua mente, ele sacava sua varinha e ateava fogo no documento conforme fora solicitado.

Diante de seus olhos surgia uma paisagem típica dos filmes de kung-fu que tanto gostava de assistir e, admirado diante de tal vista, não foi capaz de formular qualquer tipo de gracejo; apenas deixou-se guiar por Miriam enquanto ela explicava uma breve história daquele lugar. E por mais que não conseguisse evitar de sentir olhares alheios convergindo sobre suas feições ocidentais, Ryan também sentia uma espécie de alivio e felicidade na chinesa, especialmente quando se encontraram com um dos habitantes do local. Algo que, até onde se lembrava, nunca tinha presenciado. O rapaz lhe estendeu uma mão e Ryan retribuiu o gesto, mas ainda podia sentir a cortesia gélida do monge de nome Eiji naquele breve aperto de mão. Ele resolveu acompanhá-los até a casa de Miriam, preferindo conversar apenas com a auror em seu idioma nativo. Talvez aquilo o fizesse sentir-se incomodado, mas decidiu apenas tirar um tempo para si mesmo enquanto a chinesa matava as saudades de casa, tentando absorver o máximo de informações que lhe fosse possível.
O vilarejo, tirado diretamente de uma época dominada por monges budistas e pessoas buscando elevação espiritual era uma terra com a qual ele não estava acostumado. Não havia o menor vestígio de tecnologia trouxa contemporânea, e mesmo aqueles que conseguira identificar como bruxos portavam artefatos completamente estranhos. Aqui e ali ele podia vislumbrar um ancião apoiado em um cajado de madeira retorcida, executando movimentos suaves e fluídos, enquanto a água, o ar, as folhas e pétalas de cerejeiras dançavam ao seu redor; as mulheres portavam-se com uma graça há muito esquecida pelas civilizações ocidentais e as crianças, penduradas em árvores e sacadas ou correndo pelas ruas, transmitiam uma sensação de paz que o auror jamais havia sentido. Cada um dos habitantes daquele local, por mais que estranhassem a presença do “forasteiro” e não conseguissem evitar de lançar olhares curiosos, mantinham-se disciplinados em seus afazeres. Aquela era uma sociedade ideal, estruturada conforme os valores de cada indivíduo e centrada no bem maior. Deixou seus pensamentos vagarem e, com uma pontada de esperança, deixou-se convencer que, se vivessem num local como aquele, Abby jamais teria morrido.
“Besteira...” Meneou a cabeça, voltando à realidade. Observou o prédio que se erguia à frente, concluindo que aquela deveria ser a casa de Miriam. Sorriu, mas logo o sorriso o abandonou quando notou que a chinesa apenas observava a fachada do prédio. – Você tá legal? – Pousou delicadamente as mãos nos ombros da auror, mas sua resposta logo o tranqüilizou.

Tal como o resto do vilarejo, o interior do imóvel emanava uma sensação de paz e pureza impossíveis de existir no mundo atual. Permitiu-se um momento para admirar aquele local também, enquanto Miriam o deixava a sós com Eiji. Não que gostasse da idéia, mas arruinar o dia de sua colega era a última coisa que passaria por sua mente. No entanto, o monge parecia ter planos diferentes para aquela ocasião.
– Gosta do que vê, Júwàirén? – As palavras, afiadas como facas, atingiram-no como um soco direto no estômago. Era verdade que Ryan havia se posicionado de forma que pudesse, mesmo que apenas parcialmente, visualizar o que ocorria na sala onde Miriam estava, mas isso não significava que estava gostando do ocorrido. Na realidade, todo aquele ar de mistério estava começando a incomodá-lo. – Perdoe-me, mas há algo que eu preciso saber sobre este local ou sobre Miriam? –Talvez aquela pergunta tenha soado de forma completamente imbecil, mas Eiji parecia não ter ouvido. Seus olhos, agora carregados de uma fúria quase assassina, encontraram-se com os do auror enquanto ele despejava graves acusações a respeito de Miriam e de suas ações. – Escute: Miriam sabia bem o que estava fazendo quando se candidatou ao cargo de Auror. Suas escolhas, o caminho que ela escolheu traçar, não foram influência de ninguém que não dela mesma. Ela escolheu essa vida e todos os dias ela arrisca a vida por pessoas como você e, nas ruas, ela tem uma escolha: matar ou ser morta. Não estamos brincando de carneirinho nas ruas e ela sabe disso. E só Deus sabe como eu queria que houvesse outro meio, mas o mundo real é bem diferente dessa sua realidade, meu chap...

Talvez sua petulância tivesse feito com que Eiji se descontrolasse, e antes que pudesse terminar a frase, já sentia as mãos do chinês firmes na gola de sua camisa. Estreitou os olhos, sentindo a raiva ferver dentro de si e, com um rápido pulso telecinético, afastou Eiji. Cerrou os punhos diante da ameaça do monge, e resolveu respondê-lo à altura. – Eu gostaria de vê-lo tentar. – Deixou escapar um sorriso arrogante, sabendo que o rapaz não teria a menor chance. Correu os olhos por seu oponente, já traçando meios de incapacitá-lo antes que pudesse aproximar-se demais, mas a voz de Miriam fez com que os dois se voltassem em sua direção. Após uma breve discussão, Eiji deixou o local em silêncio e então a auror o guiou até a área externa do prédio. Ajeitou a camisa enquanto observava as novas vestes de sua companheira, tendo percebido o quanto o monge ficara incomodado com aquilo. Talvez fosse um mau sinal ou qualquer outra coisa que, por hora, ele não entenderia, e tentou organizar seus pensamentos numa concisa frase de desculpas. – Miriam, eu...eu sinto muito se a ofendi ou a seu irmão. Eu não quero causar problemas para você... – O comentário calmo da chinesa, no entanto, não foi o que Ryan esperava. Muito menos as palavras que se seguiram. O escocês deixou um sorriso sem-graça escapar antes de responder, tomando o cuidado de medir cada uma das suas palavras. – Aquele rapaz, Eiji...eu sei que ele quer o melhor para você e eu sei que ele se ressente por algo que, infelizmente, me escapa à percepção. – Ajeitou os cabelos castanhos antes de continuar, temendo ofender sua jovem anfitriã. – Mas ele não me ofendeu de forma alguma. Mas, se existir qualquer coisa que eu possa fazer para reparar a ofensa que eu causei àquele rapaz, então eu gostaria que você me dissesse o que eu posso fazer. – Observou a expressão na face da oriental, torcendo para que tivesse tomado a decisão correta. Mas, caso não o tivesse feito, estava pronto para arcar com quaisquer que fossem as conseqüências.
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There is no emotion, there is peace.
There is no ignorance, there is knowledge.
There is no passion, there is serenity.
There is no chaos, there is harmony.
There is no death, there is
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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemChina [#147338] por Miriam Wu » 23 Abr 2015, 00:12

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O QUE PINTO NELA?




