RÁDIO LUMMUS
Vaduz, setembro de 2021.


Entrevista com o Vampiro
com Tyler Han


    || Vinheta do programa seguida de palmas ao fundo que vão cessando até que o único som presente fosse a voz do narrador ||


    — Boa noite, meu caro ouvinte e minha cara ouvinte da Rádio Lummus! Como estão nessa agradável noite? Espero que bem e, se ainda não estiver bem, aceite esse espaço como a oportunidade perfeita para entretê-lo e mandar os problemas para longe! Hoje temos em nosso divã um convidado pra lá de especial... Você consegue adivinhar de quem se trata? Os tambores rufam ao fundo. Ele é artilheiro pelo Balycastle Batles... Ele tem apenas 18 anos de idade... É formado na academia de Beauxbatons tendo pertencido a maison da deusa Morrigan... E, pelo que já disse acredito que já tenha matado a charada! Hoje recebemos com muito orgulho a presença dele... Mikaaaaaa Phoenix! Aplausos.

    — Muitíssimo obrigado, Ty! Posso te chamar assim? Ty? Enfim, boa noite ouvintes!

    — Mas é claro que pode me chamar de Ty, meu caro! Mas também vou entender se preferir manter a formalidade uma vez que não nos conhecemos e nunca nos vimos antes e me chamar apenas pelo sobrenome! Tom de voz animado

    — Bem, eu vou te chamar de Ty.

    Cortando o entrevistado na cara dura A partir desse momento nossos telefones estão abertos para que você que acompanha a carreira desse jovem talento quadribolístico... Mas, para começar... Vamos deixá-lo na companhia da doce voz de Nicole Schezinger e as Pussycat Dolls... Sim, eu sei... Não sou eu quem escolho a trilha sonora...

    — Sério? Eu adoro Pussycat Dolls...

    Mais uma vez cortando o convidado Se acomode na cadeira e tente não cochilar! Nos vemos no próximo bloco. A voz do locutor vai sumindo, dando lugar às batidas iniciais da música.



    || Tempo dos patrocinadores seguido da vinheta de retorno do programa e das palmas de fundo ||


    — Bem vindo de volta dessa trágica e depressiva sequência sonora, meus caros ouvintes! Surpreendentemente temos pessoas que sobreviveram a ela sem nenhuma crise depressiva e já estamos com nosso primeiro ouvinte na linha... Booooooooa noite, com quem falo?

    Ouvinte 1: Boa noite! Fala com a Taylor!

    — Seja bem vinda, Taylor! Possui algumas perguntas para nosso convidado?

    Ouvinte 1: Eu, tenho algumas na verdade. Qual sua jogada favorita? Qual jogo foi seu mais memorável? Ser jogador era o que você queria quando era mais novo? Se não, o que era?

    — Nossa, senhorita Taylor! Quantas perguntas! Passo agora a vez para o Sr Phoenix! Conseguiu gravar todas as perguntas? Posso anotar para você se você preferir...

    — BOA NOITE TAYLOR! Um pouco alto demais. Consegui pegar tudo, Ty, muito obrigado. Bem, Senhorita... primeiramente boa noite e obrigado por participar. Risada baixa Vejamos... acho que a minha jogada favorita é o que chamamos tradicionalmente de Cabeça-de-Falcão. É basicamente uma imitação do padrão de voo das aves, com um abre-alas à frente e os outros dois artilheiros atrás, um em cada ponta. A graça dessa jogada é saber como adicionar a medida certa de mistério e sempre, e repito, SEMPRE fazer algo inusitado. Breve pausa. Jogo mais memorável... Olha, sinceramente? Acho que foi o meu primeiro jogo, contra o Montrose. E não porque foi um bom jogo, na realidade a minha atuação foi um fiasco completo e nunca, na minha vida, eu vi um artilheiro perder mais gols do que eu naquela... me- uh, naquele fiasco. Felizmente, apesar da tristeza, foi ótimo pra aprender que nenhum jogador é perfeito. Aquele primeiro jogo me ajudou a encontrar meu lugar no time e a realmente aceitar que nenhuma estrela brilha sozinha. E sim! Ser jogador sempre foi meu sonho! Tanto que estou no Ballycastle Bats desde às equipes de base. Entrei no time com 14 anos e sigo nele!

