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Ok, isso pode ser estupidez, mas ao menos entretém

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por Eldrich Dernach » 23/02/2014 às 15:58:30
Título: Ok, isso pode ser estupidez, mas ao menos entretém
Eldrich Dernach
 


Segunda-feira, 06 de junho de 1994



Aqui estou eu, novamente escrevendo como se falasse com alguém (ainda que, pensando bem, concluo que, de um modo geral, escrevo mais do que falo). Apesar de tudo, até que é interessante escrever. Um bom exercício para a memória, ótimo para extravasar certos pensamentos, além de ser um bom modo de ocupar o tempo, já que não me permitem fazer nada além de mover o braço direito e a cabeça – havia também a televisão trouxa (mais para frente ficará claro o porquê deste artefato ‘estranho’ no relato de um bruxo), mas a última enfermeira deixou a bancada, onde o controle se encontrava, longe o bastante para eu não alcançar. Uma fräulein de gentileza imensurável, devo salientar.

De qualquer modo, deixando estes detalhes de lado e continuando a lista...


...Você mesmo e sua vida (desde o começo):

Eu posso me descrever como o contrário da descrição de Rein. Sou dono de uma expressão séria e um humor um pouco ácido, tenho facilidade para dialogar, mas dificilmente sou a pessoa que inicia a conversa e, em geral, sou aquele que prefere ouvir do que falar. Faço exercícios com certa frequência e gosto dos esportes, ainda que nada supere o quadribol. Posso me considerar inteligente (não tanto quanto meu gêmeo, óbvio), organizado, atencioso e, como diriam meus irmãos, com ‘mania’ de proteger os outros. Meu irmão diz que sou bonito, mas tenho certeza que Rein só diz isso porque é o que acha de si e como somos iguais........ Bem, Típico.

Sobre minha vida, nasci em Manchester, Inglaterra, durante uma visita de meus pais aos meus avós maternos, ou seja, por puro acaso e, assim sendo, como era desejo de meu pai, fui registrado na Alemanha. Eu, como a maioria dos seres humanos, não sei como foram meus primeiros meses de vida e tudo o que tenho são lembranças enevoadas dos primeiros anos, mas é fato que desde que me recordo eu e Reinhard estávamos juntos e meus pais ausentes. Dois anos após nosso nascimento veio Karl e um ano depois deste, Katherine.

Vivemos e crescemos os quatro na companhia uns dos outros e, eventualmente, de alguns dos elfos domésticos que variavam entre companheiros e alvos das brincadeiras infantis que fazíamos. Durante estas, como comentei antes, Karl era o alvo preferido de Rein. Kath, do jeito inocente de ser, tentava ajudar Karl e se juntava a ele, o que fazia com que em alguns casos (ou na maioria deles), fosse inevitável que eu me juntasse ao meu irmão mais novo – ainda que eu não me colocasse entre as disputas dos dois, apenas evitava que nossa Prinzessin se envolvesse, distraindo-a e me isentando da ‘diversão’. Não exatamente interessante, mas creio que sempre tive esse costume e, ainda que nossa família dissesse que “cuidar dos mais novos era uma obrigação do primogênito” – algo extremamente arcaico –, ainda assim Rein era o ‘inconsequente e impulsivo’ enquanto eu era o ‘cuidadoso e racional’, logo, era natural que eu cuidasse de meus irmãos (inclusive de Rein) e os protegesse sempre que necessário. Certa vez, aliás, lembro-me até de cair de um barranco para evitar que Karl o fizesse, após uma peça mal elaborada que nosso irmão mais velho lhe pregou. Na ocasião eu fiquei bastante machucado e Reinhard aprendeu a ponderar sobre o teor das brincadeiras depois deste incidente, afinal, por pior que ele pareça, ele é do tipo que não gosta de ver as pessoas feridas (física ou emocionalmente).