                A jovem chinesa estava com receio de se afastar de Ryan, principalmente pela presença de Eiji, afinal o irmão da morena não era conhecido por sua paciência ou clemencia em batalhas. Entretanto, ela esperava que nada ocorresse, seguindo então para sala onde o mestre se encontrava para o ritual no qual ela era a peça principal.

                Miriam se esquecera um pouco da dor que era o graveto de bambu perfurar sua pele, mas a verdade que aquilo lhe trazia lembranças agridoces a sua mente, algo que ela pensara ter esquecido. Quando todo o processo terminou a morena trocou suas roupas.

                Wu sentia falta dos quimonos que sempre vestia quando morava com seu pai adotivo, o toque da seda em sua pele era extremamente relaxante, ainda mais com o cheiro que emanavam delas. Aquele mundo o qual abandonara por tantos motivos, lhe fazia falta, a simplicidade que era viver ali, as pessoas que conhecia. Sua família que mesmo não sendo de sangue era de suma importância.

                Seus pensamentos foram cortados com vozes alteradas e correria, o que a fez sentir um calafrio ao pensar que algo poderia estar acontecendo ao seu colega. Com passos rápidos e completamente silenciosos a jovem seguiu até perto da entrada, notando Eiji começando uma grande discussão com Ryan. A chinesa já iria seguir até eles quando sentiu uma mão em seu ombro, notando ao se virar que tratava de seu mestre.
- Ràng tā nǚ'ér. Ràng tā shìfàngle tā de fènnù, tā yào zhēngtuō. (Deixe-o minha filha. Deixe-o liberar sua raiva, ele tem que se libertar.) – as palavras ditas de forma calma, à morena também sentiu falta daquilo, e da tranquilidade que lhe passava aquela voz. - Wǒ xuǎnzéle zhè zhǒng mìngyùn, fùqīn. Zhè shì wǒ xuǎnzé de shēnghuó. (Eu escolhi esse destino, pai. É a vida que eu escolhi. ) – disse se virando para encarar os olhos esbranquiçados do mais velho. – Deixe-me ir, Ryan não deve levar a raiva de Eiji.

                Um suspiro resignado escapou dos lábios do mais velho que olhou em direção a cena que se formava perante a sua casa. Mesmo que não pudesse enxergar aquele mundo a sua volta, seus olhos viam o outro mundo no qual todos estavam ligados.
- Rénshēng zàishì, cónglái méiyǒu xiǎng nǐ. Bìxū míngbái, tā zébèi zìjǐle. (Uma vida que nunca desejamos a ti. Deve entender que ele se culpa por isso.) – disse fazendo com que a jovem a sua frente compreendesse suas palavras, mesmo as achando sem justificativa. - Qù. Nǐ de péngyǒu shì yīgè qiángdà de, yǒu yīgè huǒyàn zhǐ kàn dào tā yīcì. Nǐ de wèilái shì yǔ tā. (Vá. Seu amigo é uma forte, há uma chama nele que apenas vi uma vez. Seu futuro está ligado ao dele.)

                Com essas palavras Sao, se afastou, deixando por um momento a chinesa atônita com suas palavras, mas ela não tinha tempo para se perder em contemplações sobre o assunto. Seguindo até os dois homens que pareciam prontos para lutarem até a morte se fosse necessário, mas logo ela mudou aquele rumo. Enquanto ela se desculpava, Miriam sentiu o poder das palavras de seu mestre toma-la, principalmente após o fora dito por Ryan.

                A auror apenas parou quando chegaram perto de uma árvore de cerejeira, há mesma que anos atrás ficava meditando, traçando sua vida, pensando no que faria e quem era ela. Irônico levar seu companheiro até ali para contar sua história.
– Não se desculpe pelo meu irmão, Ryan. – comentou a menina delicadamente, enquanto sentava no chão. - Eiji... Ele me vê como a criança que no passado roubou o pai dele pra tentar sobreviver. - disse a jovem chinesa com certo pesar. Seus olhos verdes voltados para o horizonte, mas sem nem mesmo o vê-lo, sua mente presa às lembranças de uma vida que tanto a aterrorizava quanto a definia. - Ryan... Tem coisas sobre mim que eu sempre mantive segredo, mas quando Ravn... Ele... Deu a entender que conhecia meu passado, algo que nem mesmo em Hogwarts... - um suspiro resignado escapou dos lábios da morena. - Eu lhe trouxe aqui por motivos pessoais, quero que você saiba que eu sou de verdade... Sem a máscara do ministério e para isso precisava que viesse aqui. - por fim, a morena encarou os olhos azuis do auror com certo pesar. - Eu sou órfã... Nasci em Xangai... Por anos minha vida foi sobreviver apenas mais um dia, lutar por mais um dia... E mesmo assim eu era feliz... Eu não tinha casa... Não tinha família, nem um nome eu possuía... Eu era conhecida como: Quīng shõu... Mãos leves para ser mais exata... Deve imaginar o motivo. – diz observando as reações do mais velho, como se esperasse algo dele, mas por fim continuou.