    — Espero que as respostas tenham lhe satisfeito, Srta. Taylor porque já temos um outro ouvinte na linha! Olá, boa noite! Com quem falo?

    Ouvinte 2: Boa noite, você fala com aquele vampiro loiro.

    — Nossa! Um companheiro de espécie! Seja muito bem vindo, Vampiro Loiro! O que gostaria de perguntar a Mika Phoenix essa noite?

    Ouvinte 2: Eu gostaria de perguntar se o companheiro de equipe dele, Yuu Miyamoto, tem um... Namorado... No time e se é o Kim Seugmin...

    — Okaaaaay... Prolongando a vogal “a” pausadamente Essa é uma pergunta um tanto inusitada, mas e aí, Mika? O que tem para dizer ao nosso ouvinte acerca desse assunto?

    — Aquele Vampiro Loiro, muito bem Carlisle... eu infelizmente vou ficar te devendo nessa daí. Sabe, não é muito legal ficar falando da vida pessoal dos outros Morcegos por eles. Desculpa aí, cara! Mas dessa vez vou ficar se devendo.

    — Pois bem... Passamos ao próximo ouvinte... Boa noite, com quem falo?

    Ouvinte 3: B-boa noite, fala com o Kris!

    — Bem vindo ao programa, Kris! Qual pergunta você tem para nosso convidado hoje?

    Ouvinte 3: Então... E-e-e-e-e-e-eu... G-g-g-g-g-g-gostaria de saber qual sua opinião sobre os direitos das criaturas mágicas e as p-p-p-p-p-p-p-políticas implementadas pela CIB para uma melhor integração delas com a p-p-p-p-p-p-p-p-população bruxa...

    — Uma excelente pergunta, Kris! Realmente muito condizente com a área de nosso convidado! Muito bem formulado! E então, Mika? O que tem a nos dizer sobre o assunto?

    — Tá... Aí uma excelente pergunta, pra falar a verdade. Bem, imagino que tem funcionado bem, eu sinceramente não procuro saber se os meus oponentes são, uh, criaturas mágicas. Prefiro encarar todos como iguais, mas lembro de um jogador do Montrose que era lobisomem! William Fenris, se não me engano. Na época ele jogava principalmente nos jogos diurnos.

    — O que faz sentido, principalmente se estivermos falando de uma noite de lua cheia, não é mesmo? Acredita que os jogadores possam ter “vantagens” sobre os outros casos não sejam totalmente humanos?

    — Então, Ty-Ty... imagino que, de certas maneiras, algumas coisas realmente se sobressaem em relação a outras e não podemos negar isso. É claro que um balaço rebatido por um lobisomem - ou um vampiro - faria muito mais estrago do que um bruxo-não-criatura qualquer. Em compensação, todos temos desvantagens que conseguem equilibrar essa balança. Imagino que, talvez, nesses casos o treino deva ser focado mais no autocontrole do que... em qualquer coisa mais, afinal de contas devemos prezar pela saúde de todos os presentes no jogo.

    — Acredita que um vampiro ou um lobisomem pudesse acabar sendo aproveitado de maneira mais justa na artilharia ou sendo apanhador, por exemplo? Uma vez que não são posições onde a força em si interfira tanto quanto na posição de batedor?

    — Isso não seria um pouco de segregação, Han? Digo... com treinamento adequado para aquela qualquer pessoa, independentemente de sua origem, poderia jogar em qualquer posição. De novo, com treinos focados nos pontos positivos, vampiros e lobisomens poderia ser muitíssimo bem aproveitados... desde que seja seguro para eles também. Não vejo por que limita-los a uma... só área de atuação. Você deveria vir fazer um treino conosco qualquer dia pra testar essas teorias.