Enfim, aos onze anos Rein e eu ingressamos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts onde ele foi designado para a Corvinal e eu Grifinória. Conhecemos várias pessoas em nossas respectivas casas e crescemos dentro delas. No segundo ano ingressei no time de quadribol no meio do campeonato, quando o goleiro se machucou após ser lançado contra os aros por um sonserino nada amigável ou mesmo discreto (o que causou o afastamento deste, mas isso é outra história). Fiz o teste e recordo de ter defendido diversas goles dos modos mais variados – algo que treinara junto de meus irmãos durante as férias – e como os integrantes do time gostaram particularmente de minhas reposições, fui aceito. Relacionado a isso, aliás, lembro que quando jogávamos contra os corvinos, muitos alunos da casa queriam bater em meu irmão por ele comemorar quando eu defendia um gol, mas, em compensação, ele era o primeiro a zombar se eu deixava passar alguma goles (o que lhe rendia, em retribuição, alguns safanões após o jogo – porque sim, sou um pouco vingativo).

Mesmo estando em casas diferentes e ainda que houvesse os estudos, os jogos e os treinos, Rein e eu sempre nos encontrávamos (entre as aulas, em meio a algumas destas, durante as refeições, à noite até o toque de recolher e durante o tempo livre) e andávamos juntos pelos lugares. Algumas vezes, não sei como, Rein aparecia no salão comunal da Grifinória... e acho que ele teria sido expulso se eu não intercedesse dando tempo para ele escapar. Na verdade, ele tinha esse costume de causar tumulto ou ir contra as regras, tal como fazia quando criança. Algumas vezes o fato de ele tirar boas notas e ser de uma simpatia ímpar ajudava a driblar até mesmo o nosso zelador, mas em outros casos, na maioria, eu acabava interferindo e criando desculpas ou histórias, ajeitando-as de acordo com a pessoa com a qual lidava, tudo para vê-lo livre ou pelo menos atenuar o castigo (e algumas vezes, acabava sendo mandado junto por ser impertinente, mas tudo bem). Analisando agora, acho que é por conta dessas inúmeras vezes que salvei Rein – ou ao menos tentei – que hoje em dia sou tão bom em ler as pessoas, blefar ou inventar desculpas para determinados casos (definitivamente não me orgulho disso, mas é algo instintivo).

Então, passado algum tempo, Karl entrou em Hogwarts e foi para a mesma casa que a minha e, na vez de Katherine, esta foi para a casa de Reinhard. Confesso que eu e Karl, como dois tolos irmãos mais velhos e inseguros pela irmãzinha que já era grande o bastante para se virar (eu só vejo deste modo agora), ficamos preocupados com Kath sob a ‘vigilância’ de alguém tão ‘nada vigilante’ como Rein. Diferente das expectativas, contudo, Kath logo veio reclamar que nosso ‘irmaozão’ parecia um cão de guarda e que ela estava começando a ficar irritada. Eu e Karl ríamos com aquilo, porque não imaginávamos aquele lado exagerado de Rein (apesar que dele, pode-se esperar de tudo) enquanto ele apenas assoviava como se não tivesse nada a ver com a história.

Com o passar dos anos e a idade avançando, corpos se desenvolvendo e interesses modificando, Reinhard passou a chamar mais a atenção, principalmente da população feminina do castelo. Ele era um garoto fácil de se lidar e divertido, o que contribuía em sua popularidade e o que, por tabela, aumentava a minha, mesmo que eu nada dissesse e fosse apenas educado com a maioria das pessoas que passavam por nós para falar com meu irmão. Rein dizia (ou brincava) que minha imagem de garoto sério, frio e inalcançável (?) era um encanto (??), principalmente para meninas sonhadoras (???). Eu revirava os olhos cada vez que ele começava com aquela conversa típica desse gêmeo oposto que eu tenho, mas, apesar de tudo, acho que ele tinha um pouco de razão. Lembro-me que nós nos relacionamos com algumas colegas e a maioria das que gostavam de mim eram exatamente daquele estereótipo... e talvez seja por isso que nunca tive namoros muito longos. Porque quando elas viam que eu não era do modo como elas idealizavam, decepcionavam-se e me culpavam.