                - Não sei quem são meus pais... Mas seja quem forem cansei de procurar... - diz delicadamente, um pequeno sorriso brotando nos lábios. – Enfim, muitas linhas vermelhas passaram pela minha. – mas logo viu que o escocês ficara um pouco confuso, talvez pelo modo de falar da menina, ou por outra coisa que ela não percebera, por isso decidiu explicar. – É um modo que nos orientais usamos para falar sobre destino: chamamos de laços vermelhos, é mais ou menos como ter um fio de linha amarrado em seu dedo ligando-o a pessoas que estão destinadas a passar por sua vida. Na minha uma das mais importantes foi um garoto chamado Chang Wu. – um sorriso surgiu nos lábios da chinesa ao lembrar-se do amigo de tantos anos atrás, algo que surpreendeu o auror. – Era um rapaz abandonado como eu, e além de tudo um bruxo... ou melhor dizendo um aborto... Ele me contou que a família dele era purista e quando ele não demonstrou qualquer aptidão mágica o jogaram nas ruas... – deu de ombros diante da expressão de surpresa e asco do amigo, ela mesma achava aquilo idiotice, mas o que poderia fazer afinal? – Foi ele que me deu esse nome. Miriam, pois esse era o nome da irmã mais nova dele... - comentou delicadamente com certa saudade no olhar. – Começamos a tentar sobreviver juntos, quando eu tinha oito anos fui pega numa emboscada, onde... Tiraram proveito do meu corpo... digo desta forma tentando amenizar... Mas a pior coisa nesse ano foi perder Chang... Ele foi assassinado bem na minha frente... Foi quando minha parte bruxa surgiu... Eu queimei cada um daqueles homens vivos...

                Miriam se calou, aquele foi seu primeiro assassinato, onde todo seu ódio surgiu numa explosão de poder que ela mesma nem imaginava que existia dentro dela. Uma fera que ela não podia controlar sozinha, uma que lhe tirava toda a bondade do coração, qualquer medo que ela sentia se esvaia e tudo que ela podia fazer era saciar a fera com sangue daqueles que causaram aquela raiva. – Desculpe, me perdi em pensamentos. – comentou voltando seus olhar para o amigo. – Passou-se um ano... Era início da primavera, quando árvores como esta... - diz apontando para a cerejeira com um sorriso - Que eu encontrei Eiji e o pai dele. Era um dia comum... Eu precisava encontrar comida, roubar das lojas ficava cada dia mais difícil... O mais fácil era roubar turistas ou chineses desavisados, vou assim meu primeiro encontro com os dois...

                - Sao era meu alvo, um homem distraído em cortejo enquanto comprava frutas... Eu apenas não contava em ser pega pelo filho dele... Ser pega não estava nos meus planos, afinal era a mais rápida e mais ardilosa ladra.
– comentou rindo de si mesma, afinal todas as suas habilidades agora começaram com aqueles pequenos furtos. – Após esse incidente, Sao começou juntamente com Eiji, me "caçar" por toda Xangai, até mesmo mandavam recados por outros órfãos pagando-lhes com comida ou dinheiro, muitos deste hoje estão aqui nesta casa... - comenta com um sorriso feliz no rosto - Foi então que eu finalmente decidi encontra-los... Perguntei-lhes o que queriam comigo... Lembro-me que chamei Sao de velho pervertido... Algo que deixou Eiji com raiva e surpreso enquanto o pai dele ria do que eu havia falado... Ele disse que queria me entregar algo... E me deu um saco cheio de comida o qual daria para uma semana, prometendo que que na próxima voltaria com mais... Eu não entendi na época... E não entendo como ele conseguia ser gentil... Eu era respondona e muito cruel às vezes, pois foi assim que eu cresci... – a chinesa não sabia por que explicara o motivo de ter agido daquela forma, mas sentiu a necessidade de contar. – Finalmente ele me chamou para viver com ele... que podia se tornar meu pai pela lei e que podia me ensinar a controlar a magia... Sabe o que eu disse pra ele Ryan?

                Uma risada escapou dos lábios de Miriam ao ouvir as palavras de Ryan, ou talvez o riso fora por ter sido tão tola para descartar tal oportunidade de primeira. – Na verdade, eu lhes disse que parassem com aquilo, que eu não precisava da piedade deles. Os mandei embora. Pode pensar que foi tolice minha, eu sei que o foi, entretanto no mundo que vivi, uma oferta dessas não aparece de graça. – comentou delicadamente, mais uma vez se perdendo em seus pensamentos. – Mesmo assim eles voltavam várias vezes, juntos ou separados, mas sem nunca desistir de mim. Algumas semanas se passaram até que numa manhã de inverno, eles vieram até mim e eu aceitei. – seus olhos percorriam sua casa com certa reverencia como sempre acontecia quando voltava de Hogwarts, ou quando apareceu ali pela primeira vez. – Estava cansada de ser sozinha, e havia me acostumado às piadas de Sao, a risada de Eiji. Eles começaram a fazer parte da minha vida, mesmo eu não desejando isso. Mas devo dizer que mesmo assim minha vida não deixou de ser difícil, mas eu tinha uma família, por assim dizer, para chamar de minha, isso tornava tudo melhor.

                - Entretanto, tudo isso aqui é mais do que eu esperava. Aprendi a controlar meus monstros, mesmo que às vezes eles apareçam para me assombrar, e aqui encontrei o proposito da minha vida, mesmo que Sao, assim como Eiji, não tivessem aceitado.
– comentou, por fim chegando ao ponto onde a história podia incrimina-la, podia levar a todos para a prisão. – Ryan, o que irei te contar agora, jamais deve sair daqui, deve prometer que mesmo queira me odiar, não pode feri-los, não somos más pessoas, prometa que tudo que eu disser será apenas nosso.