    — Excelente ponto, Phoenix. E agradeço por demasia o convite. Com certeza irei um dia desses. Dá para sentir o sorriso nos lábios do locutor através de seu tom de voz Façamos uma pausa agora para molhar a garganta, com água, obviamente, e dar um tempo maior para que as pessoas pensem em suas perguntas e nos liguem... Não troquem de estação, meu caro amigo! Voltaremos dentro de alguns minutos... A voz do locutor vai se tornando mais baixa e dando lugar às batidas iniciais da música.



    || Tempo dos patrocinadores seguido da vinheta de retorno do programa e das palmas de fundo ||


    — E estamos de volta com nosso convidado, Mika Phoenix artilheiro do time Ballycastle Bats para mais um bloco onde vocês ouvintes perguntam e nosso ilustríssimo visitante responde. Está pronto para retomarmos, Mika? Ótimo! Vamos ver o que temos para abrir essa sequência... Alô? Com quem falo?

    Ouvinte 4: Alô, boa noite! Aqui é a Reyna! Eu gostaria de saber se é realmente verdade que o Mika com o Roman Baak, preparador físico do time ou se são apenas boatos...

    Sons de expressões de surpresa Será que temos uma polêmica a ser esclarecia para o mundo aqui?

    — A-ah....bem.... uh. Não, definitivamente são boatos. Sabe como é, não é? Ética de... local de trabalho? Pigarro Apesar de tudo, Baak era realmente só o nosso ilustre preparador físico. Nunca tivemos nada além de trabalho.

    — Certo, certo... Uma pena não termos um furo ao vivo, mas vida que segue. Vamos para o próximo ouvinte? Boa noite... Com quem falo?

    Ouvinte 5: Boa noite. Você fala com o Shisui, não o Uchiha, mas aquele tão bonito quanto!

    — (convidado) Isso é uma referência à Naru- o próprio convidado interrompe para não atrapalhar o locutor

    — Eu não sei do que você está falando, mas você é o Shisui do Notice me senpai, certo? Enfim... O que tem a perguntar ao nosso convidado, Shisui?

    Ouvinte 5: Eu gostaria de perguntar se ele quer se casar comigo. Não, brincadeira! É que isso dá um susto na gente assim ao vivo né? Falando sério, eu quero perguntar como ele mantém esse platinado perfeito sendo jogador profissional, e se ele tem algumas dicas de cuidados com o cabelo pra me dar.

    —Falando sobre casamento por experiência própria, Kurosaki? Ok... Vamos passar a palavra ao nosso convidado.

    —- Ahhhh Risada Bem, Shisui, sou fã do seu programa! Infelizmente não podemos nos casar... mas se os nossos namorados não se importarem, talvez isso possa ser um belíssimo poli-amor e- TyTy você tá vermelho? Enfim... Eu tomo muuuuuito cuidado com meu cabelo, afinal de contas não só de vassouras e bolas vive um artilheiro Risada Bem, a resposta é óleo de coco e vinagre. Fazem maravilhas pra hidratação do cabelo. Te desejo boa sorte e... sabe onde me encontrar se quiser conversar mais!

    Pigarro Bem... Vamos passar para o próximo ouvinte. Alô, quem fala?

    Ouvinte 6: Oi, boa noite! Aqui é a Narissara Jumpol... Mas pode me chamar de Nari se preferir...

    — Muito bem, senhorita Narissara, o que gostaria de perguntar ao nosso convidado?

    Ouvinte 6: Quem é o seu pior inimigo no quadribol? Aquele ou aquela jogador ou jogadora que você não aguenta mais?

    Sons de surpresa ao fundo Será que agora teremos o nosso furo em rede nacional, senhoras e senhores?

    — Ahhh... bem, vocês realmente querem me colocar numa saia justa, não é Nari? Risada Bem... eu poderia facilmente dizer que meu pior inimigo sou eu mesmo, mas sinto que TyTy aqui iria me bater. Então... bem, não sou uma pessoa que guarda rancor, então não diria que odeio alguém pra sempre. É mais um sentimento de 'adoraria uma revanche' contra o Montrose. Foi o meu primeiro jogo e foi péssimo, como falei antes, mas acho que o que mais incomodou foi a grosseria desnecessária de alguns jogadores. Eu sinto que, talvez, tenha faltado um pouco de espírito esportivo nesse meio de caminho, sabe? Por mais que essa jogada emocional seja uma carta na mão nos jogos, aquela foi uma partida complicada. Lembro, inclusive, de procurar briga dentro do próprio Ballycastle em campo.