Enfim, durante as férias de verão, nós voltávamos para nossa casa na Alemanha e, como eu disse antes, meu pai arrastava Karl, Rein e eu para algumas das reuniões da empresa. Ficávamos ao lado de nosso pai na mesa de reuniões ou em outro ponto da sala. Eu ouvia, mas não fazia questão de absorver muita coisa, sabendo que eu ainda veria (e de fato vejo) muito daquele falatório ao longo da vida. Karl gostava e prestava atenção em cada um dos tópicos abordados, algumas vezes até fazia anotações e eu achava assombroso aquele interesse por negócios. Reinhard, como era de se esperar, bocejava e não foram poucas as vezes que o vi dormindo disfarçadamente, quebrando as esperanças de August, que contava com a atenção de Rein, principalmente no que ele, o diretor executivo, falava, pois o primogênito seria o próximo a lidar com aquilo. Isso, claro, só mostra o quão pouco nosso pai nos conhecia e quão ligado a certas tradições infundadas (como a necessidade de o filho mais velho herdar os negócios) ele era.

E assim se passaram nossos anos em Hogwarts e, até hoje, eu e meu irmão concordamos que aqueles foram os mais divertidos de nossas vidas. Com a formatura e tendo os N.I.E.M.s impecáveis, poderíamos ter seguido qualquer carreira, mas, ainda que eu tenha ingressado no curso do ministério para formação de aurores (o qual ainda frequento durante os fins de semana, apenas pelo interesse), como já disse, acabamos dando sequência aos negócios de nosso pai. Pode ser fraqueza nossa, mas não é fácil dizer “não” para August, porque se há algo que ele possui, isso é poder e, além disso, uma frieza incalculável para acabar até mesmo com os próprios filhos se assim ele julgasse necessário para levar em bom tom o que realmente importa – no caso, seus clientes e a empresa (eu vi isso acontecer quando pequeno, acompanhei, ouvi e, por conta disso, aprendi a temer. Temor este que se estende até hoje).

Uma vez fazendo parte dos negócios de maneira efetiva, eu e Rein passamos a seguir nosso pai e nossa mãe, aprendendo com eles tudo o que deveríamos saber sobre as empresas com as quais trabalhávamos ou nos associávamos. Viajamos para vários países sendo apresentados e foi uma surpresa quando o presidente nos designou para ir supervisionar uma reunião sozinhos, acrescentando que éramos bastante capazes e que por isso ele confiaria em nós. Foi a primeira vez que recebemos algo próximo de um elogio vindo dele, devo dizer. Obviamente que, por causa disso, não o desapontamos e por isso não demorou muito para que começássemos a ir sem meu pai para as reuniões em outros locais, deixando August com algumas empresas que apenas ele contata e, diz minha mãe, nem mesmo ela sabe quem são.

Em algumas raras ocasiões, como foi o caso da última reunião que tive, apenas eu vou para estes encontros para supervisionar e resolver o que for necessário, enquanto Rein fica para se aperfeiçoar e aprender mais sobre o futuro como cabeça (não que ele ache necessário, mas...). Eu me perguntava o porquê de exatamente eu ser mandado, não outro funcionário mais experiente. De acordo com minha mãe, meu pai dizia que nas vezes em que ele me viu dialogar com os clientes ou sócios, meu modo de me articular, modificar pontos de vista e me tornar convincente até mesmo para o homem mais rígido e 'cabeça-dura', eram perfeitos para aquelas reuniões que funcionavam como uma construção malfeita, porém persistente, que só viria a baixo se aquele que o desejava destruir encontrasse os alicerces certos. Eu parecia saber estes pontos ou, pelo menos, o meio de achá-los e, por isso, era o escolhido para aquelas viagens. Dentre tantas coisas, jamais imaginei que justamente a ‘habilidade’ que adquiri por causa das encrencas de Reinhard fosse servir para algo como reuniões de negócios, mas tudo bem.

Além desses motivos, minha mãe acrescentou que, caso algo desse muito errado (e era bom saber que havia essa possibilidade), eles acreditavam que minha capacidade física seria útil e que eu tinha habilidades o suficiente para me defender ou escapar do que quer que fosse. Aliás, aqui devo salientar que eu imaginava que, de fato, eu tinha essa capacidade ou, pelo menos, alguma chance, mas agora, lembrar que eu pensava assim me faz ter vontade de rir e eu riria, se este ato não fizesse doer tanto minhas costelas em recuperação, porque é neste ponto que o passado deixa de ser distante e se torna quase o presente, surgindo a explicação mais detalhada do motivo de meu estado acamado atual e da televisão citada lá em cima.