                Miriam sentia-se nervosa, seu coração estava acelerado, mas nada transparecia em suas expressões enquanto esperava a resposta de Ryan, este que parecia confuso, e talvez até um pouco temeroso em aceitar aquilo, de prometer algo sem saber o que ao certo isso levaria. A chinesa não entendia porque seu pai havia lhe dito para contar tudo ao escocês, talvez ele tivesse visto algo? As palavras do mais velho a guiavam de certa forma, mesmo assim será que era o certo a se fazer? Ela apenas podia esperar que o fossem. – Obrigada. – disse suspirando pesadamente, após os dizeres do amigo. – Me desculpe por pedir isso de você, Ryan, mas... – antes que pudesse continuar, o homem a parou, dizendo que não precisava, ele havia escolhido entende-la, isso fez com que a morena ficasse surpresa, demonstrando isso em sua face. Nunca contara aquilo para ninguém, nem mesmo para Aaron, aquele que ela ama mais que a própria vida, e que jamais seria correspondida. O ex-capitão tinha uma vida, a qual Miriam não fazia parte, ela se tornara apenas uma lembrança dos bons tempos de escola. Nada mais que isso. – Zuì hǎo de yīchǎng wěidà de yǒuyì shì yīgè xūjiǎ de ài. (Melhor uma grande amizade que um amor falso.) – falou no que passava de um sussurro, voltando a si com o questionamento do homem a sua frente. – Me perdi em pensamento... Continuando... Não sei bem como lhe explicar o que é minha família. Então direi de forma clara o que eu sou. – a menina respirou fundo, olhando diretamente para Ryan. – Sou uma assassina, já matei para me defender, mas antes de me tornar auror, eu matava pessoas que eu achava indignas, ou melhor, que maltratavam pessoas. Escravistas, políticos corruptos, é isso que minha família faz, esse é o meu legado, o de Eiji e de muitos aqui. Visamos um mundo melhor, protegendo as pessoas mais fracas, lutando por elas, nas sombras. – disse seus olhos encarando os do auror, demonstrando uma força que ele provavelmente jamais tinha visto. – Eu escolhi essa vida, mesmo que Sao, Eiji, e outros não quisessem isso. Por isso quando me formei eles me pediram para me afastar, me tornei auror porque era onde eu podia por as minhas habilidades a serviço de algo maior, algo que eu já fazia, mas como uma assassina, por fora da lei. Ryan... Pode me odiar se quiser, mas tudo que fiz, e faço, não é pro meu bel prazer, faço porque luto por pessoas que são iguais a mim, fracas e sozinhas. – num pequeno impulso a chinesa segurou as mãos do auror, percebendo o quanto as suas eram pequenas, mas ambas eram calejadas, o que a fez se questionar em quantas batalhas o outro havia enfrentado em sua vida. – Essa é a garota que lutou ao seu lado para resgatar a Senhorita Bloom, se ainda a quiser do seu lado, como sua sombra, pra lutar, ela estará. – disse por fim terminando tudo o que tinha pra contar, de certa forma, a mais nova sentia-se mais leve, apenas esperava as palavras do outro, para saber se para ele, ela continuava a mesma, ou que agora ele a via como monstro que ela sempre imaginou ser.


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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemEscocia [#147340] por Ryan Suliver » 23 Abr 2015, 02:46

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“Space monkey in the place to be,
Riding in a rocket to a planet of sound,
Shooting the moon, playing Dominoes in drag
An increase in population of a hundred percent”

[“Space Monkey” – Placebo]


Seguia a companheira auror, seus passos calmos contrastando com as passadas pesadas do escocês. Ryan sentiu-se mais deslocado do que jamais havia se sentido em toda sua vida, como se aquele lugar fosse um organismo vivo, e ele fosse apenas um corpo estranho, esperando apenas para ser removido. Talvez Eii fosse o “glóbulo branco” que iria expulsá-lo de lá. E, enquanto acompanhava a chinesa, não pôde deixar de pensar no monge com quem quase lutara. Sentiu que ambos tinham um objetivo em comum, mas que não partilhavam das mesmas idéias ou métodos. Talvez condenasse a aproximação do “irmão” de Miriam, mas suas palavras faziam sentido. “Será mesmo? Será que tudo o que fiz foi tomar café enquanto ria da desgraça dela, seja qual for essa desgraça?”

Seus pensamentos voltaram-se para a noite em que invadiram o castelo dos Kham, apenas para salvar Zoey. Naquela noite, ainda que involuntariamente, Ryan tinha forçado Miriam a matar. Seria essa a acusação da qual Eiji se referia? “Mas o que eu poderia ter feito então? Ter deixado que aqueles imbecis acabassem com ela?” Deu de ombros, considerando a idéia absurda. Nem ele nem a chinesa tiveram qualquer escolha senão eliminar seus oponentes e, ainda que as ações de Ryan tivessem sido movidas exclusivamente pela ira, ele sabia bem que as de Miriam tinham sido pensadas e friamente calculadas. E, em seu íntimo, não conseguia deixar de se perguntar qual das duas coisas o tornava uma pessoa pior.
Suspirou profundamente quando chegaram a uma cerejeira. As palavras da oriental o pegaram de surpresa, como se estivesse esperando algum tipo de tarefa em reparação à ofensa que havia cometido contra Eiji mas, em vez disso, apenas palavras delicadas e uma breve história a respeito do chinês que, por hora, era mais um que entrava na lista de pessoas que o odiavam. Recostou no tronco da árvore e acompanhou a narrativa de sua colega, até que os olhos dela se encontraram com os seus, deixando transparecer uma certa tristeza antes de contar-lhe sobre seus anos e sua origem. Sentou-se ao lado da auror, tentando não deixar transparecer que já sabia que Miriam era órfã, mas de certa forma chocado pela realização súbita do quanto a vida da garota tinha sido difícil até então.


“Todos temos nossas cicatrizes”, pensou resignado. Embora sua vida tivesse sido infinitamente mais fácil do que a da garota, as situações pelas quais havia passado o faziam identificar-se com o relato. Ryan nunca teve de roubar um dia sequer de sua vida e, enquanto o pensamento o orgulhava, naquele momento ele sentiu-se envergonhado por ter nascido um membro da elite bruxa européia. Suas reclamações adolescentes, agora retornando à sua mente, eram coisas tão pequenas comparadas a tudo o que a auror tinha passado. Mas sabia que, assim como ele, Miriam era uma pessoa incompleta, e talvez tivesse sido isso o que os reunira numa cadeia tão improvável de eventos. As “linhas vermelhas”, como a oriental havia dito anteriormente.
Reclinou-se sobre a árvore, passando as mãos por trás da cabeça. Apesar de tudo, a chinesa não parecia consternada ou envergonhada de seu passado, partilhando cada pequeno detalhe com ele, passando desde eventos traumatizantes até a parte em que fora encontrada por Sao e seu filho, fazendo um leve sorriso brotar das faces do auror mais velho. Deixou que as palavras afundassem em sua mente, avaliando-se por elas. Perguntou-se, com muito mais freqüência do que antes, se teria se saído tão bem quanto Miriam, se fosse ele no lugar dela. Teria a mesma perseverança, a mesma vontade de ferro da garota de feições tão delicadas?
“Da primeira vez que a vi, pensei que você fosse feita de porcelana.” Riu-se, ao lembrar da primeira vez em que a oriental apresentou-se ao Departamento de Execução das Leis Mágicas e comparou com a mesma guerreira feroz que havia lutado ao seu lado em Berlim. Era difícil imaginar que as duas lembranças referiam-se à mesma pessoa. Pousou seus olhos azuis sobre a figura da auror, imaginando quais seriam os sentimentos trancados por baixo do mar de tranqüilidade que emanava da oriental, perguntando a si mesmo se havia uma tempestade se formando por trás daqueles olhos calmos.