    — E teve algum jogador em específico com o qual procurou briga? Isso acarretou alguma coisa no pós-jogo?

    — Ah... bem, foi com o Zeus. O cara parece um rolo-compressor, excelente artilheiro e certamente não iria sobrar nada de mim se a capitã não tivesse intervindo. Aquilo só nos rendeu uns puxões de orelhas mesmo, nada demais. Culpo isso em toda a situação do jogo. Estava fazendo um calor digno do inferno, o nosso desempenho não era dos melhores e... bem... o ego ferido é uma coisa perigosa.

    — Com certeza ego ferido faz a gente cometer loucuras. Mas não vamos nos estender muito nessa parte ou vou acabar me comprometendo aqui e o foco é você e não eu essa noite. Risada Próximo ouvinte... Boa noite! Com quem falo!

    Ouvinte 7: Boa noite! Fala com o Mark!

    — Oi, Mark, bem vindo ao programa! O que gostaria de perguntar ao nosso convidado?

    Ouvinte 7: Então, chegou ao meu conhecimento que além de ser extraordinariamente talentoso e lindo, devo acrescentar, você também é absolutamente fascinante em suas habilidades noturnas, por assim dizer, o que tens a dizer sobre isso? Como anda a vida nesse departamento?

    Locutor tendo um ataque de tosse inesperado

    Risada baixa Ah, bem, você mais do que ninguém sabe exatamente como anda a minha vida noturna. Inclusive eu acho que a gente poderia dar uma animada e hoje a noite deveríamos tentar uma pos- A voz do convidado é imediatamente interrompida pela entrada da sequência de música sem nem ao menos ter o preparo da transição para as batidas iniciais.



    || Tempo dos patrocinadores seguido da vinheta de retorno do programa e das palmas de fundo ||


    — E voltamos agora para nosso último bloco e estamos aguardando a sua ligação ansiosamente para fecharmos com chave de ouro! O que está esperando para ligar e fazer aquela pergunta que sempre quis saber a resposta para nosso convidado especial? E então, Mika... Você, assim como eu, está achando que o Liminha, aquele carinha ali que cuida da playlist musical do programa, terminou com a namorada e ta numa fossa absurda?

    — No mínimo o estagiário levou uma bela galhada, Ty-Ty. Concordo plenamente.

    — Bem... Então vamos acelerar aqui pro nosso amado amiguinho ir pra casa sofrer em paz sem obrigar outras pessoas a chorar no processo... Aaaaaaalô, com que eu falo?

    Ouvinte 8: Olá, eu me chamo... Er... Pausa sugestiva Mary.

    — Okay... Mary? Mas você tem certeza de que se chama Mary?

    Ouvinte 8: Mais uma pausa sugestiva Sim, eu tenho certeza de que me chamo Mary.

    — Então está bem. Boa noite, Mary... O que gostaria de perguntar ao Mika?

    Ouvinte 8: Eu gostaria de saber se há intrigas dentro do time. E se sim, quais são?

    — Então... como eu mencionei antes, tive uma pequena briga com um dos outros Morcegos no meu primeiro jogo. Talvez ainda tenha um certo atrito com Zeus até hoje. De minha parte posso admitir que tenho muito respeito por ele. Agora de Zeus... bem, não falo por outros jogadores. O que importa é que atualmente nos damos bem o suficiente para os jogos fluírem de maneira tranquila e funcional. Não vale a pena penalizar o time inteiro por picuinhas entre dois cabeças-duras.

    — Beleza, beleza... Realmente uma atitude bastante madura de sua parte. Próximo ouvinte... Alô?

    Ouvinte 9: Alô, boa noite! Aqui é o Nagato, mas pode deixar que não vim pedir nenhum pão essa noite...

    — Okay, mais uma piadinha que não entendi, mas tudo bem... O que tem para perguntar para o Mika, Sr Nagato?

    Ouvinte 9: Eu gostaria de saber se ele possui alguma espécie de ritual consigo mesmo... Pra poder relaxar antes de entrar em campo...

    — E então, Mika? Você tem?