Há mais de duas semanas tive uma reunião com alguns clientes do mundo trouxa nas proximidades do famoso Big Ben. A reunião terminou ao anoitecer e eu, ao sair, cruzei as ruas em busca de algum lugar que eu pudesse aparatar (porque é incrível como em grandes cidades existem trouxas escondidos até mesmo nos becos mais escuros). Em meio ao meu caminho, contudo, não sei bem como ou em que circunstâncias, mas um carro me acertou e eu lembro de voar. Depois disso, ouvi algumas pessoas gritando ao longe, vi outras se aproximarem de mim e depois minha consciência me deixou. Ao recobrá-la, vi que estava em um lugar que, pelas aparelhagens desconhecidas, supus ser um hospital trouxa. Vi uma enfermeira trocando algo que pareciam bolsas de soro e depois voltei a dormir. Quando acordei novamente, havia um médico ao meu lado que, surpreso, me saudou e explicou a situação. Perguntou qual era o meu nome e do que eu me lembrava, eu murmurei tudo, sentindo minha cabeça latejar no processo, enquanto todo o meu corpo parecia anestesiado (e se eu disse algo sobre bruxos e magia, ele deve ter imaginado que se tratava de um devaneio ou algo semelhante, pois nada comentou).

O Dr. Grant, tal como ele próprio se apresentou, disse que eu lhe dera trabalho e me deu uma lista de lesões, fraturas, quebras e afins que eu tive com o atropelamento e das quais não me recordo com exatidão. Era milagre (ou sorte) eu estar vivo e sem nenhum risco de ficar com sequelas. No máximo algumas cicatrizes. O maior medo do doutor, contudo, era com relação à minha memória que, a princípio, mostrava-se bem. Ele acrescentou que esperaria eu me recompor das cirurgias e depois faria exames mais específicos, dentre outros necessários.

Uma semana e meia se passou e aqui estou eu. Após uma bateria de exames onde nada se mostrou errado com meu cérebro, sinto-me menos pior. Minha cabeça dói com qualquer movimento, ainda não posso mexer meu ombro esquerdo e nem meu tronco por causa das costelas. Minha perna direita está engessada, dentre outras coisas, mas ao menos consigo achar posição para escrever. Devo confessar que eu bem que desejava estar em um hospital bruxo neste momento. Não que os trouxas sejam ruins, pelo contrário, ainda estou vivo graças a eles – e, creio, a alguma porcentagem da minha magia –, mas nas mãos de medibruxos, sem dúvidas eu me recuperaria mais rápido. Além disso, por estar em meio a trouxas, não tenho nenhuma ligação com o mundo mágico a não ser alguns clientes a quem, no final, fui obrigado a recorrer. Hoje solicitei a uma enfermeira que contatasse o cliente que visitei, a fim de pedir para que ele entrasse em contato com o escritório na Alemanha para que avisassem minha família e, por fim, dissesse meu paradeiro.

Agora, enquanto espero notícias, eu durmo, converso com os enfermeiros e enfermeiras que vem trocar meus remédios e escrevo, porque é tudo que posso fazer na minha condição atual sem levar algum tipo de sermão ou sentir algo sair do lugar. Assim sendo, aqui finda meu eu até então. Devo ter esquecido de alguns detalhes ou pontos, mas acrescento outra hora se eu julgar necessário (ou quando eu estiver completamente recuperado).

Aliás, agora o motivo de minha vontade de rir anterior foi explicada, não? Afinal, dentre tantas situações que um bruxo como eu poderia eventualmente enfrentar, com tantas criaturas mágicas, artes das trevas e bruxos malignos soltos pelo mundo, eu fui me deparar e quase perder para um carro]. Depois as pessoas não compreendem quando eu digo que não devemos subestimar os trouxas...


A lista terminou. Quero dizer, há outra série de questões que eu acabei por responder ao longo de minha dissertação sobre eu mesmo e, assim sendo, posso terminar por aqui, até que algo de interessante torne a acontecer – ou minha mão e minha cabeça parem de doer.

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Stiles Huchefild Que isso, dá umas dica ai, tia :D 16/10/2015 às 17:34:17
Ryan Suliver É a Meriu, cara. Não tem como não ser foda *-* Quando eu crescer, quero ser que nem ela xD 10/05/2015 às 16:32:10
Pablo Anamias Ótimo, gostei muito. 23/02/2014 às 16:47:37