– Ryan, o que irei te contar agora, jamais deve sair daqui, deve prometer que mesmo queira me odiar, não pode feri-los, não somos más pessoas, prometa que tudo que eu disser será apenas nosso. – As palavras o pegaram de surpresa: o que Miriam poderia esconder que fosse tão nocivo ou que pudesse despertar seu ódio? Quais eram os segredos que ela guardava? – Claro, eu... – Não podia negar que estava desconfortável – e, talvez irritado – com todos aqueles segredos e ações sutis que falhava em interpretar, mas percebia que estava prestes a receber parte importante da vida de Miriam. Inspirou profundamente e então deixou que o ar abandonasse suas narinas antes de dar voz a seus pensamentos. – Todos temos os nossos esqueletos no armário, Miriam. O que quer que você tenha feito está no passado, por pior que seja. – Mais uma pausa enquanto escolhia cuidadosamente suas próximas palavras. Aos poucos, a tensão se esvaía de seu corpo, como se um peso enorme fosse tirado de suas costas. Sorriu por um breve momento, como se fosse ele que estivesse se confessando perante a chinesa, e não o contrário. – E o que quer que sejam essas coisas, eu sei que nada disso interferiu no seu caráter. – Voltou a encarar os olhos esverdeados da auror, reservando-se ao direito de apontar o quanto era incomum para uma oriental possuir olhos como aqueles. “Uma de muitas coisas que a tornam única”, pensou enquanto ela lhe contava o que realmente era.

Sorriu ao ouvir aquelas palavras, imaginando que qualquer outra pessoa ficasse abismada com a naturalidade e a força com que Miriam lhe relatava seu antigo ofício. As justificativas eram lógicas, e apenas pessoas indignas e imundas haviam encontrado o fim por aquelas delicadas, porém calejadas mãos, que agora repousavam sobre as suas, maiores e mais rudes, mas igualmente calejadas. E, quando as últimas palavras adentraram seus ouvidos, a resposta do escocês veio sozinha, como água brotando de uma nascente.
– Eu não vejo por quê odiar a você ou à sua família. Eu não vejo por quê condenar suas ações ou julgá-las indignas. As coisas que você fez, eu tenho certeza que foram para melhorar esse mundo, e eu não consigo imaginar onde isso é diferente do trabalho de um auror. – Fez uma breve pausa, ainda segurando as mãos da oriental nas suas, tão sujas de sangue quanto as dela. – E, assim como você, eu já fiz coisas das quais não me orgulho. Eu também já tirei vidas e, ainda que minha causa seja menor do que a sua, é igualmente justa então, de novo, onde isso é diferente do trabalho de um auror? Este mundo está podre, então por que querer curá-lo seria algo errado? – Lembrou-se de um de seus professores na faculdade trouxa de medicina, um veterano de guerra pelo nome de Henri Beaumont, que sempre encerrava suas aulas dizendo que o trabalho de um médico era tão nobre quanto o de um policial ou soldado, justificando sua afirmação ao comparar a sociedade contemporânea a um organismo doente: ”curar pessoas boas ajuda a sociedade, assim como eliminar pessoas ruins. Nós não temos o direito de julgar quem vive e quem morre; essa atribuição pertence a Deus. Mas podemos impedir que um assassino gravemente baleado volte às ruas para fazer mais vítimas.” E, ainda que na época achasse muito extremas as opiniões do professor, a vida havia lhe ensinado que era daquele jeito que o mundo funcionava.

Ergueu-se da relva puxando Miriam consigo, procurando palavras para dividir com a chinesa uma parte sua.
– Eu já tive uma noiva. O nome dela era Abigail. – Ryan pôde perceber a surpresa estampada na face de sua colega, mas apenas prosseguiu com a história enquanto a oriental absorvia o que lhe era dito. – Nós tínhamos nos mudado para Lyon fazia pouco tempo. Ela era professora de Defesa Contra as Artes das Trevas em Beauxbatons, e eu estudava medicina numa faculdade trouxa para conseguir admissão no St. Michel como medibruxo especialista em ferimentos causados por armas trouxas. Nós íamos nos casar no final de 2011, mas alguém tinha planos diferentes para mim e para ela. – Mais uma pausa, dessa vez mais longa do que a primeira. Por mais que os anos tivessem se passado desde então, o vazio em seu coração era maior do que nunca. – Ela foi assassinada em 24 de agosto de 2010. Desde aquele dia eu venho buscado o desgraçado que tirou ela de mim e, enquanto eu estive nessa busca, eu tirei muitas vidas. Talvez tantas quanto você. E, desde aquele dia, eu prometi que jamais deixaria que tirassem alguém de mim. Quando Zoey entrou na minha vida, eu continuei com essa promessa, e você me ajudou a mantê-la.