    Risada A-ah, Nagato... bem, eu... talvez o que eu faça seja levemente proibido para menores de dezoito anos. Agora no vestiário eu tento sempre conversar com todo mundo, absorver a atmosfera. Relaxar. ]Breve pausa E exercícios de respiração. Se você for o Nagato que estou pensando, me encontre no vestiário no próximo treino que eu te ensino umas técnicas bacanas!

    — Bom... E por último, mas não menos importante... O que você diria para as crianças que porventura estejam nos ouvindo e queiram seguir seus passos? Deixe sua mensagem para a futura geração quadribolística!

    — Primeiramente, desculpe pelas besteiras! Em segundo lugar, nunca... JAMAIS desista dos seus sonhos, trabalhe para alcançá-los. Treine sempre e não tenha medo de pedir ajuda. Além disso tudo, tenha espírito esportivo! Nós podemos nem sempre ganhar à partida, mas isso não quer dizer que vamos perder o campeonato. Cabeça erguida e bola pra frente, criançada!

    — Ótima colocação! E, com isso, agradecemos a participação de todos os ouvintes nessa edição de mais um Entrevista com o Vampiro! Queremos agradecer também a sua presença , Mika... E ao Ballycastle Bats por ter te cedido por esta noite para que pudesse participar do programa... Sabemos que você deve ser alguém muito ocupado...

    — Boa noite e obrigado por participarem! A vinheta de encerramento começa a tocar.E você? Tá a fim de ir conhecer o vestiário do time também?

    —Lembrando que esse programa é patrocinado pela loja Madame Malkin’s! Ignorando solenemente o convidado Está de passagem pelo Beco Diagonal? Não deixe de visitar o estabelecimento e renovar seu guarda roupas! Lá tem ofertas para todos os gostos e todos os bolsos! Nos vemos no próximo programa, pessoal!

    || A vinheta de encerramento se torna mais alta até ser o único som presente e o programa se encerra. ||

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22/07/2020 às 11:42:35



RÁDIO LUMMUS
Vaduz, setembro de 2021.


O Berrador
com Ollayinka Arendse


    Música de abertura do programa


    Olá, ouvintes! Eu me chamo Ollayinka Arendse e vocês estão ouvindo "O Berrador" na Rádio Lummus.

    Como prometido ao ouvinte que se auto denominou Troll das Montanhas, nosso espaço para debate vai falar sobre a educação na cultura bruxa. Portanto, vamos tratar do descaso que permeia a noção de justiça educacional e social da nossa Confederação Internacional Bruxa, afinal não tem como separar essas duas linhas de pensamento quando o tema fala mais do que apenas as regras de conduta de uma ou outra instituição de ensino.

    Mas antes de qualquer coisa gostaria de lembrar que recebemos cartas através da nossa rede de conversa: o Pombo Apressado. Ou seja, não esqueçam de enviar suas perguntas, sugestões e críticas – principalmente críticas –, porque vocês sabem que eu adoro um bom debate.

    Voltando ao ponto principal: é importante, em primeiro lugar, pensarmos de que forma a educação dos nossos pequenos bruxos acontece na nossa sociedade mágica. Quem é responsável por ensinar as crianças? Aquele que adivinhou “escolas” ganhou dez pontos para o seu clã! Pois é exatamente esse o canal de ensino que a gente mais usa. As escolas mágicas ofertam, aos futuros bruxos, tudo o que é básico para saber lidar com os poderes extraordinários que rondam a nossa psique sobrenatural. Daí tiramos que são necessários professores bem formados e entendidos de certos assuntos do que é entendido como currículo comum, seja nacional ou internacionalmente. Para além desse detalhe, é bom pensar também na estrutura, nas leis mágicas que envolvem o sigilo bruxo.

    Com isso temos duas problemáticas:

    A) Quem são as pessoas que vão lidar com os alunos que se inscrevem nos internatos mágicos?

    B) Como essa estrutura física é formada?

    Para essas perguntas enfatizo que é tudo uma questão ideológica.

    Os mestres nem sempre são as melhores criaturas, afinal, nem sempre é levado em consideração o tipo de caráter que possuem – se existem dúvidas quanto a essa perspectiva, basta uma rápida olhadela para o modo como muitos dos funcionários se portam em ambiente escolar; perguntem para os muitos estudantes se já não foram “mal tratados” por algum “professor”. E vejam bem: não é apenas uma crítica àqueles que formam o grupo docente, mas sim um ponto a ser considerado pelas respectivas direções. Por que raios vocês continuam contratando pessoas que não são confiáveis? Por qual motivo permitem que professores duvidosos entrem em seus territórios?