Os olhos azuis agora encaravam o vazio. Havia dito coisas que jamais ousaria contar para qualquer outra pessoa, mesmo que houvesse diversas menções à morte de Abigail na ficha do escocês. Aquilo o moldara da forma que era agora, de um garoto petulante para um carrancudo e rabugento auror. Ainda assim, seu lado idealista, diferente de muitos de seus sentimentos, não havia morrido com Abby. – Por isso eu não ia querer outra pessoa ao meu lado. Você me seguiu até aquela pocilga e me ajudou a tirar Zoey de lá. Eu sei que, se necessário, você daria sua vida pela minha, e eu quero que você saiba que eu faria o mesmo por você. Espero que você entenda o quanto isso é importante para mim, já que eu não tenho o costume de confiar em todo mundo. – Sorriu brevemente, buscando afastar as lembranças ruins de seu passado, antes de finalizar com um breve gracejo. Talvez Miriam aproveitasse a oportunidade para rir um pouco. – E eu vi você lutando. Estimo que eu duraria uns três ou quatro segundos contra você então sim, eu quero você ao meu lado.
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There is no emotion, there is peace.
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There is no passion, there is serenity.
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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemChina [#149452] por Miriam Wu » 16 Jun 2015, 00:11

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o amanhã é uma tela em branco que se estende eternamente.
O QUE PINTO NELA?




                Era estranho, pelo menos para a jovem chinesa, compartilhar parte de sua vida, detalhes tão bem escondidos, algo que mesmo em sua epóca de estudante conseguiu manter em extremo sigilo. Entretanto, Miriam sentia-se leve, como se todo aquele segredo estivesse a deixando pesada por anos de sua vida, algo que não era muito dada a idade dela.

                Um sorriso estampava nos lábios da auror enquanto era erguida com ajuda de seu amigo, era estranho pensar que poderia demonstrar sua felicidade deste modo novamente, fazia tanto tempo que não conseguia exprimir tal sentimento. A dor sempre foi sua companheira, desde que se entende por gente, contudo nos últimos anos adquiriu novos tipos de sofrimentos que poderiam ser até irrelevantes dada ao seu histórico, entretanto a fizeram se tornar mais calculista, controlar sua emoções, mas não ali, não naquele momento.

                Entretanto foi uma com surpresa que Miriam encarou os olhos azuis de Ryan, enquanto este contava sobre uma noiva, algo que ela nunca teria imaginado. E ela o ouviu sem dizer uma única palavra, apenas observando, e sentindo o quanto contar aquilo era penoso para o escocês. Até mesmo para a chinesa que já havia visto tantas atrocidades, não conseguia imaginaria aguentar aquele sofrimento, pelo menos era o que ela pensava.

                Contudo outra coisa fez com que a morena ficasse surpresa, e logo, o sorriso retornar-se para sua face, após as palavras de Ryan, Wu sentiu-se incrivelmente feliz, e queria que o amigo se sentisse da mesma forma que ela. Apenas não sabia como fazer isso.
- Você se subestima demais, Duìzhǎng. e também vi o que pode fazer, apenas precisa de controle, técnica e muita paciência. - disse rindo um pouco, o que poderia ser uma estranheza para o auror, não que Miriam estivesse prestando atenção para tal coisa. Pela primeira vez, ela estava sendo um pouco "adolescente". - Fico honrada com o fato de me querer ao seu lado, Ryan, de verdade, além de muito feliz por isso.

                Porém, a morena começou a ouvir um som tom conhecido, que a fez sorrir delicadamente, seus olhos verdes brilhando de emoção. O som da flauta, do Erhu, e de outros tantos que ela conhecia. - Venha, quero que veja algo. - comentou segurando as mãos do mais velho o guiando novamente para dentro dos jardins, seguindo o som da música, a morena passou pela ponte indo em direção ao que seria a imagem de um templo, mas antes que chegassem nele, podiam ver várias pessoas tocando instrumentos e outras tantos dançando. Miriam logo reconheceu Li, com seu quimono azul delicado entre as mulheres que dançavam. - Sentia falta disso. - comentou baixo para que apenas Ryan ouvisse, mesmo assim os olhos de sua irmã a encararam fazendo com que a melodia parasse. - Venha, Miriam e traga ài nǐ de xīnzàng com você. - aquelas palavras fez que a mais nova ficasse vermelha, mas mesmo assim seguiu em frente levando seu amigo consigo. - Zhè bùshì wǒ de xīnzàng de ài, tā zhǐshì wǒ de péngyǒu. (Ele não é o amo do meu coração, é apenas meu amigo.) - disse seriamente para Li, enquanto observava o auror que parecia sem jeito. - Wǒ huáiyí. (Dúvido) - comentou delicadamente, mas logo se aproximando do homem - Seja Bem vindo, Ryan, minha irmã fala muito bem de você, sou Li Feng. Sente-se conosco, ou talvez queira dançar com Miriam, ou vê-la dançar. - aquilo fez com que a chinesa perde-se a cor do rosto, mas logo deu de ombros. - Vamos, de onde paramos, precisamos disso para o Festival da Lua.

                Sem olhar para Suliver, ou para qualquer outra pessoa, apenas ouvindo a música se iniciar, Miriam começou a se movimentar, tão levemente como ar passando pelas folhas numa brisa de verão, ou como a água de um riacho por entre as pedras, e por um momento ela se esqueceu da presença do auror, se esqueceu que era um soldado, uma assassina, apenas lembrou-se da primeira vez que havia dançado daquele modo, quando percebeu que tinha uma família.


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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemChina [#159729] por Miriam Wu » 17 Mar 2016, 19:24

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Templo Escondido.
China - Inicio do Inverno




                O frio estava para chegar, as flores, as folhas, antes amarronzadas, caíram a muito tempo, algumas pessoas começavam a usar casacos, pois blusas e quimonos de manga não serviriam para aplacar os ventos gélidos daquelas parte da montanha onde todos viviam. Contudo Miriam era uma pequena exceção, que sempre mantinha-se com as roupas de treino a maior parte do tempo, a não ser que saísse para uma missão para o ministério, ou algo assim, afinal ainda era auror além de suas habilidades e funções extras fora daquele mundo que se inserira a três anos.

                Contudo, as outras atribuições da morena aumentaram, causando uma drástica mudança em toda sua vida, assim como nos desejos que ela adquirira com a morte de seu mestre, assim com a aproximação maior que começara a ocorrer com certo companheiro de trabalho. Não importava o quanto tentasse se focar na reconstrução de seu lar, usando o dinheiro que ganhara com seu trabalho com auror, com os trabalhos braçais na reconstrução, assim como suas atribuições extras como agora mestre de armas, líder de toda uma família, nada disso conseguia tirar aquela descoberta da mente de Wu, que a cada dia parecia adquirir mais uma pontada de caos e de medo.