    Isso nos leva à questão B: Como é a estrutura física do lugar onde são recebidos os alunos?

    Pensem comigo, ouvintes: são lugares imaculados, abençoados por espíritos antigos (Helga Hufflepuff, Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Salazar Slytherin; Drekavac, Willa, Vodianoyi, Leshiy; Rurikovich, Romanov; Brigit, Mélusine, Morrigan – para citar as 3 escolas que mais preocupam os órgãos políticos, é claro). São poderes que transcendem àqueles que conseguimos controlar, e que chamam a atenção de “vilões”. Eu, particularmente, vejo tudo isso como uma bela oportunidade de propaganda, mas… Todas as três instituições exemplificadas carregam consigo a possibilidade do caos. E o tato pra lidar com a linha tênue entre poderes controláveis/poderes extraordinários não parece ser levada em consideração pelos conselhos e direções.

    As últimas notícias parecem repetir aquilo que sempre ocorre: mais um ano se passou e Beauxbatons e Hogwarts foram assoladas por eventos atípicos que colocaram em risco a segurança de suas crianças. Enquanto isso, Durmstrang ofereceu, mais uma vez, Jogos de Guerra que, ao contrário das outras duas, foi propositalmente pensado para testar a segurança de seus estudantes (esse é o lema do lugar, certo?). Em duas dessas instituições, por exemplo, existe a hipótese do roubo de relíquias, magias etc. Se não, então por qual outro motivo essas catástrofes se manifestariam em território “tão protegido”?

    Com isso os pais devem se perguntar por qual motivo ainda mantém a matrícula de seus filhos nessas escolas pseudo-seguras. A resposta para essa equação é simples: capital cultural.

    Não há nada como gozar de uma formação acadêmica de excelência. Ser formado em qualquer uma das três instituições, principalmente se você se formar com honrarias, é o mesmo que garantir um emprego na CIB, em qualquer um dos Ministérios de Magia. Abrir mão dessa oportunidade é algo impensado por qualquer humano bruxo e/ou meio veela (afinal são esses seres que são aceitos, em sua maioria). Do mesmo modo, por que não aproveitar as chances de lecionar em um desses lugares, se a oportunidade de fazer reféns e ainda sair com alguma informação sigilosa a respeito de algum ritual antigo é tentadora? Fica o questionamento.

    Enquanto isso, todos os olhos se voltam para a crise educacional que assola o mundo mágico. As escolas se mantém tão vulneráveis quanto sempre foram, a excelência tecnicista de conceitos do nosso mundo é questionável, e seus alunos passam por crises específicas (psicologicamente falando), ao passo em que aqueles que são responsáveis por pensarem a viabilidade desse projeto de educação se ocupam com outras questões mais pertinentes.

    Enquanto isso, igualmente, escolas que não são noticiadas pelo simples fato de serem mais pacatas continuam formando seus alunos, mas nenhuma delas recebe a devida atenção da nossa CIB. Um exemplo clássico é a escola ugandesa Uagadou, cujo percentual de bruxos formados e de sua colaboração para com seu grupo social é dos mais altos. Além disso, questões mais latentes também são ignoradas: a preocupação em construir uma sociedade mágica mais igualitária, assegurando direitos básicos pra quem a compõem, é deixada de lado em detrimento de ideologias políticas adequadas à apenas uma classe importante: a de “sangues-puros”.

    Vamos continuar a formar nossos bruxos, de forma que pensem com menos autonomia e criatividade? Ou finalmente vamos perceber que certas instâncias precisam se responsabilizar pelas coisas que ocorrem em seu território?

    Música do espaço do ouvinte


    Agora vamos às questões dos ouvintes:

    A primeira carta que chegou pelo nosso pombo apressado veio do ouvinte Duende Raivoso, e ela diz: “Por qual motivo você se frustra quanto a segurança dessas escolas? Como que você chegou a essa conclusão?

    É simples, caro Duende: a História se lembra. Anos atrás Durmstrang ruiu e colocou em risco a segurança de seus alunos justamente porque os poderes dos espíritos foram almejados. Do mesmo modo Beauxbatons. As duas, por exemplo, receberam pessoas que se diziam responsáveis, que ocuparam um espaço muito importante em seu território, e o modo como lidaram com isso foi vazio. Beauxbatons resolveu adotar a fé cristã, nesse sentido, e reestruturou o castelo. Enquanto isso, Durmstrang lidou com um dragão. Em Hogwarts o expresso perdeu o controle, vassouras pararam de funcionar; uma professora ateou fogo na sala comunal de uma das casas. De que modo puderam garantir segurança às crianças? Não podemos fechar os olhos para isso.

    O segundo comentário é do Meio Veela Sedutor, e diz “O programa é uma porcaria: parece estrume de dragão com dor de barriga. Deviam pensar em aproveitar melhor esse momento e deixar o programa de esportes por mais tempo.

    Sobre isso só posso afirmar: pão e circo, meu caro. Pão e circo.

    A próxima pergunta é da Bubotúbera Explosiva. A proposta é: “Já que você sabe tanto como resolver problemas alheios, o que você sugere para as escolas citadas?

    Querida Bubotúbera, o que eu sugiro é bem simples: maior debate e democratização. Se essas crianças são as que vão pensar o mundo bruxo de amanhã, por que não saber delas o que é desejado? Ora, a democracia é algo trabalhoso, que leva tempo. Não digo, com isso, que devemos instaurar a anarquia política. Muito pelo contrário! Devemos questionar o que é ensinado, repensar o perfil dos professores – perguntar, por exemplo, por qual motivo se portam de modo violento em suas escolas, é uma forma de investigar –, fomentar novos estudos, fazer correlações e, principalmente, questionar: “de quem é a mão por trás desse padrão que só estraga nossas escolas?”

    Para citar uma banda trouxa e antiga: “ninguém disse que seria fácil”. Não é. É muita presunção achar que tudo é muito fácil de ser tecido. Mais ainda é acreditar que uma simples palavra e/ou postura será suficiente para arrumar todos os nós deixados para trás! É nosso dever, enquanto sociedade mágica, refazê-los. Garanto que teremos mais cachecóis do que linha embaraçada.

    Por último, mas não menos importante, nosso Hipogrifo Elegante diz: “Parece muito fácil citar Uagadou como única escola de excelência, não é mesmo? Mas deixar para trás a pobreza de Uganda parece proposital. O que tem a dizer sobre isso?

    O que é mais fácil ainda é julgar uma cultura como pobre com um olhar preconceituoso. Não quero dizer que Uganda é o pais mais rico, mas seus bruxos são os que menos são presos por ilegalidades mágicas. Temos preocupações mais latentes com as quais lidar, buscamos a instauração da democracia ATRAVÉS da democracia. E isso é o mais importante. É obvio que o conceito de democracia é um tanto questionável, mas é o padrão político mais aceitável, e com o qual as diferentes vozes podem se fazer ouvir.

    Ainda: se quer uma outra escola que pode atingir os padrões eurocêntricos de excelência educacional, podemos citar Ilvermony, afinal as notícias não repetem as mesmas polêmicas de Hogwarts. E esse é só mais um exemplo. Ainda que tenham particularidades culturais e políticas no que diz respeito a MACUSA, Ilvermorny se mantém como uma das escolas mais influentes dos últimos séculos. E não é para menos! Podemos também citar o Instituto Salém, cujas bruxas carregam uma história singular, e cujas notícias não tratam de catástrofes ou qualquer tipo de problema que arrisca a segurança de seus alunos. Foram exemplos estadunidenses que certamente vão descer mais suaves por certas gargantas.

    Música do encerramento do momento dos ouvintes


    Minhas palavras podem carregar muitas verdades inconvenientes – inclusive para mim. Assim, deixo com que repercutam por aí, esperando que fação uma reflexão sempre sadia de tantos aspectos de nossa vida.

    Nosso tema do próximo programa será: “a presença feminina nos órgãos públicos mágicos”. Fiquem atentos!

    Música de encerramento

436 Visualizações
15/07/2020 às 18:09:18

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