                A chinesa estava nervosa, mesmo que sua expressão não demonstrasse, ela o estava, assim como o medo, enquanto observava Ryan fazendo o exercício que um dos instrutores, o qual a jovem mais confiava, havia lhe passado. Contudo, na mente dela, tudo o que tinha eram as palavras de sua irmã, assim como a resposta que lhe dera. Ela sempre tivera medo dos seus sentimentos, ainda mais quando se trata de todo seu trabalho, como auror ou assassina.
- Está bom. - disse vendo os olhos negros do homem se virar para ela, assim como de Suliver. - Obrigado, Yen. Eu assumo daqui. - falou delicadamente vendo- o se inclinar e se afastar, enquanto Miriam só tinha olhos para o escocês. - Não. Vamos continuar treinando. - falando isso a morena pegou dois bastões, um deles jogando para o mais velho. - Yen estava pegando leve com você... Está impressionado e temeroso do seu poder, se você quer vencer a velha vai ter que fazer melhor que usar suas habilidades incomuns.

                E com isso dito, a morena o atacou, com movimentos rápidos. Fazendo com que se lembra-se dos treinos com Sao, cada movimento, cada ataque e defesa, e até como deveria desarmar um oponente maior e mais forte que ela. - Precisa treinar mais. - comenta sorrindo um pouco. - Mas de todo, não está mal. - contudo, o sorriso some com as palavras de Ryan, assim como a conversa com Lin. - Não serei mais sua professora, nem sua parceira, posso ajudar quando pedir minha assistência, mas nada além. - diz séria vendo no rosto do outra confusão, as quais ela deveria sanar, mas não podia, na verdade não queria se tivesse que contar a verdade.

                Entretanto, a insistência do homem era forte, algo que ela quase esquecera que existia. A teimosia de Ryan. Um dos muitos detalhes que ela aprendera a reconhecer, e até mesmo medir contrastes com seu antigo eu, a velha Miriam que não sabia controlar sua emoções, e que parecia voltar aos poucos, desde que perdera seu guia naquela jornada de controle absoluto da mente, corpo, coração e alma.
- Por que... Estou envolvida emocionalmente. - diz cravando o bastão no chão, seus olhos esverdeados brilhando, não sabia dizer se era de raiva ou outra coisa, algo que ela sempre teve dentro de si, mas que com os treinos nunca se externaram. - Ryan eu gosto de você, mas do que como parceiro de trabalho, mais que amigo... Só que eu não posso me envolver. Sou uma assassina, sou a líder de um clã inteiro, não posso me deixar levar por sentimentos. – falou seriamente, ignorando a expressão do home m a sua frente, assim como as tentativas dele de falar. – Não posso me perder assim de novo. – comentou pensativa, seus olhos esverdeados se afastando do rosto do escocês, envergonhada com aquilo, com sua sinceridade, e com medo de tudo. – Além disso, não é como se você sentisse algo assim por mim, você tem a Senhorita Bloom, não é como se você fosse largar alguém que é estável e bom pra você para ficar como alguém como eu, não é? – perguntou, e por algum motivo ela precisava daquela resposta, talvez para abandonar aquilo de uma vez, ir apagando aquele sentimento aos poucos, assim como fizera com Aaron quando ele a rejeitara. Precisava, só não sabia se o homem percebia isso.


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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemChina [#170386] por Miriam Wu » 03 Dez 2016, 19:33

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Miriam Wu
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Re: Residência de Miriam Wu - Handsworth (Sheffield), Inglat

MensagemChina [#170387] por Miriam Wu » 03 Dez 2016, 20:02

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                Havia muitas coisas que se passavam na mente da auror, suas atribuições no ministério, com sua família, seus problemas que não passavam de demônios enjaulados por anos e que por algum motivo o qual a morena sabia muito bem pareciam estar mais fortes como nunca foram, mas apesar de tudo isso, apesar dos receios que a jovem pudesse ter eram quase esquecidos, na verdade tudo parecia se esvanecer principalmente seu jeito sério, por causa de Ryan Suliver. Não que ela houvesse se tornado uma menininha apaixonada como o antes fora quando ainda pensava que poderia ser apenas mais uma garota perdida pelo mundo, assim como, o escocês não era um engraçadinho que a fizesse rir o tempo todo, era oposto para dizer a realidade dos fatos. O homem é sério e carrancudo, no entanto, por algum motivo inexplicável Miriam não se queixava disso, afinal quem era ela para dizer algo sobre isso, ela que mal sorria ou mudava sua expressão para algo diferente do que aquela que parecia demonstrar uma apatia extrema, ou como diria sua irmã adotiva, sua face quase inumana por não demonstrar qualquer emoção.

                Por outro lado, ela já havia demonstrado coisas diante do companheiro de trabalho, tristeza, raiva, e até mesmo certo alivio, mas quando lhe dissera que sentia algo por ele, apenas manteve aquela expressão de sempre com uma mistura de confusão que era perceptível apenas em seu olhar e por aqueles que realmente a conheciam bem, o que a surpreendeu depois fora o resto, fazendo com que aquela imagem de neutralidade de sua face sumisse por alguns longos minutos. Como havia acontecido nas horas que os dois passaram juntos naquele dia, principalmente quando Miriam fizera o homem provar uma típica cerveja chinesa, ou como ela chamava pijiu, dentre outras tantas coisas que fizeram a morena rir um pouco sem jeito, afinal isso não lhe era habito. Até mesmo o jeito formal do homem lhe rendeu algumas risadas, ela não sabia o que eram ainda, diferentemente das outras relações que a jovem tivera com outras pessoas desde que se formou, e na verdade ela nem tinha necessidade de descobrir ainda, Sao lhe dissera uma vez que a vida era como um rio, e eles tem seu próprio curso, algo que na época que ouvira sentiu uma certa irritação, que no entanto agora não sentia, mesmo que devesse por algumas coisas, no entanto agora o achava correto e naquela situação com Ryan preferia deixar a correnteza do rio lhe guiar do que tentar procurar algo que ainda nem estivesse pronto para “florescer”.

                E, talvez por isso que a “relação” deles estava “escondida”, não sabiam o que dizer, pelo menos ela não sabia, a única pessoa que sabia exatamente era Lin, sua irmã, e mesmo assim foi por um pequeno descuido. No trabalho, principalmente eram apenas a equipe de sempre, além disso, tinha o pequeno fato do homem pertencer a uma elite bruxa, realeza assim como a prima dele, sendo Miriam apenas uma jovem qualquer que nem ao menos sabia quem eram seus pais e coisas do tipo, não que Suliver se importasse, ele conhecia sua história até mais do que muitas pessoas já souberam. Contudo, esses pensamentos foram cortados diante das palavras do escocês a sua frente, o que a despertou daquela conversa que ela parcialmente ouvira, e de seus pensamentos tumultuados.
– Entendo. – comentou diante dos dizeres seguintes que deixou que um dos pequenos pensamentos surgissem em sua mente, a formalidade do companheiro auror para com ela mesmo com tudo que estava acontecendo entre os dois, e por causa disso veio outro pensamento, na verdade uma ideia que até poderia parecer absurda, mas não era como se já não tivesse feito aquilo antes. – Ryan? – chamou vendo o homem se virar, a chinesa ainda não havia se acostumado com aquela ideia, ainda não compreendia exatamente do por que, mas ela sentia algo pelo escocês isso era fato, e apesar de da primeira vez que sentira algum ínfimo sentimento por alguém ela preferira esconder, com ele não havia acontecido, na verdade, gostava de estar perto dele, muitas vezes sentia-se como a garotinha assustada que Sao encontrara nas ruas, sem defesas contra outros, ou contra si mesma, seus pensamentos, inseguranças, medos e raivas. Era a mesma coisa, ou quase, afinal, sentia suas barreiras, conquistadas com tantos treinamentos, sumirem, mas não se sentia amedrontada ou sozinha. – Poderia ficar aqui esta noite? – perguntou, sentindo seu próprio nervosismo pontuado naquela frase, e apesar disso sua face continuava inexpressiva. – Não... Não há problema algum... Nem irá atrapalhar... Ter companhia é bom. – comentou deixando um pequeno sorriso, quase imperceptível aparecer em seus lábios, contudo este sumiu diante das palavras do mais velho. – Tenho, mas... Está bagunçado com as caixas que trouxe da China pra cá, ainda não tive... Coragem de mexer nas coisas dele.

                Apesar de pensar no pai adotivo todos os dias, se acalentar com as lembranças boas que possuía do antigo mestre, a culpa muitas vezes a deixava carregada de pesar. Ainda não compreendia por que sempre perdia as pessoas que lhe eram importantes, e sentia o medo a tomar toda vez que pensava nisso sabendo que Ryan era uma dessas pessoas agora, mesmo que ainda não compreendesse aqueles sentimentos que foram surgindo aos poucos pelo escocês, saber que podia perde-lo da mesma forma que perdera tantos a apavorava. No entanto, aquilo foi jogado de lado ao ouvir a voz de Suliver, estas que a deixaram confusa por um tempo, antes de por fim entender. – Não. – disse de forma séria, sua face inexpressiva, mas seus olhos faiscando. – Isso é tolice, você não vai dormir no sofá. – não tinha cabimento algo assim, na verdade era impossível, claro, ela muitas vezes caíra no sono ali enquanto pensava, trabalhava, mas, nunca se sentira desconfortável, primeiro: Já dormira em lugares piores que um sofá, segundo: sua estatura permitia algo do tipo, era apenas olhar dela para Ryan que podia-se perceber a diferença de altura. – Simples, vai dormir no meu quarto, na cama que tem nele. – falou sem nem ao menos pestanejar uma única vez, entretanto as palavras do mais velho a fizeram revirar os olhos. – Não está me expulsando, por que também irei dormir lá. – respondeu com a maior naturalidade que possuía e mesmo que uma parte de si ficara constrangida com sua “audácia”, ela mandou essa parte se calar, assim como essa vontade surgiu referente ao escocês, porém preferiu respirar fundo. – Ryan... – falou o encarando seriamente, afastando-se da bancada onde estava para se aproximar dele. – Não sou uma menininha idiota e sei exatamente o que estou dizendo, então, espero que entenda que somos dois adultos e se eu disse que não tem problema você dormir comigo na minha cama, quer dizer, realmente que não tem.

                Suas palavras firmes e ditas com extrema clareza pareciam não ter causado nenhum efeito no homem a sua frente. Por um momento, Miriam imaginou que o caso era que Ryan não estava pronto nem mesmo para algo relativamente inocente que era dividir uma cama e uma boa noite de sono, afinal, ela sabia a história dele assim como ele sabia da dela, talvez, ele só não queria aquilo ainda, tivera uma noiva e esta foi morta, tivera um relacionamento com Zoey eles terminaram, e antes disso ela fora sequestrada. Eram muitas variáveis, e por isso a chinesa achou que estivesse forçando a barra até pelo menos o comentário quase que infeliz do auror, algo que fez com que ela revirasse os olhos impacientemente. – Então... Vamos resolver isso. – comentou de forma mais normal que conseguia. Em dois ou três passos, ela não contou, estava próxima o suficiente do escocês, encarando-o seriamente, a diferença de altura era um grande problema, mas não era algo que ela não pudesse burlar facilmente. As mãos calejadas da chinesa foram para a camisa do homem o puxando para baixo no mesmo momento que ficava na ponta dos pés. Os lábios se tocaram levemente, apesar da força com que a jovem puxara o mais velho, fora algo de surpresa, e pouco durou, mesmo assim aquele pequeno e simples ato fez com que Miriam sentisse seu coração se acelerar, sentir como se uma corrente elétrica passasse por seu corpo. – Esse é o meu ponto, Suliver. – disse com a voz um pouco mais baixa que o normal, se afastando um pouco do outro. – O que você vai fazer com isso cabe a você mesmo... – falou sem conseguir impedir a nota simples de expectativa soar em suas palavras, era algo mais forte que ela, e que apesar do controle que ela possuísse normalmente, ali ele não estava.


WEARING • Roupas leves| MUSIC • Rokutousei No Yoru – Aimer. | WITH • Ryan Suliver; |
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